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As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada

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Como apaixonado pela obra de C. S. Lewis, tenho que dizer que amo os filmes da série As Crônicas de Nárnia, especialmente o primeiro, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (2005). Amo tanto que cheguei a escrever um ensaio onde falo da simbologia cristã contida no filme.
Bilheteria
Mas em Hollywood não importa o quanto o público ame uma série literária que virou franquia cinematográfica, se a bilheteria não render o esperado. E foi exatamente isso o que aconteceu com As Crônicas de Nárnia. Depois que o primeiro filme foi um sucesso arrebatador, arrecadando mais de 600 milhões de dólares mundialmente, era natural que um segundo filme viesse logo. Ele veio. Mas infelizmente Príncipe Caspian (2008) não se igualou em vendas de ingressos ao seu antecessor (fazendo "apenas" cerca de 400 milhões em todo o mundo, vejam só), e a Disney logo anunciou que não faria um terceiro filme. Mas ainda havia esperança, e a Fox Film decidiu arriscar e anunciou a produção de A Viagem do Peregrino da Alvorada, adaptação do terceiro livro (de sete) da série escrito por Lewis. Dezembro de 2010, e o filme é lançado. Tendo custado 150 milhões de dólares, Peregrino empacou nos 100 milhões de bilheteria americana e, mesmo ainda em cartaz nos EUA, as negociações para um quarto filme estão em andamento, com o estúdio tendo muita cautela.
Falando do Filme
Comentários econômicos à parte, é preciso elogiar o diretor Michael Apted e os roteiristas Christopher Markus, Stephen McFeely e Michael Petroni, por não cederem a saídas fáceis comuns em quase todo filme de fantasia épica, como a inclusão de cenas de batalha campal (como aconteceu em Príncipe Caspian). Ao invés disso, Peregrino é um típico filme de aventura marítima, quase mimetizando a Odisseia de Homero, com os heróis Lúcia (Georgie Henley), Edmundo (Skandar Keynes) e Caspian (Ben Barnes) singrando os mares de Nárnia em busca dos sete lordes de Telmar, que misteriosamente desapareceram sem dar explicações. Os irmãos Pevensie, juntamente com seu primo irritante Eustáquio (Will Poulter, de O Filho de Rambow, em atuação excelente) deparam-se com criaturas mágicas, ilhas misteriosas, sereias transparentes, dragões e anões de um pé só, até alcançarem os confins do mundo de Nárnia.
Utilizando de efeitos especiais muito bonitos e uma fotografia deslumbrante, Peregrino retoma o sentimento de novidade do primeiro filme, com os Pevensie descobrindo lugares inteiramente novos e vivendo experiências que servirão para seu amadurecimento, enquanto Caspian descobrirá que sua posição como rei traz muito mais responsabilidades do que pensava.
Há momentos sublimes, como o diálogo final entre Aslam e Lúcia, no qual ele revela quem realmente é em nosso mundo. As cenas de ação também são empolgantes e prendem a atenção do público, especialmente a luta do clímax, contra uma serpente marítima diferente de qualquer criatura mítica mostrada no cinema.
Mas o que mais chama a atenção em Peregrino é a jornada de transição da infância para a vida adulta, experimentada pelos irmãos Pevensie e por Eustáquio. Ao mostrar as dúvidas existentes nos corações dos protagonistas e como eles as superam, os roteiristas criaram uma história que se conecta com seu público-alvo, habitantes desta terra mágica (e traiçoeira) chamada Vida.

[atualizando] Acabo de ler que Peregrino rendeu 400 milhões mundialmente, o que fez com que a produtora Walden Media, responsável pelos filmes, anunciasse a produção do quarto filme, O Sobrinho do Mago, que na verdade é o sexto livro da série, mas funciona como uma prequel, contando a história da criação de Nárnia e mostrando como surgiu o guarda-roupa do primeiro filme. O Sobrinho do Mago é o segundo livro mais vendido da série, o que justifica a produção deste filme no lugar de A Cadeira de Prata, que segue a cronologia normal dos livros. [atualizado às 21:53 de 29 de março de 2011]

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Invictus

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É oficial: Clint Eastwood é o maior cineasta americano vivo. Ele consegue passar da barreira dos 80 anos ainda lançando um filme por ano e mantendo a qualidade altíssima de cada produção. Até os filmes medianos do diretor são superiores a 90% das bobagens jogadas a cada ano nos cinemas mundiais. 
Em Invictus (EUA, 2009), a lenda do cinema conta a história de outra lenda viva: Nelson Mandela. Mas não se trata de uma biografia do líder ativista pelos direitos civis mais fascinante da história. Invictus limita-se a um momento sublime da África do Sul, quando Mandela é solto da prisão depois de 27 anos e elege-se presidente do país pela maioria negra, encerrando séculos de opressão por um regime racista e desigual. Ao se deparar com os desafios da presidência, além de encontrar uma nação desunida e à beira de uma possível guerra civil, Mandela apela para algo que é comum a todos os sul-africanos: seu amor pelo esporte.
Para unir o país separado por anos de Apartheid, ele alista a seleção nacional de rugby na quase impossível missão de vencer a Copa do Mundo de Rugby, que aconteceria na própria África do Sul, em 1995.
Com um ritmo ágil e diálogos marcantes, Invictus conquista pelo tema, mas também por outras qualidades notáveis. O elenco está excelente, liderado por Morgan Freeman como Mandela e Matt Damon como François Pienaar, capitão da seleção de rugby. Pienaar tem a função de conduzir seu time não somente à vitória, mas a ser exemplo de reconciliação e perdão, objetivo primordial de Mandela em seu primeiro mandato.
Aliás, a mensagem de perdão não é algo que se escuta muito no cinema moderno, tão recheado de vinganças e revanches; talvez a fala mais tocante seja a dita por François Pienaar: "Não entendo como alguém que passou 30 anos em um cubículo saia de lá disposto a perdoar todos aqueles que fizeram isso com ele."
É justamente disso que trata Invictus - a história de um homem que sabia perdoar, e ensinou o mesmo a todos os que o conheceram.

