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O Livreiro de Cabul

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Em 2002, o Afeganistão estava na moda. Ou pelo menos, estava na boca de todo mundo. Os jornais mostravam os conflitos que haviam tomado conta do país, causados pela derrocada do Talibã e pela caçada a Osama Bin Laden, ambos os eventos perpetrados pelos Estados Unidos. Foi neste período que Asne Seierstad, uma premiada jornalista norueguesa, viveu durante alguns meses como hóspede de uma família afegã. Uma família de "classe média", se é possível usar este termo em um país devastado por duas décadas de regimes totalitaristas e opressores. Nestes meses, Seierstad experimentou a rotina do povo, das mulheres, dos jovens e dos homens, estes os grandes chefes da sociedade. Ela relatou sua experiência em O Livreiro de Cabul (Editra Bestbooks), livro que se tornou bestseller mundial, com mais de 2 milhões de exemplares vendidos.
Eu acabei a leitura hoje, e posso afirmar que trata-se de um livro triste, que retrata um povo triste, conformado com seu destino. Gente que segue sua vida como se não houvesse mais nada a fazer além de cumprir sua rotina de todos os dias, sem esperança nem perspectiva de um futuro melhor.

Em cada capítulo, Asne se aprofunda em algum membro da família de Sultan Khan, o livreiro do título, homem que se considera liberal, mas que rege sua família com mão de ferro. Há histórias de cortar o coração, como a de Leila, sobrinha de Sultan, uma jovem bonita e cheia de sonhos, mas está condenada a se casar contra a vontade e ser para sempre escrava das tarefas domésticas.
O Livreiro de Cabul é uma obra veemente, uma reportagem fascinante, que mostra uma dura realidade, sem enfeites nem artifícios. Um livro que deve ser lido.

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Veronika Decide Morrer

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Nunca li nenhum livro de Paulo Coelho, nem pretendo fazê-lo. Mas confesso que me surpreendi com esta primeira adaptação para o cinema de um romance do autor brasileiro mais conhecido internacionalmente de todos os tempos.
O filme tem uma Sarah Michelle Gellar totalmente diferente daquela que conhecemos na saudosa séria Buffy - A Caça Vampiros. Definitivamente ela não é mais aquela adolescente pronta para dar uns sopapos em alguns dentuços por aí. Neste filme, ela se mostra uma atriz de grande potencial dramático, que é a âncora de toda a trama.
Ao interpretar Veronika Deklava, uma jovem bem sucedida mas que ainda se sente infeliz e sem propósito para a vida, Sarah prova para os incrédulos que ela está pronta para voos ainda maiores.

Quanto ao filme, temos um bom exemplo de como se filmar obras conhecidas por suas mensagens de auto ajuda. Basta não deixar claro que trata-se de um filme de auto ajuda. E em nenhum momento o espectador se sente manipulado ou conduzido a um determinado pensamento ou ideologia. Com muita sensbilidade, a diretora Emily Young filmou imagens oníricas e belas, que servem como uma espécie de ponte entre o mundo real, de decepções e insatisfação, e a mente de Veronika, contorcida pela iminência da morte.
Um belo filme, que possui uma mensagem de grande importância, mas que não é exclusividade dos livros de auto ajuda. Afinal, quem não precisa ouvir de vez em quando que a vida vale a pena ser vivida?

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Crombie - porenquanto

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Muitas descobertas musicais nos últimos dias! Descobri um site que reúne uma galera independente, pronta para transformar a música cristã brasileira - ou simplesmente fazerem música com simplicidade e poesia, algo em falta atualmente.
Trata-se do Megafônicos, um blog que traz resenhas musicais, artigos, além de disponibilizar para download uma pá de banda nova que está surgindo pelo Brasil.

Um bom exemplo é o Crombie, uma turma que mistura ecologia ao mesmo tempo em que fala de Deus com muita poesia. Para conferir o que estou falando, basta ouvir Sobre o tempo, uma belíssima canção com versos singelos e verdadeiros.
Quanto ao estilo dos caras, eles fazem uma mistura de bossa nova, indie, moda de viola e MPB... Pois é, é algo bem diferente e meio que difícil de rotular. Ainda bem. Estou um tanto cansado dos rótulos.

Para baixar, clique aqui. O download é gratuito e legal.

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Eduardo Mano - Esperança EP

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Alguns meses atrás tive contato com um novo cantor e compositor cristão chamado Eduardo Mano. Ele disponibilizou para download gratuito seu EP Canções para grupos pequenos. A empatia foi quase imediata. Com canções de uma simplicidade raramente vista na atual música cristã brasileira, o disco me deixou muito esperançoso de que ainda há originalidade e espiritualidade na nossa música. A música Eterno é de longe a melhor do álbum, mas as outras faixas têm cada uma seu frescor, dando a verdadeira impressão de que estamos ouvindo um ministro tocando violão na nossa casa, em uma reunião de amigos e irmãos.
Agora, Eduardo vem com um novo EP, mais uma vez disponível para download: Esperança. Além das canções, o kit ainda vem com o projeto gráfico, cifras e wallpapers. São duas lindas músicas, e já posso adiantar: Outono é a melhor música que ouvi este ano.

Quem quiser baixar, é só acessar o blog do Eduardo Mano, clicando aqui.

Vale a pena!

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Os homens que não amavam as mulheres

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Baseado no primeiro volume da trilogia Millennium do sueco Stieg Larsson, que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares em todo o mundo, Os homens que não amavam as mulheres (Suécia, 2009) é um suspense policial de altíssima qualidade. Com um clima gélido que somente as paisagens congelantes da Suécia poderiam fornecer, o filme conta a história de Mikael Blonkvist, um jornalista que acaba de ser condenado a três meses de cadeia, acusado de calúnia contra um grande empresário. Segundo as leis do país, Mikael tem seis meses para se apresentar à polícia e cumprir sua pena.
O jornalista é contatado por um empresário aposentado milionário, que o contrata para investigar o desparecimento de sua sobrinha, 40 anos atrás. Querendo se afastar do burburinho da imprensa, Blonkvist aceita o trabalho e se muda uma pequena ilha a fim de realizar o serviço. Ele não sabe que descobrirá muito mais do que o destino da jovem desaparecida. Com o surgimento de pistas novas para o caso, Mikael conhece uma hacker, Lisbeth, com um passado obscuro, que o ajudará na elucidação dos fatos.
A trama é cheia de reviravoltas e reserva algumas surpresas interessantes - e verossímeis. E tem um final emocionante, com um gancho e tanto para a continuação, que já foi lançada: A menina que brincava com fogo.
Com personagens realmente interessantes com os quais passamos a nos importar, e atuações muito seguras, este é um filme imperdível, que infelizmente ainda não chegou no Brasil , onde os três livros já foram publicados. É só uma questão de tempo. Afinal, não é todo dia que surge um filme policial com uma abordagem tão emocional  e sincera.

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Julie e Julia

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Na gíria americana diz-se que Chick Flicks são aqueles filmes voltados exclusivamente para o público feminino, contendo mensagens que somente as descendentes de Eva hão de entender. Se Julie e Julia (EUA, 2009) é um exemplo de Chick Flick eu não sei. Para saber, devo fazer algumas perguntas facilmente respondidas por qualquer um que assistir ao filme. Primeiro: as protagonistas são duas mulheres? Sim. Meryl Streep e Amy Adams são, respectivamente, Julia Child e Julie Powell, separadas por 60 anos de história - Julia está no ano de 1942 e Julie em 2002 - a primeira, uma americana em Paris, está descobrindo seu dom para a gastronomia, e iria revolucionar a maneira como os americanos cozinhavam. A segunda, uma funcionária pública vivendo em Queens, NY, apaixonada por cozinha que decide começar um blog em que relata suas experiências durante um ano, quando preparou as mais de 500 receitas do livro de culinária francesa escrito por Julia Child.
Segunda pergunta (já respondida): o tema é afeito ao público feminino? Sim, afinal, estamos falando de culinária. Machismos à parte, não dá para dissociar o tema culinária à imagem da mulher, pelo menos não ainda. Sei que a maioria dos chefs profissionais são homens, mas o filme mostra uma dona de casa, que se aventura no mundo dos profissionais. Nada mais feminino, creio eu.
OK, depois de verificar que de fato Julie e Julia é chick flick, deixe-me explicar porque eu, como homem, apreciei tanto este filme dirigido por Nora Ephron (Sintonia de Amor, Mensagem Pra Você, Michael - Anjo e Sedutor). Trata-se de um filme sensível, divertido, engraçado e delicioso! As duas atrizes estão sublimes, e o elenco de apoio não fica para trás.
Com uma história tão saborosa, como eu poderia resistir a um chick flick tão bem feito?

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Tá Rindo de Quê?

