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Kung Fu Panda 2

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No ano em que a Pixar colheu suas primeiras críticas negativas em massa por Carros 2, a Dreamworks deu um grande passo para arrebatar o Oscar de Melhor Filme de Animação em 2012. Isso porque Kung Fu Panda 2, a sequência do ótimo filme de 2008, é simplesmente um dos melhores filmes do ano. Ao dar prosseguimento às aventuras de Po, o estúdio criado por Steven Spielberg fez uma sequência digna do filme original, chegando a superar o anterior.
O filme de Jennifer Yuh responde a muitas das perguntas deixadas pelo primeiro sobre a origem de Po, afinal, obviamente seu pai não é um ganso. E ao fazer isso, contar a origem do panda Dragão Guerreiro, a história chega a emocionar em muitas cenas. Estão lá todos os elementos que deram certo no filme original: a gula engraçadíssima de Po (Jack Black), o ar sereno e sábio do mestre Shifu (Dustin Hoffman) e os Cinco Furiosos, ainda mais sensacionais, bem como as lutas coreografadas perfeitamente e respeitando os fundamentos do kung fu.
Some a tudo isso uma abertura feita com uma belíssima técnica de animação (lembrando muito O Segredo de Kells, indicado ao Oscar deste ano), contando a origem de Shen (Gary Oldman), o vilão da história; toda a ação do primeiro filme triplicada sem ser irritante (lembra de Transformers 2?); um roteiro que em momento algum deixa o protagonista como coadjuvante (afinal, em Shrek todo mundo sabe que quem manda é o Burro) e ainda uma origem de encher os olhos d'água. Há ainda a inserção de animação tradicional nestas cenas da origem de Po, o que torna a experiência ainda mais envolvente.
Enfim, Kung Fu Panda 2 é um excelente filme de animação que de forma alguma subestima o espectador e agrada crianças e adultos. Pode ver sem medo.

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Rango

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Muitas animações são feitas na medida para agradar a todos os públicos, sem fazerem distinção entre crianças e adultos. Na verdade, a maioria dos filmes animados recentes têm este propósito. Rango, com Johnny Depp dublando o personagem-título e dirigido por Gore Verbinski (os três primeiros Piratas do Caribe), não apenas é desses filmes, como parece até mais voltado para os adultos. Isso porque tudo no filme, do visual dos personagens à fotografia um tanto opressivamente clara, é muito diferente das animações lançadas pelos grandes estúdios na história recente.
Johnny Depp é um solitário camaleão de estimação passando por uma crise de identidade, que durante uma viagem de carro em pleno deserto americano se vê jogado para fora do carro e acaba largado na terrível realidade de um deserto cruel e alucinadamente seco. Ele chega à violenta cidade de Dirt e logo se faz passar por um valentão. O camaleão diz se chamar Rango e conta uma história surreal sobre quando teria matado sete irmãos com um único tiro. Depois de (completamente por acaso) matar um falcão, Rango é promovido a xerife da cidade. Mas nosso herói ainda terá que descobrir quem realmente é, enquanto investiga o estranho racionamento de água que a cidade enfrenta.
São muitas as cenas memoráveis em Rango, como a fuga alucinada do protagonista pelo deserto, tentando escapar do mesmo falcão que ele virá a matar já na cidade; ou o diálogo inspirado de Rango com o prefeito de Dirt. O ótimo roteiro de John Logan (roteirista de Gladiador) não deixa pontas soltas e abre espaço para questionamentos filosóficos interessantes, como o que está escrito no cartaz do filme: Por que se disfarçar se você pode se destacar?
Recheado de referências a clássicos do cinema como Matar ou Morrer e Apocalypse Now - a Cavalgada das Valquírias é executada durante um ataque de toupeiras montadas em morcegos, em uma cena sensacional - Rango é um verdadeiro western filmado em computação gráfica, que utiliza um roteiro muito divertido e inteligente, ao mesmo tempo em que agrada ao público infantil com boas piadas e sem subestimar a capacidade intelectual dos pequenos.
Altamente recomendável.