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Senna

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O ano de 1994 foi um dos mais marcantes da minha geração. Algumas coisas esta geração nunca esquecerá. O dia em que o Real foi lançado. Usar moedas de centavos pela primeira vez. O tetracampeonato da Seleção Brasileira. Mas o evento mais marcante de um ano marcante não passa pela economia nem pelas quatro linhas de um campo de futebol. Sem dúvida nenhuma, todos de minha geração lembram-se de onde estavam quando souberam da morte de Ayrton Senna, o maior ídolo do esporte que o Brasil já teve.
Fazer um filme sobre a carreira de um ídolo esportivo a nível mundial pode parecer tarefa fácil - basta jogar imagens de arquivo com o ídolo em questão sorrindo, fazendo o que fazia melhor, jogar depoimentos de parentes e amigos e encerrar com a morte do ídolo. Mas o diretor Asif Kapadia preferiu fazer de Senna um filme menos clichê sem deixar de ser emocional.
As imagens de arquivo estão lá, mas não são intercaladas com depoimentos filmados, como seria esperado. Todos os depoimentos (os pais de Senna, Reginaldo Leme, Viviane Senna, Alain Prost, Frank Williams, etc.) são apenas ouvidos enquanto vemos cenas de corridas ou da vida privada de Ayrton. Mas o que diferencia Senna de todos os outros documentários e reportagens televisivas sobre o piloto tricampeão mundial de Fórmula 1 é o acesso a imagens nunca antes exibidas dos bastidores das corridas, as reuniões pré-corridas com todos os pilotos, que mostram as posições de Ayrton contra a politicagem presente na FIA, a organização que realiza o campeonato mundial.
Há momentos de arrepiar, como o dia em que Ayrton abandonou uma das reuniões como forma de protesto contra decisões dos comissários que eram injustas não somente para ele, mas também para os outros pilotos.
E mesmo se tratando de um documentário, Senna é editado de modo a parecer um filme de ficção, com um mocinho de um lado e alguns vilões do outro. Neste caso, os vilões são Alain Prost e Jean-Marie Balestre (presidente da FIA na época), que proporcionam duelos tensos e interessantíssimos com o protagonista do embate.
Outro ponto positivo de Senna é a decisão de mostrar algumas corridas como se elas estivessem acontecendo ao vivo, na tela. Não há como conter a emoção de ver Ayrton vencendo novamente, incendiando a torcida no Brasil, sendo alavancado ao Olimpo dos pilotos de corrida.
O filme foca pouco na vida pessoal de Ayrton, e é muito econômico ao falar das aventuras amorosas do piloto, o que é excelente, porque deixa mais tempo para o que realmente importa: mostrar a genialidade que Ayrton tinha quando estava no volante de uma Lotus, ou uma McClaren, ou uma Williams.
E como todos da minha geração se lembram de onde estavam naquele fatídico 1º de maio de 1994, o momento mais emocionante do filme é quando presenciamos mais uma vez a cena que gostaríamos de cortar de nossas memórias. A curva Tamborello, no circuito de Ímola, Itália. Mas não estamos falando de uma ficção. Na vida real, os ídolos morrem jovens. E as manhãs de domingo nunca mais foram as mesmas.

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The Good Wife

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Apesar de assistir algumas séries, não costumo escrever muito a respeito. Mas The Good Wife é uma das séries mais empolgantes que há na safra mais recente da tevê americana, e isso merece uma postagem. Estrelada por Juliana Margulies (de E.R. - Plantão Médico), Chris Noth (de Sex and the City) e Josh Charles (do elenco jovem de Sociedade dos Poetas Mortos), a série criada por Robert e Michelle King é um drama jurídico que não deixa de lado a vida pessoal de seus protagonistas. Neste caso, a vida de Alicia Florick, advogada que deixou a carreira para se dedicar à família. Entretanto, depois de um escândalo sexual envolvendo seu marido, Peter (Chris Noth), que é o promotor de justiça da cidade, ela vê a necessidade de recomeçar a carreira. Para isso, aceita um emprego em um grande escritório de advocacia, onde atuará em difíceis casos criminais enquanto tentará equilibrar tudo isso com o contínuo cuidado com seus filhos.
Apesar de ser possível assistir cada episódio isoladamente - há um novo caso toda semana - a vida familiar de Alicia conecta todos os capítulos, de modo a prender a atenção do público, que fez de The Good Wife um drama premiado e com grande audiência na TV aberta americana. A atuação precisa de Juliana Margulies já lhe rendeu o Emmy e outras premiações importantes. O elenco todo está bastante sóbrio e entrega performances excelentes, como é o caso de Archie Panjabi no papel de uma assistente de Alicia - prova disso é o Emmy com que foi premiada por sua atuação.
Os episódios têm seus roteiros muito bem construídos, e a resolução dos casos vai sendo montada como um quebra-cabeças, como já é de praxe em seriados do gênero. Quando a gente pensa que não há mais saída para a vitória de Alicia, sempre surge uma nova peça - totalmente plausível, diga-se de passagem - que traz a solução.
The Good Wife é um drama de qualidade, que honra a tradição americana de produzir bons programas envolvendo advogados. A Globo devia aprender com os gringos, já que a única tentativa de produzir algo semelhante resultou no pífio Na Forma da Lei, com roteiro apressado e atuações forçadas. Afinal, acreditar que Luana Piovani possa se tornar uma promotora de justiça é mais difícil que engolir alguns BBB's sendo chamados de heróis por Pedro Bial. Me poupe.