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A campanha de marketing de Tá Rindo de Quê? (EUA, 2009) se concentrou em alguns fatos que chamavam atenção para o filme: é o terceiro
filme de Judd Apatow, diretor de O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos, o cara que eu início às chamadas “bromédias”, comédias masculinas que mostram amigos que se amam de verdade, sem nenhuma conotação funny_people_posterhomossexual. Filmes que mostram amigos de verdade, desses interessados na felicidade do outro.
Um outro fato importante explorado pelos marqueteiros do estúdio  é o elenco: Adam Sandler, Seth Rogen, Jason Schwartzman, Jonah Hill, ou seja, uma nova geração de comediantes, apadrinhados pelo veterano astro de Como se fosse a primeira vez.
Mas colocar no cartaz deste filme as letras garrafais “Do diretor de O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos” não prepara o espectador para esta excelente comédia dramática. Quem estiver procurando uma comédia rasgada, vai encontrar uma história que envolve solidão, leucemia, depressão, problemas no casamento e até inveja.
Quando o filme começa, encontramos George Simmons (Adam Sandler), um astro de Hollywood que fez sua fortuna estrelando filmes que são uma espécie de refugo tirado das piores ideias dos irmãos Wayans (os caras que cometeram pérolas como As Branquelas e O Pequenino). Infeliz e solitário, ele descobre que tem um tipo de leucemia, e entra em um tratamento experimental que lhe dá apenas 8% de chance de sobrevivência. Sem muita vontade de fazer nada, ele resolve fazer apenas comédia do tipo stand-up, como nos velhos tempos, e contrata um iniciante como assistente (o ótimo Seth Rogen), para escrever as piadas. Nasce uma amizade entre eles, ainda que George não admita. Acrescente ao drama um amor do passado, um australiano ciumento, dois amigos competitivos e muitas apresentações em palcos, a participação especial de Eminem tirando onda de sua fama de encrenqueiro, e você terá um dos melhores filmes do ano, definitivamente o melhor filme de Adam Sandler.
Quando as luzes acendem e sobem os créditos, aquele espectador desavisado que esperava mais uma comédia descerebrada de Hollywood já foi contagiado e, surpreso, sorri.

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Doutor Jivago

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doutor_jivago_criticas_1965_img_posterEscrever sobre um clássico absoluto do cinema não é tarefa fácil. Escrever sobre um clássico absoluto que ainda por cima é um dos filmes mais queridos de todos os tempos é ainda mais difícil. Acontece que Doutor Jivago (EUA, 1963) é um desses filmes que TÊM de ser vistos. Baseado no romance de Boris Pasternak, o filme de David Lean é grandioso em todos os sentidos: desde seu elenco, que inclui Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin e Sir Alec Guinness, passando pela duração de mais de 3 horas, até seus cenários espetaculares (apesar de se passar na Rússia, o filme foi rodado em locações do Canadá, Espanha e EUA), tudo neste filme nos remete a uma sensação nostálgica de estarmos assistindo a um verdadeiro épico.
É difícil não se encantar pela saga de um homem – Yuri Jivago - e sua família, aristocratas russos que perdem tudo com a tomada do poder no país pelos bolcheviques, liderados por Lênin. Paralelo a tudo isso, conhecemos Lara, uma bela jovem que se envolve com um poderoso homem bem mais velho, cujo interesse por ela aparentemente não passa dos limites da cama. Jivago e Lara vão se encontrar e nada mais será igual depois disso. Em meio à luta pela sobrevivência em uma Rússia governada por comunistas, Yuri Jivago é a figura de um homem sem ideais políticos, tentando sustentar a si próprio e à sua família, superando obstáculos e amando intensamente.
Produizo pela MGM em um tempo de afirmação americana do capitalismo, Doutor Jivago é também um libelo à liberdade de expressão, ao direito à propriedade e aos direitos humanos. Claramente criticando o regime comunista, David Lean filmou mais que uma história de amor. Filmou uma obra que manifesta o poder do espírito humano.

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Um dos grandes vencedores do Festival: 4 prêmios RED!

Está no ar o vídeo que ganhou mais prêmios entre 7ª e 8ª séries: I wanna know what love is, do grupo 1 da 8ª série I, aquele com Malena e André. Trata-se do vídeo mais popular entre o público do festival. Ganhour os seguintes prêmios RED: Melhor Videoclipe Amador, Melhor Atriz, Melhor Direção e Melhor Roteiro.

Assistam e comentem!

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O melhor site para postar seus vídeos

Em um post anterior mencionei um projeto pedagógico que fiz com meus alunos de 5ª a 8ª séries, no qual eles produziram videoclipes utilizando músicas de língua inglesa. O projeto foi um sucesso, e recebi um excelente retorno, falando como realização profissional.
Acontece que depois de todo o projeto realizado, resolvi postar todos os 27 vídeos que eles produziram no You Tube. Seria algo bem legal para eles verem seus trabalhos à disposição do mundo inteiro. Postei o primeiro vídeo no site e foi tudo tranquilo. O segundo vídeo me deu muito trabalho. Levei um fim de semana inteiro para finalmente a postagem ser bem sucedida.
O terceiro vídeo simplesmente não conseguia ter o envio aprovado, então resolvi (depois de algumas boas horas de tentativas sucessivas) procurar outros sites de vídeo. Vimeo, Yahoo, etc.
Veredito final: o melhor site para a postagem de vídeos é o YAHOO. Apesar de alguns vídeos demorarem um pouco mais de tempo para serem postados, cada um dos clipes que eu enviei foram bem sucedidos.
O site é bem claro quanto aos erros que podem haver, e a barra que mostra a evolução do envio anda bem rápido, e olha que estamos falando de uma conexão muito lenta (a que eu tenho na minha cidade)!
No final das contas, fiquei extremamente decepcionado com o You Tube, que não responde aos e-mails de contato do usuário, mas descobri um serviço bem legal de postagem de vídeos.
Não importa a fama do site para um vídeo se tornar popular, pois isso depende da divulgação que se faz dele. É meu trabalho agora divulgar os vídeos deste projeto.

Aproveitando a chance, se você quiser assistir os clipes (ainda não postei todos), basta acessar o blog oficial:

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Novo visual

Depois de 3 anos com um visual bem fiel ao Blogger, resolvi dar meu grito de independência, alterando o template. Ainda está em fase de testes, já que posso pensar em outros templates, mas por enquanto é esse aí.

Gostou? Não gostou? Comente e dê sugestões!

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Um "Oscar" para chamar de meu

Nos dias 18 e 19 de novembro - e nas três semanas anteriores  - um evento tomou meu tempo quase que totalmente: foi o 1º Festival IBV de Vídeos Estudantis, um projeto criado por mim para que meus alunos de inglês do Colégio IBV pudessem produzir videoclipes com músicas em inglês, usando toda sua criatividade. Posso dizer desde já que o trabalho foi muito, bem como as dores de cabeça, afinal esse não seria um trabalho qualquer. Exigiria dos alunos um esforço muito grande, e dos pais uma paciência do mesmo tamanho.
Mas o resultado final foi recompensador, pois os dois dias do Festival foram um verdadeiro sucesso, com uma presença maciça de cerca de 450 pessoas, entre pais, alunos e outros convidados.
No blog oficial do evento (clique aqui para visitar) os alunos postavam textos sobre a experiência em todas as etapas da produção, desde a escolha da música até o fim das gravações e da edição.
No último dia, os melhores vídeos foram premiados em 9 categorias. Pois é, um "Oscar" para chamar de meu... Mas o nome do prêmio é RED, uma alusão à cor oficial do Colégio. Alguns grupos foram super premiados, estabelecendo recordes a serem quebrados ano que vem, quando o nível da qualidade dos vídeos deve subir bastante, equilibrando a competição.
Fica aqui um vídeo como exemplo, do grupo da aluna Vívian, da 5ª série II. Com a música You belong with me, de Taylor Swift, os alunos criaram um vídeo simples, mas marcante, especialmente pela atuação de Vívian dublando a canção.
Para assistir, clique AQUI.
Ah, e lembre de comentar.

Outros vídeos serão postados no blog oficial do evento. Visite regularmente para conferir todos os 27 vídeos produzidos!

