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O Guia do Mochileiro das Galáxias

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Quando eu gosto de um filme, isso é mais do que um simples "gostar". É uma espécie de cumplicidade que se adquire com o filme. Fico querendo que todos assistam, que mais pessoas passem pela mesma experiência e quem sabe se apegue a ele como aconteceu comigo. No caso de O Guia do Mochileiro das Galáxias, o que houve foi imediata empatia com uma obra tão estranha e diferente quanto divertida. Trata-se de uma adaptação da obra de Douglas Adams, que a princípio era um programa da rádio BBC de Londres e depois veio a tornar-se uma bem sucedida série de livros, traduzida para inúmeras línguas e que arrebatou o coração de milhares de fãs em todo o mundo.
Quando eu li o livro, por várias vezes me peguei rindo sozinho em lugares públicos, influenciado pelo texto irônico e ágil usado por Adams para contar a história de um inglês comum chamado Arthur Dent, às voltas com a iminente demolição de sua casa. É que um desvio será construído e passa justamente pela sua humilde residência. Mas essa será a menor de suas preocupações, já que o próprio planeta Terra está para ser demolido por uma raça de burocratas alieníginas chamados de Vogons. Tudo para construir um desvio intergaláctico.
Graças à amizade que fez com um alienígina chamado Ford, Arthur consegue escapar e passa a ser o último homem vivo do universo. A partir daí, ele viverá uma sucessão de aventuras (e desventuras) no imenso espaço, sendo conduzido por um livro chamado de Guia do Mochileiro das Galáxias.
Cheio de situações absurdas e com um roteiro rápido e esperto, O Guia se mostra uma comédia acima do padrão médio dos outros exemplares feitos nos EUA e alcança o status de cult, que mistura ficção científica, filosofia, religião, política e toalhas (sim, toalhas) em único e excelente filme.
Apesar de tudo isso, eu não recomendaria a obra para qualquer pessoa. Isso porque não é um filme de fácil compreensão para quem está acostumado com a profusão de paródias e comédias românticas descartáveis cuspidas nos cinemas todos os anos. Se sua comédia favorita é Todo Mundo em Pânico ou As Branquelas, passe longe deste filme. Você não vai gostar. Acredite em mim.

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Um compositor em estase

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Já compus algumas canções. Algumas delas eu gosto bastante, outras nem lembro mais. Compartilho isso porque não tenho escrito muitas canções ultimamente; na verdade, não tenho escrito nenhuma. E isso me deixa um tanto frustrado, já que sei que possuo algo dentro de mim querendo ser expresso, coisas que tenho aprendido e quero dividir com outros, lições que têm me marcado profundamente e me transformado, e que sinto a necessidade de passar adiante. Se farei isso por meio de músicas, não sei. Mas definitivamente, essa é a melhor maneira. A maioria dos versículos bíblicos que hoje sei de cor, aprendi com canções. Lembro-me de textos inteiros, graças a melodias de adoração. E muita coisa eu também coloquei em canções.
Mas agora mesmo tenho em mim um anseio de fazer algo. Mas estou em uma etapa da minha vida que se assemelha àqueles filmes de ficção científica, onde alguém é congelado para anos depois ser despertado para iniciar uma nova vida. Esse estágio de congelamento é chamado de estase. Vejo-me em um momento assim. Sou um compositor em estase, como se minha criatividade estivesse aguardando o momento certo de criar algo, de musicalizar o que sinto, o que tenho vivido, o que quero viver.
Coisas me vêm à mente... palavras, sensações, perfumes, tons. Sei que cedo ou tarde a canção virá. Enquanto não vem, deixo uma das minhas canções favoritas:

Só o amor ficará
Já passei da morte, alcancei a vida
Porque aprendi o que é o amor
Se a gente ama, fica fácil ser feliz
Conhecer a Deus é viver o amor

O homem fere, trai e ainda ri
Mas o amor transforma e restaura

Ainda que eu falasse dos homens a linguagem
Se eu entendesse o bate papo dos anjos
Se eu profetizasse
Se os dons se manifestassem
Não passariam de leves folhas de outono
Mas se a Cristo eu me entregar
O amor se manifestará
Que passe a fé e a esperança
No final só o amor ficará
No final só o amor ficará


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O Fazendeiro e Deus

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Em determinado momento do filme O Fazendeiro e Deus (Faith Like Potatoes),o protagonista Angus Buchan diz: "Eu não temo tanto a violência de poucos como temo o silêncio de muitos." Esta é uma das muitas frases lindas a respeito de coragem, determinação e principalmente fé que permeiam este pequeno mas poderoso filme sul-africano de 2006 que conta a história de Angus e sua família, ele herdeiro de uma fazenda na Zâmbia, mas que se muda para a África do Sul fugindo de conflitos entre fazendeiros e nativos negros.
E é no belo país da África do Sul que Angus tem um encontro tremendo com Deus, que o faz repensar todo o seu caráter e transformar toda a sua vida. Milagres começam a acontecer em sua fazenda e ele resolve contar as bênçãos a todas as pessoas, tornando-se um pregador da Palavra que já percorreu todo o continente africano e outras partes do mundo.
Com uma fé simples mas eficiente, exatamente como deve ser a fé, Angus mostra como alguém pode fazer a diferença simplesmente crendo em Deus e entregando seu destino a ele. Permeado por tragédias e alegrias, fracassos e sucessos, Angus Buchan e sua família nos ensinam que o segredo de uma vida feliz é a total - e por vezes louca - confiança em Deus.


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Lucas Souza - Cidade do Amor

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Estou ouvindo o novo álbum do Lucas Souza, Cidade do Amor. Totalmente masterizado e mixado no famoso estúdio londrino Abbey Road, onde os Beatles gravaram vários discos, este disco não apenas surpreende quem está acostumado com a música cristã brasileira cheia de mesmices, repetições e clichês, como faz com que a surpresa seja algo de extremo frescor e originalidade. Tocando um britpop de primeira, o cantor e compositor (em parceria com seu irmão Lúcio) faz um rock de adoração diferente de qualquer coisa que já tenha sido feita no Brasil. Nem bandas de vanguarda como Aeroilis e DiscoPraise fizeram nada parecido com este álbum. E isso é bom, já que o legal das diferenças é que a gente não precisa ficar ouvindo sempre as mesmas letras ou os mesmos estilos.
Com canções como Eu só penso em você e Quebra e refaz, Lucas consegue levar o ouvinte a uma adoração genuína sem se apegar a artifícios emocionais, nem rimas fáceis. E com muita poesia e beleza. É maravilhoso ouvir algo assim no cenário musical cristão brasileiro. Que venham mais bandas com propostas variadas, para que nossos tão castigados ouvidos crentes possam crer que há salvação para a música cristã tupiniquim.


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Notícias sobre Mianmar

                                    
Em um post antigo eu falei sobre o filme Muito Além de Rangún, sobre a situação calamitosa da Birmânia, atual Mianmar. O filme mostrava uma turista americana que se sensibiliza com o drama passado por aquele povo ao ter sua líder do coração, Aung San Suu Kyi, presa sem nenhum motivo razoável, o que levou o país a viver sob um regime autoritário por 20 anos, governado por uma junta militar que impõe seu sistema à base de decretos e repressão à liberdade democrática.
Como resultado de sua luta, Aung San Suu Kyi foi premiada com o Nobel da paz em 1991.

Notícias recentes informam que, prestes a ser liberta de seu cárcere, Suu Kyi poderá ser presa novamente, acusada de "hospedar um estrangeiro em sua casa", onde se encontra presa. Tal atitude constitui-se em crime naquele país. Se for considerada culpada, a líder da oposição Mianmarense poderá ser condenada a mais cinco anos de prisão, o que a impedirá de concorrer nas eleições previstas para 2010. Isso acontece a 12 dias do fim do cumprimento de sua pena, o que mostra um endurecimento da Junta Militar governante em relação a prisioneiros políticos, dentre eles estando Suu Kyi. O blog Mundorama tem um artigo completo a este respeito.

Para tentar contornar a situação, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse ontem que transmitiria ao governo do país a preocupação internacional sobre a situação da líder opositora. Segundo a agência de notícias EFE, Ki-moon fez as declarações em sua chegada ao Japão, onde permanecerá até a próxima quinta-feira, antes de voar para Yangun para tratar com as autoridade do país sobre a prisão de Aung.