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Dois thrillers que você não pode perder (e um para esquecer)

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De todos os gêneros do cinema, o thriller é sem dúvida aquele que mais me prende atenção. Quase todos os filmes do gênero têm tramas interessantes e intrigantes. Eu disse quase todos. Nos últimos tempos pelo menos um thriller lançado com grande expectativa decepcionou grande parte do público, este que vos escreve inclusive. Em compensação, outros dois, sem tanto hype nem algum grande estúdio por trás, mostraram que bons filmes podem ser feitos sem orçamentos milionários. Vamos a eles - para depois falar da grande decepção de 2010.

Jogo de Poder - muitos filmes têm sido lançados nos últimos anos escancarando a mentira que foi a chamada "Guerra ao Terror" de George W. Bush (inclusive a própria biografia do presidente, dirigida por Oliver Stone, W.), mostrando que as tais armas de destruição em massa tidas como existentes pelo presidente não existiam no Iraque. Jogo de Poder conta a história verídica de Valerie Plame  (Namoi Watts) e seu esposo, Joe Wilson (Sean Penn), ela agente da CIA que teve sua identidade vazada  para a imprensa pelos altos escalões do governo americano como forma de retaliação pela publicação de um artigo de seu esposo, diplomata aposentado, afirmando não existir nenhuma suposta encomenda de urânio ao país africano Níger feita por Saddam Hussein. O filme mostra a investigação conduzida pela CIA para encontrar evidências de armas de destruição em massa no Iraque, e assim dar argumentos ao governo para a invasão ao país árabe. Muito bem dirigido por Doug Liman (A Identidade Bourne, Jumper), o thriller defende que a maioria dos agentes da inteligência americana não concordavam que havia tais evidências, o que significa que Bush estava ciente da não-existência dessas armas mas mesmo assim seguiu com a guerra. Todos sabemos hoje que tais armas jamais foram encontradas, e ver que vários níveis do governo agiram à revelia de tantas evidências claras contrárias a tal argumento é revoltante. Mas se tratando de cinema, Jogo de Poder é um exemplo de como se faz um thriller empolgante e releto de tensão.

72 Horas - O filme de Paul Haggis (Crash - No Limite) faz a pergunta: "Até onde alguém é capaz de ir para libertar quem se ama?" Russell Crowe estrela como John Brennan, marido apaixonado e devotado à sua família que vê sua vida virar de cabeça para baixo com a prisão de sua esposa, Lara (vivida por Elizabeth Banks), acusada de assassinar a própria chefe. Crente na inocência da esposa, John empreende todos os meios legais para ver sua esposa livre da cadeia, mas todas as evidências apontam para sua culpa. Esgotadas todas as opções jurídicas, ele toma medidas desesperadas e resolve agir para tirá-la da prisão. E está disposto a tudo para tornar isso realidade. Com muito suspense e saídas geniais, sem nunca agredir os neurônios do espectador, Paul Haggis exibe grande habilidade como um dos cineastas mais interessantes do cinema atual, realizando um filme empolgante e misterioso até o fim, quando finalmente sabemos se Lara é culpada ou inocente. Duas horas bem gastas. E um dos mais belos pôsteres do ano.

Agora vamos ver um thriller para esquecer:

O Turista - Johnny Depp e Angelina Jolie juntos em um filme de suspense e ação, dirigido pelo mesmo cineasta que realizou o magnífico A Vida dos Outros? Sucesso na certa, diziam todos ao saber da produção de O Turista. Filme lançado, e a decepção não poderia ser maior, tanto nas bilheterias como com os críticos. Se pelo menos fosse possível acreditar na química entre Depp e Jolie, o filme seria ainda palatável. O diretor Florian Henckel von Donnersmarck mostra-se deslumbrado demais com seu casal de protagonistas e acaba se esquecendo de contar uma história com um mínimo de razoabilidade. Depp é Frank Tupelo, um professor de matemática americano em viagem pela Europa que é abordado pela misteriosa Elise (Angelina Jolie, sempre linda) e envolvido em uma trama que envolve a interpol e a máfia italiana. Seria interessante, se não fosse trágico. Como se não bastasse a auseência de química entre os protagonistas e as fraquíssimas cenas de ação, é simplesmente impossível engolir a reviravolta do final, completamente absurda e ilógica. Um thriller sem sal, que desperdiça milhões de dólares e preciosos 90 minutos do tempo do espectador.