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Pulp Fiction - Tempo de Violência

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Há filmes tão marcantes e fascinantes a ponto de as pessoas memorizarem falas inteiras e reproduzi-las sempre que há a oportunidade. São obras de grande apelo emocional ou que simplesmente trazem ideias originais em um universo recheado de remakes, adaptações de HQs e filmes-catástrofe. Pulp Fiction - Tempo de Violência, dirigido por Quentin Tarantino em 1994, é um bom exemplo, talvez o melhor exemplo, se considerarmos os anos 90.
Poucos filmes têm tamanha aura cult como este. Com seus personagens que têm o que dizer, sua narrativa aparentemente desconexa mas que vai se encaixando conforme a trama avança, e seus diálogos marcantes e recheados de referências da cultura pop, Pulp Fiction tornou-se um clássico instantâneo na noite do lançamento, sendo elogiado em todos os países onde foi exibido.
Nos anos 90 John Travolta estava enfrentando um limbo artístico, depois de ter sido catapultado à fama ao estrelar Embalos de Sábado à Noite. Quentin Tarantino foi a salvação para o astro, que o escalou para o papel do assassino a serviço da máfia Vincent Vega. O mesmo aconteceu com Bruce Willis, que amargava um período de filmes ruins (Hudson Hawk, A Cor da Noite) e precisava urgentemente de um bom papel. Tarantino não apenas lhe deu um bom papel; o boxeador frustrado Butch é um dos seus papéis mais lembrados por crítica e fãs.
Na verdade, a galeria de personagens que desfila em Pulp Fiction não deixa dúvidas de que Tarantino é um dos cineastas mais importantes de todos os tempos. Basta lembrar da personagem de Uma Thurman, que não somente tornou-se um ícone pop (vide cartaz do filme), como fez de Uma Thurman uma estrela de primeira grandeza na constelação hollywoodiana. Não podemos esquecer do misterioso e estranhamente elegante Winston "Wolf", vivido por Harvey Keitel. Há o casal franco-americano de assaltantes (Tim Roth e Amanda Plummer) e a mulher de Butch, delicada mas irritante (Maria de Medeiros).
São tantas as razões que fazem deste filme inesquecível, que uma simples resenha não daria conta para esmiuçar os detalhes e a profundidade da leitura que pode ser feita a partir dele.
Fica a recomendação para assistir uma obra que vai permanecer por muito tempo na mente de quem a assistir. Se você já tiver assistido, veja de novo. Quem sabe você também não memoriza uma das geniais falas.

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Fringe - o criador de Lost acertou de novo

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Quando J.J. Abrams, o gênio por trás de Lost, anunciou que estava desenvolvendo uma nova série, passou pela minha cabeça aquela velha afirmação: pode um raio cair duas vezes no mesmo lugar?
Alguns meses se passaram. Depois de assistir ao piloto de Fringe, minha pergunta achou sua resposta. Fringe
é uma série que arrebata o espectador logo nos primeiros minutos.
Como em Lost, tudo começa com um acidente de avião. Mas as semelhanças acabam por aí, já que o avião não despenca do céu, nem os passageiros vão parar em uma ilha misteriosa. O que acontece é uma espécie de ataque biológico, em que todos dentro da aeronave são contaminados por algum tipo de doença estranha, fazendo com que se degenerem, a pele se torna uma espécie de geleia. O avião pousa, mas todos estão mortos. É quando entra em cena a agente especial do FBI Olivia Dunham (Anna Torv, ótima), que investigará o suposto ataque terrorista e descobrirá que há muito mais por trás destas mortes enigmáticas.
A Olivia juntam-se à investigação o Dr. Walter Bishop (John Noble, o regente louco de Gondor, de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei), um cientista que passou 17 anos confinado a um sanatório, e seu filho Peter (Joshua Jackson, de Dawson's Creek). Juntos, eles formarão a Fringe Division, especializada em casos bizarros e aparentemente sem explicação racional.
A princípio, Fringe é uma série de episódios fechados, mas logo se percebe que cada caso investigado pela agente Dunham e sua equipe há uma ligação com algo maior, como se alguém estivesse fazendo do próprio mundo seu laboratório de cobaias.
Casos os mais estranhos possíveis vão se acumulando, como o caso da mulher que engravida e dá a luz em menos de duas horas, e o bebê envelhece e morre em apenas quatro horas.
Uma mistura de Arquivo X com Lost, Fringe vai certamente deixar muita gente viciada, louca para assistir o próximo episódio e montar as peças do quebra-cabeça, que se torna mais complexo a cada novo caso.

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Ainda faço um filme…

Conforme o tempo passa, a gente vai ficando mais cético em relação àquilo em que acreditávamos quando crianças. Eu, por exemplo, sempre sonhei em ser cineasta. É algo que acalento há vários anos, desde que me conheci por gente e descobri o cinema, esta arte tão fascinante. Todos aqueles filmes no Corujão (O Clube dos Cinco, Depois de Horas, Alta Sociedade, Matar ou Morrer – cujo cartaz estampa este post), o advento do videocassete e depois do DVD, tudo isso foi fazendo parte da minha vida de tal maneira que uma paixão duradoura tomou forma.

108HighNoonApesar disso, nunca ingressei em uma faculdade de cinema, nem me aventurei em produzir qualquer coisa que pudesse classificar como filme. O sonho continua, e toma força com a internet democratizando a produção cultural de tal maneira que qualquer um pode hoje produzir um filme e colocá-lo à disposição de todos em sites como o You Tube.

Mas ainda tenho receio de colocar ideias no vídeo e o resultado ser desastroso, como acontece com a maioria dos aventureiros. Não dá para fazer qualquer coisa e jogar aos olhos do público.

Enquanto o sonho não chega (ou a faculdade de cinema não chega em Sergipe), vou seguindo com meu blog, postando meus pensamentos sobre os filmes que amo – ou que odeio.

Mas há de chegar o dia em que meu nome estará creditado em um filme como: “Dirigido por…” Ah, que sonho!

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Crie você mesmo suas tirinhas em quadrinhos

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Quem me conhece sabe que eu sou viciado em quadrinhos. Desde as tirinhas aos gibis mais intelectualizados me atraem bastante desde pequeno. Acontece que eu descobri na internet um site em que qualquer um pode criar suas próprias tiras, usando personagens e cenários pré-desenhados, que não são poucos. É o ToonDoo, uma ferramenta muito divertida que nasceu pra quem sempre teve vontade de criar quadrinhos mas nunca aprendeu a desenhar. Essa é sua chance! Você escolhe o cenário, os personagens, muda as emoções deles, e escreve o texto em balões super maleáveis. Eu me cadastrei e já criei minha tirinha. Fiz em inglês, para ter um maior alcance, mas você pode criá-la em qualquer idioma. Acesse e comece a se divertir! O site também tem outras ferramentas bem legais, como o Traitr, um criador de personagens, o Doodler, onde você pode fazer seus próprios desenhos e salvar no site (como um Paint) e o Imaginer, onde você pode alterar qualquer foto, deixando-a engraçada. É muito maneiro! Ah, e leia a minha primeira tirinha criada no site, clicando aqui. E deixe seu comentário lá mesmo (e aqui também, né). Pode ser em português.

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Os Produtores

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Um filme que estreou sem muito sucesso mas que depois ganhou o status de cult, depois virou musical da Broadway recordista do Tony Awards (o Oscar do teatro americano), e depois retornou aos cinemas em um remake de muita qualidade, cujo trunfo está no fato de contar com os mesmos atores da montagem teatral como protagonistas no filme.
Essa é a trajetória de Os Produtores (The Producers, EUA, 2005), um musical delicioso, politicamente incorreto, com canções sensacionais e um humor agradável, com um elenco pulsante, em sintonia com a história e o espírito do filme.
O filme original, de 1967, foi escrito e dirigido por Mel Brooks (que ganhou o Oscar de melhor roteiro original), e no Brasil ganhou o título de Primavera para Hitler. Este é na verdade o título do musical que os personagens do filme querem produzir para dar um golpe na Receita Federal e embolsar o dinheiro que velhinhas "calientes" doaram para a produção da peça. É que numa jogada bem malandra, se a peça for um fracasso e não permanecer em cartaz, os produtores podem ficar com todo o dinheiro investido sem prestar contas a ninguém.
Para isso, eles procuram "a pior peça já escrita, o pior diretor de todos e o pior elenco da história". Mas o melhor (nesse caso, o pior) acontece, e a peça é um estrondoso sucesso!
Com esta trama hilariante por si só, o elenco está perfeito. Matthew Broderick (o Ferris Bueller de Curtindo a Vida Adoidado), Nathan Lane (de A Gaiola das Loucas) e Uma Thurman (a noiva de Kill Bill) só faltam soltarem faíscas, de tanto talento. Mas sem dúvida nenhuma, a melhor participação é do comediante Will Ferrel (Um Duende em Nova York, O Âncora, Mais Estranho que a Ficção), como o dramartugo  nazista amalucado, que quer fazer de tudo para que sua peça seja uma ode a Hitler, mas se depara com um nazista gay e sem-noção.
Tudo isso faz de Os Produtores um filme imperdível para quem gosta de bons musicais.

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Publicar um livro sem dinheiro? É possível!

Assistindo ao Jornal da Globo ontem à noite, tive uma agradável notícia: existe um serviço on demand na internet de publicação de livros, o Clube de Autores. Trata-se de um site onde qualquer pessoa que tenha algum livro escrito pode se cadastrar e postar sua obra à venda para toda a rede mundial. O site não cobra pelo serviço de postagem da obra, mas para colocar um livro na vitrine do site, ele já deve estar diagramado e revisado, e convertido em arquivo do tipo PDF. O autor não paga nada, já que o livro (que pode ter no máximo 700 páginas) só é impresso quando alguém o compra.

Quanto à divulgação da obra, depende de cada autor, através de ferramentas que estão disponíveis na web, como blogs, fóruns e comunidade em redes sociais, como Orkut, Facebook, Hi5, etc.