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Rio

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Animação da Blue Sky é vibrante e empolgante

Quando A Era do Gelo foi lançado nos cinemas em 2002, ninguém conhecia um pequeno estúdio de animação chamado Blue Sky. Nove anos e mais de um bilhão de dólares nas bilheterias depois, eis que aquele pequeno estúdio confirma-se como um dos principais nomes da indústria de Hollywood, e um brasileiro é uma das duas mentes criativas por trás de tudo isso. Seu nome, Carlos Saldanha. Carioca 'da gema', Carlos sempre fez questão de se declarar brasileiro, e com isso ajudar a consolidar o Brasil como berço de mentes criativas em várias áreas além da música e da dança.
Rio era o projeto dos sonhos de Carlos. Fazer um filme homenageando sua cidade natal sempre esteve em sua mente. O animador conseguiu realizar seu grande sonho, e isso é visível em cada frame do filme. Cada cena é um vislumbre para os olhos. São tantas cores, e a animação é tão realista e viva, que a gente até esquece que aquelas paisagens são desenho animado!
Está tudo lá: o bondinho do Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, os morros cariocas, o carnaval, a turma na praia, tudo o que os gringos esperam ver em um filme que recebe o nome da própria Cidade Maravilhosa. Mas não somente os gringos; qual brasileiro espera que um filme animado sobre o Rio de Janeiro mostre qualquer coisa que não exatamente as belezas da cidade?
É claro, entretanto, que as belas paisagens locais não poderiam contar uma história sozinhas. E Rio é um primor também em sua trama. Vamos a ela: Blu (Jesse Eisenberg) é uma arara azul que foi criada nos EUA, no gelado estado do Minnesota, por Linda (Leslie Mann), uma adorável proprietária de uma livraria. Totalmente domesticado, Blu simplesmente não sabe voar. Tudo em sua vida está perfeitamente normal até que um brasileiro especialista em aves, Túlio (Rodrigo Santoro), aparece na loja de Linda informando-lhe que  Blu é o último macho da espécie. Para que a espécie possa ter prosseguimento, ele deve ir até o Rio para procriar com a última arara azul fêmea viva.
Como todos sabem, Blu e Linda embarcam para a terra do samba e vão viver uma aventura cheia de encontros e desencontros, povoada por traficantes de animais, aves de outras espécies muito divertidas, micos batedores de carteiras, um falcão muito perverso e um romance que será construído a duras penas (perdão pelo trocadilho) com Jade (Anne Hathaway), a fêmea valente que conquistará o coração do protagonista.

É impossível não se encantar com Rio, um filme vibrante, que além de ser um belo cartão postal, ainda conta a história de um herói relutante em busca de si mesmo, de suas origens. Um tema universal, mas que fica ainda melhor no Rio.

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Megamente

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O mais recente filme da Dreamworks Animation mostra que, diferente da Pixar, o estúdio fundado por Steven Spielberg segue um caminho mais focado em comédias que satirizam gêneros do cinema, na maioria das vezes sendo bem sucedido. Como exceção a essa tendência cômica, posso citar Como Treinar o Seu Dragão, um dos melhores filmes de 2010.
Mas vamos falar de Megamente. Trata-se de um filme sobre um vilão (como em Meu Malvado Favorito) que homenageia com muito bom gosto o conto de origem do super-herói mais famoso: Superman. Depois de anos tentando, Megamente (voz de Will Ferrel) finalmente consegue derrotar o herói da cidade, Metro Man (dublado por Brad Pitt). Sem ninguém para enfrentá-lo, o vilão torna-se o dono da cidade, rouba cada banco inúmeras vezes e acaba ficando entediado, sem ter com quem lutar.
Para solucionar o problema, Megamente decide criar um novo herói, que acidentalmente acaba sendo um cara sem nenhuma noção de heroísmo, virando um vilão ainda pior que Megamente, e com super poderes.
O protagonista acaba vivendo o esperado dilema sobre heroísmo, o valor falso de ser vilão e reflexões sobre o sentido da vida. É claro que toda essa trama é permeada por muitas boas piadas e gags que têm tudo para agradar os fãs de HQs, mas também não decepcionam os espectadores que nunca leram um gibi.
Megamente fecha com chave de ouro um ano bastante positivo para as animações. Vale a pena investir uma hora e meia nesta ótima aventura.

