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Os Piores Filmes de 2011

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Como meu amigo Artiles Reis já disse, eu vejo todo tipo de filme. E é verdade! Com exceção da maioria dos filmes de terror (que não faço muita questão de ver), eu tenho esse hábito de assistir quase todo filme que baixo com o mesmo empenho com que vejo Cidadão Kane todo ano, religiosamente. Talvez por este hábito típico de um cinéfilo muitas vezes me deparo com verdadeiras bombas que ao menos me trazem a possibilidade de escrever esta lista: os piores filmes do ano! E convenhamos, é muito mais divertido escrever uma lista com os piores filmes do que ficar procurando filmes "de arte" bons o bastante para figurar entre os melhores. Sendo assim, vamos aos piores filmes que vi este ano (e um que não vi, mas é ruim mesmo, nem venham discutir):

Cartaz climático, filme apático
10. A Coisa - Uma decepção daquelas. Se o filme de John Carpenter de 1982 (O Enigma de Outro Mundo) é um terrorzão de ficção científica com um clima tenso e uma criatura tenebrosa, este prelúdio ao clássico da década de 80 se mostrou uma frustração e uma prova de que não adianta investir 30 milhões de dólares em um filme desses sem que tanta grana esteja nas mãos de pessoas talentosas. Que saudade da genialidade de John Carpenter!

9. Eu queria ter a sua vida - Comédia sobre troca de corpos? Isso é trama velha até no Brasil!

Alegria é ter uma scooter!
8. Larry Crowne - O amor está de volta - Aparentemente, não tinha como dar errado: Tom Hanks de volta à direção e ainda estrelando o filme juntamente com Julia Roberts, fazendo um casal em uma comédia romântica? Até posso ver os olhos dos executivos brilhando, pensando nos milhões arrecadados. Doce ilusão! Larry Crowne é a prova de que as coisas não são mais como antigamente em Hollywood. Nenhum filme se sustenta mais somente pelo fato de ter um elenco estelar. A força está na ideia, ou na familiaridade do público com a história, o que acontece com adaptações de livros ou quadrinhos. No final das contas, esta comédia sem graça tenta se sustentar em uma ou duas cenas bacanas, mas não cria nenhuma empatia com o público. Seu protagonista em nenhum momento faz com que a audiência torça por ele, e o beijo do casal no fim (oh, spoiler, foi mal aí) não emociona nem aquela balzaquiana solteirona, com as emoções à flor da pele. Bomba total.

O pior uso de CG do ano
7. Lanterna Verde - Com um personagem interessante nas mãos, mas uma execução pífia, este filme de super-herói poderia tirar a DC do ciclo Superman-Batman nas adaptações cinematográficas. Entretanto, o que se tem é um daqueles filmes absolutamente descartáveis que acerta em algumas (poucas) coisas e erra na maior parte da projeção. Se a criação do mundo de Oa, planeta dos guardiões, é de encher os olhos, a atuação desinteressada de Ryan Reynolds é medíocre - como é que um cara comum recebe um anel com poderes quase infinitos e se adapta a ele como quem compra um celular e logo aprende a usá-lo? Entre outros fatores, este filme está nesta lista simplesmente por não funcionar em sua totalidade. E olha que eu botava fé nele, a despeito de todos os outros fãs estarem muito desconfiados. Maldita ingenuidade!

Não podiam ter se contentado com um filme?
6. Se beber, não case Parte 2 - Tá brincando? Os caras fazem exatamente o mesmo filme, com exceção do cenário diferente (troca-se Las Vegas por Bangkok), e ainda querem receber elogios? Mais caça-níqueis impossível!

5. Sucker Punch - Mundo Surreal - Este era para ser o filme mais pessoal de Zack Snyder (300, Watchmen, Madrugada dos Mortos), mas no fim se tornou aquele filme que alguns fãs querem tornar cult a todo custo, mesmo sendo uma tremenda decepção! Durante a divulgação do filme, os trailers mostravam cenas fantásticas, com cenários de videogame, ação insana e mulheres fatais no melhor estilo Sin City. Mas com uma trama rala (ou a completa ausência dela), Sucker Punch não passa de um delírio mal descrito. Se Snyder escolhesse retirar toda aquela fraca trama no hospício e desenvolvesse uma daquelas subtramas contadas na mente da protagonista, talvez desse para retirar o filme desta lista. Ele não fez isso, deu no que deu: fracasso de público e crítica.

Ela é bonita, ok. Mas o filme...
4. Professora Sem Classe - Mais uma comédia insossa fazendo parte da lista. Quem achava que Cameron Diaz voltaria ao estrelato com esta tentativa de criar um ícone dos anti-heróis, certamente pensou melhor depois de assistir - a duras penas - os 90 torturantes minutos com a história desta "professora" insuportável que não consegue a simpatia do público nem por um segundo.

Cilada é ver este filme


3. Cilada.com - Se tinha que existir um representante do nosso querido cinema nacional por aqui, este tem que ser Cilada.com. Se na TV o programa Cilada apresentava situações incômodas interessantes e divertidas, a transição para o cinema mostrou o quanto um ego inflado pode ser ruim para um comediante. Com piadas à la Zorra Total e um machismo quase patológico, o filme (?) com Bruno Mazzeo é um insulto à inteligência até dos fãs do humorístico global citado anteriormente. Pensando bem... Não. Eles vão gostar.

2. Cowboys & Aliens - É impressionante como Jon Favreau, dirigindo Daniel Craig e Harrison Ford, possa ter errado tanto com um filme. Esta aventura que mistura western com ficção científica até começa bem, com o misterioso primeiro ato, mas depois que aliens invadem o planeta, tudo degringola e se torna um "samba do vaqueiro doido". É o segundo da lista por ser a maior decepção do ano!

É ou não um dos piores cartazes do ano?
1. Reféns - Nicolas Cage e Nicole Kidman devem ter agentes bem ruins mesmo. O primeiro alterna papeis risíveis com atuações poderosas em filmes poderosos: primeiro ele arrebenta em Vício Frenético para depois fazer filmes ridículos como Caça às Bruxas ou este Reféns. Já Nicole Kidman raramente aparece em algum filme interessante, como em Reencontrando a Felicidade. Ela é a atriz mais bem paga de Hollywood, mas que não dá lucro algum há muito tempo. Já esta pérola de thriller chamado Reféns é uma verdadeira bomba, daquelas que lançam estilhaços por todos os lados. Ninguém fica ileso de culpa por este arremedo de filme. Pior do ano fácil, fácil.







Os atores do filme fazem isso o filme inteiro

MENÇÃO HONROSA - HORS CONCOURS

A Saga Crepúsculo: Amanhecer Parte 1  - E pensar que vampiros já foram cool. Com um fiapo de história que se arrasta desde o primeiro filme, a última parte da série "mamãe-quero-ser-Harry-Potter" não se contenta em desfilar seus pseudodiálogos em apenas um filme, obrigando as fãs enlouquecidas a pagarem novos ingressos (novos porque elas não veem o filme apenas uma vez) pela segunda parte do último livro! Coloco o filme como menção honrosa simplesmente pelo fato de ser esta franquia apenas algo tipicamente "feito para fãs", logo, não vale a pena resenhar. Mas é que falas como estas deviam ser proibidas: -Te encontro no altar. -Serei aquela de branco.
Argh.

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Novo trailer de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge no ar!

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Ainda faltam seis meses para a estreia do 3º e último capítulo da saga de Batman nas mãos de Christopher Nolan, e a Warner liberou o novo trailer do filme para deixar todo mundo roendo as unhas de ansiedade!

Confira e espere a estreia, que acontecerá em 20 de julho de 2012.

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Os 10 melhores filmes de 2011 segundo a Sight & Sound

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A prestigiada revista britânica Sight & Sound divulgou sua lista de melhores filmes do ano. Como toda lista, há controvérsias nas escolhas. Uma característica marcante da lista é a presença de vários filmes não-americanos. Veja a lista e tire suas conclusões. As minhas estão logo abaixo.



1. A Árvore da Vida (The Tree of Life, de Terence Malick, EUA)

2. A Separação (Jodadeiye Nader az Simin, de Asgar Farhadi, Irã)

3. O Garoto de Bicicleta (Le gamin au vélo, de Jean-Pierre & Luc Dardenne, Bélgica/França/Itália)

4. Melancolia (Melancholia, de Lars von Trier, Dinamarca/Suécia/França/Alemanha/Itália)

5. The Artist (de Michel Hazanavicius, França)

6. Once Upon a Time in Anatolia (Bir Zamanlar, Anadolu'da, de Nuri Bilge Ceylan, Turquia/Bósnia e Herzegovina)

7. O Cavalo de Turim (A torinói ló, de Bela Tarr, Hungria/Suíça/Alemanha/França/EUA)

8. Temos de Falar Sobre Kevin (We Need to Talk About Kevin, de Lynne Ramsay, Inglaterra/EUA)

9. Le Quattro Volte (de Michelangelo Frammartino, Itália/Alemanha/Suíça)

10. Isto não é um filme (In film nist, de Jafar Panahi, Irã) e O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy, de Tomas Alfredson, Inglaterra/França/Alemanha)

Os filmes nas posições 6, 7 e 9, devo confessar que ouvi falar agora, lendo a lista. Quanto a O Garoto de Bicicleta, já vi e escreverei minha resenha em breve, mas já posso adiantar que é um bom filme com ressalvas. Temos de Falar Sobre Kevin devo assistir esta semana, e aguardo ansiosamente, assim A Separação, filme do qual só tenho boas recomendações. 
The Artist é um desses filmes que surgem uma vez na vida da gente e causam uma vontade louca de assistir. Primeiro porque trata-se de um filme mudo em pleno século XXI, depois por ter sido aclamado em quase todas as listas de melhores do ano. Ainda não vi, mas mal posso esperar!
O filme de Lars von Trier, Melancolia, também não assisti, mas estou esperando o momento certo. Não é fácil ver filmes do diretor sueco amalucado, genial para uns, fraude para outros.
Quanto à posição de A Árvore da Vida como melhor filme do ano não é de admirar, visto ser o filme de Terence Malick o queridinho da crítica em todo o mundo. Já expus minha opinião sobre este filme, mas admito que preciso vê-lo novamente para poder captar melhor nuances que certamente deixei escapar. Ninguém entenderá este filme completamente na primeira sessão. A questão é: merece estar no topo da lista? Por várias razões, considero ser este um dos 10 melhores filmes do ano, mas nº 1? Fica a questão.