Eu achei a ideia brilhante e muito relevante, em um tempo em que cada vez mais as barreiras que impediam a divulgação de quem não era famoso estão caindo por terra, criando uma nova era para a produção cultural.

Quanto a meus livros de histórias infantis, já vou começar a diagramar e colocar as ilustrações, para então publicar neste site que presta um serviço revolucionário!

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Tinha que ser você

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Quando assisti ao trailer de Tinha que ser você (Last Chance Harvey), tive um desejo de ver o filme imediatamente. É um belo trailer, e o casal protagonista chama muita atenção, afinal, estamos falando de Dustin Hoffman e Emma Thompson, dois sensacionais atores de gerações diferentes, que constroem uma química irresistível quando estão em cena.
Mas ainda estou falando do trailer. Acabei de assistir ao filme e todas as expectativas foram preenchidas. Trata-se de um drama romântico sobre Harvey Shine, um pai e músico frustrado que ganha a vida compondo jingles publicitários, e Kate Walker, funcionária pública solteirona que já passou dos 40 e vive solitária, em uma espécie de clausura amorosa. Harvey vai à Inglaterra para o casamento de sua filha; embora seja o pai, ele não convive com ela há anos, e ela prefere que o padrasto a leve ao altar. Temos aí o cenário perfeito para um encontro entre duas pessoas precisando desesperadamente de amor, e que sabem que suas chances para encontrá-lo definitivamente estão acabando.
Com uma trilha sonora muito boa, e uma fotografia excelente (as tomadas ao ar livre de Londres são deslumbrantes), este é um filme irresistível, leve e agradável, que tem todos os ingredientes necessários para fazê-lo durar por muito tempo na lembrança.

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Tem Alguém Aí?

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Um menino deixando a infância obcecado pelo que acontece depois da morte; um idoso entrando na senilidade, amante da vida e arrependido de não tê-la vivido direito. Personagens tão contrastantes, e tão fascinantes. Os dois se encontram, e criam uma amizade que mudará suas vidas, e deixará um legado imortal. Assim pode-se resumir este belo filme inglês de 2008, ainda não lançado no Brasil. Tem alguém aí? é um desses filmes para ser visto muitas vezes, não por sua complexidade, mas por sua poesia e beleza diante do inevitável.
Edward (Bill Milner, de O Filho de Rambow) é o menino, que mora com os pais em uma casa que recebe idosos. O negócio dos pais faz com que eles não tenham tempo para o filho, que cresce solitário e sem amigos. Obcecado por fantasmas, Edward pensa apenas na morte. Até que a casa recebe um novo hóspede, Clarence (Michael Caine), um mágico aposentado apaixonado pela vida, embora desiludido por ela. Os dois criam um relacionamento muito bonito, que se torna o mote central do filme.
A atuação de Michael Caine é extraordinária. Seu Clarence está longe de ser caricaturesco, apelativo. A emoção retratada por ele é palpável, sem se prender a estereótipos. Clarence não percebe a senilidade chegando, e quando se depara com a realidade, sabe que não tem muito tempo para se arrepender e encontrar redenção pelos erros do passado. A amizade com Edward é uma segunda chance para o mágico, que vê no garoto seu último sopro de vida.
O uso da antítese vida/morte é muito bem trabalhado no filme, que em momento algum resvala no melodrama, e ainda assim é capaz de arrancar lágrimas nos mais sensíveis.
No final, fica a certeza de que a vida é digna de ser vivida, e que é melhor começarmos de novo enquanto ainda há tempo.

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Watchmen

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Zack Snider é um cara de sorte. Depois de despontar como um talento promissor com Madrugada dos Mortos, ele conseguiu a façanha de transpor os quadrinhos de Frank Miller para o cinema com uma fidelidade inacreditável e ao mesmo tempo sem afastar os espectadores que não sabem nada de quadrinhos, com 300. Em uma progressão raramente vista no mundo do cinema, caiu sobre seu colo a responsabilidade de adaptar Watchmen para a telona.
Para os incautos, Watchmen é simplesmente considerada a maior história em quadrinhos de todos os tempos. Escrita por Alan Moore em 1985 e ilustrada por Dave Gibbons, a graphic novel é uma obra cheia de superlativos, todos eles positivos. Ao desmistificar o universo dos super-heróis, Alan Moore teceu uma teia de conspirações, sonhos despedaçados, violência e política, onde nada nem ninguém é o que parece. Trabalhando com os personagens da extinta editora Charlton Comic (absorvida pela DC Comics, hoje DC Entertainment), o escritor não poupa o leitor ao contar a história da investigação do assassinato de um vigilante mascarado conhecido como Comediante. O investigador é Roscharch, de longe o melhor personagem da trama, que utiliza métodos bem ortodoxos para chegar ao seu objetivo. O fato é que tem alguém matando ex-super-heróis, e cada morte está ligada a algo grandioso, uma ameaça global que nem mesmo o mais poderoso dos heróis, Dr. Manhattan, poderá deter.
Mas falando do filme, Zack Snider fez um trabalho primoroso, incrivelmente fiel à obra original, respeitando falas clássicas da graphic novel, reproduzindo com exatidão religiosa os cenários (estão lá o restaurante Gunga Diner, a banca de jornais e até o hidrante) e criando um clima de tensão e violência sem parecer apelativo. Mesmo alterando dramaticamente o clímax, não dá pra sair da sessão desapontado, pois a alteração faz todo sentido se observarmos o filme como um todo. No fim, fica a sensação de que assistimos um dos melhores - se não o melhor - filmes de super-heróis de todos os tempos. Digo um dos melhores, porque a comparação com O Cavaleiro das Trevas é algo muito difícil de fazer.

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Gran Torino

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"Cara, você tem que ver Gran Torino."
"É sobre um carro?"
"Não, é sobre um veterano da Guerra da Coréia que mora em um bairro decadente. Ele não tem laço afetivo com os dois filhos, a mulher acabou de morrer e seu único vínculo com o mundo é uma família de imigrantes chineses que ele começa odiando e termina se entrosando e sacrificando muito alto por eles."
"Mas e o carro?"
"Ah, o carro. É que o tal veterano tem um Gran Torino, que um rapaz chinês da etnia hmong tenta roubar. O personagem do Clint Eastwood (que também dirige o filme) pega o garoto no flagra e quase o mata, mas depois o chinezinho é obrigado pela mãe a trabalhar para ele. É isso que dá início a tudo aquilo que falei antes."
"Então o filme é sobre o carro. Se não fosse o carro, não haveria história nenhuma."
"É... Acho que sim."
"O Gran Torino então passa a ser o catalisador de uma mudança genuína no tal velhote, que começa como um rabugento e termina um altruísta autêntico."
"É isso mesmo, mas quanto ao lance do altruísmo, na verdade o cara sempre foi altruísta, mas estava enferrujado. Amor e afeto também enferrujam dentro de nós se não cuidarmos."
"É verdade..."
"Mas voltando ao assunto..."
"Do carro ou do filme?"
"Mas se carro e filme, nesse caso, se confundem!"
"Então, tá."
"Você tem que ver este filme, meu. É um dos três melhores filmes do Clint Eastwood, e um dos cinco filmaços de 2008."
"Vou já para a locadora!"

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Vem aí: O Fantástico Sr. Raposo, de Wes Anderson


Um dos diretores mais legais e originais da nova geração de Hollywood está preparando um filme no mínimo interessante: a animação em stop-motion Fantastic Mr. Fox (O Fantástico Sr. Raposo, no título em português), baseado no livro de Roald Dahl - autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate.
Diretor de filmes como Viagem a Darjeeling, A Vida Aquática com Steve Zissou e a obra-prima Rushmore - Três é Demais, Wes Anderson (na foto, mexendo em seus personagens) não cansa de imprimir suas marcas inconfundíveis em cada uma de suas produções, cheias de personagens estranhos e ao mesmo tempo fascinantes.
Na história, Boque criava galinhas, Bunco criava patos e gansos, enquanto Bino criava perus e plantava maçãs. Mas na mesma floresta vive o Seu Raposo (ou Mr. Fox no original, dublado no filme por George Clooney), que não consegue ficar longe das aves dos vizinhos... Até que eles resolvem juntar seus esforços para impedir o faminto larápio, com direito a bombas e perseguições subterrâneas.
No Brasil, o filme será lançado pela Fox em 4 de dezembro. E eu mal posso esperar.

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Akinator: ele adivinha tudo!

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Ontem fui apresentado a um dos sites mais interessantes e viciantes que tenho notícia nos últimos tempos: Akinator. Trata-se de um software que simplesmente adivinha o nome do personagem (real ou fictício) que está na sua mente. É fantástico!
O jogo usa de perguntas variadas (no máximo 20) para chegar até a resposta. E quando vem a resposta, você não acredita.
Claro que às vezes ele erra, mas isso se deve ao fato de o site não ter em seu banco de dados o nome de todos os personagens existentes. Ainda assim, a capacidade de armazenamento de nomes e características do jogo é impressionante.
Comigo, ele acertou Max Lucado (escritor) e Scarlett O'Hara (aquela de ...E o Vento Levou), mas não conseguiu acertar Caspian (As Crônicas de Nárnia) nem Jean Grey (dos X-Men).
É diversão garantida e o difícil é adivinhar que horas você vai conseguir parar de brincar!