Fica a minha preocupação com esta situação, já que quanto pior for o endurecimento do governo militar naquele país, pior fica a situação para a Igreja ali localizada, há muito tempo perseguida e impedida de exercer sua fé.

Esta pausa nas resenhas cinematográficas deste blog se dá devido a um sentimento de amor que adquiri depois de assistir ao filme citado acima e já mencionado aqui. Minhas orações se encontram neste momento a este país. Ore você também sobre isso.

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Vem aí: Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton

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O jornal USA Today divulgou hoje as primeiras imagens do novo filme de Tim Burton, nada menos que a adaptação da obra de Lewis Caroll, que ficou mundialmente conhecida graças à adaptação animada que Walt Disney realizou em 1951. Novamente é a própria Disney que está bancando a produção. As imagens são de um deslumbre único, mas que mostram bem de quem é a direção da obra. Toda a beleza onírica e envolvente característica dos filmes de Tim Burton é potencializada aqui. Ainda é cedo para fazer previsões, mas acredito que este será uma fantasia de primeira.







Aproveitando, o jornal também divulgou a sinopse: Alice (Mia Wasikowska), ao 17 anos, vai a uma festa vitoriana e descobre que está prestes a ser pedida em casamento perante centenas de socialites. Ela então foge, seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou há dez anos mas não se lembrava.

Alice no País das Maravilhas é, ao lado de Frankenweenie, um dos dois projetos do diretor com o Walt Disney Studios que serão exibidos em 3D. Mia Wasikowska, Johnny Depp, Alan Rickman, Matt Lucas, Michael Sheen, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Christopher Lee e Eleanor Tomlinson formam o elenco. O filme estréia em 5 de março de 2010.

Onde eu compro o ingresso?

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Era uma vez...

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O cinema feito no Brasil nos últimos 10 anos tem retratado com bastante frequência a realidade das favelas urbanas. Desde que Fernando Meirelles colocou esses aglomerados de casas humildes e barracos no mapa cinematográfico mundial com Cidade de Deus todo cineasta quer ter sua fatia de "contribuição" na divulgação de uma comunidade muito diferente do que se vê no asfalto, com leis e até um sistema financeiro e moral próprios. De Cacá Diegues (Orfeu e O Maior Amor do Mundo) a Bruno Barreto (no criticado Última Parada: 174), filmar no morro virou moda. Mas não dá para dizer que isso é algo negativo, uma vez que a favela faz parte da vida de todo mundo que mora em uma grande cidade, direta ou indiretamente. Isso ficou bem claro no fenômeno pop Tropa de Elite, que mostra jovens de classe média usuários das drogas que são vendidas pelos traficantes, que consequentemente abastecem seu arsenal com o dinheiro das vendas. Não tem como escapar dessa realidade.
Mas mesmo com tal proximidade tão clara ainda permanece um distanciamento latente entre os moradores do asfalto e as comunidades do morro (note que quem mora no asfalto é "morador", mas quem vive na favela é "comunidade"). Este afastamento é o que move a história de Era Uma Vez..., novo filme de Breno Silveira (Dois Filhos de Francisco). Dé (Thiago Martins) é um jovem morador do Morro do Cantagalo que trabalha em um quiosque na praia de Ipanema. Em frente ao quiosque vive Nina (a estreante Vitória Frate), uma menina órfã de mãe que está precisando de uma razão para viver. Há tempo que Dé observa Nina quando ela aparece na janela de seu imenso apartamento. Numa dessas situações tramadas pelo destino, os dois acabam se conhecendo e se apaixonando.
Mas o filme, assim como a vida, não traz soluções fáceis nem finais felizes. Afinal, o que se tem nesta trama é uma espécie de Romeu e Julieta no Rio de Janeiro, uma cidade que se encontra partida, dividida, rachada. À medida que os minutos passam o espectador vai percebendo que não terá seu final hollywoodiano, cheio de saídas e salvações de última hora. E a obra de Breno Silveira vai se mostrando consistente, verossímil, uma história de amor tocante e trágica, mas acima de tudo, uma mensagem da necessidade urgente do nascimento de uma sociedade mais justa, tolerante e que ofereça oportunidades a todos, sejam do morro ou do asfalto.

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A Troca

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Clint Eastwood já escreveu seu o nome na história do cinema como ator em filmes como Dirty Harry na Lista Negra e As Pontes de Madison. Como diretor, entretanto, ele se destacou ainda mais, ao realizar alguns dos filmes americanos mais importantes das últimas duas décadas. São dele, por exemplo, o já mencionado As Pontes de Madison, o clássico do western Os Imperdoáveis, o drama de boxe e eutanásia Menina de Ouro e os recentes libelos contra a guerra A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima.
São muitos filmes marcantes e de temáticas variadas. Este A Troca, estrelado por uma Angelina Jolie em sintonia com sua personagem, não poderia deixar de ser igualmente emocionante. Ao contar a história de uma mãe solteira (Christine Collins) que em plena década de 20 tem seu único filho misteriosamente desaparecido e empreende uma busca incansável para revê-lo, Eastwood insere definitivamente seu nome no panteão dos maiores cineastas da história.
O drama, que vai muito além do caso de desaparecimento ao revelar a corrupção do departamento de polícia de Los Angeles, tem momentos inesquecíveis, como o devastador momento em que é revelado tudo o que poderia ter acontecido com o filho de Christine Collins. Com um clima de filme noir "ensolarado" (podendo ser comparado ao clássico Los Angeles - Cidade Proibida), o diretor arrebata a audiência de tal maneira que nem percebemos que ao final da projeção mais de duas horas se passaram.
Filmaço que merecia muito mais do que aplausos. Merecia Oscar.

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Wall-E

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Quando um filme futurista feito em animação sobre um robô solitário em um planeta Terra abandonado sem quase nenhuma fala com exceção dos ruídos robóticos traz lágrimas aos olhos do espectador, é bom prestar atenção a ele. Wall-E(EUA, 2008), o novo filme da extraordinária Pixar Animation Studios, é assim. Uma pequena obra-prima feita por um estúdio que simplesmente não consegue fazer filme ruim.
Wall-E é uma unidade robótica dentre milhares iguais a ele que foi deixada na Terra para limpá-la de todo o lixo acumulado por milhares de anos enquanto os seres humanos descansam em naves gigantescas até que a limpeza esteja concluída. Acontece que o que deveria durar cinco anos, acaba durando 700 anos! Gerações e gerações de pessoas já vieram e se foram, e a limpeza ainda não acabou. De todos os robôs-faxineiros, apenas nosso herói restou. E se tornou um robozinho fascinado pela raça humana, pelos musicais e pelos objetos que nós deixamos aqui. A rotina de Wall-E é recolher o lixo, compactá-lo e empilhá-lo em pilhas gigantescas. O dia a dia dele vai correndo normalmente, até que uma nave chega à Terra e deixa uma robozinha chamada EVA, cuja diretriz é um mistério para o espectador (não se preocupe, não vou estragar o mistério aqui). Wall-E se apaixona imediatamente por EVA, e começamos a testemunhar uma das maiores histórias de amor do cinema em todos os tempos. É sério!
Cheio de aventura, humor e homenagens aos velhos filmes mudos dos primórdios do cinema, este é um filme para ver, rever e nunca se cansar de se emocionar.
Trata-se do melhor filme da Pixar desde Procurando Nemo, e sem dúvida um dos melhores filmes de 2008. Imperdível!

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As Crônicas de Nárnia: um conto sobre redenção, morte e ressurreição – parte 1

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Quando C.S. Lewis, renomado escritor irlandês cristão, decidiu escrever uma história de fantasia, encontrou uma forte reação contrária da parte de um de seus melhores amigos: ninguém menos que o autor da trilogia O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien. O fato é que Lewis queria ensinar os fundamentos bíblicos elementares a sua sobrinha, Lucy. Mas ele também queria registrar sua contribuição para um dos gêneros literários mais presentes na literatura britânica: o conto de fadas. Mas no fim, acabou fazendo muito mais do que queria. Ao conceber O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e todo o mundo mágico de Nárnia, Lewis acabou estabelecendo padrões para essa literatura que têm sido seguidos por todos os escritores que vieram depois dele.