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Histórias Cruzadas

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Pequeno filme sobre empregadas negras americanas nos anos 60 é pérola a ser descoberta

A luta pelos direitos civis dos negros do sul dos EUA e o cotidiano das famílias negras americanas já rendeu bons filmes, sendo alguns deles inesquecíveis, como A Cor Púrpura, que Steven Spielberg dirigiu em 1985. Quando todos pensavam que não havia mais nada a ser dito sobre esta questão, eis que o diretor Tate Taylor lança Histórias Cruzadas (The Help, EUA, 2011), um filme despretensioso que arrebatou o público e já rendeu até o momento 169 milhões de dólares (o orçamento foi de 25 milhões).
Tamanha comoção pode ser perfeitamente compreendida quando assistimos ao filme. Com um ritmo envolvente e atuações espetaculares de Viola Davis, Octavia Spencer e Emma Stone, a história de empregadas negras americanas que são convencidas por uma garota branca aspirante a escritora a relatarem suas vidas e seu cotidiano, é capaz de emocionar sem jamais apelar para pieguices recorrentes nos dramas sobre direitos civis.
Em pleno estado do Mississippi nos anos 60, Skeeter (Emma Stone) é uma jovem solteira recém-formada que retorna à cidade de Jackson. Determinada a se tornar uma escritora, ela causa polêmica ao decidir entrevistar a empregada de uma de suas amigas. Aibileen (Viola Davis), a empregada em questão, é uma típica descendente de escravos sulistas: sua mãe foi empregada, e sua avó era escrava doméstica. Muitas crianças brancas foram criadas por ela, crianças que sempre eram deixadas nas mãos das empregadas enquanto suas mães se distraíam sendo mulheres da sociedade, com seus jogos de bridge e seus brunches. Aibileen aceita ser entrevistada e começa a relatar sua vida e tudo o que já sofreu. Logo se junta a ela Minny (Octavia Spencer), outra empregada que foi demitida ao não aceitar usar o banheiro exclusivo para negros na casa dos patrões.
Muitas coisas podem ser ditas sobre Histórias Cruzadas. Como o título nacional deixa claro, são várias as histórias se entrelaçando e atraindo o espectador, que se sente desejoso de acompanhar cada uma delas. Os personagens interessantes e marcantes surgem um após o outro e o elenco não permite que o filme fique desinteressante em nenhum momento. Além das atrizes já destacadas, o elenco ainda tem Bryce Dallas-Howard, Jessica Chastain, Sissy Spacek e Ahna O'Reilly. Elenco de apelo feminino, nota-se, principalmente por tratar-se de um filme que não se limita nas histórias das mulheres negras, mas também retrata a pressão que as brancas sofriam para engravidar e cumprir todas as convenções sociais que lhes convinham.
O trabalho de Tate Taylor cumpre com perfeição todos os critérios para que um filme toque o coração do espectador, e pode até arrancas algumas lágrimas dos mais sensíveis. Vale (mesmo) a pena!

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Rastros de Ódio (da série 1001 Filmes)

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Poucos filmes são tão definitivos para a compreensão do que é o cinema quanto Rastros de Ódio (The Searchers, EUA, 1956). Dirigido por John Ford, este clássico é considerado o maior western de todos os tempos, sendo presença em praticamente todas as listas dos 10 maiores filmes da história. Não é acaso nem  capricho da sorte este filme grandioso fazer parte de todas estas listas. Trata-se de uma obra atemporal, bela e incômoda; violenta e serena. O Ethan Edwards interpretado magistralmente por John Wayne é com certeza o personagem mais fascinante da carreira deste ícone do cinema, superando até mesmo o papel que lhe rendeu o Oscar em Bravura Indômita. Ethan é um ex-combatente da Guerra Civil Americana que volta da guerra para o rancho de seu irmão no Texas três anos depois do fim da guerra, esperando estar mais próximo da família e principalmente de sua cunhada, a mulher que ele ama.
O rancho fica em um território que vive sob constante ameaça de índios comanches, e logo no começo do filme os nativos atacam o rancho, massacrando toda a família e levando cativa a filha caçula, Debbie (Natalie Wood). Ethan então embarca em uma jornada para resgatar a sobrinha, uma viagem que dura anos, de modo que ele imagina o pior horror que poderia acontecer a ela: a assimilação total de Debbie pelos comanches, tornando-a igual aos índios odiados por ele. Em um momento icônico do filme, Ethan diz preferir meter uma bala na sobrinha a ter de conviver com a ideia de que ela se tornou uma comanche. Em sua jornada para encontrar Debbie, Ethan conta com a ajuda de Martin (Jeffrey Hunter), mestiço criado como um filho pela família do irmão. E a força do filme está na lenta aproximação de Ethan e Martin. O ex-soldado a princípio rejeita o rapaz, mas eventualmente ele acaba percebendo o valor da coragem e da abnegação de Martin, que deixou tudo para trás a fim de salvar Debbie, a quem ele considera uma irmã.
A porta emoldura a imensidão do deserto nesta história sem heróis
John Ford, diretor famoso por seus westerns, conduz Rastros de Ódio com a grandiosidade digna do cenário, as grandes montanhas texanas, o Monument Valley, cravado no meio do deserto implacável, que são filmadas de modo a amplificar a experiência da solidão desértica. Ford também sobrepõe uma antítese que marcaria gerações de cinéfilos, a contradição entre a civilização representada por Martin e a selvageria incorporada por Ethan, especialmente nas cenas que abrem e fecham o filme, nas quais a porta da casa serve como moldura para a desolada paisagem do deserto; do lado de dentro, está a civilização e do lado de fora encontram-se a dureza e a aspereza de uma vida que não consegue mais se encaixar à modernidade. Do lado de fora está Ethan Edwards.

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Contágio

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Thriller realista mostra que uma epidemia global não é invenção de Hollywood

Atenção: este filme pode causar reações imprevisíveis, como o repentino medo de tocar as pessoas e a imediata perda de vontade de comer carne de porco. Isso porque Contágio (Contagion, EUA, 2011), novo filme de Steven Soderbergh (Erin Brockovich, 11 Homens e um Segredo) é um verdadeiro alerta sobre hábitos que todos nós temos, os quais na maioria das vezes não notamos, que podem gerar consequências indizíveis e terríveis. É claro que Contágio é uma produção de Hollywood, feita por um grande estúdio, planejada para fazer dinheiro, gerar lucro. Mas ainda assim, o thriller não se entrega a clichês do gênero apocalipse, segundo os quais geralmente tem-se um herói - que quase sempre é um sujeito comum - que será o salvador da humanidade, sobrevivendo e encontrando ele/ela mesmo(a) a solução para o problema.
Não aqui. Em Contágio não há um protagonista, ou protagonistas, que tomam a frente da situação e resolvem tudo. O filme mostra as várias pessoas envolvidas na identificação da doença que causa uma epidemia de proporções cataclísmicas e na procura pela cura dessa doença, que é transmitida pelo toque. Com a ajuda de um elenco estelar - ajuda muito um diretor ter muitos amigos astros e estrelas do cinema - vários aspectos da luta contra essa epidemia são mostrados: a paciente zero (Gwyneth Paltrow) e seu marido, que inexplicavelmente é imune (Matt Damon); os cientistas em busca da identificação do vírus e da vacina (Laurence Fishburne, Kate Winslet e Jennifer Ehle); a especialista da OMS - Organização Mundial da Saúde (Marion Cotillard); o militar que quer evitar o pânico nas ruas (Brian Cranston); e o blogueiro investigativo que busca descobrir a verdade sobre o vírus enquanto o governo e as indústrias farmacêuticas tentam ocultá-la (Jude Law).
A maioria dos personagens não interage entre si, mas suas histórias são contadas com muita competência pelo roteiro, que embora não encontre tempo para desenvolver o caráter e a personalidade de cada personagem (até porque não é isso o que está no foco), faz de cada cena um momento tenso, onde nunca sabemos quem irá ficar doente e quem sairá ileso do terror do vírus.
Um ótimo trabalho de Soderbergh, que já soube lidar muito bem com paranoias sociais em Traffic e demonstra com bastante realismo como a humanidade - e seus governantes - lidaria com uma doença terrível e fatal.

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50% - Comédia dramática sobre câncer e amizade

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Um cara descobre que tem câncer, consegue superar a doença e depois escreve um roteiro para um filme baseado em sua experiência. O filme é produzido por Seth Rogen (Ligeiramente Grávidos), que é seu amigo,  que também co-estrela a produção ao lado de Joseph Gordon-Levitt ((500) Dias Com Ela), o ator que fará o personagem baseado em você. A comédia é um sucesso de crítica, torna-se candidata a cult e todos os analistas a apontam como provável indicada ao Oscar. Nada mal, hein?
Foi exatamente o que aconteceu com Will Reiser, o roteirista em questão, que escreveu 50% (50/50, 2011), bela comédia dramática que conta a história de um cara de 27 anos, Adam, que descobre ter um tipo raro de câncer na coluna e precisa aprender a lidar com a doença. Ele não está só. Seu melhor amigo, Kyle, mostra que sua amizade é verdadeira, ao acompanhá-lo durante todo o processo.
Dirigido por Jonathan Levine, um novato que não tinha feito nada digno de nota até agora, 50% é honesto e emocionante sem jamais escorregar na pieguice. Não se trata de um drama concebido em uma sala de reuniões abarrotada de executivos de estúdio, milimetricamente planejado para fazer o público chorar. Antes, o filme conta uma história realmente comovente sem jamais apelar. Não se preocupe, não estamos falando de Marley e Eu.
Há momentos agridoces neste filme, nos quais em um instante você está rindo e no outro está chorando. E isso é o que faz de 50% um belo exemplo de como fazer drama sem esfregar o rosto do público em um balde de mel e tragédias. Talvez este seja o motivo de tamanha aclamação pela crítica. O trabalho de Joseph Gordon-Levitt é primoroso e merece uma indicação a Melhor Ator. Também é emocionante a atuação de Anjelica Huston no papel de Diane, a mãe solitária de Adam. A cena na qual ela leva o filho a uma consulta é uma das mais sinceras do ano. Anna Kendrick (Amor Sem Escalas), como a terapeuta inexperiente de Adam, também está excelente e merece aplausos.
Se há um filme este ano em que pode-se apostar que obterá algumas indicações ao Oscar, 50% é um deles.

Segundo informação do IMDB, o filme sairá no Brasil direto em DVD. Mas é bom aguardar o anúncio dos indicados ao Oscar, pois essa situação pode mudar. É esperar para ver.