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O Filho de Rambow

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Alguns filmes devem ser vistos sem que se saiba nada a respeito de sua trama. Assim a experiência fica mais surpreendente para o bem ou para o mal, e não se cria expectativas que poderiam ser frustradas.
O Filho de Rambow (Inglaterra, 2008), do diretor Garth Jennings (O Guia do Mochileiro das Galáxias), é um belo exemplo de um filme que eu assisti sem saber nada a respeito anteriormente, a não ser o fato de ter sido um sucesso do cinema independente inglês.
Com uma bela história semi-autobiográfica passada nos anos 80, o filme fala da amizade relutante nascida entre Will Proudfoot e Lee Carter, o primeiro vindo de uma família extremamente religiosa, com hábitos que o impedem de assistir tevê; e o segundo, um menino solitário, que vive longe da mãe e com um irmão que ainda não aprendeu a linguagem do afeto.
Quando os dois se unem para fazer um pequeno filme chamado de O Filho de Rambow, surge um relacionamento dos mais interessantes no cinema recente; uma amizade curiosa, que vai passar por duras provas para prosseguir existindo.
Uma obra sobre o amadurecimento, a transição da infância para a vida adulta, mas também sobre romper com tradições e seguir seu próprio caminho.
Se no fim da história você pode acabar se emocionando, é porque a gente se pega pensando em algum amigo de infância, alguma peripécia realizada nessa época. Ou porque simplesmente sente saudades de um tempo mais inocente, mais livre.

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Homenagens para todos!

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Acompanhando a cobertura jornalística do Festival de Gramado deste ano, encontro a notícia que me deixou no mínimo surpreso. A apresentadora Xuxa Meneghel foi homenageada pela organização do festival em reconhecimento aos 15 filmes estrelados por ela em toda a carreira.
Emocionada, a pretensa "Rainha dos Baixinhos" declarou: "Sou povo. Sou suburbana. Nunca imaginei que pudesse chegar aqui. Fico feliz que os preconceitos tenham sido superados e por nunca ter perdido a simplicidade do meu coração. Não me arrependo de dizer que sou loura, sou povo e sou vencedora".
Curiosa essa homenagem, já que os filmes da Xuxa representam tudo de ruim que o cinema brasileiro derrama diante do público todo ano. Ao fazer verdadeiros filmes-propaganda, Xuxa nem mesmo é chamada de atriz quando alguém se refere a ela. Com cenas constrangedoras, diálogos inexistentes, tramas que podem ser resumidas em duas linhas e produções caras com efeitos capengas, cada um dos filmes de Xuxa ainda conseguem números expressivos em relação à bilheteria. Xuxa e os Duendes, por exemplo, fez tanto sucesso que ganhou uma sequência um ano depois. Mas o filme mais bem sucedido de sua carreira foi sem dúvida Lua de Cristal, aquele da Sessão da Tarde, assistido por cinco milhões de pessoas, tendo ficado meses em cartaz, numa época em que a pirataria ainda não existia e os cinemas de bairro ainda funcionavam.
Se "preconceitos" foram quebrados, como disse Xuxa, então foram preconceitos contra filmes ruins, sem alma nem permanência cultural, concebidos por pessoas cujo interesse é unicamente aparecer no cinema para massagear seu ego.
O que debato aqui são os critérios para se homenagear alguém em um festival de tanta importância para o cinema nacional como é Gramado. Se fazer filmes é por si só razão para reconhecimento, então que se premie a carreira de Simão Martiniano, camelô pernambucano que produzia seus filmes de ação com trocados e os vendia em sua barraca. Pensando bem, até que seria uma boa ideia premiá-lo. Afinal, seus filmes eram muito mais verdadeiros e sinceros que qualquer Requebra que apareça por aí.

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Um Ato de Liberdade

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Um dos temas mais explorados pelo cinema em todos os tempos é a II Guerra Mundial. Inúmeros filmes já foram feitos, retratando os campos de batalha, os sobreviventes, mostrando os vários lados desta que foi uma das maiores guerras de todos os tempos já travada pela humanidade.
Mas o que me deixa surpreso é que mesmo depois de tantos filmes, uns bons outros péssimos, os produtores, roteiristas e diretores ainda encontram novas histórias, relatos nunca filmados, testemunhos inéditos sobre heróis e pessoas comuns que viveram para contar suas experiências com a guerra.
Um Ato de Liberdade (Defiance), do diretor Edward Zwick (Diamante de Sangue, O Último Samurai), conta uma dessas histórias, ocorrida na Bielo-Rússia (hoje chamada de Belarus) invadida pelas tropas de Hitler. O filme relata como os irmãos Bielski conseguiram salvar mais de 1200 judeus da morte ao se esconderem nas fechadas florestas daquele país. Eles construíram casas, escola, hospital e até uma creche na floresta, enquanto aguardavam a guerra terminar e poderem retomar suas vidas. É um bom filme, que conta com um elenco interessante e muito afinado: Daniel Craig (o novo James Bond em uma atuação marcante), Liev Schreiber (que esteve em Sob o Domínio do Mal) e Jamie Bell (Billy Eliott).

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Rio Congelado

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Há lugares dos Estados Unidos que nunca conhecerei. Estou certo que mesmo se um dia visitar este país tão filmado e propagado através de Hollywood, ainda assim nunca visitarei certos locais. E um desses locais é quase um dos personagens principais de Rio Congelado, um drama independente que se passa na reserva dos índios Mohawk, entre o estado americano de Nova York e o estado canadense de Quebec.
Ray Eddy (Melissa Leo, indicada ao Oscar 2009) é uma heroína fora dos padrões do que se espera de uma protagonista. É pobre, trabalha em uma loja que não lhe dá oportunidade de crescer, e para piorar é casada com um viciado em apostas que fugiu de casa uma semana antes do natal e levou todo o dinheiro que ela havia juntado para comprar a tão sonhada casa pré-fabricada e poder dar uma vida mais digna aos dois filhos.
Dentro da reserva Mohawk, Lila Littlewolf (a excelente Misty Upham) é uma jovem mãe que teve seu único filho tomado de si pela ex-sogra, e agora vive em um trabalho medíocre, lutando para conseguir seu menino de volta. Quando surge a oportunidade, ela também transporta clandestinamente imigrantes para dentro dos EUA através da imensa reserva indígena, uma área não vigiada e cortada por um rio que no invervo fica inteiramente congelado, possibilitando travessias perigosas e criminosas como estas.
O modo como essas duas mulheres se encontram e desenvolvem uma discreta relação de cumplicidade é o mote central deste filme que é uma verdadeira pérola para quem está em busca de emoções genuínas e paisagens diferenciadas, longe dos grandes centros urbanos. Um retrato de um mundo desconhecido como este merece ser visto e visitado, ainda que apenas através da câmera da diretora Courtney Hunt, em sua estreia no cinema. Uma estreia bastante promissora, devo dizer.

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O Guia do Mochileiro das Galáxias

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Quando eu gosto de um filme, isso é mais do que um simples "gostar". É uma espécie de cumplicidade que se adquire com o filme. Fico querendo que todos assistam, que mais pessoas passem pela mesma experiência e quem sabe se apegue a ele como aconteceu comigo. No caso de O Guia do Mochileiro das Galáxias, o que houve foi imediata empatia com uma obra tão estranha e diferente quanto divertida. Trata-se de uma adaptação da obra de Douglas Adams, que a princípio era um programa da rádio BBC de Londres e depois veio a tornar-se uma bem sucedida série de livros, traduzida para inúmeras línguas e que arrebatou o coração de milhares de fãs em todo o mundo.
Quando eu li o livro, por várias vezes me peguei rindo sozinho em lugares públicos, influenciado pelo texto irônico e ágil usado por Adams para contar a história de um inglês comum chamado Arthur Dent, às voltas com a iminente demolição de sua casa. É que um desvio será construído e passa justamente pela sua humilde residência. Mas essa será a menor de suas preocupações, já que o próprio planeta Terra está para ser demolido por uma raça de burocratas alieníginas chamados de Vogons. Tudo para construir um desvio intergaláctico.
Graças à amizade que fez com um alienígina chamado Ford, Arthur consegue escapar e passa a ser o último homem vivo do universo. A partir daí, ele viverá uma sucessão de aventuras (e desventuras) no imenso espaço, sendo conduzido por um livro chamado de Guia do Mochileiro das Galáxias.
Cheio de situações absurdas e com um roteiro rápido e esperto, O Guia se mostra uma comédia acima do padrão médio dos outros exemplares feitos nos EUA e alcança o status de cult, que mistura ficção científica, filosofia, religião, política e toalhas (sim, toalhas) em único e excelente filme.
Apesar de tudo isso, eu não recomendaria a obra para qualquer pessoa. Isso porque não é um filme de fácil compreensão para quem está acostumado com a profusão de paródias e comédias românticas descartáveis cuspidas nos cinemas todos os anos. Se sua comédia favorita é Todo Mundo em Pânico ou As Branquelas, passe longe deste filme. Você não vai gostar. Acredite em mim.