O livro, lançado em 1950, fez tanto sucesso que Lewis decidiu contar todas as histórias que imaginava envolvendo Nárnia e seu leão-Deus, Aslam. Depois de sete livros, idas e vindas no reino mágico, na Calormânia, no Bosque Entre Mundos e em tantos outros lugares, estavam concluídas As Crônicas de Nárnia. O fascínio que tais obras exercem até hoje em crianças de todas as idades, dos 8 aos 80 anos, é crescente e tomou um fôlego ainda maior quando a Walden Media e a Disney lançaram a adaptação cinematográfica de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Os fãs e admiradores de C.S. Lewis puderam finalmente ver realizado o sonho de visualizar em outra dimensão além da imaginação todo o universo que embalou seus sonhos durante anos.

O filme conseguiu captar a essência do que de fato trata o livro. Afinal, As Crônicas de Nárnia não são meras aventuras juvenis, nem simples contos de fadas tradicionais. São na verdade histórias que ensinam de modo claro todo o processo pelo qual Jesus passou para a redenção da humanidade. A obra traz várias figuras facilmente identificáveis que se relacionam com a morte, ressurreição e ascensão de Cristo.

E não só isso, mas a história também remete à vida do próprio seguidor de Cristo, o distanciamento ocasional seguido da aproximação repentina, a busca por uma comunhão maior com Deus, a necessidade que o cristão sente da presença do Senhor e muitas outras coisas.

Tais figuras se fazem presente nas sete crônicas e cada livro completa o outro, formando todos eles um verdadeiro panorama do plano de Deus para o homem. É nessa estratégia didática que reside a genialidade de C.S. Lewis; ele conseguiu fazer da literatura fantástica algo muito mais interessante e educativo do que qualquer aula de escola dominical, sem se afastar dos princípios básicos do cristianismo.

Logo na abertura de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, encontramos os quatro irmãos Pevensie, centrais da trama: Susana, Pedro, Edmundo e Lúcia. Em pleno auge da 2ª Guerra Mundial, os protagonistas vivenciam os bombardeios nazistas em Londres, e desde cedo já experimentam os horrores da guerra. Para fugirem de um destino trágico, eles são enviados por sua mãe ao interior, como parte de uma estratégia do governo britânico para salvar da morte o maior número de crianças. Ao chegar no casarão que os abriga, são recebidos pela governanta do lugar; o dono da casa, um misterioso professor Digory Kirke, quase não é visto. Mal sabem as crianças que ele guarda um segredo maravilhoso sobre sua infância.

Em um dia chuvoso, os irmãos decidem brincar de esconde-esconde dentro do casarão. Lúcia, a mais nova, se esconde em um estranho guarda-roupa, cheio de casacos. Ao adentrar mais e mais para melhor se esconder, ela descobre que o móvel é na verdade o portal para um mundo mágico e fascinante. Nárnia é descoberta! A sensação de deslumbramento toma qualquer pessoa que assiste ao filme pela primeira vez. É perfeita a caracterização da floresta narniana tomada pela neve, e qualquer um que já tenha lido o livro original fica emocionado ao se deparar com o solitário poste de luz que serve como uma espécie de demarcação para os limites de Nárnia.

Para resumir tudo, depois de voltar à mansão, Lúcia conta tudo o que viu e a amizade que fez com um fauno chamado Sr. Tumnus (vivido pelo hoje astro James McAvoy, de O Procurado e Desejo e Reparação) a seus irmãos, que não acreditam nela. Ela conta que Nárnia vive um inverno que já dura 100 anos, graças ao domínio de Jadis, a Feiticeira Branca. Percebe-se nitidamente que esta personagem é a figura de Satanás, cujo domínio na humanidade a mantém em um estado de frieza espiritual, distante do calor que a proximidade com Cristo proporciona. Como é de se esperar, ninguém acredita na palavra da pequena. Lógico que todos acabarão descobrindo o reino mágico também, e terão que reconhecer que Lúcia estava certa. O primeiro a fazer a constatação é Edmundo, que a segue até lá, mas ao invés de conhecer Tumnus encontra a própria Jadis.

Os quatro irmãos descobrem que são os personagens centrais de uma profecia que fala sobre a libertação de Nárnia do regime da feiticeira pelas mãos de dois filhos de Adão e duas filhas de Eva (mais uma referência bíblica), com a ajuda do leão-deus Aslam – figura aqui do próprio Cristo, chamado nas Escrituras de Leão da Tribo de Judá (Apocalipse 5.5).

Acontece que mesmo relutantes, os Pevensie serão forçados a entrarem na guerra. Tudo porque Edmundo traiu os outros ao fugir e ir até o castelo de Jadis, que havia lhe prometido dar-lhe uma enorme quantidade de docinhos se ele levasse todos seus irmãos consigo. Ao chegar no castelo, a feiticeira o aprisiona e os irmãos terão que procurar Aslam e tentar resgatar Edmundo.

Mesmo nesse trecho do filme temos uma figura bíblica: o traidor, ou mesmo o cristão que, tentado, se entrega ao mal por causa de “docinhos”, pequenos prazeres denominados “pecados”.

A jornada dos Pevensie até o lugar onde Aslam reúne seus exércitos é incrementada com uma perseguição empreendida pelos lobos a serviço de Jadis e um encontro com Papai Noel – único momento dúbio da trama, mas aceitável por sabermos que se trata de um lugar mágico, povoado por faunos, duendes, animais falantes, feiticeiras e por que não o “Bom Velhinho”? É quando os irmãos recebem presentes que serão utilizados no momento da batalha final contra a feiticeira: Pedro recebe uma espada digna de um rei; Susana, um arco digno de uma guerreira; Lúcia, um punhal para defesa e um ungüento com poder de cura. Os presentes recebidos por eles podem ser um símbolo do ministério que cada crente tem na obra de Deus; enquanto uns são designados para serem líderes, outros são comissionados para estarem à frente da batalha, recebendo os primeiros golpes, e outros são os que consolam, restauram e auxiliam os feridos. No exército de Deus, ninguém é deixado para trás.

Por enquanto é só. Continuamos destrinchando os detalhes e figuras bíblicas encontradas em Nárnia no próximo artigo. Até lá.

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Inúteis para o reino dos céus

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"Alguém já advertiu que não devemos estar tão envolvidos com o céu a ponto de sermos totalmente inúteis na terra. Se há um problema que esta geração não enfrenta é esse. A verdade nua e crua é que estamos tão envolvidos com a terra que não temos nenhuma utilidade para o reino dos céus.
Irmãos, se fôssemos tão eficientes na tarefa de enriquecer nossa alma quanto o somos na de cuidar de nossos interesses pessoais, constituiríamos uma ameaça para o diabo. Mas se fôssemos ineficientes no cuidado de nossos interesses como o somos nas questões espirituais, estaríamos mendigando."
Leonard Ravenhill, no livro Por que tarda o pleno avivamento?, Editora Betânia




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Um olhar sobre a Cinemateca Veja

Tenho acompanhado com grande interese a Cinemateca Veja, que tem sido lançada semanalmente. Embora não tenha adquirido todos os filmes até agora (haja dinheiro!), já comprei alguns títulos, os que achei mais interessantes e merecedores do meu suado dinheirinho: Amadeus, Titanic, Los Angeles - Cidade Proibida, O Sexto Sentido, Intriga Internacional, A Malvada, A Morte Pede Carona, O Iluminado, O Silêncio dos Inocentes, Golpe de Mestre, 2001 - Uma Odisséia no Espaço e Apocalypse Now. Dentre os filmes que comprei, vários eu ainda não havia assistido, o que tornou a compra muito mais prazerosa. Cada título inclui um livro muito bem cuidado com a história do filme mais informações sobre os bastidores da produção, biografia dos atores e diretor, e um guia para assistir o filme. Isso tudo além do disco com o filme, é claro.
Sobre o conteúdo deste livro, tenho algumas ressalvas com o texto introdutório, sobre a trama de cada filme. O problema é que na maioria destes textos, toda a história do filme é entregue, até mesmo seus finais, o que estraga o prazer de assistir pela primeira vez cada filme, se o comprador quiser ler o livro antes de ver a obra.
Outro detalhe interessante que a editora Abril omitiu em sua divulgação da coleção é o fato de que vários dos DVDs contém todos os extras da edição original de suas distribuidoras, mudando apenas o rótulo dos discos. Por exemplo, o disco de O Silêncio dos Inocentes é exatamente o mesmo da "Edição Especial" que a Fox lançou alguns anos atrás. Isso é ótimo, e fica o aviso para quem queria comprar mas não se sentia atraído por achar que cada DVD vem com apenas o filme e nada mais.
No mais, considero a iniciativa da Cinemateca Veja algo muito legal e pioneiro, que pode aproximar o público dos grandes clássicos por um preço bem em conta - cada exemplar custa R$13,90.
Quanto à lista dos filmes tidos por Veja como os "50 filmes essenciais do cinema", tenho minhas objeções, mas nada que tire o prazer de sentar no sofá com pipoca na mão e se deliciar com algumas das obras cinematográficas mais interessantes e marcantes da história da sétima arte.

