As Crônicas de Nárnia: um conto sobre redenção, morte e ressurreição – parte 1

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Quando C.S. Lewis, renomado escritor irlandês cristão, decidiu escrever uma história de fantasia, encontrou uma forte reação contrária da parte de um de seus melhores amigos: ninguém menos que o autor da trilogia O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien. O fato é que Lewis queria ensinar os fundamentos bíblicos elementares a sua sobrinha, Lucy. Mas ele também queria registrar sua contribuição para um dos gêneros literários mais presentes na literatura britânica: o conto de fadas. Mas no fim, acabou fazendo muito mais do que queria. Ao conceber O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e todo o mundo mágico de Nárnia, Lewis acabou estabelecendo padrões para essa literatura que têm sido seguidos por todos os escritores que vieram depois dele.

O livro, lançado em 1950, fez tanto sucesso que Lewis decidiu contar todas as histórias que imaginava envolvendo Nárnia e seu leão-Deus, Aslam. Depois de sete livros, idas e vindas no reino mágico, na Calormânia, no Bosque Entre Mundos e em tantos outros lugares, estavam concluídas As Crônicas de Nárnia. O fascínio que tais obras exercem até hoje em crianças de todas as idades, dos 8 aos 80 anos, é crescente e tomou um fôlego ainda maior quando a Walden Media e a Disney lançaram a adaptação cinematográfica de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Os fãs e admiradores de C.S. Lewis puderam finalmente ver realizado o sonho de visualizar em outra dimensão além da imaginação todo o universo que embalou seus sonhos durante anos.

O filme conseguiu captar a essência do que de fato trata o livro. Afinal, As Crônicas de Nárnia não são meras aventuras juvenis, nem simples contos de fadas tradicionais. São na verdade histórias que ensinam de modo claro todo o processo pelo qual Jesus passou para a redenção da humanidade. A obra traz várias figuras facilmente identificáveis que se relacionam com a morte, ressurreição e ascensão de Cristo.

E não só isso, mas a história também remete à vida do próprio seguidor de Cristo, o distanciamento ocasional seguido da aproximação repentina, a busca por uma comunhão maior com Deus, a necessidade que o cristão sente da presença do Senhor e muitas outras coisas.

Tais figuras se fazem presente nas sete crônicas e cada livro completa o outro, formando todos eles um verdadeiro panorama do plano de Deus para o homem. É nessa estratégia didática que reside a genialidade de C.S. Lewis; ele conseguiu fazer da literatura fantástica algo muito mais interessante e educativo do que qualquer aula de escola dominical, sem se afastar dos princípios básicos do cristianismo.

Logo na abertura de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, encontramos os quatro irmãos Pevensie, centrais da trama: Susana, Pedro, Edmundo e Lúcia. Em pleno auge da 2ª Guerra Mundial, os protagonistas vivenciam os bombardeios nazistas em Londres, e desde cedo já experimentam os horrores da guerra. Para fugirem de um destino trágico, eles são enviados por sua mãe ao interior, como parte de uma estratégia do governo britânico para salvar da morte o maior número de crianças. Ao chegar no casarão que os abriga, são recebidos pela governanta do lugar; o dono da casa, um misterioso professor Digory Kirke, quase não é visto. Mal sabem as crianças que ele guarda um segredo maravilhoso sobre sua infância.

Em um dia chuvoso, os irmãos decidem brincar de esconde-esconde dentro do casarão. Lúcia, a mais nova, se esconde em um estranho guarda-roupa, cheio de casacos. Ao adentrar mais e mais para melhor se esconder, ela descobre que o móvel é na verdade o portal para um mundo mágico e fascinante. Nárnia é descoberta! A sensação de deslumbramento toma qualquer pessoa que assiste ao filme pela primeira vez. É perfeita a caracterização da floresta narniana tomada pela neve, e qualquer um que já tenha lido o livro original fica emocionado ao se deparar com o solitário poste de luz que serve como uma espécie de demarcação para os limites de Nárnia.