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Animações que você vai gostar de ver

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Como alguns que me conhecem devem saber, eu amo animações. As boas, é claro. Diferente do que alguns podem pensar, nem todas me agradam. Lembram de Dogão? Pois é. Mas os filmes animados lançados este ano, em sua maioria, me agradaram bastante. Aqui estão dois deles que ainda não havia comentado:
Meu Malvado Favorito - primeiro filme do novo estúdio Illumination Entertainment, este é um clássico exemplo de escolhas acertadas que resultaram em uma animação acima da média e incrivelmente divertida. A história de Gru, o antigo "maior vilão do mundo", é muito legal. Diferente da série Shrek, na qual ninguém se importa mesmo com o protagonista, em Meu Malvado Favorito Gru é um cara malvado até na hora de comprar um café; se a fila está muito grande, ele simplesmente saca uma arma congelante e coloca todo mundo à sua frente abaixo de zero, só para furar fila! Seu veículo, enorme, destrói ruas, casas, árvores e tudo o mais o que vier pela frente, sem o menor pudor. E ele já roubou o painel eletrônico de Wall Street! Tudo com a ajuda de seus Minies, bichinhos amarelinhos responsáveis por algumas das melhroes piadas do filme. Mas seus dias como maior vilão da terra estão chegando ao fim, pois um novo ser maligno surge: o Vetor, um vilão mais jovem que rouba as pirâmides do Egito. Para superar seu mais novo desafeto, Gru decide roubar a lua (!), mas para isso precisa da arma encolhedora que Vetor criou. É quando entram em cena três lindas órfãs vendedoras dos doces que Vetor tanto gosta. Gru as adota, elas são uma gracinha, ele descobre como é bom ser pai e o resto todo mundo já sabe.
Sem querer se levar tão a sério, o filme conquista crianças e adultos extamente por ser muito divertido e inventivo; ainda assim, o roteiro ainda entrega um aspecto psicológico, quando descobrimos o que levou Gru a ser tão malvado. E ainda tem emoção de sobra  no final. Se você assistir na versão legendada, confira o trabalho excelente de Steve Carell fazendo a voz de Gru. No mais, compre a pipoca e aproveite!
A Lenda dos Guardiões - dirigido por Zack Snyder em parceria com o estúdio Animal Logic (que fez Happy Feet), A Lenda dos Guardiões tem nas imagens seu grande trunfo. Cada frame deste filme é simplesmente lindo. A animação beira a perfeição, mostrando o cuidado que o estúdio teve na renderização das penas das corujas ao voar. Muito legal mesmo. As batalhas aéreas entre corujas também merecem destaque. São empolgantes e não confundem o espectador, sendo possível distinguir os personagens em plena luta, mesmo sendo todos corujas.
Esse também é um diferencial do filme, afinal, quem já assistiu um filme estrelado por corujas? A Lenda dos Guardiões conta a história de Soren, uma jovem coruja-macho que sonha com as histórias contadas por seu pai sobre os lendários Guardiões de Ga'Hoole, que combateram uma espécie de corujas conquistadoras e crueis, para libertarem seu povo. Seu irmão, Kuddle, não acredita nessa história, até que no dia em que estão aprendendo a voar, os dois são sequestrados pelos Puros, a tal raça malvada que planeja dominar o mundo. Nesse ponto o roteiro começa a ficar um tanto confuso, ao não explicar bem o que são as tais partículas mágicas que os Puros desejam usar para derrotar os Guardiões de Ga'Hoole. Talvez com pressa de mostrar a ação das batalhas aéreas, Snyder não desenvolve a contento a transformação de Kuddle, com tudo acontecendo em cerca de um dia: traições, aprendizado de vôo, fuga e resgate. Mas na verdade tudo isso perde um tanto seu valor quando se admira o maravilhoso trabalho que o estúdio teve em desenvolver todo esse mundo dominado por corujas. É tudo uma festa aos olhos, desde a árvore que serve de ninho para Soren e sua família, passando pelo sinistro covil dos Puros até a árvore de Ga'Hoole, onde vivem os Guardiões. No quesito belas imagens, A Lenda dos Guardiões é sem dúvida o melhor filme do ano.

