1 de Julho de 2009

Notícias sobre Mianmar

                                    
Em um post antigo eu falei sobre o filme Muito Além de Rangún, sobre a situação calamitosa da Birmânia, atual Mianmar. O filme mostrava uma turista americana que se sensibiliza com o drama passado por aquele povo ao ter sua líder do coração, Aung San Suu Kyi, presa sem nenhum motivo razoável, o que levou o país a viver sob um regime autoritário por 20 anos, governado por uma junta militar que impõe seu sistema à base de decretos e repressão à liberdade democrática.
Como resultado de sua luta, Aung San Suu Kyi foi premiada com o Nobel da paz em 1991.

Notícias recentes informam que, prestes a ser liberta de seu cárcere, Suu Kyi poderá ser presa novamente, acusada de "hospedar um estrangeiro em sua casa", onde se encontra presa. Tal atitude constitui-se em crime naquele país. Se for considerada culpada, a líder da oposição Mianmarense poderá ser condenada a mais cinco anos de prisão, o que a impedirá de concorrer nas eleições previstas para 2010. Isso acontece a 12 dias do fim do cumprimento de sua pena, o que mostra um endurecimento da Junta Militar governante em relação a prisioneiros políticos, dentre eles estando Suu Kyi. O blog Mundorama tem um artigo completo a este respeito.

Para tentar contornar a situação, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse ontem que transmitiria ao governo do país a preocupação internacional sobre a situação da líder opositora. Segundo a agência de notícias EFE, Ki-moon fez as declarações em sua chegada ao Japão, onde permanecerá até a próxima quinta-feira, antes de voar para Yangun para tratar com as autoridade do país sobre a prisão de Aung.

Fica a minha preocupação com esta situação, já que quanto pior for o endurecimento do governo militar naquele país, pior fica a situação para a Igreja ali localizada, há muito tempo perseguida e impedida de exercer sua fé.

Esta pausa nas resenhas cinematográficas deste blog se dá devido a um sentimento de amor que adquiri depois de assistir ao filme citado acima e já mencionado aqui. Minhas orações se encontram neste momento a este país. Ore você também sobre isso.

22 de Junho de 2009

Vem aí: Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton

O jornal USA Today divulgou hoje as primeiras imagens do novo filme de Tim Burton, nada menos que a adaptação da obra de Lewis Caroll, que ficou mundialmente conhecida graças à adaptação animada que Walt Disney realizou em 1951. Novamente é a própria Disney que está bancando a produção. As imagens são de um deslumbre único, mas que mostram bem de quem é a direção da obra. Toda a beleza onírica e envolvente característica dos filmes de Tim Burton é potencializada aqui. Ainda é cedo para fazer previsões, mas acredito que este será uma fantasia de primeira.







Aproveitando, o jornal também divulgou a sinopse: Alice (Mia Wasikowska), ao 17 anos, vai a uma festa vitoriana e descobre que está prestes a ser pedida em casamento perante centenas de socialites. Ela então foge, seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou há dez anos mas não se lembrava.

Alice no País das Maravilhas é, ao lado de Frankenweenie, um dos dois projetos do diretor com o Walt Disney Studios que serão exibidos em 3D. Mia Wasikowska, Johnny Depp, Alan Rickman, Matt Lucas, Michael Sheen, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Christopher Lee e Eleanor Tomlinson formam o elenco. O filme estréia em 5 de março de 2010.

Onde eu compro o ingresso?

17 de Junho de 2009

Era uma vez...