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Atração Perigosa

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Ben Affleck segue mostrando seu talento como cineasta

Se como ator Ben Affleck não tem se saído muito bem, com escolhas duvidosas e fracassos retumbantes de crítica e público, como diretor ele tem demonstrado uma consistência pouco vista em Hollywood. Medo da Verdade, de 2007, recebeu críticas entusiasmadas, com sua trama misteriosa e tensa, apesar de não ter atraído o público aos cinemas. Mas com Atração Perigosa (The Town, 2010) Affleck provou que não é cineasta de um filme só. Com uma história envolvente que mistura filmes de assalto com romance e drama de gângster, o astro está em seu ambiente verdadeiro: a cadeira de diretor. Embora tenha sido premiado com o Oscar de Roteiro Original por Gênio Indomável (1997), Affleck ainda se mostrava um astro inconstante, alternando bons e péssimos momentos. Basta lembrar de bombas como Contato de Risco, no qual contracenou com sua então namorada Jennifer Lopez, e quase destruiu sua carreira, tornando-se motivo para piada na Capital do Cinema.
O que pesa a favor de Affleck em Atração Perigosa é a força de seu roteiro. Baseado no romance de Chuck Hogan, Prince of Thieves, o filme conta a história de uma quadrilha especializada em assaltos a bancos e carros-fortes que durante um trabalho leva como refém a gerente de um banco, Claire (Rebecca Hall). Eles a deixam em uma praia, mas depois Doug (Affleck) precisa vigiá-la, pois descobre que ela é moradora do mesmo bairro da quadrilha. Ele acaba envolvendo-se com Claire, que está traumatizada pela situação que experimentou. O envolvimento entre os dois é inevitável, e é notável a transformação pela qual ele passa simplesmente por ter encontrado uma razão para mudar. É claro que nada será fácil para os dois e a trama faz questão de aumentar a tensão até o último assalto da quadrilha, no qual sangue será derramado.
O filme é um retrato de Charlestown, bairro de Boston conhecido como a capital americana de assaltos a banco, onde famílias inteiras vivem do "ofício". Boston é a terra de Affleck, que já a retratou em Medo da Verdade; os filmes do ator/diretor têm sido construídos de modo a mostrar sua cidade, mas nunca de modo elogioso, ufanista. Os bairros que Affleck mostra são filmados de maneira realista, sem maquiagem. Alguns dos  membros do elenco de Atração Perigosa são moradores locais, atores não-profissionais, o que contribui para a veracidade da história contada.
Por tudo isso Atração Perigosa é um filme inteligente e envolvente. Chama a atenção também a atuação de Jeremy Renner (Guerra ao Terror), como James Coughlin, membro da quadrilha de Doug, cujo temperamento explosivo leva toda a gangue a consequências trágicas.

Em tempo: o filme já foi lançado em DVD e Blu-Ray, e encontra-se sendo exibido na TV paga, pela HBO.

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Drive - Filme de ação com cérebro

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Não é coisa comum um filme de ação que privilegie os personagens e que não tem pressa de mostrar perseguições e explosões, preferindo construir a ação gradualmente sem esquecer que um filme deve contar uma história. Assim é Drive (2011), que recebeu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes, fato raríssimo para filmes do gênero. O prêmio é merecido, pois o trabalho do dinamarquês Nicholas Winding Refn é primoroso. Trata-se de uma retomada do clássico herói-sem-nome, típico personagem da filmografia de Clint Eastwood. Mas Drive não se limita a homenagear heróis do cinema das décadas de 70 e 80, apesar do clima retrô presente nos letreiros dos créditos iniciais - em rosa-choque - e da trilha sonora oitentista. O filme é uma obra densa e belamente filmada para colaborar na atuação do elenco e na construção da trama que, no final das contas, conta uma história de amor.
Ryan Gosling é o herói, cujo nome não é revelado - no filme todo ele é chamado apenas de "Motorista". Dublê de cenas que tenham carros e mecânico, ele faz "bicos" como motorista em alguns assaltos. A cena inicial é bem climática, ao não mostrar a perseguição, mas apenas a face do Motorista, que mantém a expressão de indiferença mesmo diante do perigo de ser preso ou morto. Homem de poucas palavras, o Motorista vive sua vida discretamente até se envolver com sua vizinha, Irene (Carey Mulligan, de Educação), mãe de um menino e com o marido cumprindo pena. A saída do marido dela da prisão desencadeará uma série de eventos que culminarão em sangue e muita violência.
O que faz a diferença em Drive em relação a outros filmes de ação são as escolhas de Refn, os posicionamentos da câmera, a paciência por vezes angustiante com que as cenas se desenrolam, o que colabora para tornar o suspense ainda mais envolvente. E são os momentos mais intimistas que justificam a classificação do filme como história de amor, embora nada convencional: o desejo e a paixão contida entre Irene e o Motorista são praticamente palpáveis e a gente acaba torcendo para o casal "ficar junto no final". Sério. Aliás, possivelmente a cena de beijo mais interessante do cinema atual acontece neste filme. Embora tudo acabe em sangue.
Drive é assim. Tem ação, perseguições e sangue jorrando, mas pode ser considerado filme "de arte". Dá para ver sem desligar o cérebro. Na verdade, é preciso ligar o cérebro para perceber todas as nuances contidas no filme. Mas acredite, a viagem vale o ingresso.

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Arquivo X: Eu Quero Acreditar

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Dez anos depois da primeira aparição dos agentes Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) no cinema, o criador da série clássica Arquivo X, Chris Carter, escreveu e dirigiu este segundo filme, para, segundo ele, mostrar os protagonistas sob um novo ângulo. A tarefa foi cumprida. Em Eu Quero Acreditar, passaram-se seis anos desde que Mulder e Scully deixaram o FBI e os arquivos X foram encerrados. De uma forma muito engenhosa, o diretor Chris Carter mostra a situação em que cada um dos agentes se encontra, reservando aos fãs da série uma pequena grande surpresa (não vou contar aqui, nada de spoilers neste blog!).
Se o primeiro filme, de 1998, serviu como elo para a mitologia da série, envolvendo a gigantesca conspiração governamental para ocultar a presença de alienígenas na terra, nesta segunda produção o diretor entregou um típico episódio de "monstro da semana", com um caso sem conexões com a trama principal da série. Nada mais justificável, já que a série não está mais no ar. E agindo assim, é perfeitamente possível acompanhar e entender a trama sem nunca ter assistido um único episódio da série televisiva - em relação a isso, o único porém é que, para compreender as motivações dos protagonistas, faz-se necessário conhecê-los previamente.
A história envolve o desaparecimento de uma agente do FBI, um ex-padre com dons psíquicos e a volta da dupla de agentes para colaborar com as investigações. Todo o clima original da série está lá: a fotografia sombria, as estradas cortando florestas, os locais inóspitos onde vivem os criminosos e os crimes sinistros. Mas ainda falta a este segundo filme um antagonista identificável, ou com o mínimo de carisma - para se ter uma ideia, o grande chefão da quadrilha de criminosos só é mostrado no final, mesmo assim através da foto de um jornal!
Ainda assim, como um episódio de 1h40min, Arquivo X: Eu Quero Acreditar cumpre sua tarefa, a de entregar uma história competente com atores que nasceram para aqueles personagens e arrebanhar novos fãs para a tão cultuada de ficção científica e mistério que conquistou o mundo e estabeleceu padrões imitados por inúmeros outros programas que vieram posteriormente.

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O Caçador de Trolls

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Falso documentário norueguês é pérola a ser descoberta

Depois que A Bruxa de Blair tornou-se fenômeno mundial como um misto de falso documentário com terror sobrenatural, outros exemplares viraram coisa comum no cinema. J. J. Abrams produziu Cloverfield - Monstro, que consegue ser infinitamente melhor do que Blair, da Espanha veio Rec, que de tão bem sucedido se transformou em uma franquia lucrativa, e o assustador Atividade Paranormal também se consolidou como uma série muitíssimo lucrativa para a Paramount. Agora é a vez dos noruegueses terem seu mockumentary (como é chamado esse gênero em inglês). E O Caçador de Trolls acerta ao utilizar uma lenda nórdica para criar uma atmosfera gélida que tira o fôlego do espectador. Dirigido por André Øvredal, o filme mostra três estudantes universitários produzindo um documentário sobre uma caçada a ursos na Noruega que se deparam com uma figura misteriosa, um enigmático caçador chamado Hans (Otto Jespersen), que logo se revela um caçador de trolls.
Para quem não está por dentro da mitologia nórdica, trolls são aqueles monstros gigantes que vivem nas cavernas encravadas nas montanhas e nas florestas daquela congelante região da Europa. Essas criaturas saem à noite para caçar, e comem literalmente de tudo, desde pedras até, é claro, pessoas. Para que isso aconteça, basta que alguém desavisado esteja na frente deles. Quando os estudantes se juntam à caçada de Hans, o espectador vai descobrindo detalhes sobre os gigantes. E tudo fica ainda mais interessante.
O Caçador de Trolls não é um filme de terror. A produção mais se aproxima do gênero aventura, à moda de Jurassic Park - com direito a referência à famosa cena da perseguição do tiranossauro rex ao carro, onde o monstro é mostrado através do retrovisor. Como ponto fraco do filme está o desenvolvimento dos personagens. Não se sabe muito a respeito deles, apesar do fato de que isso não importa muito quando entram em cena os incrivelmente bem feitos trolls dos mais variados tipos. Há quatro cenas que valem todo o filme, nas quais os monstros exibem toda a sua força. E sua estupidez. É que trolls são bichos burros, que só pensam com o estômago e tal característica dá um bem vindo tom de humor ao filme.
Em meio a tantas produções americanas desinteressantes e idiotas, ver um filme comercial norueguês muito divertido e com efeitos especiais de primeira é algo no mínimo, curioso. E no caso de O Caçador de Trolls, a experiência vai além da curiosidade. É cinema de verdade.