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Megamente

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O mais recente filme da Dreamworks Animation mostra que, diferente da Pixar, o estúdio fundado por Steven Spielberg segue um caminho mais focado em comédias que satirizam gêneros do cinema, na maioria das vezes sendo bem sucedido. Como exceção a essa tendência cômica, posso citar Como Treinar o Seu Dragão, um dos melhores filmes de 2010.
Mas vamos falar de Megamente. Trata-se de um filme sobre um vilão (como em Meu Malvado Favorito) que homenageia com muito bom gosto o conto de origem do super-herói mais famoso: Superman. Depois de anos tentando, Megamente (voz de Will Ferrel) finalmente consegue derrotar o herói da cidade, Metro Man (dublado por Brad Pitt). Sem ninguém para enfrentá-lo, o vilão torna-se o dono da cidade, rouba cada banco inúmeras vezes e acaba ficando entediado, sem ter com quem lutar.
Para solucionar o problema, Megamente decide criar um novo herói, que acidentalmente acaba sendo um cara sem nenhuma noção de heroísmo, virando um vilão ainda pior que Megamente, e com super poderes.
O protagonista acaba vivendo o esperado dilema sobre heroísmo, o valor falso de ser vilão e reflexões sobre o sentido da vida. É claro que toda essa trama é permeada por muitas boas piadas e gags que têm tudo para agradar os fãs de HQs, mas também não decepcionam os espectadores que nunca leram um gibi.
Megamente fecha com chave de ouro um ano bastante positivo para as animações. Vale a pena investir uma hora e meia nesta ótima aventura.

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Filmes sobre questões religiosas

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Por acaso (ou não, se considerarmos algo espiritualmente determinado), assisti nos últimos dias dois filmes recentes que tratam de questões religiosas, cada um com sua abordagem distinta. Aqui está minha opinião sobre eles.
Além da Vida - Sempre que Clint Eastwood lança um novo filme, cinéfilos do mundo inteiro prestam atenção. Afinal, o estilo elegante e sereno do diretor octagenário é capaz de trafegar pelos mais diversos gêneros sem se prender a velhas fórmulas comerciais. Em Além da Vida, o cineasta se arrisca em um drama espiritualista lento porém belo. Matt Damon é um médium que considera seu dom uma maldição, e não tem intenção de lucrar com sua mediunidade. Sua história, porém, é apenas uma das três tramas que se desenrolam no filme, para no final se entrelaçarem. Há a história de uma famosa âncora de telejornal francês que passa por uma experiência de quase-morte - numa das cenas de desastre natural mais realistas do cinema - e resolve escrever a respeito; paralelamente conhecemos o menino que está lidando com dificuldade com a morte do irmão gêmeo. As três histórias têm um tema em comum: a morte. Não é difícil perceber que Clint Eastwood trata em Além da Vida de uma questão normalmente ignorada pela maioria das pessoas, a morte iminente que aguarda a todos, e discute tal tema com a propriedade de quem passou dos 80 anos ainda trabalhando, mas já percebe que está mais perto de encontrar seu destino do que quando era um jovem astro dos westerns. Ponto para ele, que realizou um belo filme. Lento, mas ainda belo.

Alexandria - Pouco se fala sobre Hipátia, filósofa e matemática egípcia na aurora do cristianismo, que viveu em um Egito dominado pelos romanos e desenvolveu teorias matemáticas fundamentais para a ciência moderna. Mas sua história é de fato fascinante. O cineasta espanhol Alejandro Amenábar (Os Outros) viu na vida de Hipátia uma oportunidade de visitar o surgimento do cristianismo em sua forma mais conhecida ao longo de mais de 1500 anos: uma igreja que deturpou os ensinamentos de Jesus e ignorou coisas básicas e fundamentais para a doutrina cristã genuína, como o amor e a compreensão. Amenábar não poupa o espectador ao relatar o ataque dos cristãos à milenar Biblioteca de Alexandria, atacando as obras antigas, rasgando pergaminhos que nunca mais serão encontrados e transformando o prédio em um templo. É duro de se ver, e mesmo que nem todos os fatos mostrados em Alexandria sejam verdadeiros, o filme serve como ponto inicial para que nós, cristãos modernos, possamos refletir sobre os rumos que o cristianismo tomou, transformando-se no catolicismo, e gerando aberrações doutrinárias na forma de instituições sanguinárias como a Inquisição. A propósito, Rachel Weisz no papel de Hipátia está luminosa, em um filme que merecia um destino melhor nas bilheterias. Alexandria merece ser descoberto em DVD.

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Palpites para o Oscar 2011 - Parte 2

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Continuando minha análise (e meus palpites) dos indicados em todas as categorias do Oscar 2011, veremos os selecionados que concorrem ao prêmio por Roteiro Adaptado, Roteiro Original, Direção e Filme de Animação.

Melhor Roteiro Adaptado
A Rede Social
127 Horas
Bravura Indômita
Toy Story 3
Inverno da Alma

Mais uma categoria bastante concorrida, o prêmio de melhor Roteiro Adaptado tem potencial de se tornar o prêmio de consolação para A Rede Social, já que nesta categoria o filme de David Fincher não encontra a concorrência de O Discurso do Rei. Em compensação, há a forte presença de Bravura Indômita, inclusive pelo fato de os Irmãos Coen terem aproveitado o livro original de Charles Portis mais completamente que o filme clássico de 1969, com John Wayne. Opinião do blogueiro: acho que a estatueta já está nas mãos de Aron Sorkin, roteirista de A Rede Social. Oscar do blogueiro: se dependesse de mim, seria uma noite histórica para as animações, já que o prêmio iria para o magnífico Toy Story 3.