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Um compositor em estase

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Já compus algumas canções. Algumas delas eu gosto bastante, outras nem lembro mais. Compartilho isso porque não tenho escrito muitas canções ultimamente; na verdade, não tenho escrito nenhuma. E isso me deixa um tanto frustrado, já que sei que possuo algo dentro de mim querendo ser expresso, coisas que tenho aprendido e quero dividir com outros, lições que têm me marcado profundamente e me transformado, e que sinto a necessidade de passar adiante. Se farei isso por meio de músicas, não sei. Mas definitivamente, essa é a melhor maneira. A maioria dos versículos bíblicos que hoje sei de cor, aprendi com canções. Lembro-me de textos inteiros, graças a melodias de adoração. E muita coisa eu também coloquei em canções.
Mas agora mesmo tenho em mim um anseio de fazer algo. Mas estou em uma etapa da minha vida que se assemelha àqueles filmes de ficção científica, onde alguém é congelado para anos depois ser despertado para iniciar uma nova vida. Esse estágio de congelamento é chamado de estase. Vejo-me em um momento assim. Sou um compositor em estase, como se minha criatividade estivesse aguardando o momento certo de criar algo, de musicalizar o que sinto, o que tenho vivido, o que quero viver.
Coisas me vêm à mente... palavras, sensações, perfumes, tons. Sei que cedo ou tarde a canção virá. Enquanto não vem, deixo uma das minhas canções favoritas:

Só o amor ficará
Já passei da morte, alcancei a vida
Porque aprendi o que é o amor
Se a gente ama, fica fácil ser feliz
Conhecer a Deus é viver o amor

O homem fere, trai e ainda ri
Mas o amor transforma e restaura

Ainda que eu falasse dos homens a linguagem
Se eu entendesse o bate papo dos anjos
Se eu profetizasse
Se os dons se manifestassem
Não passariam de leves folhas de outono
Mas se a Cristo eu me entregar
O amor se manifestará
Que passe a fé e a esperança
No final só o amor ficará
No final só o amor ficará


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O Fazendeiro e Deus

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Em determinado momento do filme O Fazendeiro e Deus (Faith Like Potatoes),o protagonista Angus Buchan diz: "Eu não temo tanto a violência de poucos como temo o silêncio de muitos." Esta é uma das muitas frases lindas a respeito de coragem, determinação e principalmente fé que permeiam este pequeno mas poderoso filme sul-africano de 2006 que conta a história de Angus e sua família, ele herdeiro de uma fazenda na Zâmbia, mas que se muda para a África do Sul fugindo de conflitos entre fazendeiros e nativos negros.
E é no belo país da África do Sul que Angus tem um encontro tremendo com Deus, que o faz repensar todo o seu caráter e transformar toda a sua vida. Milagres começam a acontecer em sua fazenda e ele resolve contar as bênçãos a todas as pessoas, tornando-se um pregador da Palavra que já percorreu todo o continente africano e outras partes do mundo.
Com uma fé simples mas eficiente, exatamente como deve ser a fé, Angus mostra como alguém pode fazer a diferença simplesmente crendo em Deus e entregando seu destino a ele. Permeado por tragédias e alegrias, fracassos e sucessos, Angus Buchan e sua família nos ensinam que o segredo de uma vida feliz é a total - e por vezes louca - confiança em Deus.


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Lucas Souza - Cidade do Amor

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Estou ouvindo o novo álbum do Lucas Souza, Cidade do Amor. Totalmente masterizado e mixado no famoso estúdio londrino Abbey Road, onde os Beatles gravaram vários discos, este disco não apenas surpreende quem está acostumado com a música cristã brasileira cheia de mesmices, repetições e clichês, como faz com que a surpresa seja algo de extremo frescor e originalidade. Tocando um britpop de primeira, o cantor e compositor (em parceria com seu irmão Lúcio) faz um rock de adoração diferente de qualquer coisa que já tenha sido feita no Brasil. Nem bandas de vanguarda como Aeroilis e DiscoPraise fizeram nada parecido com este álbum. E isso é bom, já que o legal das diferenças é que a gente não precisa ficar ouvindo sempre as mesmas letras ou os mesmos estilos.
Com canções como Eu só penso em você e Quebra e refaz, Lucas consegue levar o ouvinte a uma adoração genuína sem se apegar a artifícios emocionais, nem rimas fáceis. E com muita poesia e beleza. É maravilhoso ouvir algo assim no cenário musical cristão brasileiro. Que venham mais bandas com propostas variadas, para que nossos tão castigados ouvidos crentes possam crer que há salvação para a música cristã tupiniquim.


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Notícias sobre Mianmar

                                    
Em um post antigo eu falei sobre o filme Muito Além de Rangún, sobre a situação calamitosa da Birmânia, atual Mianmar. O filme mostrava uma turista americana que se sensibiliza com o drama passado por aquele povo ao ter sua líder do coração, Aung San Suu Kyi, presa sem nenhum motivo razoável, o que levou o país a viver sob um regime autoritário por 20 anos, governado por uma junta militar que impõe seu sistema à base de decretos e repressão à liberdade democrática.
Como resultado de sua luta, Aung San Suu Kyi foi premiada com o Nobel da paz em 1991.

Notícias recentes informam que, prestes a ser liberta de seu cárcere, Suu Kyi poderá ser presa novamente, acusada de "hospedar um estrangeiro em sua casa", onde se encontra presa. Tal atitude constitui-se em crime naquele país. Se for considerada culpada, a líder da oposição Mianmarense poderá ser condenada a mais cinco anos de prisão, o que a impedirá de concorrer nas eleições previstas para 2010. Isso acontece a 12 dias do fim do cumprimento de sua pena, o que mostra um endurecimento da Junta Militar governante em relação a prisioneiros políticos, dentre eles estando Suu Kyi. O blog Mundorama tem um artigo completo a este respeito.

Para tentar contornar a situação, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse ontem que transmitiria ao governo do país a preocupação internacional sobre a situação da líder opositora. Segundo a agência de notícias EFE, Ki-moon fez as declarações em sua chegada ao Japão, onde permanecerá até a próxima quinta-feira, antes de voar para Yangun para tratar com as autoridade do país sobre a prisão de Aung.

Fica a minha preocupação com esta situação, já que quanto pior for o endurecimento do governo militar naquele país, pior fica a situação para a Igreja ali localizada, há muito tempo perseguida e impedida de exercer sua fé.

Esta pausa nas resenhas cinematográficas deste blog se dá devido a um sentimento de amor que adquiri depois de assistir ao filme citado acima e já mencionado aqui. Minhas orações se encontram neste momento a este país. Ore você também sobre isso.

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Vem aí: Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton

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O jornal USA Today divulgou hoje as primeiras imagens do novo filme de Tim Burton, nada menos que a adaptação da obra de Lewis Caroll, que ficou mundialmente conhecida graças à adaptação animada que Walt Disney realizou em 1951. Novamente é a própria Disney que está bancando a produção. As imagens são de um deslumbre único, mas que mostram bem de quem é a direção da obra. Toda a beleza onírica e envolvente característica dos filmes de Tim Burton é potencializada aqui. Ainda é cedo para fazer previsões, mas acredito que este será uma fantasia de primeira.







Aproveitando, o jornal também divulgou a sinopse: Alice (Mia Wasikowska), ao 17 anos, vai a uma festa vitoriana e descobre que está prestes a ser pedida em casamento perante centenas de socialites. Ela então foge, seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou há dez anos mas não se lembrava.

Alice no País das Maravilhas é, ao lado de Frankenweenie, um dos dois projetos do diretor com o Walt Disney Studios que serão exibidos em 3D. Mia Wasikowska, Johnny Depp, Alan Rickman, Matt Lucas, Michael Sheen, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Christopher Lee e Eleanor Tomlinson formam o elenco. O filme estréia em 5 de março de 2010.

Onde eu compro o ingresso?

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Era uma vez...