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O Guarda

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Para este filme, me sinto obrigado a usar a expressão "clássico instantâneo". E não estou exagerando. O Guarda está carregado de elementos originais que o incluem entre as grandes comédias policiais do cinema. E o dono da festa tem nome: Brendan Gleeson, esse nobre desconhecido, que já roubou a cena em outro grande filme, Na Mira do Chefe, de 2008. Desta vez, Gleeson é o protagonista e herói da trama. Ele é Boyle, um sargento em uma pequena cidade irlandesa que se une ao agente especial do FBI Everett (Don Cheadle) na investigação sobre um grande carregamento de cocaína que chegará de barco à costa da Irlanda. Boyle e Everett são a típica dupla de policiais que não se entende, mas que exatamente por isso se dão muito bem. Ambos têm seu senso próprio de justiça, apesar do temperamento não-ortodoxo de Boyle, que diz simplesmente tudo o que lhe vem à mente.
Esta é a razão pela qual Boyle é um personagem tão marcante. O sargento diz um palavrão a cada 5 palavras que diz, nunca constituiu família, gasta dinheiro com prostitutas e bebida, e apesar disso, é um bom policial, e se preocupa com sua mãe - interpretada pela espetacular Fionnula Flanagan (a governanta sinistra de Os Outros). Politicamente incorreto até os ossos, Boyle não se deixa levar por sentimentalismos baratos nem se esforça para parecer tolerante. Em um certo momento, quando Everett expõe para os policiais os detalhes do caso que investiga, Boyle pede a palavra para dizer que pensava que todos os traficantes eram negros. Repreendido por seu superior, ele diz: "Claro que sou racista; sou irlandês, ser racista é parte da minha cultura." Honesto nem um pouco.
Chama a atenção a fluidez dos diálogos, com falas memoráveis, como a discussão que os três traficantes do filme têm sobre filósofos alemães e ingleses - que nos faz lembrar os diálogos nerd entre Samuel L. Jackson e John Travolta, em Pulp Fiction - Tempo de Violência. Aliás, qualquer semelhança entre Quentin Tarantino e o diretor John Michael McDonagh não é mera coincidência. O estilo dos dois cineastas é muito parecido, com diálogos ágeis e situações cômicas se alternando com momentos de violência. E se um cineasta tiver que se inspirar em outro diretor para fazer seus filmes, Tarantino é um bom nome para se copiar. Pelo menos McDonagh não é fã de Michael Bay.

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Planeta dos Macacos: A Origem

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O anúncio da Fox de que iria produzir uma prequel de Planeta dos Macacos gerou imensa desconfiança, para dizer o mínimo. Afinal, a releitura de Tim Burton para a série clássica dos anos 60 não foi exatamente uma unanimidade; é tarefa difícil causar o impacto que o final do filme original gerou no público, mas ainda assim Burton soube imprimir sua marca na série, mesmo sem gerar a repercussão (e os lucros) que o estúdio esperava. Logo, insistir com a franquia da Terra tomada pelos primatas parecia loucura e um tremendo desperdício de dinheiro e talentos envolvidos.
Entre os céticos e desinteressados pela nova renovação da franquia, estava eu. Qual não foi minha surpresa ao descobrir a qualidade imensa deste novo filme, dirigido pelo desconhecido Rupert Wyatt. Wyatt chamou a atenção da Fox quando lançou seu primeiro longa, The Escapist, em 2008. Desejoso de retomar Planeta dos Macacos, o estúdio contratou o cineasta na tentativa de investir em uma história que contasse o começo de tudo.
E Wyatt vai além das expectativas ao narrar a história de César, um chimpanzé nascido em um laboratório de San Francisco, dirigido pelo cientista Will Rodman (James Franco). César tem uma inteligência acima do normal, o que Will descobre quando leva o filhote para casa, por razões que não descreverei aqui (nada de spoilers no meu blog!). Quem conhece a história da série sabe que César foi o primeiro símio a se rebelar contra a humanidade, quem deu início à dominação dos macacos sobre a Terra.
E a maneira como isso é mostrado é simplesmente magistral. A construção da trama não tem nenhuma pressa de mostrar as cenas de ação de cara, preocupando-se em explicar as razões de César para sua rebelião.
Tudo isso é legal, as cenas de ação são de alta qualidade, o elenco de humanos está muito bem (OK, talvez exceção para Freida Pinto, meio deslocada), mas o que diferencia este Planeta dos Macacos dos outros exemplares da série é o fato de César ser inteiramente gerado em CGI. Se os filmes anteriores traziam atores maquiados de macacos e impressionavam pelo realismo das caracterizações, em A Origem 90% dos macacos  não estão realmente no set de filmagem. Mas isso não é perceptível de cara, o que faz a experiência de assistir ao filme algo ainda mais marcante e interessante. Crédito da WETA Digital, a mesma empresa que fez O Senhor dos Anéis, King Kong e As Crônicas de Nárnia, e de Andy Serkis, o grande ator que ninguém conhece. Andy é o homem por trás de Gollum e é o próprio King Kong. Foram seus movimentos e sua atuação captados por sensores que compuseram toda a excepcional expressão de César. O resultado é tão impressionante que há quem defenda a indicação de Andy para o Oscar de Melhor Ator!
Por todas essas razões, não há porque desconfiar quando a Fox anunciar que Planeta dos Macacos: A Origem terá uma sequência. Pelo menos, não por enquanto.

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Novas e interessantes comédias que você vai querer ver

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Fazer comédia, seja no cinema ou na tevê, não é trabalho fácil. Especialmente no cinema, onde é difícil medir o grau de aceitação do público durante a filmagem de uma cena ou a elaboração de um roteiro. Exatamente por isso, dificilmente uma comédia me agrada. Mas nos últimos dias, algumas novas produções cômicas chamaram minha atenção; resolvi escrever um breve post sobre elas.

Quero matar meu chefe (Horrible Bosses, EUA, 2011) - As "bromédias" estão na moda. São aqueles filmes com elencos majoritariamente masculinos, onde os personagens são amigos mais chegados que irmãos, que se metem em encrencas juntos, e cuja amizade ultrapassa quaisquer limites de aproximação: os caras simplesmente contam absolutamente tudo uns para os outros! Enfim, esse novo subgênero de comédia já rendeu bons filmes, como o primeiro Se beber, não case, e Ligeiramente Grávidos. Quero matar meu chefe é outro exemplo de uma boa "bromédia", além de ser uma paródia competente do mundo profissional. Nick (Jason Bateman) é um daqueles funcionários exemplares; ele chega ao escritório às seis, dedica-se como um condenado e engole todo tipo de sapo, tudo com o objetivo de ser promovido e não ter mais que aturar seu insuportável e perverso chefe, Dave (Kevin Spacey, excelente). Kurt (Jason Sudeikis) trabalha em indústria química e desde que seu patrão e amigo morreu, tem que aguentar o filho dele, Bobby (Colin Farrel), um idiota drogado que não dá a mínima para a empresa que seu pai construiu. Dale (Charlie Day) é assistente de uma dentista totalmente tarada (Jennifer Aniston), que vive o assediando sexualmente - Dale é noivo, e fiel, coisa rara nas comédias atuais. Para resumir a história, os três são amigos e resolvem que a melhor maneira de melhorarem suas vidas é matando seus chefes. É claro que, na tentativa de executar seu plano, muita confusão será armada e as cenas engraçadas vêm em profusão. Digna de nota é a participação de Jamie Foxx (vencedor do Oscar por Ray) como um ex-presidiário que vira uma espécie de consultor de assassinato para o atrapalhado trio de amigos. Ótima pedida para uma descompromissada sessão de cinema com os amigos.

Amor a toda prova (Crazy, Stupid, Love., EUA, 2011) - Steve Carell, Julianne Moore e Ryan Gosling estrelam essa comédia romântica leve com algumas situações de desencontros, típicas das comédias do gênero, muito interessantes. O casal Weaver (Steve e Julianne) se divorcia depois de muitos anos de casamento, e Cal, agora solteiro, precisa reaprender a arte da cantada e da "pegação". E para isso, entra em cena Jacob (Gosling), solteirão profissional, com uma lábia irresistível para as mulheres, que fica com uma diferente a cada noite. Outras duas tramas, aparentemente sem conexão com a trama principal, vão se desenrolando durante o filme, e o clímax guarda uma pequena surpresa que desencadeia a cena mais engraçada de Amor a toda prova. Sem sair da tendência atual das comédias americanas (que o cinema brasileiro tenta desesperadamente copiar, sem necessidade), o foco do roteiro se localiza na amizade de Cal e Jacob. O novo solteiro torna-se um pegador talentoso, e não será nenhuma surpresa para o espectador o fato de Cal perceber quem ele realmente ama, a despeito de todas as belas mulheres que conhece. Filme bacana, dirigido pelos realizadores de Papai Noel às avessas, Glen Ficarra e John Requa. Ainda tem no elenco Kevin Bacon, Emma Stone e Marisa Tomei, esta fazendo o mesmo papel há anos. Boa opção para assistir a dois.

O Retorno de Tamara (Tamara Drew, Inglaterra, 2010) - Stephen Frears tem uma filmografia que não se prende a gêneros. Fez comédias memoráveis (Herói por Acidente, de 1992 e Alta Fidelidade, de 2000), thrillers excelentes (Os Imorais, de 1990) e criou a imagem de Elizabeth II que se eternizará nas mentes do público em A Rainha (2006). Em O Retorno de Tamara, Frears não realiza seu melhor filme, mas ainda entrega uma comédia competente. Mas não me entenda mal, esta comédia não faz ninguém rir, mesmo sendo um bom filme. Trata-se de uma "dramédia", que conta a história da personagem-título (Gemma Arterton, de Príncipe da Pérsia - As Areias do Tempo), colunista de um jornal inglês, que volta à sua pequena cidade natal para reformar a velha casa que herdou da mãe e vendê-la. A volta de Tamara, entretanto, é apenas o estopim de uma série de eventos que conduzirão ao clímax, uma cena que justifica a inclusão da palavra "drama" na definição do filme.
Stephen Frears faz uma incursão no que poderia ser chamado de metafísica, já que seu filme usa uma forma de arte (o cinema) para falar de outra forma de arte (a literatura), pois toda a história gira em torno de uma fazenda que serve de pousada para escritores que buscam o sossego do campo para terminarem suas obras. Os personagens centrais da trama têm o seu charme, e Gemma Arterton está especialmente linda como a catalisadora dos acontecimentos da trama. Merece destaque também a jovem Jessica Barden, como uma colegial entediada que passa os dias sonhando namorar com um astro do rock. São tantas as subtramas e os personagens notáveis, que pode-se pensar no equívoco do título do filme, já que Tamara, mesmo linda, nem de longe é o que há de mais interessante na história. Vale a pena conferir. Mesmo.