Melhor Roteiro Original
Another Year
O Vencedor
A Origem
Minhas Mães e Meu Pai
O Discurso do Rei

É quase certo que o vencedor de Roteiro Original seja um filme interessante de se assistir. Este ano, entre os indicados apenas uma surpresa: Another Year, escrito por Mike Leigh. Mas este ocupa apenas a posição de azarão entre os grandes favoritos, O Discurso do Rei, A Origem e O Vencedor. Opinião do blogueiro: com o filme de Tom Hooper no páreo, dificilmente o Oscar não vai para David Seidler, roteirista de O Discurso do Rei. Oscar do blogueiro: a trama intrigante e original de Christopher Nolan para A Origem merece ao menos um prêmio dentre as categorias chamadas 'artísticas', já que os prêmios técnicos devem ser abocanhados pela ficção científica.

David Fincher, de 'A Rede Social'
Melhor Direção
Cisne Negro - Darren Aronofsky
O Vencedor - David O. Russel
O Discurso do Rei - Tom Hooper
A Rede Social - David Fincher
Bravura Indômita - Ethan e Joel Coen

Poucas vezes o vencedor de Melhor Filme não leva o prêmio de Direção. Lembro-me de 2006, quando Ang Lee foi premiado por O Segredo de Brokeback Mountain, mas o filme vencedor na categoria principal acabeou sendo Crash - No Limite. Apesar de algumas exceções, não creio que este ano teremos surpresas desta natureza. Opinião do blogueiro: com a provável vitória esmagadora de O Discurdo do Rei, Tom Hooper deve ser o vencedor da categoria. Oscar do blogueiro: um diretor que transforma uma história aparentemente sem graça (a história da criação do Facebook) em um filme interessante e atraente ao grande público merece o prêmio, sem dúvida alguma. Meu Oscar vai para David Fincher, por A Rede Social.

Melhor Filme de Animação
Como Treinar Seu Dragão
O Mágico
Toy Story 3

Com apenas três indicados, a Academia afunila muito uma categoria que poderia render uma disputa interessante, já que 2010 foi um ano pródigo em produções do gênero. Mas mesmo com fortes concorrentes, a estatueta já tem dono. Opinião do blogueiro: alguma dúvida? Toy Story 3 será o vencedor. Oscar do blogueiro: em uma Academia perfeita, a vitória na categoria de Melhor Filme para a obra-prima da Pixar daria espaço para Como Treinar Seu Dragão sair vitorioso como Melhor Filme de Animação.

Na terceira parte deste artigo, falaremos das categorias musicais. Até lá!

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Os 5 Clichês de Cartazes de Filmes Românticos

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Os anos se passam e Hollywood continua a nos assolar com seus produtos filmados, feitos para certas parcelas do público que enchem os cinemas para ver a Meca da Sétima Arte (?) desfilar toneladas de clichês uns sobre os outros, apenas modificando os títulos e um ou outro nome do elenco. Se os filmes prontos são lugares-comuns, os cartazes que os divulgam não são exceção. O fato é que todos eles se parecem muito. A revista inglesa Empire separou alguns destes clichês mais famosos, e os reuniu para nossa diversão. Vamos a eles:
1. Costas com costas


Uma Linda Mulher inaugurou a onda dos cartazes onde os protagonistas são mostrados um de costas para o outro, sempre sorrindo e fazendo aquele olhar: "Ok, estou ganhando uma grana preta para fazer isso, acho que vale a pena." Com certeza na época que o cartaz foi criado, ninguém pensou que estaria criando um dos clichês mais utilizados pelo gênero mais repetitivo do cinema. A moda pegou.
Maratona do Amor
 






















Como Perder um Homem em 10 Dias
O Amor Custa Caro

2. Os Três Rostos
 Imagine a cena: o designer de cartazes recebe a encomenda para um filme cuja trama trata de um triângulo amoroso; é final de expediente; ele está cansado e louco para chegar em casa (ou no happy-hour). O que ele faz? "Vamos colocar os três atores principais fazendo expressões engraçadinhas, é isso aí." Acho que foi assim que surgiram os tais cartazes de três rostos. Tudo bem fazer assim em O Diário de Bridget Jones, mas repetir a "façanha criativa" na sequência, Bridget Jones: No Limite da Razão? Como diz o povo na minha cidade, "Valha-me Deus"!
Bridget Jones: No Limite da Razão

Mickey Olhos Azuis - Hugh Grant ataca novamente!
Dois é Bom, Três é Demais - nunca veja este filme. Nunca

3. No Banco do Parque
 Alguns cartazes trazem mais de um clichê. Tomemos como exemplo Procura-se um Amor Que Goste de Cachorros, de 2005. Além de ser um clássico cartaz do casal sentado num banco de praça, ainda tem os três rostos! Certo que um deles é o de um cachorro, mas se você já viu o filme, deve saber que o amor de Diane Lane pelos cachorros faz com que qualquer romance com ela se torne um triângulo amoroso. Que coisa! Vejamos outros bancos de parque...
Ghost Town  - Tem um Espírito Atrás de Mim
Leis da Atração
4. As Cabeças Gigantes
Estrelando os cabeções de Meg Ryan e Hugh Jackman
 Se você acha que tem um cabeção, é porque nunca viu estes cartazes com cabeças enormes, gigantescas, imensas!
O Que as Mulheres Querem - com os cabeções de Mel Gibson e Helen Hunt!
O Poder do Amor - O poder das cabeças gigantes
Apenas Amigos - misericórdia, que cabeça é essa, meu filho