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O Velho e o Mar

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Há tempos que ouvia falar de Ernest Hemingway, romancista estadunidense, Prêmio Nobel de Literatura em 1954, grande nome da prosa norte-americana. Na faculdade o professor de literatura em língua inglesa já mencionou sua obra, tendo citado livros como este O Velho e o Mar (Bertrand Brasil, R$ 18,90). Publicado pela primeira vez em 1952, o livro tornou-se best-seller e foi decisivo na escolha de Hemingway para o Nobel.
O Velho e o Mar conta a história de um pescador que, depois de 84 dias sem apanhar um só peixe, acaba fisgando um de tamanho descomunal, que lhe oferece inusitada resistência e contra cuja força tem de opor a de seus braços, do seu corpo, e, mais do que tudo, de seu espírito.
Uma pequena pérola da literatura mundial, a obra fisga - aproveitando o tema - o leitor de maneira que não se consegue parar até descobrir como Santiago (o velho pescador) conseguirá derrotar o enorme peixe que mordeu sua isca. Há momentos em que Hemingway destila poesia, refletindo sobre a finitude da vida, os sonhos nunca realizados e a força do espírito humano.
"O vento é nosso bom amigo, seja lá como for", pensou [Santiago]. "Às vezes", acrescentou em seguida. "E o grande mar, com os nossos amigos e inimigos. E a cama", acrescentou em pensamento. "A cama é minha amiga. De cama é que eu preciso. Espero por ela com uma grande impaciência. É fácil quando se está vencido", pensou o velho pescador. "Eu nunca tinha sido derrotado e não sabia como era fácil. E o que me venceu?", pensou ele. "Nada". Disse em voz alta. "Fui longe demais".
Não há como esquecer da amizade entre Santiago e Manolin, um garoto que está dando seus primeiros passos como pescador. O respeito e a admiração existente entre os dois é marcante, bem como a reação emocionada de Manolin quando Santiago retorna após 84 dias no mar.
Hemingway criou um conto eterno sobre a relação do homem com o mar, com seu próximo; uma história envolvente e de fácil leitura; uma narrativa magnífica; uma obra-prima inegável, coroada com frases memoráveis, como: "Este peixe é meu irmão, mas tenho que matá-lo."

Santiago e seu adversário quase imbatível

Adaptações para o cinema
Alguns filmes já adaptaram O Velho e o Mar, sendo os mais famosos a produção de 1958, com Spencer Tracy no papel de Santiago; e o curta-metragem de animação de Alexsander Petrov produzido na Rússia, lançado em 1999, e ganhador do Oscar no ano seguinte.
O filme com Spencer Tracy é uma obra de contemplação, talvez a maior atuação do grande ator, que foi casado com Katharine Hepburn.
O curta de animação é simplesmente lindo, e está disponível no YouTube (sem legendas e falado em inglês - clique AQUI para ver). A técnica utilizada por Petrov é tão perfeita e diferente que tem-se a impressão de que se estar vendo uma aquarela animada, viva.

Como se vê, Ernest Hemingway não apenas criou uma obra-prima da literatura, como inspirou outros autores a criarem suas pequenas pérolas sobre O Velho e o Mar. Desfrute você também.