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Meia Noite em Paris

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Cineasta declaradamente apaixonado por Nova York, Woody Allen tem mudado os cenários de seus últimos filmes e experimentado uma renovação de seu público e uma espécie de recuperação de sua obra. Se Match Point e Vicky Cristina Barcelona exploravam as capitais europeias de Inglaterra e Espanha, respectivamente, neste Meia Noite em Paris, a cidade-fetiche do momento é a bela "Cidade das Luzes". E desde as primeiras tomadas, com imagens de uma Paris deslumbrantemente romântica, Allen mostra o quão apaixonante a cidade é. Mas seria apenas um filme cartão-postal, comercial de turismo, não fosse o delicado roteiro de Allen, que mescla as neuroses características de seus protagonistas (sempre alteregos do diretor) com a fantasia de viajar no tempo.
Gil (Owen Wilson, em seu melhor papel) é um roteirista de Hollywood, desiludido com o cinema, que está escrevendo um romance, com a intenção de abandonar a carreira na sétima arte e se dedicar à literatura. Melancólico e sonhador, ele vive com a certeza de que os anos 20 em Paris eram maravilhosos, muito melhores do que o tempo em que vive. Sua noiva, Inez (Rachel McAdams) é uma bela mulher, mas completamente diferente de Gil; ela quer se casar e morar em Hollywood, enquanto ele sonha em se mudar para a Cidade-Luz. Os dois estão em Paris a passeio, juntamente com os pais de Inez. Uma noite, depois de passar o dia com dois amigos pedantes e insuportáveis de Inez, Gil resolve passear pelas ruas da cidade para relaxar um pouco. Exatamente à meia noite, um carro antigo se aproxima e as pessoas que estão dentro chamam Gil para entrar; ele aceita o convite e se vê de volta à década de 1920, onde vive seu sonho.
As viagens duram sempre a noite inteira, e por várias noites Gil encontra personalidades artísticas e literárias de renome, que viveram em Paris naquela década. Dentre elas estão Ernest Hemingway, T.S. Eliot, F. Scott Fitzgerald, Pablo Picasso, Gertrude Stein, Luís Buñuel, Salvador Dalí e outros (não sabem quem são eles?Clique nos nomes e vá ver na Wikipédia!). Até Carla Bruni, primeira-dama da França dá as caras, no papel de uma guia de turismo. Como em A Rosa Púrpura do Cairo, que Allen dirigiu em 1985, em Meia Noite em Paris é um conto fantástico onde coisas surreais acontecem sem que haja qualquer explicação. Não que seja necessário, já que não é o fato surreal o foco do roteiro. Allen está mais interessado em ensinar a seu protagonista (e ao espectador) que não importa a época em que vivemos, contanto que vivamos intensamente e persigamos nossos sonhos.
Em meio a um desfile de tantas pessoas famosas, não há personagem mais importante do que Gil, que percebe ser o protagonista de sua própria vida. Não é de se estranhar, afinal cada protagonista de um filme de Allen é um retrato do próprio diretor, que expõe na tela suas angústias, neuroses e anseios. É como se cada filme do diretor novaiorquino fosse uma "nova aventura" de seu personagem recorrente, nesse caso, ele próprio. Meia Noite em Paris é um triunfo do diretor que aprendeu a se reinventar sem nunca perder os elementos que fizeram dele um criador que parece não esgotar suas ideias para tantos filmes.

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Se enlouquecer não se apaixone

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Craig é um adolescente de 16 anos que aparentemente tem tudo: estuda em uma das melhores escolas de Nova York, tem uma família que se importa com ele, amigos muito legais. Mas ao mesmo tempo, sua mente está uma bagunça. Pressionado por seu pai para se candidatar a uma faculdade dentre as melhores do país, obcecado por uma linda garota que acontece de ser a namorada de seu melhor amigo, sem saber o que fazer, ele tem pensamentos suicidas, chegando ao ponto de buscar ajuda na ala psiquiátrica de um hospital público. Uma típica crise adolescente, alguns diriam. Mas o filme Se enlouquecer não se apaixone (It's kind of a funny story, EUA, 2010) trata com bastante sinceridade a adolescência, sem ser condescendente. Os diretores Anna Boden e Ryan Fleck entregam uma comédia sensível e emocionante, com uma mensagem muito positiva sobre um jovem em busca de autoconhecimento.
Se enlouquecer não se apaixone parece com outros filmes passados em hospícios, como Um Estranho No Ninho, quando se trata do desenvolvimento de personagens. São tipos muito interessantes e envolventes, com quem o espectador até se identifica. Ao abordar os problemas psíquicos que muitos de nós escondemos, o roteiro é de uma empatia pouco vista em comédias americanas, aliás, em comédias de qualquer parte do mundo.
E é divertido. Não é daquelas comédias dramáticas independentes que apenas deixam um risinho no canto da boca. Há momentos realmente engraçados. Os momentos de flashbacks do protagonista usam recursos narrativos bastante originais e diferentes, como a cena em que Craig (Keir Gilchrist) narra um momento romântico entre ele e Noelle (Emma Roberts, sobrinha de Julia Roberts).
Um ótimo filme para se ver numa tarde preguiçosa e, ao final da sessão, ter a sensação de ter assistido algo realmente bom.

No Brasil o filme passou longe das salas de cinema, indo parar direto em DVD e Blu-Ray. Aproveite!

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Super 8 - Uma boa aventura para a Sessão da Tarde

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Poucos nomes surgidos no cinema do século XXI têm tanto a dizer e a contribuir com esta arte como J.J. Abrams. Depois de colocar a TV no novo milênio e fazer com que ela dialogasse com a internet e toda uma geração de fãs de ficção científica e mistério com a série Lost, Abrams não parou e migrou para o cinema, primeiro dirigindo um altamente subestimado Missão: Impossível 3, de longe o melhor filme da série até o momento; depois, o diretor foi para a produção de Cloverfield: Monstro, filmaço do gênero "terror com a câmera na mão"; a seguir, seu maior passo: a tarefa árdua de recriar uma das franquias mais duradouras e amadas da ficção científica, Star Trek. O resultado foi o melhor filme da série, fincando bases para novas sequências, novamente sob seu comando.
Mas poucos filmes foram tão falados e aguardados pela massa nerd este ano quanto Super 8, afinal de contas, não é todo dia que o criador de Lost é produzido pelo inventor dos maiores blockbusters de todos os tempos, Steven Spielberg. Toda a atmosfera criada pela divulgação a conta-gotas de informações como a sinopse do filme, o teaser que deixava todo mundo louco para ver mais e a quase nenhuma imagem prévia do monstro da história, tudo isso fez com que o público esperasse ainda mais por esse filme.
Mas, apesar de ter os nomes de Spielberg e Abrams envolvidos, Super 8 ainda era uma aposta arriscada. O elenco não trazia nenhum nome conhecido - o rosto mais reconhecível pelo grande público deve ser Noah Emmerich, que fez o melhor amigo de Jim Carrey em O Show de Truman -, não era uma adaptação de história em quadrinhos, nem era um recomeço de alguma franquia consagrada. Tratava-se de uma história totalmente original, o que só por isso já merece reconhecimento e aplausos, em uma Hollywood saturada por adaptações e remakes, mas não bastou para o público, que fez com que Super 8 fracassasse em solo americano. O filme não deu prejuízo, mas ficou longe de ser o sucesso que o estúdio esperava.
Entretanto, diante de tantas informações, resta a dúvida: o filme, afinal, é bom ou não? Para mim, fã confesso dos dois nomes envolvidos, admito que esperava mais, embora acredite que isso se deve à minha alta expectativa. Ainda assim, Super 8 é uma boa aventura à moda antiga, que lembra muito Os Goonies e E.T. - O Extraterrestre, ambos filmes da empresa de Spielberg, a Amblin. Trata-se de um daqueles filmes que, em um mundo perfeito, seria reprisado à exaustão na Sessão da Tarde (se esta ainda fosse a mesma de antes). Conta a história de Joe e seus amigos, que estão fazendo um filme com uma câmera de super 8, comum nos anos 80. Os garotos estão filmando em uma estação de trem afastada da cidade quando presenciam o violento descarrilamento de um trem militar. A cena é fantástica, justificando todo o dinheiro investido. Enquanto tentam se salvar de serem atingidos pelos vagões, a câmera é largada enquanto ainda gravava. Joe percebe que alguma coisa estranha arrebenta a porta de um dos vagões e faz um barulho estranho. Os garotos fogem do local, mas sabem que presenciaram mais do que um acidente, algo que o exército está tentando esconder do público.
É seguindo nesse mistério que toda a aventura se desenrola, mas apesar de todo o enigma envolvendo o tal monstro, e as cenas fantásticas de ação que o tem como protagonista, o foco principal do roteiro está nos personagens, muito bem desenvolvidos. Abrams explora com precisão a amizade de Joe e Charles, e o romance juvenil iniciado entre Joe e Alice. Há emoção, correria, explosões, e humor. Tudo o que faz de uma aventura algo bacana de assistir.
Interessante também observar que o filme não tem pressa em mostrar o monstro, deixando o público curioso até o clímax, onde tudo já está explicado. Não se vê muito isso nos filmes de hoje, que de cara já mostram a criatura tirando do público qualquer sabor de descoberta conforme se desenrola a história.
No final das contas, Super 8 é um desses filmes à moda antiga, que parece feito para marcar uma geração, como foi com Os Goonies e E.T.. Não sei se chegará a tanto. Mas que é uma aventura com a marca Spielberg de qualidade, disso ninguém tem dúvida.

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Kung Fu Panda 2

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No ano em que a Pixar colheu suas primeiras críticas negativas em massa por Carros 2, a Dreamworks deu um grande passo para arrebatar o Oscar de Melhor Filme de Animação em 2012. Isso porque Kung Fu Panda 2, a sequência do ótimo filme de 2008, é simplesmente um dos melhores filmes do ano. Ao dar prosseguimento às aventuras de Po, o estúdio criado por Steven Spielberg fez uma sequência digna do filme original, chegando a superar o anterior.
O filme de Jennifer Yuh responde a muitas das perguntas deixadas pelo primeiro sobre a origem de Po, afinal, obviamente seu pai não é um ganso. E ao fazer isso, contar a origem do panda Dragão Guerreiro, a história chega a emocionar em muitas cenas. Estão lá todos os elementos que deram certo no filme original: a gula engraçadíssima de Po (Jack Black), o ar sereno e sábio do mestre Shifu (Dustin Hoffman) e os Cinco Furiosos, ainda mais sensacionais, bem como as lutas coreografadas perfeitamente e respeitando os fundamentos do kung fu.
Some a tudo isso uma abertura feita com uma belíssima técnica de animação (lembrando muito O Segredo de Kells, indicado ao Oscar deste ano), contando a origem de Shen (Gary Oldman), o vilão da história; toda a ação do primeiro filme triplicada sem ser irritante (lembra de Transformers 2?); um roteiro que em momento algum deixa o protagonista como coadjuvante (afinal, em Shrek todo mundo sabe que quem manda é o Burro) e ainda uma origem de encher os olhos d'água. Há ainda a inserção de animação tradicional nestas cenas da origem de Po, o que torna a experiência ainda mais envolvente.
Enfim, Kung Fu Panda 2 é um excelente filme de animação que de forma alguma subestima o espectador e agrada crianças e adultos. Pode ver sem medo.