5. Colagem
 Não há maneira mais fácil de se criar um cartaz de um filme com elenco estrelado do que reunindo imagens do elenco numa colagem que poderia ter sido feita no Picasa. E para ficar ainda mais "romântico", nada como emoldurar tudo em um coração. Idas e Vindas do Amor é clichê puro.
Ele Não Está Tão a Fim de Você
Simplesmente Amor
Albergue Espanhol


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O Discurso do Rei

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Ontem à noite aconteceu a entrega do SAG Awards, o prêmio anual promovido pelo Sindicato dos Atores. Este prêmio tem ganhado importância e relevância a cada ano, e serve como um termômetro claro para o Oscar. Acontece que este ano o filme premiado por seu elenco no SAG não foi A Rede Social, e sim O Discurso do Rei, uma pequena pérola que vem ganhando força nas bolsas de aposta para a grande festa do cinema mundial.
Com doze indicações, o filme de Tom Hooper relata a ascensão de George VI ao trono britânico e o surgimento da amizade deste com seu terapeuta vocal, que o ajudou a superar a gagueira para que seus discursos estivessem à altura da posição de um rei.
Estrelado por Colin Firth (George VI) e Geoffrey Rush (o terapeuta vocal Lionel Logue), O Discurso do Rei é uma obra tocante, que dosa equilibradamente o mais fino humor inglês e o drama político, tornando o ato de assisti-lo um verdadeiro deleite.
Firth está excelente no papel do rei inseguro devido à sua gagueira. Sua atuação, entretanto, é muito segura, e ele deve ser o vencedor do Oscar em sua categoria. Já Geoffrey Rush é tão bom que por vezes rouba a cena de seu colega, enchendo a tela de vigor e paixão pela maravilhosa história que está contando.
Tendo vencido o prêmio dos sindicatos dos atores e dos diretores, principais votantes no prêmio da Academia, O Discurso do Rei surge como um possível estraga-prazeres para a festa antecipada de A Rede Social. Essa briga vai ser boa de ver.

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Palpites para o Oscar 2011 - Parte 1

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Todo ano é a mesma coisa. Assim que saem as indicações para o maior prêmio do cinema mundial, cinéfilos de todo o planeta começam a fazer suas previsões sobre quem serão os grandes vencedores. Comigo não é diferente. Apesar de sempre ter feito essas 'previsões' em particular, eu nunca havia escrito um texto a respeito. Mas este ano não resisti, já que acertei todas as indicações a melhor filme; quem sabe não acerto também nos premiados de algumas categorias, isso seria legal. Aí vão as indicações e minhas análises sobre quem considero os favoritos aos prêmios:

Melhor Filme
O Vencedor
Minhas Mães e Meu Pai
Inverno da Alma
O Discurso do Rei

Uma das listas de indicados com o maior número de excelentes filmes dos últimos anos, a seleção deste ano traz ótimas opções para o público, com os mais variados gêneros. Com todo o barulho e aclamação dos críticos, A Rede Social saiu na frente, ao ganhar o prêmio dos críticos no Critics' Choice; uma semana depois foi a vez de O Discurso do Rei vencer na categoria Melhor Filme - Drama no Globo de Ouro, colocando o filme de época no páreo. A briga será entre estes dois, apesar de Cisne Negro e Bravura Indômita correrem por fora. Opinião do blogueiro: a estatueta vai para O Discurso do Rei, filme com mais 'cara de Oscar' dentre os indicados.
Oscar do blogueiro: em um mundo perfeito, Toy Story 3 seria o ganhador. Afinal, trata-se de um filme perfeito.

Melhor Ator
Javier Bardem - Biutiful
Jesse Eisenberg - A Rede Social
Jeff Bridges - Bravura Indômita
Colin Firth - O Discurso do Rei
James Franco - 127  Horas

Muitos analistas apontam o favoritismo amplo de Colin Firth, no papel do rei George VI em O Discurso do Rei. Ainda não assisti o filme, mas com tantas críticas positivas, e toda comoção com a atuação de Firth, o ator é provavelmente quem já tem o jogo ganho. Vale a pena lembrar, entretanto, que os críticos não votam no Oscar, apenas os membros da Academia, que são profissionais da produção cinematográfica, aqueles que já foram indicados ao prêmio anteriormente. Neste caso, Jeff Bridges pode sonhar com sua segunda estatueta (ano passado ele ganhou por Coração Louco), já que é um dos atores mais queridos por seus colegas de Hollywood, sem desmerecer seu trabalho fantástico em Bravura Indômita, como o xerife bêbado Rooster Cogburn, que entra em território indígena para capturar um assassino. Opinião do blogueiro: e o Oscar vai para... Colin Firth! Oscar do blogueiro: gosto do Colin Firth, sou fã do Jeff Bridges, mas basta assistir a 127 Horas que a torcida vai para James Franco!