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O cinema feito no Brasil nos últimos 10 anos tem retratado com bastante frequência a realidade das favelas urbanas. Desde que Fernando Meirelles colocou esses aglomerados de casas humildes e barracos no mapa cinematográfico mundial com Cidade de Deus todo cineasta quer ter sua fatia de "contribuição" na divulgação de uma comunidade muito diferente do que se vê no asfalto, com leis e até um sistema financeiro e moral próprios. De Cacá Diegues (Orfeu e O Maior Amor do Mundo) a Bruno Barreto (no criticado Última Parada: 174), filmar no morro virou moda. Mas não dá para dizer que isso é algo negativo, uma vez que a favela faz parte da vida de todo mundo que mora em uma grande cidade, direta ou indiretamente. Isso ficou bem claro no fenômeno pop Tropa de Elite, que mostra jovens de classe média usuários das drogas que são vendidas pelos traficantes, que consequentemente abastecem seu arsenal com o dinheiro das vendas. Não tem como escapar dessa realidade.
Mas mesmo com tal proximidade tão clara ainda permanece um distanciamento latente entre os moradores do asfalto e as comunidades do morro (note que quem mora no asfalto é "morador", mas quem vive na favela é "comunidade"). Este afastamento é o que move a história de Era Uma Vez..., novo filme de Breno Silveira (Dois Filhos de Francisco). Dé (Thiago Martins) é um jovem morador do Morro do Cantagalo que trabalha em um quiosque na praia de Ipanema. Em frente ao quiosque vive Nina (a estreante Vitória Frate), uma menina órfã de mãe que está precisando de uma razão para viver. Há tempo que Dé observa Nina quando ela aparece na janela de seu imenso apartamento. Numa dessas situações tramadas pelo destino, os dois acabam se conhecendo e se apaixonando.
Mas o filme, assim como a vida, não traz soluções fáceis nem finais felizes. Afinal, o que se tem nesta trama é uma espécie de Romeu e Julieta no Rio de Janeiro, uma cidade que se encontra partida, dividida, rachada. À medida que os minutos passam o espectador vai percebendo que não terá seu final hollywoodiano, cheio de saídas e salvações de última hora. E a obra de Breno Silveira vai se mostrando consistente, verossímil, uma história de amor tocante e trágica, mas acima de tudo, uma mensagem da necessidade urgente do nascimento de uma sociedade mais justa, tolerante e que ofereça oportunidades a todos, sejam do morro ou do asfalto.

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A Troca

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Clint Eastwood já escreveu seu o nome na história do cinema como ator em filmes como Dirty Harry na Lista Negra e As Pontes de Madison. Como diretor, entretanto, ele se destacou ainda mais, ao realizar alguns dos filmes americanos mais importantes das últimas duas décadas. São dele, por exemplo, o já mencionado As Pontes de Madison, o clássico do western Os Imperdoáveis, o drama de boxe e eutanásia Menina de Ouro e os recentes libelos contra a guerra A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima.
São muitos filmes marcantes e de temáticas variadas. Este A Troca, estrelado por uma Angelina Jolie em sintonia com sua personagem, não poderia deixar de ser igualmente emocionante. Ao contar a história de uma mãe solteira (Christine Collins) que em plena década de 20 tem seu único filho misteriosamente desaparecido e empreende uma busca incansável para revê-lo, Eastwood insere definitivamente seu nome no panteão dos maiores cineastas da história.
O drama, que vai muito além do caso de desaparecimento ao revelar a corrupção do departamento de polícia de Los Angeles, tem momentos inesquecíveis, como o devastador momento em que é revelado tudo o que poderia ter acontecido com o filho de Christine Collins. Com um clima de filme noir "ensolarado" (podendo ser comparado ao clássico Los Angeles - Cidade Proibida), o diretor arrebata a audiência de tal maneira que nem percebemos que ao final da projeção mais de duas horas se passaram.
Filmaço que merecia muito mais do que aplausos. Merecia Oscar.

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Wall-E

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Quando um filme futurista feito em animação sobre um robô solitário em um planeta Terra abandonado sem quase nenhuma fala com exceção dos ruídos robóticos traz lágrimas aos olhos do espectador, é bom prestar atenção a ele. Wall-E(EUA, 2008), o novo filme da extraordinária Pixar Animation Studios, é assim. Uma pequena obra-prima feita por um estúdio que simplesmente não consegue fazer filme ruim.
Wall-E é uma unidade robótica dentre milhares iguais a ele que foi deixada na Terra para limpá-la de todo o lixo acumulado por milhares de anos enquanto os seres humanos descansam em naves gigantescas até que a limpeza esteja concluída. Acontece que o que deveria durar cinco anos, acaba durando 700 anos! Gerações e gerações de pessoas já vieram e se foram, e a limpeza ainda não acabou. De todos os robôs-faxineiros, apenas nosso herói restou. E se tornou um robozinho fascinado pela raça humana, pelos musicais e pelos objetos que nós deixamos aqui. A rotina de Wall-E é recolher o lixo, compactá-lo e empilhá-lo em pilhas gigantescas. O dia a dia dele vai correndo normalmente, até que uma nave chega à Terra e deixa uma robozinha chamada EVA, cuja diretriz é um mistério para o espectador (não se preocupe, não vou estragar o mistério aqui). Wall-E se apaixona imediatamente por EVA, e começamos a testemunhar uma das maiores histórias de amor do cinema em todos os tempos. É sério!
Cheio de aventura, humor e homenagens aos velhos filmes mudos dos primórdios do cinema, este é um filme para ver, rever e nunca se cansar de se emocionar.
Trata-se do melhor filme da Pixar desde Procurando Nemo, e sem dúvida um dos melhores filmes de 2008. Imperdível!

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As Crônicas de Nárnia: um conto sobre redenção, morte e ressurreição – parte 1

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Quando C.S. Lewis, renomado escritor irlandês cristão, decidiu escrever uma história de fantasia, encontrou uma forte reação contrária da parte de um de seus melhores amigos: ninguém menos que o autor da trilogia O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien. O fato é que Lewis queria ensinar os fundamentos bíblicos elementares a sua sobrinha, Lucy. Mas ele também queria registrar sua contribuição para um dos gêneros literários mais presentes na literatura britânica: o conto de fadas. Mas no fim, acabou fazendo muito mais do que queria. Ao conceber O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e todo o mundo mágico de Nárnia, Lewis acabou estabelecendo padrões para essa literatura que têm sido seguidos por todos os escritores que vieram depois dele.

O livro, lançado em 1950, fez tanto sucesso que Lewis decidiu contar todas as histórias que imaginava envolvendo Nárnia e seu leão-Deus, Aslam. Depois de sete livros, idas e vindas no reino mágico, na Calormânia, no Bosque Entre Mundos e em tantos outros lugares, estavam concluídas As Crônicas de Nárnia. O fascínio que tais obras exercem até hoje em crianças de todas as idades, dos 8 aos 80 anos, é crescente e tomou um fôlego ainda maior quando a Walden Media e a Disney lançaram a adaptação cinematográfica de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Os fãs e admiradores de C.S. Lewis puderam finalmente ver realizado o sonho de visualizar em outra dimensão além da imaginação todo o universo que embalou seus sonhos durante anos.

O filme conseguiu captar a essência do que de fato trata o livro. Afinal, As Crônicas de Nárnia não são meras aventuras juvenis, nem simples contos de fadas tradicionais. São na verdade histórias que ensinam de modo claro todo o processo pelo qual Jesus passou para a redenção da humanidade. A obra traz várias figuras facilmente identificáveis que se relacionam com a morte, ressurreição e ascensão de Cristo.

E não só isso, mas a história também remete à vida do próprio seguidor de Cristo, o distanciamento ocasional seguido da aproximação repentina, a busca por uma comunhão maior com Deus, a necessidade que o cristão sente da presença do Senhor e muitas outras coisas.

Tais figuras se fazem presente nas sete crônicas e cada livro completa o outro, formando todos eles um verdadeiro panorama do plano de Deus para o homem. É nessa estratégia didática que reside a genialidade de C.S. Lewis; ele conseguiu fazer da literatura fantástica algo muito mais interessante e educativo do que qualquer aula de escola dominical, sem se afastar dos princípios básicos do cristianismo.

Logo na abertura de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, encontramos os quatro irmãos Pevensie, centrais da trama: Susana, Pedro, Edmundo e Lúcia. Em pleno auge da 2ª Guerra Mundial, os protagonistas vivenciam os bombardeios nazistas em Londres, e desde cedo já experimentam os horrores da guerra. Para fugirem de um destino trágico, eles são enviados por sua mãe ao interior, como parte de uma estratégia do governo britânico para salvar da morte o maior número de crianças. Ao chegar no casarão que os abriga, são recebidos pela governanta do lugar; o dono da casa, um misterioso professor Digory Kirke, quase não é visto. Mal sabem as crianças que ele guarda um segredo maravilhoso sobre sua infância.

Em um dia chuvoso, os irmãos decidem brincar de esconde-esconde dentro do casarão. Lúcia, a mais nova, se esconde em um estranho guarda-roupa, cheio de casacos. Ao adentrar mais e mais para melhor se esconder, ela descobre que o móvel é na verdade o portal para um mundo mágico e fascinante. Nárnia é descoberta! A sensação de deslumbramento toma qualquer pessoa que assiste ao filme pela primeira vez. É perfeita a caracterização da floresta narniana tomada pela neve, e qualquer um que já tenha lido o livro original fica emocionado ao se deparar com o solitário poste de luz que serve como uma espécie de demarcação para os limites de Nárnia.