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Capitão América: O Primeiro Vingador

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A Marvel continua sua tarefa de construir  no cinema seu vasto universo de personagens dos quadrinhos. Capitão América: O Primeiro Vingador é a penúltima parte desta missão, que chegará ao ápice em maio de 2012, com o lançamento de Os Vingadores.
Dirigido por Joe Johnston, o filme conta a história de Steve Rogers (Chris Evans), um franzino rapaz de Nova York que, em plena II Guerra Mundial, deseja se alistar para combater os nazistas em solo europeu. A despeito de sua vontade, Rogers não evita ser recusado em todas as tentativas de alistamento; ele é magro demais e tem um longo histórico de doenças, o que impede o exército de aceitá-lo em suas fileiras. Mas sua ousadia em tentar se alistar 5 vezes dando endereços diferentes a cada tentativa chama a atenção do Dr. Abraham Erskine (Stanley Tucci), que convoca Rogers a participar do programa do Super Soldado. Trata-se de uma experiência científica para criar um exército de homens mais fortes, velozes e inteligentes, capazes de derrotar o inimigo nazista. Steve é escolhido para ser o primeiro soldado a ter injetado o soro do Super Soldado e logo depois da injeção, ele se vê maior, mais forte, mais alto do que jamais pensou ser possível. Para não estragar mais nenhuma surpresa - já que nem todo mundo é leitor de quadrinhos inveterado como eu - não vou entregar surpresas interessantes e fantásticas que ocorrem durante o filme, mas basta dizer que, como todos sabem, Rogers torna-se o Capitão América e acaba sendo o único supersoldado do experimento do exército.
O filme é uma aventura de primeira linha, que remete às deliciosas tardes dos anos 80 e 90 da Sessão da Tarde, quando os filmes exibidos eram as aventuras de Indiana Jones, Star Wars e até Alan Quartermain, mas que tinham aquele ar nostálgico e sedutor. Afinal, eram apenas duas horas de diversão descompromissada e despretensiosa. Nada de se surpreender, afinal de contas Joe Johnston, o diretor, é o mesmo que realizou uma das melhores (e menos lembradas) adaptações de quadrinhos do cinema, isso quando ainda não era moda, Rocketeer, outra aventura digna de uma Sessão da Tarde.
Para aqueles que não se empolgam mais com filmes de super-heróis, Capitão América basta como filme de ação e aventura, mas os nerds leitores de quadrinhos se empolgarão com detalhes conhecidos apenas por eles, como a breve aparição do Tocha Humana original, a grande participação de Howard Stark, pai de Tony Stark (o Homem de Ferro), a caracterização perfeita do Caveira Vermelha (Hugo Weaving) e de Armin Zola (Toby Jones), grandes inimigos do Capitão América, e as várias referências a histórias clássicas do personagem.
Além disso tudo, é claro, há a preparação do público para a chegada do maior filme de super-heróis de todos os tempos, Os Vingadores, que reunirá Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Viúva Negra, Gavião Arqueiro, Hulk e Nick Fury em uma (espero) sensacional adaptação cinematográfica.
No final das contas, Capitão América é um grande filme de aventuras e cumpre muito bem seu papel. O melhor filme Marvel depois de Homem de Ferro.

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Trailer de 'Os Vingadores' já está no ar!

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Depois de muita espera, o primeiro trailer de Os Vingadores finalmente saiu! Agora sabemos quem será o grande vilão a ser enfrentado pelo supergrupo de heróis Marvel: Loki, o que parece bom, pois lembra o segundo volume de Os Supremos, onde os heróis também enfrentam o irmão adotivo de Thor, em uma batalha de proporções épicas. Dirigido por Joss Whedon (Buffy - A Caça-Vampiros e Serenity), o filme estreia em maio de 2012. Haja ansiedade até lá!
Confira:

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Terra Nova: Spielberg! Dinossauros! Ação!

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Esperada por muitos fãs de séries de ficção científica, a nova série com produção executiva de Steven Spielberg, Terra Nova, estreou ontem (10 de outubro) no Brasil, com a exibição de um episódio duplo pelo canal Fox. A história começa no ano 2149, e logo de cara vemos que nosso planeta está morrendo. As pessoas precisam andar pelas ruas com máscaras de oxigênio para minimizar os danos respiratórios. A única chance se salvar a humanidade encontra-se na descoberta de uma fenda no tempo que tem como destino final o passado remoto do planeta, 85 milhões de anos atrás, quando os dinossauros dominavam o território.
Decide-se então enviar pessoas para o passado afim de estabelecer uma colonização, onde a humanidade poderá recomeçar do zero. 
E é para a primeira colônia, Terra Nova que migra a família Shannon. Jim Shannon (Jason O'Mara) é um pai devotado que guia sua família neste novo mundo repleto de belezas ilimitadas, mistérios e terror. Sua esposa, Elizabeth, (Shelley Conn), é cirurgiã e integra o grupo médico de Terra Nova. Entre os filhos do casal está Josh (Landon Liboiron), um garoto de 17 anos que sente ter de abandonar sua antiga vida, mas se vê imediatamente atraído pela bela Skye (Allison Miller). Jim e Elizabeth também são pais de Maddy (Naomi Scott), uma adolescente de 15 anos que espera encontrar em Terra Nova a oportunidade de se reinventar. Embora os conhecimentos médicos de Elizabeth garantam a sua família um lugar nesta peregrinação, um segredo sobre sua filha caçula, Zoe (Alana Mansour), de 5 anos, colocará em perigo seu lugar nesta utopia.
Assim que os Shannon chegam a Terra Nova, logo são advertidos pelo comandante Taylor (Stephen Lang), pioneiro da primeira leva de colonizadores, que o local guarda perigos mortais. Apesar do céu azul, do verde deslumbrante e do ar puro, Terra Nova é uma comunidade cercada por dinossauros mortais - o episódio piloto mostrou o carnotauro e uma criatura denominada "slasher", bem como animais vegetarianos.
Aliás, o episódio piloto estabeleceu algumas perguntas que devem permear toda a série, como algumas pinturas de formas geométricas que Josh descobre existir nas pedras de uma cachoeira e a existência de uma segunda colônia, formada por dissidentes de Terra Nova, chamados de Os Sextos. Pensou em Lost? A impressão que se tem é a tentativa de se criar uma mitologia tão rica como a que havia na série de J. J. Abrams, com habitantes misteriosos - os Sextos são como os Outros - e mensagens misteriosas.
O ponto alto do piloto encontra-se no núcleo familiar dos Shannon, com Jim tentando recuperar o tempo que perdeu enquanto estava preso. Já os efeitos especiais com os dinossauros criados em CGI, que seria aquilo que os espectadores mais aguardavam, ficaram (muito) a desejar. A impressão que se tem é que os produtores fizeram tudo apressadamente e o resultado é aparente: dinossauros malfeitos, mesmo quando colocados em boas cenas de ação, como a que mostra o ataque dos slashers a um grupo de adolescentes que resolveram se divertir fora das cercas de Terra Nova.
Apesar desses defeitos, dá para entender que Terra Nova, mesmo com todo o hype, ainda é televisão e não cinema. E como série de TV, que precisa estabelecer o interesse do espectador para que este prossiga acompanhando o programa, a atração é bem sucedida. Terra Nova é interessante o suficiente para que quem viu uma vez queira continuar assistindo.

Terra Nova é exibido todas as segundas-feiras, às 22:00, no canal FOX.

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A Árvore da Vida

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É muito difícil escrever sobre A Árvore da Vida. A gente procura, pensa, tentar imaginar palavras que descrevam a experiência de assistir a este épico, mas nada surge à mente, exceto sensações. O recluso diretor Terrence Malick (ele se recusa a dar entrevistas e há pouquíssimas fotos disponíveis dele) criou um conto religioso-filosófico repleto de significados que não podem ser todos apreendidos em apenas uma sessão.
Muito se falou das imagens belas, oníricas e majestosas do universo em seu início, toda a grandeza do cosmos retratada com cores vivas e uma trilha sonora simplesmente extasiante. Este início arrebatador serve como moldura para a história que se segue, sobre três irmãos crescendo sob uma criação rígida de seu pai (Brad Pitt) e o amor carente de disciplina da mãe (Jessica Chastain). O mais velho deles, Jack, passa a questionar as razões para tamanha rigidez do pai, e se vê desenvolvendo uma perversidade que pode ser perigosa; livre das amarras do pai, já adulto, Jack (vivido adulto por Sean Penn) é um homem alheio ao mundo moderno, repleto de angústia.
O que eu pude captar sobre A Árvore da Vida foi uma reflexão da pequenez do ser humano em relação à majestade do universo. Inexplicavelmente para nossa mente limitada, o universo nasceu; é quando o filme começa. Da mesma maneira inexorável, tudo termina. No meio disso tudo estão nossas vidas. Qual é, afinal, o significado delas? Há sentido nisso tudo?
Afora estas reflexões suscitadas pelo filme, há que se destacar também a belíssima fotografia de Emmanuel Lubezki, que coloca a câmera na altura das crianças, dando a sensação de que o espectador é parte da turma. A iluminação também é filmada magistralmente, com tons luminosos mesmo nos momentos mais angustiantes, como a cena da espingarda de chumbo.
Malick faz de A Árvore da Vida um filme não muito fácil de ser assistido, é verdade. Mas que fascina, a princípio pela beleza das imagens, mas depois pela possibilidade de se refletir sobre a insignificância da vida.