Melhor Atriz
Annette Bening - Minhas Mães e Meu Pai
Nicole Kidman - Reencontrando a Felicidade
Jennifer Lawrence - Inverno da Alma
Natalie Portman - Cisne Negro
Michelle Williams - Namorados Para Sempre

Segundo analistas, a batalha pela estatueta se dará entre Annette Bening e Natalie Portman, com a última saindo na frente por ter vencido o prêmio dramático no Globo de Ouro; Annette também foi a vencedora na categoria Comédia/Musical na mesma premiação, mas papéis cômicos não costumam vencer. A Academia historicamente prefere atuações femininas mais dramáticas. Neste quesito, a atuação de Natalie Portman como a bailarina obcecada pela perfeição em Cisne Negro é simplesmente arrebatadora. Opinião do blogueiro (e Oscar do blogueiro): justiça deve ser feita, com o prêmio indo para Natalie Portman.

Melhor Ator Coadjuvante
Christian Bale - O Vencedor
Jeremy Renner - Atração Perigosa
John Hawkes - Inverno da Alma
Geoffrey Rush - O Discurso do Rei
Mark Ruffalo - Minhas Mães e Meu Pai

Há um tempo que Mark Ruffalo tem apresentado ótimas atuações, como em Ensaio Sobre a Cegueira, mas desta vez é provável que Geoffrey Rush, como o técnico vocal de O Discurso do Rei, conquiste o segundo Oscar da carreira (o primeiro foi por Shine - Brilhante, como Melhor Ator). O único outro indicado que aparece como possível estraga-prazeres de Rush é Christian Bale, que rouba a cena em O Vencedor, como o antigo campeão de boxe que treina seu irmão para seguir o mesmo caminho. Opinião (e Oscar) do blogueiro: não posso ser irresponsável, já que ainda não assisti a nenhum dos dois filmes, mas assim que assistir, atualizarei este post e apontarei meu favorito!

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams - O Vencedor
Melissa Leo - O Vencedor
Helena Bonham Carter - O Discurso do Rei
Hailee Steinfeld - Bravura Indômita
Jacki Weaver - Reino Animal

Talvez a categoria com maior indefinição seja esta, que conta com duas atrizes indicadas pelo mesmo filme, e uma revelação que se mostra muito talentosa: Hailee Steinfeld, a jovem de 14 anos que demonstra imenso talento como a menina que contrata Jeff Bridges para capturar o assassino de seu pai. Oscar do blogueiro: gostaria muito de ver Hailee Steinfeld subir ao palco. Dá para pensar que estou sonhando demais, mas basta lembrar da vitória de Anna Paquin, que em 1994, aos onze anos, foi a vencedora na categoria por O Piano.

Na segunda parte deste artigo, analisaremos as categorias Direção, Roteiro Adaptado e Roteiro Original. Não perca!
 

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127 Horas

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Danny Boyle, o diretor de 127 Horas, conhece o caminho das pedras até o Oscar. Foi ele o vencedor em 2009, pelo magnífico Quem quer ser um milionário?, realizado com meros 15 milhões de dólares, premiado com oito prêmios da Academia e adorado pelo público, que colocou mais de 140 milhões de dólares nas bilheterias somente nos EUA.
Com 127 Horas, produzido por apenas 18 milhões de dólares, o cineasta prova mais uma vez que é possível gastar pouco e realizar uma obra densa, interessante e marcante no coração da audiência. James Franco estrela no papel de Aron Ralston, um montanhista radical que durante uma trilha nos canyons de Utah cai em um local inóspito, com a mão direita presa a uma pedra, sem celular, e toma medidas desesperadas para sobreviver.
James Franco está estupendo como o personagem real, que no decorrer do filme se mostra arrogante e egoísta, não se importando em avisar a ninguém sobre aonde estava indo. Sem desmerecer nenhum outro membro da equipe, o filme é inteiramente de Franco, merecidamente indicado ao Oscar.
Vale destacar também, entretanto, o excelente trabalho de edição, tão ágil que não permite que os quase 90 minutos de projeção fiquem entediantes.
Não há como não mencionar que em muitos cinemas onde o filme já foi exibido (no Brasil a estreia é em 18 de fevereiro) algumas pessoas tiveram convulsões, taquicardia e até abandonaram a sala de projeção, tudo graças a uma cena específica que, de tão bem realizada, é extremamente angustiante. Quer saber que cena é essa? Faça o download ou espere o lançamento nos cinemas e descubra você mesmo.