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Como Treinar o Seu Dragão

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Soluço é um viking incomum. Não tem talento para nenhuma das atividades favoritas de sua tribo: caça, luta, etc. O grande problema é que ele é filho do chefe da tribo, e seu povo é constantemente atacado por hordas de dragões, o que torna a luta algo praticamente indispensável no lugar. Durante um ataque noturno dos seres alados piromaníacos, Soluço consegue acertar um dragão de uma raça que ninguém jamais viu: Fúria da Noite. Quando vai até a floresta em busca de sua presa, Soluço se depara com um animal assustado e indefeso. Com pena, não o mata, e isso muda totalmente o rumo do filme, ao mostrar que talvez essa relação de guerra entre vikings e dragões pode ser equivocada.
Como Treinar o Seu Dragão é um filme sensacional, que traz uma animação extraordinária, que ganha força exatamente nas cenas de voo e de combate aéreo, com muita ação e agilidade, dificilmente encontradas em filmes do gênero, isso lembrando inclusive de filmes live-action, como Top Gun, Flyboys e Cavaleiros do Ar.
Os personagens são bem desenvolvidos e a amizade surgida entre Soluço e Banguela (o dragão, que aparentemente não tem dentes) é emocionante e toda a transformação ocorrida gradualmente na maneira em que a cultura de caça aos dragões é alterada, torna o filme ainda mais interessante.
Em termos de animação, a Dreamworks tem seguido um caminho diferente de sua principal concorrente, a Pixar. O estúdio cada vez mais tem optado por adaptações de obras literárias, e tem feito isso com sucesso, produzindo filmes excelentes e com forte carga emocional. É bom ver que o estúdio não é refém das sequências de Shrek, e bons filmes têm surgido, como Os Sem-Floresta. Que venham mais.

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O Novo Cinema Asiático

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Não é de hoje que o cinema asiático produz obras memoráveis e duradouras. Basta lembrar do japonês Akira Kurosawa, ou do chinês John Woo, cuja melhor fase foi a dos filmes feitos em Hong-Kong. Mas novos filmes produzidos por lá estão chegando ao público ocidental, mostrando-se um cinema forte e de muita qualidade. Tenho visto alguns deles, e selecionei dois que comento aqui. Vamos a eles.

Mother - A Busca Pela Verdade
 Bong Joon-ho tem se provado um dos cineastas mais inventivos dos últimos tempos a surgir não apenas no cinema sul-coreano, mas em todo o mundo. Seu último filme, O Hospedeiro, é um conto de terror que faz com que cada personagem importe, tornando-o um filme de gênero-fora-do-gênero, misturando com sucesso comédia, drama e muitos sustos.
Em  Mother - A Busca Pela Verdade, Joon-ho entrega um excelente filme seguindo na melhor tradição do suspense de Alfred Hitchcock com o toque dramático de Clint Eastwood.
O filme traz a história de uma mãe cujo filho tem problemas mentais, e é acusado de ter assassinado uma jovem estudante. Com seu filho atrás das grades e a polícia dando o caso por encerrado, ela inicia uma investigação por conta própria para descobrir o verdadeiro assassino, chegando a um dos clímax mais tensos do cinema recente. Com um final surpreendente, atuações memoráveis e cenas conduzidas com muita habilidade, Mother é um filme que fica na memória do espectador por um bom tempo.

Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar
Falar de cinema asiático contemporâneo e não falar da de Hayao Myazaki é impossível. Sua obra é ampla e fortíssima, sendo considerado o Walt Disney da terra do sol nascente. Vencedor do Oscar com A Viagem de Chihiro e autor de obras-primas como Princesa Mononoke e Meu Vizinho Totoro, Myazaki é um gênio, venerado pelas mentes criativas (e americanas) da Pixar, só para citar um exemplo. Seu filme mais recente, Ponyo, lançado no Brasil depois de dois anos de espera, é um espetáculo de cores e música, com imagens de uma beleza arrebatadora, e uma história de amor entre duas crianças contada com pureza e muita poesia. Ponyo é uma princesa peixinho-dourado, que foge do pai e vai parar na superfície, onde conhece Sosuke um esperto menino de cinco anos. Ao conhecê-lo, Ponyo decide se tornar humana, mas sua decisão pode trazer consequências devastadoras para todo o planeta. O filme é perfeito para se introduzir na obra magnífica de Myazaki, um conjunto de animações inesquecíveis.

