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O Livreiro de Cabul

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Em 2002, o Afeganistão estava na moda. Ou pelo menos, estava na boca de todo mundo. Os jornais mostravam os conflitos que haviam tomado conta do país, causados pela derrocada do Talibã e pela caçada a Osama Bin Laden, ambos os eventos perpetrados pelos Estados Unidos. Foi neste período que Asne Seierstad, uma premiada jornalista norueguesa, viveu durante alguns meses como hóspede de uma família afegã. Uma família de "classe média", se é possível usar este termo em um país devastado por duas décadas de regimes totalitaristas e opressores. Nestes meses, Seierstad experimentou a rotina do povo, das mulheres, dos jovens e dos homens, estes os grandes chefes da sociedade. Ela relatou sua experiência em O Livreiro de Cabul (Editra Bestbooks), livro que se tornou bestseller mundial, com mais de 2 milhões de exemplares vendidos.
Eu acabei a leitura hoje, e posso afirmar que trata-se de um livro triste, que retrata um povo triste, conformado com seu destino. Gente que segue sua vida como se não houvesse mais nada a fazer além de cumprir sua rotina de todos os dias, sem esperança nem perspectiva de um futuro melhor.

Em cada capítulo, Asne se aprofunda em algum membro da família de Sultan Khan, o livreiro do título, homem que se considera liberal, mas que rege sua família com mão de ferro. Há histórias de cortar o coração, como a de Leila, sobrinha de Sultan, uma jovem bonita e cheia de sonhos, mas está condenada a se casar contra a vontade e ser para sempre escrava das tarefas domésticas.
O Livreiro de Cabul é uma obra veemente, uma reportagem fascinante, que mostra uma dura realidade, sem enfeites nem artifícios. Um livro que deve ser lido.

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Veronika Decide Morrer

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Nunca li nenhum livro de Paulo Coelho, nem pretendo fazê-lo. Mas confesso que me surpreendi com esta primeira adaptação para o cinema de um romance do autor brasileiro mais conhecido internacionalmente de todos os tempos.
O filme tem uma Sarah Michelle Gellar totalmente diferente daquela que conhecemos na saudosa séria Buffy - A Caça Vampiros. Definitivamente ela não é mais aquela adolescente pronta para dar uns sopapos em alguns dentuços por aí. Neste filme, ela se mostra uma atriz de grande potencial dramático, que é a âncora de toda a trama.
Ao interpretar Veronika Deklava, uma jovem bem sucedida mas que ainda se sente infeliz e sem propósito para a vida, Sarah prova para os incrédulos que ela está pronta para voos ainda maiores.

Quanto ao filme, temos um bom exemplo de como se filmar obras conhecidas por suas mensagens de auto ajuda. Basta não deixar claro que trata-se de um filme de auto ajuda. E em nenhum momento o espectador se sente manipulado ou conduzido a um determinado pensamento ou ideologia. Com muita sensbilidade, a diretora Emily Young filmou imagens oníricas e belas, que servem como uma espécie de ponte entre o mundo real, de decepções e insatisfação, e a mente de Veronika, contorcida pela iminência da morte.
Um belo filme, que possui uma mensagem de grande importância, mas que não é exclusividade dos livros de auto ajuda. Afinal, quem não precisa ouvir de vez em quando que a vida vale a pena ser vivida?

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Crombie - porenquanto

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Muitas descobertas musicais nos últimos dias! Descobri um site que reúne uma galera independente, pronta para transformar a música cristã brasileira - ou simplesmente fazerem música com simplicidade e poesia, algo em falta atualmente.
Trata-se do Megafônicos, um blog que traz resenhas musicais, artigos, além de disponibilizar para download uma pá de banda nova que está surgindo pelo Brasil.

Um bom exemplo é o Crombie, uma turma que mistura ecologia ao mesmo tempo em que fala de Deus com muita poesia. Para conferir o que estou falando, basta ouvir Sobre o tempo, uma belíssima canção com versos singelos e verdadeiros.
Quanto ao estilo dos caras, eles fazem uma mistura de bossa nova, indie, moda de viola e MPB... Pois é, é algo bem diferente e meio que difícil de rotular. Ainda bem. Estou um tanto cansado dos rótulos.

Para baixar, clique aqui. O download é gratuito e legal.

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Eduardo Mano - Esperança EP

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Alguns meses atrás tive contato com um novo cantor e compositor cristão chamado Eduardo Mano. Ele disponibilizou para download gratuito seu EP Canções para grupos pequenos. A empatia foi quase imediata. Com canções de uma simplicidade raramente vista na atual música cristã brasileira, o disco me deixou muito esperançoso de que ainda há originalidade e espiritualidade na nossa música. A música Eterno é de longe a melhor do álbum, mas as outras faixas têm cada uma seu frescor, dando a verdadeira impressão de que estamos ouvindo um ministro tocando violão na nossa casa, em uma reunião de amigos e irmãos.
Agora, Eduardo vem com um novo EP, mais uma vez disponível para download: Esperança. Além das canções, o kit ainda vem com o projeto gráfico, cifras e wallpapers. São duas lindas músicas, e já posso adiantar: Outono é a melhor música que ouvi este ano.

Quem quiser baixar, é só acessar o blog do Eduardo Mano, clicando aqui.

Vale a pena!