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5x Favela, Agora por Nós Mesmos

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Nos anos 60, um grupo de jovens cineastas coordenado por Leon Hirszman realizou Cinco Vezes Favela, uma antologia de cinco curtas passados nos morros e subúrbios cariocas. Quase 50 anos depois, 5x Favela, Agora por Nós Mesmos propõe uma nova visão da mesma ideia dos diretores do Cinema Novo da primeira produção, desta vez coordenados por Cacá Diegues. A diferença está nos criadores das histórias, que desta vez são geradas dentro das próprias comunidades, com a direção e o roteiro a cargo dos próprios moradores de favelas. A ideia é que o protagonismo total de toda a obra seja deles.
O resultado final é interessante e agradável, o que faz de 5x Favela um exemplar honroso em meio a uma triste cinematografia brasileira, repleta de comédias rasas e bobas, carregadas de atores globais.
A cada história o que se vê são as vidas dos moradores representadas ali, em cena. 
Em Fonte de Renda, um jovem consegue, a duras penas, a aprovação no vestibular de direito de uma universidade pública. Mas isso é apenas o começo, pois ele descobre a dificuldade que sente o pobre para manter-se estudando: transporte, alimentação, apostilas, livros, etc. Para bancar seus gastos, ele acaba se tornando um fornecedor de drogas dentro da faculdade.
Arroz com Feijão é uma dramédia com uma fina ironia. Dois meninos resolvem buscar conseguir dinheiro trabalhando nas ruas para que um deles possa comprar frango para sua família. A ironia está na cena em que depois de conseguirem o dinheiro necessário, os meninos da favela são assaltados por crianças de classe média, estudantes de uma escola particular. O melhor da antologia.
Concerto de Violino é uma história trágica, com tons shakesperianos. É o conto de três amigos de infância que seguiram caminhos diferentes na vida. Um deles tornou-se um policial corrupto, o outro virou traficante e a menina sonha em seguir carreira como violinista. Suas vidas se cruzarão em um último e dramático movimento.
Deixa Voar retrata com fidelidade imensa as tardes de pipa no subúrbio. É um retrato interessante, principalmente para quem sabe do que se trata. É o mais fraco dos curtas, por não trazer empatia junto ao público. Para quem não mora no Rio de Janeiro, como o público nordestino, fica difícil entender o fascínio que as pipas exercem sobre a juventude pobre carioca. Ainda assim, o final do curta traz uma bela mensagem de integração.
Acende a Luz é um relato de como o Estado deixa os moradores das favelas à sua própria mercê. Em plena véspera de natal, um grupo de moradores prepara sua festa sem energia nem água encanada. Um bem intencionado técnico da companhia de eletricidade tenta retomar a luz do local, e acaba se solidarizando com a situação da comunidade.
Em cada curta nota-se o esforço dos realizadores por imprimir com realismo e lirismo o duro cotidiano de quem vive nas favelas mas não se entrega à violência, tendo que se virar para levar adiante seus sonhos de simplesmente serem felizes. Muita leveza, graça e sensibilidade estão presentes nesta obra de alta qualidade.
Um filme que vale (muito) a pena.

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Vamos falar de música: Gungor - Ghosts Upon the Earth

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Michael e Lisa Gungor
Uma das maiores carências na música pop atual é de criatividade. Fala-se da repetição de fórmulas batidas (tidas como "consagradas") e da utilização de clichês no que diz respeito a estrutura das canções. Por que toda e qualquer música TEM que ter estrofe, refrão, estrofe, refrão, ponte, refrão?
Para quem reclama dessa estagnação criativa da música moderna, ouvir um disco de Gungor é um alívio para os ouvidos. O grupo, que até 2008 chamava-se The Michael Gungor Band, vinha atraindo o interesse de um público sedento por novidades na música cristã há algum tempo, especialmente com seu álbum de 2008, Ancient Skies, no qual já flertava com o folk, apesar de ainda utilizar de muitas das fórmulas batidas. Em 2010, já denominado apenas Gungor, o grupo veio com Beautiful Things, um lindo disco que mudou totalmente a visão musical da banda. Muito menos "worship rock estilo Hillsong" e muito mais um folk-rock repleto de instrumentos, Michael e Lisa Gungor mostraram uma melhora imensa na construção lírica de suas letras e no desenvolvimento dos arranjos. A mudança radical de postura musical resultou em várias publicações especializadas apontarem Beautiful Things como o disco do ano.
Ghosts Upon the Earth, álbum imperdível
Mas eis que chegamos em 2011 e o incansável grupo lança Ghosts upon the earth. Basta colocar o disco para tocar e logo se tem a sensação do quão camaleônico o Gungor é. Nenhuma música, simplesmente nenhuma, é igual (ou semelhante) a outra. 
Logo na primeira faixa, Let There Be, ouvimos a voz suave de Lisa Gungor entoando uma espécie de hino celta, embalado por um violão e um piano repleto de sentimentos, anunciando a criação descrita no livro de Gênesis. A canção segue em um crescente, até se tornar uma apoteose épica espetacular. Com um início arrebatador como esse, só resta ao ouvinte se render e não desgrudar os ouvidos do álbum até que este termine e nos deixe extasiados!
Brother Moon, a segunda faixa, é uma declaração da soberania de Deus. "Em ti vivemos / Em ti nos movemos / Em ti temos nossa existência / Tu és glorioso / Tu nos mantém juntos / Todos juntos".
Faixa a faixa, o disco mantém sua qualidade, com um instrumental impecável e letras de uma profundidade espiritual raramente encontrada. Em When Death Dies, ouvimos: "Quando a morte morre / Todas as coisas vivem".
Violoncelos, violinos, violões solenes e uma percussão marcante são características dos arranjos espetaculares deste disco excepcional, que sem dúvida coloca o Gungor como uma das bandas mais importantes na música pop atual, seja cristã ou secular.

Duvida? Então assista a esta performance acústica de When Death Dies. Prepare-se para ficar sem palavras.




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A Conversação (da série 1001 Filmes)

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Um dos filmes menos conhecidos de Francis Ford Coppola, A Conversação (1974) é considerado pelo próprio diretor seu melhor filme. Os temas abordados pela obra, a solidão na sociedade urbana, a falta de privacidade e a competição, permanecem atuais e relevantes. Na trama, Harry Caul (Gene Hackman) é um especialista em vigilância, que trabalha gravando e filmando pessoas desconhecidas, seja através de grampos telefônicos, seja em operações complexas de vigilância, que envolvem várias pessoas perseguindo e apontando microfones para os alvos a ser vigiados. O protagonista tem pouco contato com seus clientes, e cada nova vigilância não passa de mais um trabalho, realizado friamente mediante um bom pagamento. Harry não sabe com que propósito seus clientes desejam que outras pessoas sejam vigiadas e tenham suas conversas gravadas, mas seu trabalho é esse e ele é o melhor no que faz. Mesmo assim, durante o filme descobrimos que Harry se considera responsável pela morte de três pessoas cujas vidas foram investigadas por ele.
Solitário e desconfiado de quem quer que seja, Harry não demonstra qualquer jeito para o trato social, passando suas noites em seu apartamento, tocando seu saxofone. As cenas de Harry Caul tocando jazz acompanhado de seus discos com uma plateia imaginária, estão entre as mais melancólicas filmadas na década de 1970.
Ainda durante os créditos iniciais acompanhamos a investigação conduzida por Caul que será o centro de toda a trama de A Conversação. O protagonista acredita que o casal que está vigiando encontra-se ameaçado de morte, o que faz com que ele hesite em entregar o resultado final de suas gravações para seu misterioso cliente (uma participação especial de Robert Duvall) e o assistente deste (um jovem Harrison Ford, atuando de maneira sinistra). No decorrer do filme o espectador segue o dilema de Harry e sua crescente desconfiança de tudo e todos à sua volta; ele teme estar sendo seguido e vigiado pelo seu próprio cliente, em uma tentativa de garantir que ele entregue as gravações obtidas do casal.
Tudo em A Conversação contribui para o clima de paranoia vivido pelo protagonista, desde a fotografia granulada e obscurecida até a trilha sonora jazzística. O roteiro não oferece saídas fáceis e o clímax do filme é de uma intensidade das mais sutis: calma, mas repleta muito mais de perguntas do que de respostas. É Coppola (e Hollywood) em seu auge criativo.

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Os 15 filmes mais absurdamente "de macho" já feitos

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Com o futuro lançamento do novo Conan - O Bárbaro nos cinemas, o site da revista inglesa Empire decidiu reunir uma singela lista com os mais insanos filmes "de macho" de todos os tempos. São aqueles filmes cheios de testosterona, com personagens que engravidariam suas irmãs, com um charuto em uma mão e uma mini-metralhadora na outra. São filmes que fazem todo homem na terra (com exceção do The Rock e, talvez, do Anderson Silva) se sentir um pouco inadequado. Bem-vindo ao cinema macho!

Esses caras deixam todos os outros homens inadequados
1. Predador - Poucos filmes vão tão fundo na testosterona quanto este. Uma viagem totalmente insana às profundezas da selva, com uma tensão crescente e muitas (muitas mesmo) balas sendo disparadas para todos os lados. O elenco - permanentemente suado, é claro - praticamente emerge de seus uniformes militares, que certamente não cabem nos músculos dos caras. E isso é só o começo! O personagem de Sonny Landham corta seu próprio peito com uma faca gigantesca enquanto se prepara para enfrentar seu nêmesis; sem falar no líder do grupo, interpretado por Arnold Schwarzenegger, que encara um mano-a-mano com o sanguinário alienígena de dreadlocks! É sério. Não. Mexa. Com. Esses. Caras.

2. Velozes e Furiosos 5: Operação Rio - Esta franquia já chegou a flertar com o homoerotismo (sim, estamos falando de Mais Velozes e Mais Furiosos), mas neste último e melhor filme da série, o ponteiro está claramente apontado para "macho". Isso por duas razões: as perseguições mais eletrizantes já filmadas e a presença de Dwayne "The Rock" Johnson como um antagonista digno para o Dominic Toretto de Vin Diesel. Ainda mais suado que os soldados de Predador, The Rock faz parecer Schwarzenegger um fracote no papel do agente do Serviço de Segurança Diplomática dos EUA Luke Hobbs. O diretor Justin Lin recentemente declarou à Empire que a épica luta entre The Rock e Vin Diesel era originalmente três vezes mais longa; tinha uma estrutura de três atos e mais motivações dos personagens para cada movimento. Tivesse feito a cena como imaginou, talvez Justin Lin teria colocado o filme no topo desta lista.