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Vem aí: Zé Colméia

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O urso mais comilão dos desenhos animados está de volta, desta vez em um filme live-action (com atores de verdade): Zé Colméia estreia no Brasil em 21 de janeiro de 2011. Mesmo com toda a desconfiança dos fãs, acho que dá para dar um crédito de confiança aos produtores, que divulgaram hoje o primeiro cartaz do filme, que aliás ficou muito legal! Colorido e bonito, com Zé Colméia e Catatau se esbaldando num piquenique, é claro.
O filme traz Dan Aykroid (Os Caça-Fantasmas) dublando Zé Colméia e Justin Timberlake fazendo a voz de Catatau, que é claro, serão gerados em computação gráfica. No elenco, Tom Cavanaugh será o guarda florestal e Anna Faris (de Todo Mundo em Pânico) será uma documentarista da vida animal que acompanha o dia a dia do urso mais querido do parque Jellystone. A direção é de Eric Brevig (Viagem ao Centro da Terra).
Zé Colméia será lançado em 2D e 3D.


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Toy Story 3

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Eu já disse e repito: a Pixar não sabe fazer filme ruim. Não dá. Simplesmente todo filme produzido pelo estúdio torna-se um clássico instantâneo, desses que passam a fazer parte do imaginário do espectador. Com Toy Story 3 (EUA, 2010), último capítulo da trilogia dos brinquedos, a Pixar alcança um patamar tecnológico e de roteiro inédito para a animação (não que isso seja alguma novidade). É impressionante a gigantesca variedade de cenários e texturas diferentes explorados durante as duas horas de filme! Embora esse avanço tecnológico não seja exclusividade da Pixar, a diferença deste estúdio para os outros que também produzem animações modernas e que fazem sucesso, é que a Pixar não copia nada. Nenhum filme é derivado de quaisquer outras fontes, como livros, gibis e muito menos refilmagens. Cada história é original e única, e cada personagem é importante e relevante na história.
Por falar em história, vamos a ela: Andy, o menino dono de Woody, Buzz e cia., já não é mais um menino. Ele já está com 17 anos e a caminho da faculdade. Os brinquedos estão guardados em um baú há anos, e já não são mais utilizados. Esquecida por seu dono, a turma de Woody é levada para uma creche, e lá terão que enfrentar crianças bem pequenas que só sabem destruir os brinquedos. Como desgraça pouca é bobagem, a trama ainda traz um urso de pelúcia rosa com cheirinho de morango que é um verdadeiro terror, uma espécie de ditador que comanda todos os outros brinquedos da creche. Em uma história mais sombria do que os outros dois filmes, Toy Story 3 reserva muitas surpresas para os brinquedos, com cenas de ação de primeira e momentos de muita emoção, que podem vir a provocar até mesmo lágrimas nos espectadores mais sensíveis (será que eu seria um deles?).
Vale a pena também destacar o curta-metragem que serve como aperitivo para o filme, Dia e Noite, uma pequena pérola da narrativa, criada por um estúdio que não cansa de se reinventar e tocar os corações das plateias em todo o mundo.

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O Estranho Mundo de Jack

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Quando se ouve o nome Tim Burton, o que vem à mente são os personagens estranhos mas fascinantes, os cenários mais fantásticos e o apuro visual marcante que caracterizam seus filmes, desde Edward Mãos de Tesoura ao mais recente Alice no País das Maravilhas. Mas em 1993, Burton ainda não era o cineasta famoso, celebridade do mundo do cinema, figura fácil nas conversas nerds por toda parte.
Foi em 1993 que Tim Burton criou e produziu O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas), uma sensacional animação feita em stop-motion, dirigida por um mestre do gênero, Henry Selick (de Coraline). Um verdadeiro clássico dos filmes de natal, O Estranho Mundo de Jack é uma obra cheia de imaginação, com canções climáticas, que traduzem inteiramente o espírito do filme.
Conta a história de Jack, o rei da cidade de Halloween, que todos os anos organiza a festa do terror. Mas Jack está entediado com a mesma rotina ano após ano e sente que falta algo em sua vida. É quando, andando para longe das fronteiras de Halloween, que ele encontra uma floresta com árvores que são portais para os mais diversos mundos: lá estão a árvore da Páscoa, do dia de Ação de Graças, e é claro, do Natal. Ao entrar na árvore do Natal, ele se depara com um mundo inteiramente novo, onde as pessoas são sorridentes e tudo é colorido. Jack fica fascinado, e decide tomar o lugar de Papai Noel, o que fatalmente causará uma tremenda confusão.
Cada frame de O Estranho Mundo de Jack é um espetáculo, ainda mais se considerarmos a tremenda dificuldade que está envolvida em fazer um filme inteiro em stop-motion, onde cada segundo em cena deve ser fotografado separadamente.
Anos depois Tim Burton assumiria ele mesmo a direção de A Noiva Cadáver, outra animação de alta qualidade, comprovando que seu gênio criativo não perdeu a calibragem, pelo contrário, continua se renovando e mostrando ao público novos mundos que só poderiam vir de sua mente.