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Os homens que não amavam as mulheres

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Baseado no primeiro volume da trilogia Millennium do sueco Stieg Larsson, que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares em todo o mundo, Os homens que não amavam as mulheres (Suécia, 2009) é um suspense policial de altíssima qualidade. Com um clima gélido que somente as paisagens congelantes da Suécia poderiam fornecer, o filme conta a história de Mikael Blonkvist, um jornalista que acaba de ser condenado a três meses de cadeia, acusado de calúnia contra um grande empresário. Segundo as leis do país, Mikael tem seis meses para se apresentar à polícia e cumprir sua pena.
O jornalista é contatado por um empresário aposentado milionário, que o contrata para investigar o desparecimento de sua sobrinha, 40 anos atrás. Querendo se afastar do burburinho da imprensa, Blonkvist aceita o trabalho e se muda uma pequena ilha a fim de realizar o serviço. Ele não sabe que descobrirá muito mais do que o destino da jovem desaparecida. Com o surgimento de pistas novas para o caso, Mikael conhece uma hacker, Lisbeth, com um passado obscuro, que o ajudará na elucidação dos fatos.
A trama é cheia de reviravoltas e reserva algumas surpresas interessantes - e verossímeis. E tem um final emocionante, com um gancho e tanto para a continuação, que já foi lançada: A menina que brincava com fogo.
Com personagens realmente interessantes com os quais passamos a nos importar, e atuações muito seguras, este é um filme imperdível, que infelizmente ainda não chegou no Brasil , onde os três livros já foram publicados. É só uma questão de tempo. Afinal, não é todo dia que surge um filme policial com uma abordagem tão emocional  e sincera.

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Julie e Julia

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Na gíria americana diz-se que Chick Flicks são aqueles filmes voltados exclusivamente para o público feminino, contendo mensagens que somente as descendentes de Eva hão de entender. Se Julie e Julia (EUA, 2009) é um exemplo de Chick Flick eu não sei. Para saber, devo fazer algumas perguntas facilmente respondidas por qualquer um que assistir ao filme. Primeiro: as protagonistas são duas mulheres? Sim. Meryl Streep e Amy Adams são, respectivamente, Julia Child e Julie Powell, separadas por 60 anos de história - Julia está no ano de 1942 e Julie em 2002 - a primeira, uma americana em Paris, está descobrindo seu dom para a gastronomia, e iria revolucionar a maneira como os americanos cozinhavam. A segunda, uma funcionária pública vivendo em Queens, NY, apaixonada por cozinha que decide começar um blog em que relata suas experiências durante um ano, quando preparou as mais de 500 receitas do livro de culinária francesa escrito por Julia Child.
Segunda pergunta (já respondida): o tema é afeito ao público feminino? Sim, afinal, estamos falando de culinária. Machismos à parte, não dá para dissociar o tema culinária à imagem da mulher, pelo menos não ainda. Sei que a maioria dos chefs profissionais são homens, mas o filme mostra uma dona de casa, que se aventura no mundo dos profissionais. Nada mais feminino, creio eu.
OK, depois de verificar que de fato Julie e Julia é chick flick, deixe-me explicar porque eu, como homem, apreciei tanto este filme dirigido por Nora Ephron (Sintonia de Amor, Mensagem Pra Você, Michael - Anjo e Sedutor). Trata-se de um filme sensível, divertido, engraçado e delicioso! As duas atrizes estão sublimes, e o elenco de apoio não fica para trás.
Com uma história tão saborosa, como eu poderia resistir a um chick flick tão bem feito?

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Tá Rindo de Quê?

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A campanha de marketing de Tá Rindo de Quê? (EUA, 2009) se concentrou em alguns fatos que chamavam atenção para o filme: é o terceiro
filme de Judd Apatow, diretor de O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos, o cara que eu início às chamadas “bromédias”, comédias masculinas que mostram amigos que se amam de verdade, sem nenhuma conotação funny_people_posterhomossexual. Filmes que mostram amigos de verdade, desses interessados na felicidade do outro.
Um outro fato importante explorado pelos marqueteiros do estúdio  é o elenco: Adam Sandler, Seth Rogen, Jason Schwartzman, Jonah Hill, ou seja, uma nova geração de comediantes, apadrinhados pelo veterano astro de Como se fosse a primeira vez.
Mas colocar no cartaz deste filme as letras garrafais “Do diretor de O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos” não prepara o espectador para esta excelente comédia dramática. Quem estiver procurando uma comédia rasgada, vai encontrar uma história que envolve solidão, leucemia, depressão, problemas no casamento e até inveja.
Quando o filme começa, encontramos George Simmons (Adam Sandler), um astro de Hollywood que fez sua fortuna estrelando filmes que são uma espécie de refugo tirado das piores ideias dos irmãos Wayans (os caras que cometeram pérolas como As Branquelas e O Pequenino). Infeliz e solitário, ele descobre que tem um tipo de leucemia, e entra em um tratamento experimental que lhe dá apenas 8% de chance de sobrevivência. Sem muita vontade de fazer nada, ele resolve fazer apenas comédia do tipo stand-up, como nos velhos tempos, e contrata um iniciante como assistente (o ótimo Seth Rogen), para escrever as piadas. Nasce uma amizade entre eles, ainda que George não admita. Acrescente ao drama um amor do passado, um australiano ciumento, dois amigos competitivos e muitas apresentações em palcos, a participação especial de Eminem tirando onda de sua fama de encrenqueiro, e você terá um dos melhores filmes do ano, definitivamente o melhor filme de Adam Sandler.
Quando as luzes acendem e sobem os créditos, aquele espectador desavisado que esperava mais uma comédia descerebrada de Hollywood já foi contagiado e, surpreso, sorri.

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