Dois thrillers que você não pode perder (e um para esquecer)

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De todos os gêneros do cinema, o thriller é sem dúvida aquele que mais me prende atenção. Quase todos os filmes do gênero têm tramas interessantes e intrigantes. Eu disse quase todos. Nos últimos tempos pelo menos um thriller lançado com grande expectativa decepcionou grande parte do público, este que vos escreve inclusive. Em compensação, outros dois, sem tanto hype nem algum grande estúdio por trás, mostraram que bons filmes podem ser feitos sem orçamentos milionários. Vamos a eles - para depois falar da grande decepção de 2010.

Jogo de Poder - muitos filmes têm sido lançados nos últimos anos escancarando a mentira que foi a chamada "Guerra ao Terror" de George W. Bush (inclusive a própria biografia do presidente, dirigida por Oliver Stone, W.), mostrando que as tais armas de destruição em massa tidas como existentes pelo presidente não existiam no Iraque. Jogo de Poder conta a história verídica de Valerie Plame  (Namoi Watts) e seu esposo, Joe Wilson (Sean Penn), ela agente da CIA que teve sua identidade vazada  para a imprensa pelos altos escalões do governo americano como forma de retaliação pela publicação de um artigo de seu esposo, diplomata aposentado, afirmando não existir nenhuma suposta encomenda de urânio ao país africano Níger feita por Saddam Hussein. O filme mostra a investigação conduzida pela CIA para encontrar evidências de armas de destruição em massa no Iraque, e assim dar argumentos ao governo para a invasão ao país árabe. Muito bem dirigido por Doug Liman (A Identidade Bourne, Jumper), o thriller defende que a maioria dos agentes da inteligência americana não concordavam que havia tais evidências, o que significa que Bush estava ciente da não-existência dessas armas mas mesmo assim seguiu com a guerra. Todos sabemos hoje que tais armas jamais foram encontradas, e ver que vários níveis do governo agiram à revelia de tantas evidências claras contrárias a tal argumento é revoltante. Mas se tratando de cinema, Jogo de Poder é um exemplo de como se faz um thriller empolgante e releto de tensão.

72 Horas - O filme de Paul Haggis (Crash - No Limite) faz a pergunta: "Até onde alguém é capaz de ir para libertar quem se ama?" Russell Crowe estrela como John Brennan, marido apaixonado e devotado à sua família que vê sua vida virar de cabeça para baixo com a prisão de sua esposa, Lara (vivida por Elizabeth Banks), acusada de assassinar a própria chefe. Crente na inocência da esposa, John empreende todos os meios legais para ver sua esposa livre da cadeia, mas todas as evidências apontam para sua culpa. Esgotadas todas as opções jurídicas, ele toma medidas desesperadas e resolve agir para tirá-la da prisão. E está disposto a tudo para tornar isso realidade. Com muito suspense e saídas geniais, sem nunca agredir os neurônios do espectador, Paul Haggis exibe grande habilidade como um dos cineastas mais interessantes do cinema atual, realizando um filme empolgante e misterioso até o fim, quando finalmente sabemos se Lara é culpada ou inocente. Duas horas bem gastas. E um dos mais belos pôsteres do ano.

Agora vamos ver um thriller para esquecer:

O Turista - Johnny Depp e Angelina Jolie juntos em um filme de suspense e ação, dirigido pelo mesmo cineasta que realizou o magnífico A Vida dos Outros? Sucesso na certa, diziam todos ao saber da produção de O Turista. Filme lançado, e a decepção não poderia ser maior, tanto nas bilheterias como com os críticos. Se pelo menos fosse possível acreditar na química entre Depp e Jolie, o filme seria ainda palatável. O diretor Florian Henckel von Donnersmarck mostra-se deslumbrado demais com seu casal de protagonistas e acaba se esquecendo de contar uma história com um mínimo de razoabilidade. Depp é Frank Tupelo, um professor de matemática americano em viagem pela Europa que é abordado pela misteriosa Elise (Angelina Jolie, sempre linda) e envolvido em uma trama que envolve a interpol e a máfia italiana. Seria interessante, se não fosse trágico. Como se não bastasse a auseência de química entre os protagonistas e as fraquíssimas cenas de ação, é simplesmente impossível engolir a reviravolta do final, completamente absurda e ilógica. Um thriller sem sal, que desperdiça milhões de dólares e preciosos 90 minutos do tempo do espectador.

2 Comente aqui!:

  1. Eduardo disse...:

    Ae errou esse filme O TUTIRSTA eu achei muito bom tanto que é um dos melhores filmes que ja vi


    errou nessa em... =/

  1. Filipe Malafaia disse...:

    Se nem Johnny Depp gostou de O Turista, quem sou eu para gostar?

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