O cinema feito no Brasil nos últimos 10 anos tem retratado com bastante frequência a realidade das favelas urbanas. Desde que Fernando Meirelles colocou esses aglomerados de casas humildes e barracos no mapa cinematográfico mundial com Cidade de Deus todo cineasta quer ter sua fatia de "contribuição" na divulgação de uma comunidade muito diferente do que se vê no asfalto, com leis e até um sistema financeiro e moral próprios. De Cacá Diegues (Orfeu e O Maior Amor do Mundo) a Bruno Barreto (no criticado Última Parada: 174), filmar no morro virou moda. Mas não dá para dizer que isso é algo negativo, uma vez que a favela faz parte da vida de todo mundo que mora em uma grande cidade, direta ou indiretamente. Isso ficou bem claro no fenômeno pop Tropa de Elite, que mostra jovens de classe média usuários das drogas que são vendidas pelos traficantes, que consequentemente abastecem seu arsenal com o dinheiro das vendas. Não tem como escapar dessa realidade.
Mas mesmo com tal proximidade tão clara ainda permanece um distanciamento latente entre os moradores do asfalto e as comunidades do morro (note que quem mora no asfalto é "morador", mas quem vive na favela é "comunidade"). Este afastamento é o que move a história de Era Uma Vez..., novo filme de Breno Silveira (Dois Filhos de Francisco). Dé (Thiago Martins) é um jovem morador do Morro do Cantagalo que trabalha em um quiosque na praia de Ipanema. Em frente ao quiosque vive Nina (a estreante Vitória Frate), uma menina órfã de mãe que está precisando de uma razão para viver. Há tempo que Dé observa Nina quando ela aparece na janela de seu imenso apartamento. Numa dessas situações tramadas pelo destino, os dois acabam se conhecendo e se apaixonando.
Mas o filme, assim como a vida, não traz soluções fáceis nem finais felizes. Afinal, o que se tem nesta trama é uma espécie de Romeu e Julieta no Rio de Janeiro, uma cidade que se encontra partida, dividida, rachada. À medida que os minutos passam o espectador vai percebendo que não terá seu final hollywoodiano, cheio de saídas e salvações de última hora. E a obra de Breno Silveira vai se mostrando consistente, verossímil, uma história de amor tocante e trágica, mas acima de tudo, uma mensagem da necessidade urgente do nascimento de uma sociedade mais justa, tolerante e que ofereça oportunidades a todos, sejam do morro ou do asfalto.

11 de Junho de 2009

A Troca


Clint Eastwood já escreveu seu o nome na história do cinema como ator em filmes como Dirty Harry na Lista Negra e As Pontes de Madison. Como diretor, entretanto, ele se destacou ainda mais, ao realizar alguns dos filmes americanos mais importantes das últimas duas décadas. São dele, por exemplo, o já mencionado As Pontes de Madison, o clássico do western Os Imperdoáveis, o drama de boxe e eutanásia Menina de Ouro e os recentes libelos contra a guerra A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima.
São muitos filmes marcantes e de temáticas variadas. Este A Troca, estrelado por uma Angelina Jolie em sintonia com sua personagem, não poderia deixar de ser igualmente emocionante. Ao contar a história de uma mãe solteira (Christine Collins) que em plena década de 20 tem seu único filho misteriosamente desaparecido e empreende uma busca incansável para revê-lo, Eastwood insere definitivamente seu nome no panteão dos maiores cineastas da história.
O drama, que vai muito além do caso de desaparecimento ao revelar a corrupção do departamento de polícia de Los Angeles, tem momentos inesquecíveis, como o devastador momento em que é revelado tudo o que poderia ter acontecido com o filho de Christine Collins. Com um clima de filme noir "ensolarado" (podendo ser comparado ao clássico Los Angeles - Cidade Proibida), o diretor arrebata a audiência de tal maneira que nem percebemos que ao final da projeção mais de duas horas se passaram.
Filmaço que merecia muito mais do que aplausos. Merecia Oscar.

31 de Maio de 2009

Wall-E


Quando um filme futurista feito em animação sobre um robô solitário em um planeta Terra abandonado sem quase nenhuma fala com exceção dos ruídos robóticos traz lágrimas aos olhos do espectador, é bom prestar atenção a ele. Wall-E(EUA, 2008), o novo filme da extraordinária Pixar Animation Studios, é assim. Uma pequena obra-prima feita por um estúdio que simplesmente não consegue fazer filme ruim.
Wall-E é uma unidade robótica dentre milhares iguais a ele que foi deixada na Terra para limpá-la de todo o lixo acumulado por milhares de anos enquanto os seres humanos descansam em naves gigantescas até que a limpeza esteja concluída. Acontece que o que deveria durar cinco anos, acaba durando 700 anos! Gerações e gerações de pessoas já vieram e se foram, e a limpeza ainda não acabou. De todos os robôs-faxineiros, apenas nosso herói restou. E se tornou um robozinho fascinado pela raça humana, pelos musicais e pelos objetos que nós deixamos aqui. A rotina de Wall-E é recolher o lixo, compactá-lo e empilhá-lo em pilhas gigantescas. O dia a dia dele vai correndo normalmente, até que uma nave chega à Terra e deixa uma robozinha chamada EVA, cuja diretriz é um mistério para o espectador (não se preocupe, não vou estragar o mistério aqui). Wall-E se apaixona imediatamente por EVA, e começamos a testemunhar uma das maiores histórias de amor do cinema em todos os tempos. É sério!
Cheio de aventura, humor e homenagens aos velhos filmes mudos dos primórdios do cinema, este é um filme para ver, rever e nunca se cansar de se emocionar.
Trata-se do melhor filme da Pixar desde Procurando Nemo, e sem dúvida um dos melhores filmes de 2008. Imperdível!