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Romance

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Quando um cartaz de filme estampa os nomes de Wagner Moura e Guel Arraes no Brasil atual todo mundo presta atenção. O primeiro pelo seu papel-marco do Capitão Nascimento, que mais do que um personagem acabou virando um fenômeno pop. O segundo pelo histórico de filmes-pipoca com alma que já realizou - é só lembrar de O Auto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro e, vá lá, Caramuru: A Invenção do Brasil.
A mudança de colaborador habitual (todos os filmes citados têm como protagonista Selton Mello) trouxe também uma virada radical no que diz respeito à temática. Se nos filmes anteriores Arraes tinha uma visão mais voltada para um lado kitsch e até ridículo do Brasil, neste Romance ele retrata seu próprio universo: o teatro e a televisão. E o faz com muita propriedade, já que envolve o espectador em uma espécie de remake teatral da clássica tragédia de Tristão e Isolda, sem jamais sequer parecer trágico.
A escolha de Letícia Sabatella como parceira de cena de Wagner Moura mostra-se acertada. É fácil acreditar no amor dos dois, o que torna a experiência de assistir o filme gratificante. O elenco de coadjuvantes também cumpre bem o seu papel, com destaque para a ótima participação de Marco Nanini como um astro da tevê, cheio de chiliques e exigências, algo como uma Susana Vieira de calças.
Romance é um filme divertido que traz a marca Guel Arraes e Jorge Furtado (que co-assina o roteiro): diálogos ágeis e inteligentes, com um toque de metafísica (o olhar para seu próprio mundo), e uma crítica ao mundo descartável de finais felizes da tevê, o que não deixa de ser surpreendente, já que o filme é uma co-produção da Globo Filmes.
Em um tempo de romances sem sal vindos de Hollywood, encontramos no Brasil um bom exemplo de como fazer um filme romântico e inteligente ao mesmo tempo. Ponto para Guel Arraes e seus fiéis colaboradores.

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Última Parada 174

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Quando acaba a sessão de Última Parada 174, fica uma sensação de apatia. Apatia diante de uma situação não apenas vivida pelo protagonista da história, Sandro do Nascimento, mas por todos os que diariamente se veem sem um porto seguro, sem rumo, à deriva em um oceano de descaso e inoperância. A história real, do rapaz que em junho de 2000 sequestrou um ônibus da linha 174 e desencadeou uma das mais longas e tensas situalções com reféns da história do Brasil, é um conto de desespero e abandono, desses que não acha saída, desses que estão repletos de trevas urbanas. Ao decidir contar a história sob o ponto de vista do bandido, mostrando todas as escolhas (ou falta delas) que o levaram àquela fatídica noite de outono, o roteirista Bráulio Mantovani (de Cidade de Deus) não absolve Sandro de suas ações, mas expõe uma ferida aberta na sociedade brasileira, sem entretanto mostrar uma solução.

E a solução não é mostrada porque não cabe à obra cinematográfica fazê-la. Cabe à sociedade e aos governantes trazer à tona algo que traga esperança a pessoas que não a têm.

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Bone


História de humor, aventura e, em alguns momentos, pitadas de romance, mostra a epopéia de Fone Bone na tentativa de encontrar seus primos e, quem sabe, achar a saída de um misterioso vale. Bone já faturou prêmios como o Eisner (Melhor Publicação de Humor e Melhor Roteirista/Desenhista), o Harvey (Melhor Quadrinhista, por dois anos consecutivos) e o National Cartoonist Society's Award.

Trata-se de uma história deliciosa, com um estilo único, aparentemente infantil, mas com um apelo que alcança a todas as idades. Vale a pena experimentar! Clique nos títulos para baixar.

Bone 1
Bone 2
Bone 3

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Chosen - O Eleito do Senhor


Um adolescente comum descobre ter alguma ligação com o Divino, quando sofre um acidente com um caminhão e sai ileso. Conforme vai descobrindo seus "poderes", ele realiza milagres e recupera a fé de um padre descrente. Não demora muito para Jodie passar a acreditar que é a reencarnação do próprio Cristo! Este é apenas o começo de uma história que vai te surpreender, e no fim servirá como um alerta de que este mundo, de fato, jaz no maligno.
Clique nos títulos abaixo para fazer o download:

Chosen 1
Chosen 2
Chosen 3

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Muito Além de Rangun - Muito Além do Filme

Assistindo a este filme de 1995, dirigido por John Boorman e estrelado por Patricia Arquette e Frances McDormand, fiquei muito curioso a respeito de um dos países mais obscuros para os ocidentais, Mianmar (ex-Birmânia) e fiz uma pesquisa sobre o assunto. Descobri que a igreja cristã em Mianmar sofre perseguição por motivos políticos, num país governado por uma ditadura militar desde 1963. Abaixo segue texto retirado do site da Missão Portas Abertas sobre a situação do país. Por favor, leia. É vital conhecermos mais sobre a situação da Igreja de CRISTO no mundo.

O Mianmar, antiga Birmânia, é conhecido como a "terra dos templos" e está localizado às margens do Golfo de Bengala e do Mar de Andaman, entre Bangladesh e a Tailândia. Seu território apresenta densas florestas e é caracterizado por uma região central de terras baixas, cercadas por um anel de montanhas íngremes e elevadas.

Há uma alta taxa de mortalidade devido à AIDS. A doença diminuiu a expectativa de vida para 62 anos, e elevou a taxa de mortalidade infantil. A taxa de crescimento demográfico também é afetada pelo vírus, sendo a segunda mais baixa da região.

Os birmaneses descendem de tribos mongóis que chegaram à região no século VII. O Estado foi unificado em 1054, com a fundação da dinastia Pagan pelo rei Anawrahta. Durante essa dinastia, inúmeros templos budistas foram construídos no país.

Mais tarde, com a invasão de Gengis Khan em 1287, muitos desses templos foram destruídos. Entre 1287 e 1824, o país foi governado por seis dinastias distintas.

As primeiras guerras anglo-birmanesas ocorreram em 1824 e 1853. Foi também em 1853 que, sob o governo do rei Mindon, iniciou-se uma intensa revolução industrial em paralelo à descoberta de petróleo. Em 1885, a Grã-Bretanha venceu a terceira guerra anglo-birmanesa e assumiu totalmente o controle do país.

Já no século XX, com o início da II Guerra Mundial, os birmaneses chegaram a auxiliar o Japão em uma tentativa de expulsar os colonizadores ingleses. Finalmente, em 1947, o país obtém sua independência e torna-se uma união federativa de sete distritos e sete Estados minoritários.

Em 1962, o Partido do Programa Socialista da Birmânia (PPSB) assumiu o poder e instaurou o socialismo. Decisões do governo deterioraram a situação econômica, e as mudanças de chefe de Estado, nomeadas pelo PPSB deixaram a população extremamente insatisfeita.

Foram marcadas eleições para 1990, e o PPSB foi derrotado por 80%. O governo, entretanto, ignorou o resultado, proibiu as atividades da oposição, prendeu e exilou os oponentes e reprimiu as manifestações do povo.

