Nada como um pouco de poesia para relaxar...

Aí vai um poema que minha mãe, sempre muito inteligente e contestadora, escreveu há poucos dias:
Quem?
Quem vem de lá,
Quem vem de cá?
Quem é quem,
onde ser alguém
é o mesmo que
ser ninguém?
Mas quem eu sou,
se na terra onde eu estou,
nada sou,
sou ninguém?
Mesmo João
ou José,
sendo Maria
ou Josefa
Tenho um nome
Mas quem eu sou?
João Ninguém,
ou um Zé Mané?
Uma Maria desdentada,
Zefa pé de chulé?
Ser ou não ser
é mesmo a questão?
Ou ter ou não ter
Define a questão?
Quem vem de cá,
Quem vem de lá?
São os filhos da riqueza
de uma pátria mãe gentil?
São os filhos da pobreza
de uma pátria mãe hostil.
Cidadãos com nomes
homens e mulheres varonis?
São de todos os lugares
desconhecidos como alguém,
reconhecidos como ninguém.
Continuam como sempre,
um simples João ou Maria,
alguém que não é ninguém.
(Denise Malafaia Cerqueira, Tobias Barreto, 05/10/06)

3 Comente aqui!:

  1. Me disse...:

    Filipe, o comment de hoje é para a sua mãe: Denise, parabéns!!!! Ótima reflexão, ainda mais quando vivemos tão próximos daqueles tantos "reconhecidos como ninguém". beijos,

  1. Ester Malafaia disse...:
    Este comentário foi removido pelo autor.
  1. Filho, vi este poema entre seus posts e nem me lembrava mais que o escrevi...
    Puxa, que bom saber que você o salvou para mim, porque senão nunca mais o teria de volta.
    De vez em quando escrevo alguma coisa interessante...rsrsrsrs
    Obrigada pelos adjetivos com os quais fui caracterizada, mas são seus olhos, ouvidos e boca de filho coruja.
    Que bom trazer a memória aquilo que pode dar esperança.
    Bjs no seu precioso coração de filho coruja!
    Ah, estou copiand0...

Posts relacionados

Related Posts with Thumbnails