1 de Maio de 2009

As Crônicas de Nárnia: um conto sobre redenção, morte e ressurreição – parte 1


Quando C.S. Lewis, renomado escritor irlandês cristão, decidiu escrever uma história de fantasia, encontrou uma forte reação contrária da parte de um de seus melhores amigos: ninguém menos que o autor da trilogia O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien. O fato é que Lewis queria ensinar os fundamentos bíblicos elementares a sua sobrinha, Lucy. Mas ele também queria registrar sua contribuição para um dos gêneros literários mais presentes na literatura britânica: o conto de fadas. Mas no fim, acabou fazendo muito mais do que queria. Ao conceber O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e todo o mundo mágico de Nárnia, Lewis acabou estabelecendo padrões para essa literatura que têm sido seguidos por todos os escritores que vieram depois dele.

O livro, lançado em 1950, fez tanto sucesso que Lewis decidiu contar todas as histórias que imaginava envolvendo Nárnia e seu leão-Deus, Aslam. Depois de sete livros, idas e vindas no reino mágico, na Calormânia, no Bosque Entre Mundos e em tantos outros lugares, estavam concluídas As Crônicas de Nárnia. O fascínio que tais obras exercem até hoje em crianças de todas as idades, dos 8 aos 80 anos, é crescente e tomou um fôlego ainda maior quando a Walden Media e a Disney lançaram a adaptação cinematográfica de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Os fãs e admiradores de C.S. Lewis puderam finalmente ver realizado o sonho de visualizar em outra dimensão além da imaginação todo o universo que embalou seus sonhos durante anos.

O filme conseguiu captar a essência do que de fato trata o livro. Afinal, As Crônicas de Nárnia não são meras aventuras juvenis, nem simples contos de fadas tradicionais. São na verdade histórias que ensinam de modo claro todo o processo pelo qual Jesus passou para a redenção da humanidade. A obra traz várias figuras facilmente identificáveis que se relacionam com a morte, ressurreição e ascensão de Cristo.

E não só isso, mas a história também remete à vida do próprio seguidor de Cristo, o distanciamento ocasional seguido da aproximação repentina, a busca por uma comunhão maior com Deus, a necessidade que o cristão sente da presença do Senhor e muitas outras coisas.

Tais figuras se fazem presente nas sete crônicas e cada livro completa o outro, formando todos eles um verdadeiro panorama do plano de Deus para o homem. É nessa estratégia didática que reside a genialidade de C.S. Lewis; ele conseguiu fazer da literatura fantástica algo muito mais interessante e educativo do que qualquer aula de escola dominical, sem se afastar dos princípios básicos do cristianismo.

Logo na abertura de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, encontramos os quatro irmãos Pevensie, centrais da trama: Susana, Pedro, Edmundo e Lúcia. Em pleno auge da 2ª Guerra Mundial, os protagonistas vivenciam os bombardeios nazistas em Londres, e desde cedo já experimentam os horrores da guerra. Para fugirem de um destino trágico, eles são enviados por sua mãe ao interior, como parte de uma estratégia do governo britânico para salvar da morte o maior número de crianças. Ao chegar no casarão que os abriga, são recebidos pela governanta do lugar; o dono da casa, um misterioso professor Digory Kirke, quase não é visto. Mal sabem as crianças que ele guarda um segredo maravilhoso sobre sua infância.

Em um dia chuvoso, os irmãos decidem brincar de esconde-esconde dentro do casarão. Lúcia, a mais nova, se esconde em um estranho guarda-roupa, cheio de casacos. Ao adentrar mais e mais para melhor se esconder, ela descobre que o móvel é na verdade o portal para um mundo mágico e fascinante. Nárnia é descoberta! A sensação de deslumbramento toma qualquer pessoa que assiste ao filme pela primeira vez. É perfeita a caracterização da floresta narniana tomada pela neve, e qualquer um que já tenha lido o livro original fica emocionado ao se deparar com o solitário poste de luz que serve como uma espécie de demarcação para os limites de Nárnia.