Ainda hoje há oponentes presos. A mais famosa é Aung San Suu Kyi, líder da oposição Liga Nacional Pró-Democracia. Ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991. Sua popularidade impede o governo de executá-la, mas ele a mantém incomunicável em sua prisão domiciliar.

Depois que a junta militar aumentou o preço dos combustíveis em agosto de 2007, milhares de birmaneses marcharam em protesto, liderados por pró-democratas e monges budistas.

No final de setembro de 2007, o governo massacrou os manifestantes, assassinando 13 pessoas e detendo milhares por participar dos protestos. Desde então, o regime vem invadindo casas e mosteiros, e detendo suspeitos de atividades pró-democráticas.

Pouco menos de 90% da população é alfabetizada. Embora seja rico em recursos naturais, o país sofre com a má administração do governo, com políticas econômicas ineficientes, e com a pobreza rural. A taxa de desemprego é muito baixa (5%), entretanto, mais de 30% da população esta abaixo da linha de pobreza.

Grande parte da população está envolvida em atividades ilícitas. Mianmar é o segundo maior produtor de ópio, droga utilizada na fabricação de heroína, e há sérios problemas no país relacionados ao uso de drogas e à prostituição. O país também trafica homens, mulheres, e crianças para exploração sexual, serviço doméstico ou trabalhos forçados no Leste e no Sudeste asiático.

A maioria dos birmaneses é adepta do budismo, que entrou no país durante os primeiros séculos da era cristã e tem sido a religião dominante desde o século IX, exercendo enorme influência sobre a nação. Os muçulmanos se encontram na região do Arakan, próxima à fronteira com Bangladesh no extremo sudoeste do país. Crenças tradicionais são praticadas por minorias étnicas e influenciam a prática do budismo.

A Igreja

O cristianismo chegou ao território birmanês no século X, levado por discípulos de Nestório. Mais tarde, chegaram o catolicismo romano no século XVI e o protestantismo em 1813. As reações ao cristianismo têm variado grandemente, mas o país continua sendo uma importante base para o ministério cristão na Ásia.

A Igreja se divide em três grandes grupos: batistas, católicos romanos, anglicanos. Além desses, há outras pequenas denominações protestantes.

A Perseguição

O governo ainda interfere nas reuniões e atividades de praticamente todas as organizações, inclusive organizações religiosas. Ele faz isso de maneira explícita e implícita.

O governo impede os clérigos budistas de promover os direitos humanos e a liberdade política. Mas, ao mesmo tempo, promove o budismo theravada sobre as outras religiões, em particular entre as minorias étnicas.

As autoridades também desestimulam, e até proíbem, a construção de templos entre as religiões menores. Em alguns casos, funcionários do governo destroem os templos construídos sem autorização. Também é necessário solicitar a permissão do governo para fazer reformar e melhorias nos templos já existentes.

Os cristãos das áreas rurais são perseguidos com freqüência pelos governantes, que se alinham com poderosos grupos budistas e tentam utilizar a religião como forma de controlar a população local.

No dia 11 de março de 1998, logo após a meia noite, Sheh Wah Paw, uma jovem de 17 anos, estava orando com sua irmã, Thweh Ghay Say Paw, de 15 anos. Nas proximidades, soldados queimavam cabanas feitas de bambu na região fronteiriça com a Tailândia. Muitos da etnia karen estavam desabrigados e Sheh Wah Paw agradecia a Deus pela cabana de bambu que as abrigava. Próxima daquela cabana rudimentar estava localizada a igreja batista que a família de Sheh freqüentava regularmente. Aquela cabana, considerada uma bênção pela família Paw, estava para ser colocada à prova naquele momento.

Kyaw Zwa, o patriarca da família, havia construído um abrigo provisório de concreto embaixo da cabana como esconderijo. Receando que sua casa pudesse ser destruída, ele refugiou-se com sua família naquele local, buscando proteção. No entanto, pouco tempo depois a cabana estava em chamas e o calor era tão intenso que o interior do abrigo parecia um verdadeiro forno. As chamas se espalharam pelo esconderijo e as roupas das pessoas que estavam ali começaram a pegar fogo. Finalmente, as garotas saíram correndo e gritando do abrigo. Infelizmente, duas semanas depois, as duas filhas de Kyaw Zwa faleceram em conseqüência das queimaduras.

Um líder da região afirmou que aquela não era uma guerra entre cristãos e budistas, mas entre os karenes e os birmaneses, e que estavam usando a religião apenas como pretexto para dividir as duas etnias. Por isso, não é de se estranhar que a igreja batista tenha sido um dos primeiros locais a ser queimado, enquanto o mosteiro budista e os lares ao seu redor permaneceram intocados.

Kyaw Zwa, entristecido pela perda de suas filhas, disse que os birmaneses odiavam os karenes, e que odiavam os karenes cristãos mais ainda. Por algum tempo ele questionou porque as orações de suas filhas aparentemente não tiveram resposta, mas depois seu coração encontrou a paz. Kyaw Zwa então afirmou o seguinte: "Eu sei que Deus me ajudou e que permitiu a morte de minhas filhas. Elas se foram, mas estão livres".

Motivos de Oração

1. A Igreja tem crescido rapidamente. Ore para que esse crescimento persista e para que os líderes da Igreja birmanesa desenvolvam métodos eficientes para treinar os novos convertidos e comissioná-los como evangelistas.

2. A Igreja enfrenta ataques de budistas que procuram restringir a atividade cristã. Peça em oração que os cristãos encontrem meios eficazes de responder a esses ataques e que consigam ganhar o respeito dos líderes governamentais e servir ao país.

3. A Igreja birmanesa tem exercido um impacto considerável em todo o continente asiático. Louve a Deus pelo alcance dos ministérios dirigidos por grupos baseados em Mianmar. Ore para que esses trabalhos continuem a exercer impacto e influência em toda a região.

4. A Igreja e o país inteiro sofrem com o problema das drogas. Interceda em oração pelo fim do narcotráfico que domina grande parte da economia birmanesa. Ore também para que os cristãos encontrem métodos viáveis de oposição ao comércio de drogas e forneçam alternativas econômicas ao povo birmanês.

Fontes

- 2007 Report on International Religious Freedom http://www.state.gov/g/drl/rls/irf/2007/

- CIA Factbook 2008 (https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/)

- Enciclopédia do Mundo Contemporâneo. São Paulo. Publifolha: 1999

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O Menino do Pijama Listrado

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Fazer um filme sobre o holocausto impetrado pelos nazistas depois de centenas de filmes sobre o assunto parece algo como chover no molhado. A impressão que se tem depois de assistir a A Lista de Schindler (Steven Spielberg, 1994), por exemplo, é que não há mais nada para se mostrar sobre o genocídio de 6 milhões de judeus durante a 2ª Guerra Mundial. Mas eis que alguém resolve fazer um filme sobre a amizade sincera entre um menino alemão filho do comandante de um campo de concentração e um menino judeu, prisioneiro desse campo. Tivesse um protagonista mais talentoso, estaríamos diante de uma pequena pérola do cinema.
Mas O Menino do Pijama Listrado ainda não chega a esse patamar. O filme é bom, traz uma emoção verdadeira e nos faz refletir sobre a inutilidade da guerra. Ao optar por um final incomum em filmes comerciais, o diretor Mark Herman mostra alguma coragem, o que nos deixa esperançosos quanto a futuros filmes.

Concluindo, algumas pessoas certamente vão chorar com este filme, outros vão odiar o fim, mas isso tudo é parte da magia do cinema, algo que me faz a cada dia mais fascinado e encantado com as possibilidades que esta arte traz.

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Little Joy

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Uma banda muito legal que apareceu na cena americana é o Little Joy, a reunião muito proveitosa de Rodrigo Amarante , na foto ao lado (Los Hermanos), e Fabrizio Moretti (Strokes). Quem quiser baixar, é só clicar aqui.