Para resumir tudo, depois de voltar à mansão, Lúcia conta tudo o que viu e a amizade que fez com um fauno chamado Sr. Tumnus (vivido pelo hoje astro James McAvoy, de O Procurado e Desejo e Reparação) a seus irmãos, que não acreditam nela. Ela conta que Nárnia vive um inverno que já dura 100 anos, graças ao domínio de Jadis, a Feiticeira Branca. Percebe-se nitidamente que esta personagem é a figura de Satanás, cujo domínio na humanidade a mantém em um estado de frieza espiritual, distante do calor que a proximidade com Cristo proporciona. Como é de se esperar, ninguém acredita na palavra da pequena. Lógico que todos acabarão descobrindo o reino mágico também, e terão que reconhecer que Lúcia estava certa. O primeiro a fazer a constatação é Edmundo, que a segue até lá, mas ao invés de conhecer Tumnus encontra a própria Jadis.

Os quatro irmãos descobrem que são os personagens centrais de uma profecia que fala sobre a libertação de Nárnia do regime da feiticeira pelas mãos de dois filhos de Adão e duas filhas de Eva (mais uma referência bíblica), com a ajuda do leão-deus Aslam – figura aqui do próprio Cristo, chamado nas Escrituras de Leão da Tribo de Judá (Apocalipse 5.5).

Acontece que mesmo relutantes, os Pevensie serão forçados a entrarem na guerra. Tudo porque Edmundo traiu os outros ao fugir e ir até o castelo de Jadis, que havia lhe prometido dar-lhe uma enorme quantidade de docinhos se ele levasse todos seus irmãos consigo. Ao chegar no castelo, a feiticeira o aprisiona e os irmãos terão que procurar Aslam e tentar resgatar Edmundo.

Mesmo nesse trecho do filme temos uma figura bíblica: o traidor, ou mesmo o cristão que, tentado, se entrega ao mal por causa de “docinhos”, pequenos prazeres denominados “pecados”.

A jornada dos Pevensie até o lugar onde Aslam reúne seus exércitos é incrementada com uma perseguição empreendida pelos lobos a serviço de Jadis e um encontro com Papai Noel – único momento dúbio da trama, mas aceitável por sabermos que se trata de um lugar mágico, povoado por faunos, duendes, animais falantes, feiticeiras e por que não o “Bom Velhinho”? É quando os irmãos recebem presentes que serão utilizados no momento da batalha final contra a feiticeira: Pedro recebe uma espada digna de um rei; Susana, um arco digno de uma guerreira; Lúcia, um punhal para defesa e um ungüento com poder de cura. Os presentes recebidos por eles podem ser um símbolo do ministério que cada crente tem na obra de Deus; enquanto uns são designados para serem líderes, outros são comissionados para estarem à frente da batalha, recebendo os primeiros golpes, e outros são os que consolam, restauram e auxiliam os feridos. No exército de Deus, ninguém é deixado para trás.

Por enquanto é só. Continuamos destrinchando os detalhes e figuras bíblicas encontradas em Nárnia no próximo artigo. Até lá.

2 Comente aqui!:

  1. Lipe!
    Que comentário gostoso sobre: As Crônicas de Nárnia.
    Fiquei aqui revendo o filme na minha imaginação, e as lágrimas vieram aos meus olhos.
    Sobretudo quando pensei em td a sua simbologia a respeito de Jesus Cristo, o leão da tribo de Judá, e Seu reino...Pensei em como Deus tem usado aquilo que é entretenimento para falar às pessoas, de todas as idades e de todas os segmentos, acerca do Seu reino que é eterno e de vitória, aleluia!
    Como Ele é sábio e faz tudo com perfeição.
    Glorifico ao senhor pelos seus servos de todas as épocas que O amam e desejam que todos os homens saibam quem é Deus e como é crer e viver no Seu reino.
    Comente mais filmes e livros, como este, que fazem o reino de Deus mais conhecido na Terra.
    Bjs, filho!

  1. Ester disse...:

    Pinho... agora fiquei morrendo de vontade de rever esse filme espetacular!!!
    Muito bom!
    Te amo!

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