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Up - Altas Aventuras

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De uma coisa todos podem ter certeza ao assistir um filme da Pixar: o filme é bom. O estúdio não consegue fazer um filme ruim, de jeito nenhum! Isso sem falar na criatividade dos caras, afinal, todos os filmes produzidos por eles até hoje são ideias inteiramente originais. Nada de refilmagens, adaptações de obras literárias ou de histórias em quadrinhos. Se hoje os personagens criados por John Lasseter e cia. fazem parte do imaginário popular, o crédito é todo deles, que souberam criar toda uma gama de personagens inesquecíveis, do tipo crível, com o qual o espectador se importa. Assistindo um filme da Pixar, a gente consegue esquecer que trata-se de uma produção de Hollywood; filme com alma não é coisa que se encontra muito neste mercado preocupado com lucros imediatos.
Mas vamos falar de Up - Altas Aventuras, filme inspirador deste post. Os primeiros dez minutos do filme já são emocionantes. Vemos o nascimento do amor entre Carl e Ellie, e o sonho dos dois de morar  em um paraíso nas selvas da América do Sul. Com o passar dos anos, as responsabilidades do casamento, e as idas e vindas da vida, o sonho vai sendo adiado. Ellie morre, e Carl fica solitário, vendo sua pequena casa ser engolida pelo progresso. Prédios gigantescos estão sendo construídos em volta, e Carl se vê acuado, preso em um passado que não voltará. É claro que você já viu alguma cena de Up, e sabe que o vendedor de balões resolve pendurar milhares de balões em sua casa e sair voando em busca de seu sonho. E leva junto Russel, um escoteiro falastrão que se mostrará um verdadeiro amigo.
Sensível e cheio de aventura, Up é o tipo de filme que passa rápido demais. Quando chega ao fim, a vontade que dá é de retornar ao começo e fazer a mesma viagem outra vez.

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Wall-E

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Quando um filme futurista feito em animação sobre um robô solitário em um planeta Terra abandonado sem quase nenhuma fala com exceção dos ruídos robóticos traz lágrimas aos olhos do espectador, é bom prestar atenção a ele. Wall-E(EUA, 2008), o novo filme da extraordinária Pixar Animation Studios, é assim. Uma pequena obra-prima feita por um estúdio que simplesmente não consegue fazer filme ruim.
Wall-E é uma unidade robótica dentre milhares iguais a ele que foi deixada na Terra para limpá-la de todo o lixo acumulado por milhares de anos enquanto os seres humanos descansam em naves gigantescas até que a limpeza esteja concluída. Acontece que o que deveria durar cinco anos, acaba durando 700 anos! Gerações e gerações de pessoas já vieram e se foram, e a limpeza ainda não acabou. De todos os robôs-faxineiros, apenas nosso herói restou. E se tornou um robozinho fascinado pela raça humana, pelos musicais e pelos objetos que nós deixamos aqui. A rotina de Wall-E é recolher o lixo, compactá-lo e empilhá-lo em pilhas gigantescas. O dia a dia dele vai correndo normalmente, até que uma nave chega à Terra e deixa uma robozinha chamada EVA, cuja diretriz é um mistério para o espectador (não se preocupe, não vou estragar o mistério aqui). Wall-E se apaixona imediatamente por EVA, e começamos a testemunhar uma das maiores histórias de amor do cinema em todos os tempos. É sério!
Cheio de aventura, humor e homenagens aos velhos filmes mudos dos primórdios do cinema, este é um filme para ver, rever e nunca se cansar de se emocionar.
Trata-se do melhor filme da Pixar desde Procurando Nemo, e sem dúvida um dos melhores filmes de 2008. Imperdível!

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