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O Nevoeiro

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Depois de assistir a O Nevoeiro a gente tem que passar um tempo para se recuperar de algumas das imagens mais fortes a serem filmadas na história das adaptações de histórias de terror. Este é um daqueles filmes "ame ou odeie", uma vez que não se trata de uma produção fácil de ser digerida, especialmente pelo seu final, que vai na contramão de tudo o que se espera de um filme sobre o fim (ou seria recomeço?) do mundo.
Depois de uma tempestade muito forte em uma cidade americana do interior que fica próxima a uma base militar, um misterioso nevoeiro se aproxima do lugar. Enquanto a névoa sinistra está chegando, um pai e seu filho vão a um mercado comprar suprimentos, caso a tempestade retorne. O problema começa quando alguma coisa começa a matar qualquer um que esteja dentro do nevoeiro, fazendo com que todos dentro do mercado permaneçam ali mesmo enquanto a situação não é esclarecida.

A direção segura de Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade, À Espera de Um Milagre) não apenas respeita a obra original, um conto de Stephen King, como presta uma homenagem de categoria aos filmes B dos anos 1970, recheados de monstros e conflitos mortais entre os personagens assolados pelo medo e pela incerteza.

Além disso, há um paralelo bem claro entre este O Nevoeiro e Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles. Ambos tratam de um apocalipse, e como as pessoas comuns reagem em situações limite, embora o filme de Meirelles passa longe de ser um terrorzão dos bons, como este de Darabont. Há cenas de prender a respiração, gritar de susto, roer as unhas e até comemorar. Talvez por isso este filme se encaixe perfeitamente na minha lista dos melhores filmes vistos por mim este ano.

A conclusão que chegamos depois de assistir aos dois filmes é a de que o ser humano não resiste ao sentimento mais paralisante e modificador que existe: o medo. E isso nos assusta.

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Ensaio Sobre a Cegueira

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Depois de uma expectativa que durou cerca de dois anos, finalmente pude assistir Ensaio Sobre a Cegueira, aguardada adaptação da obra de José Saramago, realizada pelo diretor Fernando Meirelles. E nada melhor do que assistir ao filme com alguém que é fascinado pela literatura portuguesa, neste caso, meu amigo Elias, que a cada cena parecia mais e mais emocionado. Depois de assistir e pesquisar em fóruns da internet em busca das opiniões de outras pessoas, foi fácil entender porque os americanos receberam este filmaço tão friamente. Não se trata de um filme fácil de acompanhar, especialmente para quem está acostumado a outro tipo de fim de mundo - aquele que se passa em Nova York e que é apinhado de toda espécie de efeito digital, algo como Eu Sou a Lenda, com Will SMith (e Alice Braga).
Em Cegueira, o fim do mundo acontece em uma cidade sem nome (cujas paisagens urbanas foram captadas com maestria em Toronto, São Paulo e Tóquio), com pessoas cujos nomes também não são mencionados. Não dá para um público pasteurizado como é o dos Estados Unidos entender uma história sem ter um herói (com um nome) que lute pela sobrevivência do "sonho americano". Não há nada neste filme que o assemelhe a uma produção hollywoodiana, a não ser é claro o elenco, composto por Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Alice Braga, Gael Garcia Bernal e Maury Chaykin.
A produção acompanha a história de uma intrigante epidemia de uma espécie de cegueira branca, que começa com um japonês yuppie e se espalha por todo o país. Logo que se constata a epidemia, os contaminados são enviados a um hospício desativado, onde ficarão em quarentena. Logo de cara percebe-se um grupo heterogêneo, cuja única identificação é um número e uma profissão. Os nomes enquanto identidades externas não importam para quem só consegue enxergar (ou imaginar) o interior do outro. No grupo estão o primeiro contagiado, o oftalmologista que o atendeu, sua esposa (como a única que enxerga mas tem que fingir que não vê para acompanhar o marido) e outros que de alguma maneira se relacionaram com o japonês que deu início a tudo. Não demora muito e a quarentena parece pior do que um campo de concentração nazista: imundície por todos os lados, banheiros podres, urina e fezes espalhados pelos corredores.
Como se não fosse o bastante, um homem que se denomina o Rei da Ala 3 (Gael Garcia Bernal) decide tomar o controle da comida destinada aos doentes. Ele possui uma arma, o que o habilita a tomar o poder e infligir horrores que só alguém com a alma cega poderia impor.
Temos em Ensaio Sobre a Cegueira uma alegoria genial, filmada brilhantemente e contada com perfeição que até as cenas mais polêmicas e antecipadas semanas antes do lançamento são vistas como sequência (e consequência) de tudo o que se viu até ali. Há momentos nos quais a brancura das imagens é tão clara que até o espectador se sente cego, compartilhando do desespero dos personagens. Em uma cena emblemática, o menino que se perdeu dos pais depois de ter perdido a visão está andando pela enfermaria da quarentena, certo de que perto da porta de saída há uma cama baixa, e é o que nós vemos; mas logo que se aproxima do que seria a cama, a imagem mostra uma mesa alta, enganando não apenas o ator, mas a todos os que viram primeiramente a cama. Um toque de gênio, dentre os muitos artifícios que Meirelles usa para envolver o público.
Julianne Moore, com sua atuação contida a princípio e cheia de energia e vitalidade posteriormente, merece um Oscar. Prêmio que não deve ganhar, uma vez que o filme foi um fracasso na terra do Tio Sam.

Em suma, o que se enxerga em Ensaio Sobre a Cegueira é muito mais do que mais um filme apocalíptico.
Pode haver lágrimas, asco, risos, rancor, mas no fim o que prevalece neste filme é a esperança.

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Lado B

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Já faz muito tempo desde que praticamente extinguiram o disco de vinil, carinhosamente chamado de "bolachão". Era a melhor maneira de se desfrutar verdadeiramente de uma obra produzida por um artista, afinal, não se tratava apenas de música. Era mais, era todo um projeto, desde as composições até a arte do álbum (daí ser chamado de álbum cada disco de um artista), pois havia discos que eram verdadeiras obras de arte: capas duplas, castelos em alto relevo, discos coloridos... Verdadeiras experiências sensoriais. A gente tocava, cheirava, apalpava, sentia muito além da simples audição que utilizamos para experimentar um moderno CD, ou pior ainda: um MP3 player.

Mas uma coisa que me chamava atenção nos vinis era a possibilidade que cada cantor ou banda tinha de mostrar algo além dos óbvios hits radiofônicos. No bolachão havia o lado B, onde o artista colocava aquelas músicas que ele gostava muito, mas que não tinham potencial para tocar nas rádios. O lado B representava uma saída artística utilizada e amada com afinco pelos intérpretes das canções. O lado A era um chamariz para o público, que comprava o disco para ouvir o sucesso do momento, mas acabava se deparando com o lado B, que era a chance para o fã conhecer quem era seu ídolo verdadeiramente, sem vernizes técnicos, sem preocupações em agradar o mercado, apenas ele de corpo e alma.

A vida também tem seu lado B. Cada um de nós temos este outro lado, melhor, mais livre, sem amarras profissionais ou técnicas. Neste nosso lado B não precisamos ser alguém que exista só para agradar os outros, os ouvintes da vida. Podemos ser realmente felizes enquanto artistas do palco da existência. Quem dera vivêssemos sempre no lado B! Sem pressões, sem exigências, somente nós mesmos, amando, escrevendo, agindo, cantando, dançando, correndo, sorrindo, chorando, orando. Simplesmente nós.

E quem nos amou primeiramente pelos nossos grandes sucessos, quando descobrir que somos pessoas comuns, com muitos defeitos (afinal não passamos por nenhum processo mercadológico) mas também repletos de virtudes, continuará amando. Afinal, o lado B é bem, bem melhor que o lado A.