3. Adrenalina - Em termos de pura e demente carnificina, este é o ápice dos filmes de ação modernos. As aventuras do assassino profissional Chev Chelios (o excelente Jason Statham), envenenado com "alguma porcaria chinesa" antes do filme começar e deixado para encontrar o antídoto durante o curto tempo que lhe resta, pode parecer mais do mesmo, mas só por um momento. O veneno particular de Chelio só pode ter seu efeito final adiado se ele mantiver seus níveis de adrenalina altos, fazendo com que ele comece brigas, roube carros, cheire cocaína, faça acrobacias de bicicleta e tenha relações com sua namorada em público só para se manter vivo. É um filme estranho e bizarro que só poderia ter saído das mentes insanas de Mark Neveldine e Brian Taylor, possivelmente os diretores mais desinibidos e machos-alfa em atividade hoje. A maior parte do filme seria ridícula e ofensiva se o roteiro se levasse a sério. Você vai rir, vai chorar até se engasgar com toda a loucura disso tudo.

4. Caçadores de Emoção - Como pode um filme dirigido pela agora oscarizada Kathryn Bigelow, com aqueles dois atores que sua namorada adora - um fez Dirty Dancing e o outro estava em Caminhando nas Nuvens - ser possivelmente "de macho"? Bem, talvez porque Caçadores de Emoção se trate basicamente de adrenalina, amor pelo perigo, viver no limite, como o Aerosmith cantou tão bem. Se nada mais houvesse no filme, a brilhante perseguição a pé entre o policial de Keanu Reeves e o assaltante de Patrick Swayze, terminando com o personagem de Reeves disparando sua arma, olhando para o alto e gritando "aaaaaahhhh" (quem nunca se imaginou fazendo isso? É só lembrar da comédia Chumbo Grosso). E caramba, o único grande filme ocidental com coragem o bastante de fazer do budista o vilão da história, merece um lugar aqui.

5. Maré Vermelha - Submarinos são naturalmente lugares para macho, tanto que mulheres não podiam servir neles (até recentemente, pelo menos). Mas alguns filmes de submarino são mais de macho que outros, e este só tira o lugar de O Barco, do Wolfgang Petersen, por conter um verdadeiro duelo de titãs como o que se vê entre o capitão Gene Hackman e o oficial executivo Denzel Washington. Enquanto Caçada ao Outubro Vermelho era centrado em um embate intelectual e um ato de ousadia, este é simplesmente um jogo de nervos, com o campeão Hackman enfrentando um pretendente ao seu trono como novo homem da marinha em Washington. Vamos admitir, porém, que há uma escorregada no machismo quando eles resolvem divagar sobre histórias em quadrinhos por um momento (macho raramente se vê em momento nerd), mas vamos deixar passar, afinal, os caras estão no meio de um arsenal nuclear.

Ele rasga a garganta de um cara com as mãos
6. Matador de Aluguel - Como é? Outro filme com o astro de Ghost? Na verdade, sim. Este é o filme no qual Patrick Swayze sai com o protótipo do macho-alfa Sam Eliott (qualquer um que consiga carregar aquele bigode é muito macho, se você quer saber) e depois rasga a garganta de um cara com as próprias mãos. Este também é aquele filme onde ele começa fazendo tai chi, dá uns amassos na Kelly Linch, e termina enlouquecidamente raivoso. Sem falar que ele rasga a garganta de um cara com as próprias mãos. Dalton, personagem de Swayze, pode alegar que "ninguém vence uma briga", mas francamente, a maioria das pessoas diria que o vencedor é o cara que rasgou a gargante de um cara com as próprias mãos.

7. Comando Para Matar - Enquanto Predador é, com alguma distância, um filme melhor, Comando Para Matar é tão ridculamente macho que consegue para Arnie uma segunda aparição na lista. Afinal de contas, é aqui onde ele ganha suas falas mais elegantes ("Ei, Bennett, não faça tanta pressão!") e onde ele mostra menos consideração por detalhes tais como realismo ou desenvolvimento de personagem. Enfrentando todo um time de patifes bombados, Arnie não vai parar por nada em sua missão de resgatar sua filha de sequestradores e, incidentalmente, impedir um ditador corrupto de recuperar seu país. Sim, esse cara é tão durão que sozinho pode barrar um ditador. Toma essa, OTAN.
Realismo? Isso não é coisa de macho!

8. Rambo III - Rocky pode ter os aplausos, todo aquele desenvolvimento de personagem, a história emocionante, mas Rambo - e em particular este, que é o mais ridículo de todos os filmes da série - tem os músculos, e uma história que inspirou milhões de imitações. Lá está Rambo, lutando de noite e construindo um templo budista durante o dia, quando seu antigo coronel aparece pedindo sua ajuda para levar mísseis Stinger aos afegãos durante a invasão soviética. Rambo se recusa - porque, como só homens de verdade podem, ele renunciou à violência - mas imediatamente muda de ideia quanto Trautman é capturado pelos vilões. Corta. Entra em cena escaladas de altas montanhas, voos de helicópteros, lançamentos de coquetéis  Molotov e uma briga de galo entre um tanque e um helicóptero. Nenhum filme foi tão anos 80.

"Olha, Stallone, porrada é contigo, futebol é comigo, entende?"
9. Fuga Para a Vitória - Homens de verdade, sugere-se frequentemente, amam futebol da mesma forma como odeiam nazistas. Logo, homens que jogam futebol como meio de confrontar nazistas devem ser indivíduos seriamente masculinos. Mas sabe o que é ainda mais masculino? Decidir não executar seu plano de fuga no intervalo do jogo (amarelar é para covardes!) porque você quer ficar e derrotar os nazistas no campo. Isso requer muita, muita coragem. Baseado na história real do time do Dínamo de Kiev que jogou contra seus opressores nazistas e morreram em grande número em campos de trabalhos forçados, este filme pode ter um finalzinho feliz meio forçado e uma tentativa fracassada de Stallone de convencer como um jogador habilidoso, mas tem Pelé. E é um belo hino à macheza.

10. Meu Ódio Será Sua Herança - Se o game Red Dead Redemption tomasse drogas, o resultado seria um pouco parecido com Meu Ódio Será Sua Herança. Sam Peckinpah foi provavelmente o diretor mais macho, capaz de jogar John Huston para escanteio e um fornecedor de níveis de violência e vísceras à mostra chocantes para sua época. O filme abre com uma longa cena de carnificina sangrenta e até os momentos calmos, com homens grunhindo em volta de fogueiras, exalam testosterona. E então vem o final, um dilúvio de balas cruzando a tela e não deixando muito para contar a história. É uma visão fria e sombria da masculinidade, mas talvez a mais poderosa da nossa lista.

11. Comando Delta 2: Conexão Colômbia - Você não pensou mesmo que iríamos fazer uma lista dessas sem colocar Chuck Norris dando pelo menos um chute circular na cabeça de alguém, pensou? Honestamente. Este aqui tem de tudo: complicações desnecessárias na trama, missões de vingança para os heróis e vilões, resgate de reféns, helicópteros, tiroteios e todo o resto. E no centro de tudo isso, firme como um carvalho que ocasionalmente treina artes marciais, está o próprio Chuck. Não dá para evitar pensar o quão ilógico é um filme que se chama Conexão Colômbia se passar quase inteiramente na fictícia nação de San Carlos! Mas ninguém nunca disse que "macho" e "lógico" eram sinônimos. Na verdade são bem opostos, a julgar pela maioria dos filmes listados aqui.

12. Magnum 44 - Clint Eastwood é tão macho que sua filmografia inteira poderia ser incluída aqui (certo, talvez não As Pontes de Madison, mas até Os Aventureiros do Ouro o mostra bem masculino), mas nós escolhemos uma das aparições de Dirty Harry porque, bem, é de se admirar um homem que fez por merecer o apelido "Dirty" (Sujo) e carrega "a pistola mais poderosa do mundo". Este segundo filme com o policial de San Francisco o mostra lidando com sequestradores de avião, policiais corruptos, gangsters e - o pior de tudo - um chefe com o coração despedaçado que nunca disparou uma arma no cumprimento do dever. O filme também o mostra devorando um hamburguer suculento enquanto seu velho amigo fala sobre cenas de crime nojentas do passado, o que resume seu apelo central: frieza total.

13. 300 - Era uma vez 300 espartanos e um punhado de aliados que realmente defenderam uma passagem estreita contra um exército de (pelo menos) 250 mil persas por três dias vitais. Eles foram de verdade os protótipos da invencibilidade que os outros desta lista apenas fingem ser, logo o elenco da adaptação da graphic novel 300 (e o diretor Zack Snyder) tinham que ir fundo e pôr em prática um regime de treinamento que superasse a dureza para se provarem dignos de seus papéis e caberem naquelas cuecas de couro. A maior parte das falas mais legais vêm dos registros históricos: quando é dito que as flechas persas "bloquearão o sol", os espartanos realmente juraram "lutar na sombra"; quando ouviram que deveriam baixar suas armas, a resposta realmente foi: "Venham pegá-las". Com toda a conversa sobre homoerotismo (só porque os heróis estão quase nus), não dá para evitar pensar que a maioria de seus acusadores são simplesmente invejosos. Basta uma olhada e você acreditará que estes trezentos poderiam atrasar um império.

14. Red Scorpion - Sejamos justos: na Guerra Fria, havia homens viris em ambos os lados do conflito. E não havia ninguém mais viril do que Dolph Lundgren, que embora sendo sueco, incorporou o soviético ideal nas telas durante boa parte da década de 80. Ele é do tamanho da Bélgica e ainda parece que poderia derrubar Rocky com um soco. Esta produção fracassada mostra-o como um agente russo que decide trocar de lado e lutar contra suas próprias forças e consequentemente com as próprias mãos, conquista a liberdade e a democracia para uma nação inteira. Isso o habilita a um lugar nesta lista. Ponto bônus por sobreviver a uma tortura e sair dela com nada menos do que puro ódio.

Sim, Nicolas Cage sai andando de uma tremenda explosão
15. Con Air - A Rota da Fuga - O filme tem seu objetivo e o aproveita: é um filme insanamente macho e ao mesmo tempo uma ridicularização do gênero (veja também: Velozes e Furiosos 5). Afinal de contas, quem escala Nicolas Cage como seu herói durão e John Malkovich como principal antagonista sem ao menos perceber a bizarrice da situação? Quem faz de Steve Buscemi o membro mais assustador do elenco? Quem pensou que o cabelo de Cameron Poe (personagem de Cage) era uma boa ideia? Até mesmo os embates de músculos são impossíveis de se levar a sério: o ultimato "ponha o coelho de volta na caixa" é um exemplo clássico do roteiro que quer tanto ser macho que acaba sendo demente. Critique quem quiser, mas para onde quer que se olhe, há neste filme explosões, quedas, assassinatos e tiroteios o bastante para satisfazer. O herói até sai andando de uma explosão, como todo macho deve eventualmente fazer.

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