Para resumir tudo, depois de voltar à mansão, Lúcia conta tudo o que viu e a amizade que fez com um fauno chamado Sr. Tumnus (vivido pelo hoje astro James McAvoy, de O Procurado e Desejo e Reparação) a seus irmãos, que não acreditam nela. Ela conta que Nárnia vive um inverno que já dura 100 anos, graças ao domínio de Jadis, a Feiticeira Branca. Percebe-se nitidamente que esta personagem é a figura de Satanás, cujo domínio na humanidade a mantém em um estado de frieza espiritual, distante do calor que a proximidade com Cristo proporciona. Como é de se esperar, ninguém acredita na palavra da pequena. Lógico que todos acabarão descobrindo o reino mágico também, e terão que reconhecer que Lúcia estava certa. O primeiro a fazer a constatação é Edmundo, que a segue até lá, mas ao invés de conhecer Tumnus encontra a própria Jadis.

Os quatro irmãos descobrem que são os personagens centrais de uma profecia que fala sobre a libertação de Nárnia do regime da feiticeira pelas mãos de dois filhos de Adão e duas filhas de Eva (mais uma referência bíblica), com a ajuda do leão-deus Aslam – figura aqui do próprio Cristo, chamado nas Escrituras de Leão da Tribo de Judá (Apocalipse 5.5).

Acontece que mesmo relutantes, os Pevensie serão forçados a entrarem na guerra. Tudo porque Edmundo traiu os outros ao fugir e ir até o castelo de Jadis, que havia lhe prometido dar-lhe uma enorme quantidade de docinhos se ele levasse todos seus irmãos consigo. Ao chegar no castelo, a feiticeira o aprisiona e os irmãos terão que procurar Aslam e tentar resgatar Edmundo.

Mesmo nesse trecho do filme temos uma figura bíblica: o traidor, ou mesmo o cristão que, tentado, se entrega ao mal por causa de “docinhos”, pequenos prazeres denominados “pecados”.

A jornada dos Pevensie até o lugar onde Aslam reúne seus exércitos é incrementada com uma perseguição empreendida pelos lobos a serviço de Jadis e um encontro com Papai Noel – único momento dúbio da trama, mas aceitável por sabermos que se trata de um lugar mágico, povoado por faunos, duendes, animais falantes, feiticeiras e por que não o “Bom Velhinho”? É quando os irmãos recebem presentes que serão utilizados no momento da batalha final contra a feiticeira: Pedro recebe uma espada digna de um rei; Susana, um arco digno de uma guerreira; Lúcia, um punhal para defesa e um ungüento com poder de cura. Os presentes recebidos por eles podem ser um símbolo do ministério que cada crente tem na obra de Deus; enquanto uns são designados para serem líderes, outros são comissionados para estarem à frente da batalha, recebendo os primeiros golpes, e outros são os que consolam, restauram e auxiliam os feridos. No exército de Deus, ninguém é deixado para trás.

Por enquanto é só. Continuamos destrinchando os detalhes e figuras bíblicas encontradas em Nárnia no próximo artigo. Até lá.

25 de Abril de 2009

Inúteis para o reino dos céus

"Alguém já advertiu que não devemos estar tão envolvidos com o céu a ponto de sermos totalmente inúteis na terra. Se há um problema que esta geração não enfrenta é esse. A verdade nua e crua é que estamos tão envolvidos com a terra que não temos nenhuma utilidade para o reino dos céus.
Irmãos, se fôssemos tão eficientes na tarefa de enriquecer nossa alma quanto o somos na de cuidar de nossos interesses pessoais, constituiríamos uma ameaça para o diabo. Mas se fôssemos ineficientes no cuidado de nossos interesses como o somos nas questões espirituais, estaríamos mendigando."
Leonard Ravenhill, no livro Por que tarda o pleno avivamento?, Editora Betânia