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Filmes sobre mágicos

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Acabei de assistir a um filme sobre Houdini, um grande ilusionista, conhecido no início do século XX como o "Mestre das Fugas". Trata-se de Atos que Desafiam a Morte, da diretora Gilliam Armstrong, com o bom ator Guy Pearce (de Amnésia e L.A. Cidade Proibida) no papel do famoso mágico. Tendo como antagonista/par romântico a bela Catherine Zeta-Jones, o filme não chega a ser uma obra-prima, mas o ar de melodrama é compensado pelas ótimas atuações, especialmente por Saoirse Ronan, que interpreta a filha de Zeta-Jones, uma médium charlatã que aceita o desafio feito por Houdini: incorporar a mãe falecida do mágico e fazer-lhe dizer suas últimas palavras, conhecidas apenas por Houdini. É um bom filme, que ao menos desperta o interesse da audiência em saber algo mais sobre este que foi um personagem importante da cultura pop, quando esta ainda dava seus primeiros passos. Pode-se dizer que Houdini era um pop star, acompanhado de perto pela mídia mundial (paparazzi, digamos assim), tendo sua imagem em revistas em quadrinhos e em cinejornais. Tem-se em Atos um exemplo menor de como fazer um bom filme sobre mágica.
Mas quem assiste O Grande Truque logo esquece do exemplo acima citado. Este sim uma obra-prima, pronto para surpreender a cada fotograma, sem jamais subestimar a inteligência do espectador, usando de recursos cinematográficos essenciais para trazer à vida imagens inesquecíveis e perturbadoras, com um único objetivo: contar uma boa história. Com Hugh Jackman e Christian Bale como mágicos rivais chegando a ultrapassar todos os limites da rivalidade, o diretor Christopher Nolan criou um espetáculo onde o resultado final é mais do que fumaça e espelhos. Não é um filme sobre ética profissional, mas sobre os sacrifícios que alguém pode realizar para imprimir a marca da perfeição naquilo que faz. Com um final impossível de prever, o que temos é o filme supremo sobre mágica. E sobre mágicos.

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Orquestra dos Meninos

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Nunca postei um texto sobre um filme que ainda não vi. Mas hoje, navegando pela rede me deparei com a notícia de um filme inteiramente rodado em Sergipe, coisa rara para um estado que até então mantinha sua não-política de incentivo a filmagens em seus limites. O filme em questão é Orquestra dos Meninos, de Paulo Thiago, estrelado por Murilo Rosa, Priscila Fantin e Othon Bastos. Trata-se de uma história real, passada em Pernambuco nos anos 80, quando o professor de música Mozart Vieira decide criar em São Caetano, sertão pernambucano, uma orquestra clássica. Tarefa difícil. Como fazer para convencer crianças - cuja preocupação principal é o que vai comer ao meio-dia - da importância da arte na vida? A história de Mozart virou reportagem no Fantástico, o que lhe rendeu uma visibilidade enorme em todo o país, e tocou o coração de Paulo Thiago, que deu início ao projeto oito anos atrás.
No dia 29 de setembro o filme fez sua pré-estréia nacional em Aracaju, o que trouxe todos os astros da produção para a terrinha. Além do elenco global, muitas crianças sergipanas foram selecionadas para participar das filmagens, o que deixa a gente que mora em Sergipe e ama cinema muito orgulhoso. Afinal, não é todo dia que se ouve falar de um filme rodado por essas bandas.
Como não poderia deixar de ser em um filme sobre uma orquestra de música erudita, a trilha sonora é primorosa, tendo sido gravada pelo Quinteto Villa-Lobos, famoso em todo o mundo. As obras de Bach e Villa-Lobos entre outros estão em perfeita harmonia com o clima da trama. O grupo tocou de uma maneira diferente, pois para retratar meninos ainda aprendendo música era necessário interpretar de modo quase improvisado, meio desengonçado. O resultado é peculiar, mas deixa tudo ainda mais poético. Algumas músicas da trilha sonora podem ser ouvidas no site (clique aqui), que tem ainda o trailer e um texto do próprio Mozart Vieira, todo emocionado com a produção.

Enfim, fica a dica de um filme que eu certamente irei assistir no cinema, em Aracaju, como todo sergipano deve fazer. Que outras iniciativas como esta surjam, para que nosso estado seja mostrado em todo o Brasil, quiçá no mundo.

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O Som do Coração (August Rush, EUA, 2007)

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Era uma vez um menino chamado Evan Taylor, que morava em um orfanato sem saber do paradeiros de seus pais. De alguma maneira, August tinha uma espécie de sexto sentido para captar a música que havia ao seu redor. Sem saber exatamente como, era este talento que ele usava para continuar acreditando que um dia reencontraria sua família.
É neste contexto de conto de fadas que somos apresentados ao herói desta pequena pérola que merece ser descoberta pelo público brasileiro. O Som do Coração, dirigido por Kirsten Sheridan, é um filme repleto de clichês, isso é verdade. Mas o elenco é tão inspirado e se entende tão bem que somos levados a acreditar que tudo o que acontece na trama é verossímil, o que nos torna cúmplices até de alguns furos no roteiro. A gente olha e vê que algumas coisas simplesmente não poderiam acontecer na vida real, mas ao mesmo tempo nos sentimos tão tocados pela jornada do protagonista que pensamos: "Vai lá, eu quero que isso aconteça".
Como os pais de Evan, afastados pela vida, Jonathan Rhys-Meyers e Keri Russel (alguém faça dessa menina uma estrela, porque ela merece) parecem ter sido feitos um para o outro. A química (e aqui vai um clichê da resenha cinematográfica) entre eles é impressionante, o que torna este filme mais que uma fábula sobre a música, mas uma linda história de amor.
À medida que acompanhamos Evan (depois chamado de August Rush), vamos encontrando o maravilhoso elenco reunido: Terrence Howard, como o assistente social que quer ajudar o menino, Robin Williams - o músico de rua que explora crianças carentes mas talentosas, e até o sumido Bubba de Forrest Gump (lembra dele?), Mykelti Williamson, no papel de um reverendo que matricula August na prestigiada escola de música Juilliard.
Em suma, o que temos é um belo filme, uma bela trilha sonora e uma história que envolve o espectador e faz com que aceitemos todos os clichês, pois são bem usados e trazem muita emoção, coisa rara hoje em dia.

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Louvando em meio à tribulação

Durante a minha vida tenho me deparado com situações adversas as mais diversas. Momentos de ansiedade exagerada, dias inteiros tomados pela culpa, aflições geradas pelo pecado. Mas a cada dia tenho aprendido que Deus é misericordioso para fazer com que dias assim tornem-se dias vitoriosos, repletos de bênçãos e vida. Não é fácil permitir que tempos difíceis transformem-se em tempestades passageiras, mas o trabalho não é nosso! Porque é Deus quem faz tudo em nosso lugar. "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade."  (Filipenses 2 : 13)
Lembro-me da passagem de Atos 16, na qual Paulo e Silas são presos e acorrentados pelos pés, mas ainda assim, lá pela meia-noite, entoam louvores ao Senhor, como se nada estivesse acontecendo, apenas confiando que o Senhor está no controle. E o resultado é imediato! No versículo 25 eles começam a cantar, e no 26 um terremoto quebra todas as cadeias! O carcereiro, desesperado porque acha que todos os prisioneiros irão fugir, tenta se matar (era vergonhoso para um carcereiro ver que os presos sob sua responsabilidade fugiram), antes que matem toda a sua família. Mas Paulo e Silas não apenas não fogem como nenhum dos encarcerados com eles. O carcereiro recebe Jesus como salvador, e no dia seguinte os apóstolos são libertados. É Deus agindo com toda a sua sabedoria, mostrando que nada foge à sua vista!

Mas é importante lembrar que NADA mesmo! Nem o pecado, nem o bem ou o mal. Mas eis que vem uma chance de consertar tudo: "MEUS filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo."  (I João 2 : 1)
Deus é fiel! Comigo e com você! Amém?

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Os Sete Samurais

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Mestre Kambei: "Mais uma vez fomos derrotados. Os lavradores venceram, não nós."

Com esta triste constatação, encerra-se a projeção de 3 horas e 27 minutos de Os Sete Samurais, um dos maiores filmes de todos os tempos, obra-prima de Akira Kurosawa. Assistir a este filme não é trabalho dos mais fáceis para aqueles hipnotizados pelas produções modernas, repletas de efeitos especiais de última geração, porém vazias de roteiro, com diálogos frouxos e pré-fabricados por executivos engravatados que nada entendem de cinema como arte. Arte feita para as massas, é verdade, mas jamais uma arte tola e que subestima seu público.
Como mestre do cinema, Kurosawa conhecia o segredo para um bom filme: tem que ser uma história agradável e fácil de entender. Simples assim. Nada dos maneirismos ou manobras bestas disfarçadas de "inteligentes reviravoltas" que povoam a cinematografia do século XXI (com poucas e honrosas exceções), apenas histórias contadas de modo eficiente, que cativem a quem as assista.