Para resumir tudo, depois de voltar à mansão, Lúcia conta tudo o que viu e a amizade que fez com um fauno chamado Sr. Tumnus (vivido pelo hoje astro James McAvoy, de O Procurado e Desejo e Reparação) a seus irmãos, que não acreditam nela. Ela conta que Nárnia vive um inverno que já dura 100 anos, graças ao domínio de Jadis, a Feiticeira Branca. Percebe-se nitidamente que esta personagem é a figura de Satanás, cujo domínio na humanidade a mantém em um estado de frieza espiritual, distante do calor que a proximidade com Cristo proporciona. Como é de se esperar, ninguém acredita na palavra da pequena. Lógico que todos acabarão descobrindo o reino mágico também, e terão que reconhecer que Lúcia estava certa. O primeiro a fazer a constatação é Edmundo, que a segue até lá, mas ao invés de conhecer Tumnus encontra a própria Jadis.

Os quatro irmãos descobrem que são os personagens centrais de uma profecia que fala sobre a libertação de Nárnia do regime da feiticeira pelas mãos de dois filhos de Adão e duas filhas de Eva (mais uma referência bíblica), com a ajuda do leão-deus Aslam – figura aqui do próprio Cristo, chamado nas Escrituras de Leão da Tribo de Judá (Apocalipse 5.5).

Acontece que mesmo relutantes, os Pevensie serão forçados a entrarem na guerra. Tudo porque Edmundo traiu os outros ao fugir e ir até o castelo de Jadis, que havia lhe prometido dar-lhe uma enorme quantidade de docinhos se ele levasse todos seus irmãos consigo. Ao chegar no castelo, a feiticeira o aprisiona e os irmãos terão que procurar Aslam e tentar resgatar Edmundo.

Mesmo nesse trecho do filme temos uma figura bíblica: o traidor, ou mesmo o cristão que, tentado, se entrega ao mal por causa de “docinhos”, pequenos prazeres denominados “pecados”.

A jornada dos Pevensie até o lugar onde Aslam reúne seus exércitos é incrementada com uma perseguição empreendida pelos lobos a serviço de Jadis e um encontro com Papai Noel – único momento dúbio da trama, mas aceitável por sabermos que se trata de um lugar mágico, povoado por faunos, duendes, animais falantes, feiticeiras e por que não o “Bom Velhinho”? É quando os irmãos recebem presentes que serão utilizados no momento da batalha final contra a feiticeira: Pedro recebe uma espada digna de um rei; Susana, um arco digno de uma guerreira; Lúcia, um punhal para defesa e um ungüento com poder de cura. Os presentes recebidos por eles podem ser um símbolo do ministério que cada crente tem na obra de Deus; enquanto uns são designados para serem líderes, outros são comissionados para estarem à frente da batalha, recebendo os primeiros golpes, e outros são os que consolam, restauram e auxiliam os feridos. No exército de Deus, ninguém é deixado para trás.

Por enquanto é só. Continuamos destrinchando os detalhes e figuras bíblicas encontradas em Nárnia no próximo artigo. Até lá.

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Inúteis para o reino dos céus

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"Alguém já advertiu que não devemos estar tão envolvidos com o céu a ponto de sermos totalmente inúteis na terra. Se há um problema que esta geração não enfrenta é esse. A verdade nua e crua é que estamos tão envolvidos com a terra que não temos nenhuma utilidade para o reino dos céus.
Irmãos, se fôssemos tão eficientes na tarefa de enriquecer nossa alma quanto o somos na de cuidar de nossos interesses pessoais, constituiríamos uma ameaça para o diabo. Mas se fôssemos ineficientes no cuidado de nossos interesses como o somos nas questões espirituais, estaríamos mendigando."
Leonard Ravenhill, no livro Por que tarda o pleno avivamento?, Editora Betânia




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Um olhar sobre a Cinemateca Veja

Tenho acompanhado com grande interese a Cinemateca Veja, que tem sido lançada semanalmente. Embora não tenha adquirido todos os filmes até agora (haja dinheiro!), já comprei alguns títulos, os que achei mais interessantes e merecedores do meu suado dinheirinho: Amadeus, Titanic, Los Angeles - Cidade Proibida, O Sexto Sentido, Intriga Internacional, A Malvada, A Morte Pede Carona, O Iluminado, O Silêncio dos Inocentes, Golpe de Mestre, 2001 - Uma Odisséia no Espaço e Apocalypse Now. Dentre os filmes que comprei, vários eu ainda não havia assistido, o que tornou a compra muito mais prazerosa. Cada título inclui um livro muito bem cuidado com a história do filme mais informações sobre os bastidores da produção, biografia dos atores e diretor, e um guia para assistir o filme. Isso tudo além do disco com o filme, é claro.
Sobre o conteúdo deste livro, tenho algumas ressalvas com o texto introdutório, sobre a trama de cada filme. O problema é que na maioria destes textos, toda a história do filme é entregue, até mesmo seus finais, o que estraga o prazer de assistir pela primeira vez cada filme, se o comprador quiser ler o livro antes de ver a obra.
Outro detalhe interessante que a editora Abril omitiu em sua divulgação da coleção é o fato de que vários dos DVDs contém todos os extras da edição original de suas distribuidoras, mudando apenas o rótulo dos discos. Por exemplo, o disco de O Silêncio dos Inocentes é exatamente o mesmo da "Edição Especial" que a Fox lançou alguns anos atrás. Isso é ótimo, e fica o aviso para quem queria comprar mas não se sentia atraído por achar que cada DVD vem com apenas o filme e nada mais.
No mais, considero a iniciativa da Cinemateca Veja algo muito legal e pioneiro, que pode aproximar o público dos grandes clássicos por um preço bem em conta - cada exemplar custa R$13,90.
Quanto à lista dos filmes tidos por Veja como os "50 filmes essenciais do cinema", tenho minhas objeções, mas nada que tire o prazer de sentar no sofá com pipoca na mão e se deliciar com algumas das obras cinematográficas mais interessantes e marcantes da história da sétima arte.

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Romance

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Quando um cartaz de filme estampa os nomes de Wagner Moura e Guel Arraes no Brasil atual todo mundo presta atenção. O primeiro pelo seu papel-marco do Capitão Nascimento, que mais do que um personagem acabou virando um fenômeno pop. O segundo pelo histórico de filmes-pipoca com alma que já realizou - é só lembrar de O Auto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro e, vá lá, Caramuru: A Invenção do Brasil.
A mudança de colaborador habitual (todos os filmes citados têm como protagonista Selton Mello) trouxe também uma virada radical no que diz respeito à temática. Se nos filmes anteriores Arraes tinha uma visão mais voltada para um lado kitsch e até ridículo do Brasil, neste Romance ele retrata seu próprio universo: o teatro e a televisão. E o faz com muita propriedade, já que envolve o espectador em uma espécie de remake teatral da clássica tragédia de Tristão e Isolda, sem jamais sequer parecer trágico.
A escolha de Letícia Sabatella como parceira de cena de Wagner Moura mostra-se acertada. É fácil acreditar no amor dos dois, o que torna a experiência de assistir o filme gratificante. O elenco de coadjuvantes também cumpre bem o seu papel, com destaque para a ótima participação de Marco Nanini como um astro da tevê, cheio de chiliques e exigências, algo como uma Susana Vieira de calças.
Romance é um filme divertido que traz a marca Guel Arraes e Jorge Furtado (que co-assina o roteiro): diálogos ágeis e inteligentes, com um toque de metafísica (o olhar para seu próprio mundo), e uma crítica ao mundo descartável de finais felizes da tevê, o que não deixa de ser surpreendente, já que o filme é uma co-produção da Globo Filmes.
Em um tempo de romances sem sal vindos de Hollywood, encontramos no Brasil um bom exemplo de como fazer um filme romântico e inteligente ao mesmo tempo. Ponto para Guel Arraes e seus fiéis colaboradores.

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Última Parada 174

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Quando acaba a sessão de Última Parada 174, fica uma sensação de apatia. Apatia diante de uma situação não apenas vivida pelo protagonista da história, Sandro do Nascimento, mas por todos os que diariamente se veem sem um porto seguro, sem rumo, à deriva em um oceano de descaso e inoperância. A história real, do rapaz que em junho de 2000 sequestrou um ônibus da linha 174 e desencadeou uma das mais longas e tensas situalções com reféns da história do Brasil, é um conto de desespero e abandono, desses que não acha saída, desses que estão repletos de trevas urbanas. Ao decidir contar a história sob o ponto de vista do bandido, mostrando todas as escolhas (ou falta delas) que o levaram àquela fatídica noite de outono, o roteirista Bráulio Mantovani (de Cidade de Deus) não absolve Sandro de suas ações, mas expõe uma ferida aberta na sociedade brasileira, sem entretanto mostrar uma solução.

E a solução não é mostrada porque não cabe à obra cinematográfica fazê-la. Cabe à sociedade e aos governantes trazer à tona algo que traga esperança a pessoas que não a têm.

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