23 de Abril de 2009

Um olhar sobre a Cinemateca Veja

Tenho acompanhado com grande interese a Cinemateca Veja, que tem sido lançada semanalmente. Embora não tenha adquirido todos os filmes até agora (haja dinheiro!), já comprei alguns títulos, os que achei mais interessantes e merecedores do meu suado dinheirinho: Amadeus, Titanic, Los Angeles - Cidade Proibida, O Sexto Sentido, Intriga Internacional, A Malvada, A Morte Pede Carona, O Iluminado, O Silêncio dos Inocentes, Golpe de Mestre, 2001 - Uma Odisséia no Espaço e Apocalypse Now. Dentre os filmes que comprei, vários eu ainda não havia assistido, o que tornou a compra muito mais prazerosa. Cada título inclui um livro muito bem cuidado com a história do filme mais informações sobre os bastidores da produção, biografia dos atores e diretor, e um guia para assistir o filme. Isso tudo além do disco com o filme, é claro.
Sobre o conteúdo deste livro, tenho algumas ressalvas com o texto introdutório, sobre a trama de cada filme. O problema é que na maioria destes textos, toda a história do filme é entregue, até mesmo seus finais, o que estraga o prazer de assistir pela primeira vez cada filme, se o comprador quiser ler o livro antes de ver a obra.
Outro detalhe interessante que a editora Abril omitiu em sua divulgação da coleção é o fato de que vários dos DVDs contém todos os extras da edição original de suas distribuidoras, mudando apenas o rótulo dos discos. Por exemplo, o disco de O Silêncio dos Inocentes é exatamente o mesmo da "Edição Especial" que a Fox lançou alguns anos atrás. Isso é ótimo, e fica o aviso para quem queria comprar mas não se sentia atraído por achar que cada DVD vem com apenas o filme e nada mais.
No mais, considero a iniciativa da Cinemateca Veja algo muito legal e pioneiro, que pode aproximar o público dos grandes clássicos por um preço bem em conta - cada exemplar custa R$13,90.
Quanto à lista dos filmes tidos por Veja como os "50 filmes essenciais do cinema", tenho minhas objeções, mas nada que tire o prazer de sentar no sofá com pipoca na mão e se deliciar com algumas das obras cinematográficas mais interessantes e marcantes da história da sétima arte.

21 de Abril de 2009

Romance

Quando um cartaz de filme estampa os nomes de Wagner Moura e Guel Arraes no Brasil atual todo mundo presta atenção. O primeiro pelo seu papel-marco do Capitão Nascimento, que mais do que um personagem acabou virando um fenômeno pop. O segundo pelo histórico de filmes-pipoca com alma que já realizou - é só lembrar de O Auto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro e, vá lá, Caramuru: A Invenção do Brasil.
A mudança de colaborador habitual (todos os filmes citados têm como protagonista Selton Mello) trouxe também uma virada radical no que diz respeito à temática. Se nos filmes anteriores Arraes tinha uma visão mais voltada para um lado kitsch e até ridículo do Brasil, neste Romance ele retrata seu próprio universo: o teatro e a televisão. E o faz com muita propriedade, já que envolve o espectador em uma espécie de remake teatral da clássica tragédia de Tristão e Isolda, sem jamais sequer parecer trágico.
A escolha de Letícia Sabatella como parceira de cena de Wagner Moura mostra-se acertada. É fácil acreditar no amor dos dois, o que torna a experiência de assistir o filme gratificante. O elenco de coadjuvantes também cumpre bem o seu papel, com destaque para a ótima participação de Marco Nanini como um astro da tevê, cheio de chiliques e exigências, algo como uma Susana Vieira de calças.
Romance é um filme divertido que traz a marca Guel Arraes e Jorge Furtado (que co-assina o roteiro): diálogos ágeis e inteligentes, com um toque de metafísica (o olhar para seu próprio mundo), e uma crítica ao mundo descartável de finais felizes da tevê, o que não deixa de ser surpreendente, já que o filme é uma co-produção da Globo Filmes.
Em um tempo de romances sem sal vindos de Hollywood, encontramos no Brasil um bom exemplo de como fazer um filme romântico e inteligente ao mesmo tempo. Ponto para Guel Arraes e seus fiéis colaboradores.

29 de Março de 2009

Última Parada 174

Quando acaba a sessão de Última Parada 174, fica uma sensação de apatia. Apatia diante de uma situação não apenas vivida pelo protagonista da história, Sandro do Nascimento, mas por todos os que diariamente se veem sem um porto seguro, sem rumo, à deriva em um oceano de descaso e inoperância. A história real, do rapaz que em junho de 2000 sequestrou um ônibus da linha 174 e desencadeou uma das mais longas e tensas situalções com reféns da história do Brasil, é um conto de desespero e abandono, desses que não acha saída, desses que estão repletos de trevas urbanas. Ao decidir contar a história sob o ponto de vista do bandido, mostrando todas as escolhas (ou falta delas) que o levaram àquela fatídica noite de outono, o roteirista Bráulio Mantovani (de Cidade de Deus) não absolve Sandro de suas ações, mas expõe uma ferida aberta na sociedade brasileira, sem entretanto mostrar uma solução.

E a solução não é mostrada porque não cabe à obra cinematográfica fazê-la. Cabe à sociedade e aos governantes trazer à tona algo que traga esperança a pessoas que não a têm.