No filme de 1954, um samurai decadente e velho, que só conheceu derrotas, é contratado pelos moradores de uma pobre aldeia de lavradores, que estão na expectativa de um ataque a qualquer momento por 40 perigosos bandidos. Em recompensa, o samurai só terá três refeições diárias. Como sozinho ele sabe que não conseguirá, decide arregimentar mais 6 samurais mortos de fome para juntos treinarem a população do vilarejo afim de defenderem a aldeia.

É assim, com essa história simples, que Kurosawa nos apresenta os 7 samurais, com personalidades distintas, além de alguns lavradores que se destacam no elenco. Durante todo o filme acompanhamos o treinamento dos habitantes, a angústia do samurai Keykichuo (interpretado com maestria por Toshirô Mifune) em começar logo a batalha e pelo menos duas grandes cenas de ação: o ataque surpresa à fortaleza dos bandidos, e a batalha final, grandiosa e bem orquestrada, sob uma chuva torrencial, onde algumas tragédias acontecerão.

Os Sete Samurais é uma obra duradoura e com uma emoção raras vezes vista em outras produções, realizadas no Japão ou em qualquer outro lugar do mundo, incluindo Hollywood, é claro.

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Garçonete

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Jenna, a personagem central de Garçonete, tem uma vida triste. Um marido horrível, um chefe mal humorado, sonhos não realizados. E para completar, ela acaba de descobrir que está grávida do tal marido horrendo, alguém tão ridículo quanto perigoso. É nesse momento que encontramos nossa heroína, uma das mulheres mais próximas do real (se é que isso é possível) que o cinema americano já produziu; e o melhor: Jenna não é o único personagem fascinante nessa história. No filme de Adrienne Shelly, que também atua como uma das amigas de Jenna, os personagens adoráveis - e detestáveis - se acumulam.
A trama vai se desenrolando e nós espectadores nos sentimos envolvidos na vida da protagonista de maneira que as lágrimas dificilmente deixarão de cair (ou a imensa vontade de que elas caiam), pois emoção Garçonete tem de sobra. Isso tudo sem nunca cair em pieguice hollywoodiana desnecessária. A atriz Keri Russel (da série Felicity) parece não perceber o peso de liderar um elenco em cinema pela primeira vez, tamanha a leveza que imprime em cada fotograma. Mesmo em cenas mais tensas percebemos uma fluidez digna das grandes divas da sétima arte.
Primeiro filme da diretora, roteirista e atriz Adrienne Shelly, este acabou sendo também sua última obra, pois Shelly foi assassinada semanas antes do filme sequer ser lançado. Triste saber que tanto talento contido nunca poderá ser compartilhado conosco, um público ansioso por bons filmes de verdade.
Fica, porém, a mensagem que a diretora queria passar: a felicidade se encontra em coisas pequenas, detalhes que falam muito mais alto no fim das contas que dinheiro e sexo. Felicidade não é errar nas escolhas. Mas é, com certeza, poder começar tudo de novo.

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Meu nome não é Johnny

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Ano passado um fenômeno tomou conta do país inteiro, influenciando comportamento, programas de TV e até o jeito de falar. Estou falando de Tropa de Elite, de José Padilha. Trata-se do primeiro filme a sofrer com a pirataria de maneira astronômica, pois antes mesmo de ser lançado nos cinemas já era um sucesso nas bancas de camelôs Brasil afora. Estima-se que 11 milhões de pessoas tenham assistido ao filme sem nunca ter pisado em uma sala de cinema. OK, Filipe, mas por que você está começando um texto sobre Meu Nome Não é Johnny, filme com Selton Mello (o Johnny Depp brasileiro), falando sobre Tropa de Elite? E a resposta é: estou querendo estabelecer uma comparação aqui entre os dois filmes. Sim, eu sei que são obras distintas, embora tenham elementos em comum. Acontece que Johnny é um filme superior em muitas coisas ao fenômeno popular jamais visto no Brasil. Primeiramente, a obra de Mauro Lima suscita emoções que Tropa sequer arranha em conseguir.
Sei que essa não era a intenção de Tropa. O que José Padilha queria era chocar, mostrar uma realidade crua de uma sociedade contaminada por um sistema corrupto do qual todos nós fazemos parte. E nisso o filme é magistral. Não estou aqui para desmerecer um filme tão adorado (e vencedor em Berlim)!
Mas vejo em Meu Nome Não é Johnny muito mais para a vida dessa mesma sociedade retratada em Tropa. Demonstrações práticas de otimismo, sem apelar para vazias lições de moral, típicas dos filmes da Disney. O filme é realmente emocionante, sem pieguismo, nem soluções falsas. É verdadeiro, sincero e bonito.
Claro que Tropa de Elite tem outras lições. Então quer saber? Vamos parar de comparar! Assista os dois, mas assista Meu Nome Não é Johnny mais vezes. E quem sabe até rola uma lágrima inesperada.

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Cloverfield - Monstro

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Como subgênero originado dos filmes de terror, os filmes de monstro são considerados por muitos como exemplos bobos surgidos na arte cinematográfica. De fato, a maioria desses filmes são obras B, grande parte realizada com orçamento mínimo e - o que é pior - sem a menor criatividade de seus realizadores.
Ultimamente, entretanto, o cinema mundial tem brindado os fãs com excelentes obras do gênero. Um bom exemplo é o recente O Hospedeiro, filme sul-coreano de ótima repercussão mundo afora, que traz um bagre anabolizado aterrorizando a cidade de Seul, saído do rio Han. Diferente de outros filmes de monstro, este não centraliza a trama no monstro, mas mostra o drama pessoal das pessoas afetadas pelo surgimento do gigantesco gosmento.
Depois que a Coréia do Sul mostrar que tem habilidade e know-how para fazer filmes recheados de efeitos especiais mas também com alma e emoção, faltava Hollywood mostrar que pode igualmente agradar crítica e público com um filme de monstro genuíno, mas carregado na dramaticidade de seus personagens.
Somente um cara como J.J.Abrams (produtor do filme), criador de Lost e diretor da releitura da série cinematográfica Star Trek, poderia trazer algo assim à tona.
Cloverfield - Monstro é um desses filmes de terror que cumprem à risca seu dever. É apavorante! Mas, surpreendentemente em uma superprodução, mantém os olhos do espectador voltados para a reação de pessoas comuns a um evento extraordinário. Todo o filme é mostrado do ponto de vista da câmera de Hud, que filmava a festa de despedida de seu melhor amigo quando o monstro ataca Nova York (sempre NY). O que segue depois disso é a maneira como ele e seus amigos, Lily, Rob, Jason e Marlena, vão passar por tudo isso, e ainda sobreviver.
Não pensem os desavisados que por ser do ponto de vista de uma câmera caseira, o filme não tem a ação que um filme de monstro deve ter. Ela está lá, assim como os efeitos especiais de primeira linha, as explosões, os "filhotes" do monstro, e é claro, o monstro gigantesco. Tudo para fazer de Cloverfield - Monstro um desses filmes para assistir com a galera, comendo pipoca, com a luz apagada e gritando a cada susto - que não são poucos.

Nota: 9

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Ética?

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Li na Veja desta semana uma matéria sobre o deputado federal que preside o Conselho de Ética da Câmara. E fiquei pasmo! O fato é que Sérgio Moraes (PTB-RS) tem uma ficha maior que a de muito bandido rodado que a gente encontra por aí. Ficha de acusações, quero dizer. Mas você sabe, onde há fumaça... O cara já foi acusado de receptação de jóias, agressão, favorecimento à prostituição (lenocínio), enfim. Tudo bem, a pessoa ter o rabo preso, é problema dela. Acontece que ele é o presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados! Eu disse ÉTICA! É difícil de acreditar que algum deputado que andar fora da linha vai ter o mandato cassado por um conselho presidido por alguém que desconhece o significado da palavra "ética"! Mais sério ainda é pensar que os deputados mesmos, membros do conselho, são os que votaram num cara desses! Lendo a matéria, fiquei tão fulo que quase rasguei a revista... Controle-se, Filipe!

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