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Cisne Negro

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Hipnotizante. Foi a primeira palavra que veio à minha mente ao tentar descrever a experiência de assistir a Cisne Negro (Black Swan, EUA, 2010), obra-prima do diretor Darren Aronofsky, estrelado pela magnífica Natalie Portman.
O roteiro de John McLaughlin é ambientado no mundo do balé de Nova York, e mostra a estranha relação de Nina (Natalie Portman) e Lilly (Mila Kunis). Nina é uma bailarina veterana que acaba de ganhar seu primeiro papel principal, na montagem do Lago dos Cisnes; seu personagem é um cisne, que ora é branco e puro, ora é negro e perverso. O problema é que Nina ainda vive em um mundo de fantasia e pureza, tendo sido reprimida pela mãe toda sua vida. Ela tem 28 anos e ainda mora com a mãe e tem seu quarto todo rosa e cheio de ursos de pelúcia! O papel de um cisne negro, perverso e sedutor revela-se um tremendo desafio para ela, e à medida que Nina vai entrando mais no papel, ela começa a perceber que está perdendo sua sanidade.
Com um ar sinistro e tenso, Cisne Negro não é um filme-família, nem uma história de balé que fará as jovens meninas suspirarem e desejarem ser bailarinas. Há uma cena forte, embora não seja gratuita. Trata-se de uma história em que o maior conflito ocorre na mente de Nina, cuja sensação de segurança proporcionada pela mãe (vivida magistralmente por Barbara Hershey) começa a se esvair no momento em que ela se descobre despreparada para o papel mais importante de sua vida.
O longo clímax de Cisne Negro tem algo de épico, repleto de suspense e com reviravoltas que impedem o público de respirar com tranquilidade durante seus longos minutos de duração. Darren Aronofsky segue Natalie Portman com sua câmera por onde quer que ela vá, fazendo do espectador uma espécie de voyeur, uma testemunha ocular de todas as transformações experimentadas pela personagem.
Tudo isso combinado faz com que Cisne Negro seja um dos fortes candidatos a várias indicações ao Oscar deste ano, com pelo menos uma vitória quase certa: a de Natalie Portman. A não ser que os membros da Academia percam totalmene o juízo, ninguém tira esse prêmio dela.

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Bravura Indômita

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Novo filme dos irmãos Coen é forte candidato ao Oscar

Muitos fãs de westerns desconhecem o fato de que um dos maiores filmes do gênero, Bravura Indômita, estrelado por John Wayne - que lhe rendeu seu único Oscar - é baseado no romance homônimo escrito por Charles Portis e publicado pela primeira vez em 1968. Falo isso porque quando os irmãos Joel e Ethan Coen anunciaram que seu novo projeto era filmar Bravura Indômita, alguns franziram a testa pensando: heresia! Refilmar um clássico intocável!
Na verdade, este Bravura Indômita não se trata de um remake, mas da adaptação do livro. E antes que alguém pergunte, sim, o filme é (muito) bom.
Nas mãos dos irmãos Coen, a obra de Chales Portis recebe uma adaptação mais do que digna. Os cineastas convocaram o eterno Lebowski, Jeff Bridges, ainda na ressaca pela vitória no Oscar do ano passado, para estrelar como Reuben "Rooster" Cogburn (papel que rendeu o prêmio da Academia a John Wayne, em 1970), um xerife bêbado, decadente e durão, que é contratado pela jovem Mattie Ross (a novata Hailee Steinfeld) para perseguir em território indígena Tom Chaney (Josh Brolin), o assassino de seu pai, que lá se refugiou, em companhia de uma temida e procurada gangue. Recebendo a companhia não solicitada do Texas Ranger LaBoeuf (Matt Damon), que também persegue Chaney, os dois vão em busca do assassino e viverão uma aventura inesquecível.
Com um tom saudosista, o filme é um western tradicional, com grandes paisagens, cowboys durões, tiroteios empolgantes e mensagem sobre crime e castigo, tão relevante hoje como era quarenta anos atrás. A trilha sonora evoca antigos hinos protestantes, que combinam perfeitamente com o clima da produção. Com um clímax repleto de suspense, Bravura Indômita é sem dúvida candidato a várias indicações ao Oscar, e não seria nada mal incluir Jeff Bridges no páreo para Melhor Ator.
Como têm mostrado nos últimos anos, os irmãos Coen são sempre fortes concorrentes ao maior prêmio do cinema. Este ano, penso eu, não será diferente.

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Janela Indiscreta (da Série 1001 Filmes)

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Um dos maiores sucessos do cineasta Alfred Hitchcock, Janela Indiscreta (Rear Window, EUA, 1954) ainda não perdeu seu charme e mantém uma legião de fãs em todo o mundo. L.B. Jeffries é um repórter fotográfico que está preso em uma cadeira de rodas há semanas por ter quebrado uma perna. Sem ter muito o que fazer e tendo como companhia somente Stella, sua enfermeira, e Lisa, sua noiva relutante, Jeffries passa os dias observando os vizinhos que moram no prédio em frente ao seu, até o momento em que começa a desconfiar que um dos vizinhos espionados assassinou sua esposa e se desfez do cadáver. É claro que as coisas podem não acabar tão bem.
James Stewart é o protagonista, em mais uma bem sucedida colaboração com Hitchcock. No papel de Stella, a atriz Thelma Ritter, entrega uma enfermeira com um maravilhoso senso de humor negro. Coube a Grace Kelly, em um de seus últimos papéis em Hollywood antes de se tornar a princesa de Mônaco, a personagem de Lisa, uma moça rica que é completamente apaixonada por L.B., mas ainda não ouviu do namorado nenhuma proposta de casamento.
James Stewart e Grace Kelly - lendas do cinema
Alfred Hitchcock recriou todo o ambiente dos prédios em estúdio, o que possibilitou maior liberdade para que o mestre do suspense pudesse estabelecer todo um ecossistema para manuseá-lo à vontade. Enquanto Jeffries bisbilhota os vizinhos, o cineasta faz do público cúmplice na espionagem, tornando todos nós verdadeiros voyeurs. Interessante como cada vizinho tem características psicológicas desenvolvidas; embora se saiba pouco a respeito deles, o que é revelado sobre cada um mostra detalhes que transformam o voyeurismo em algo palatável, quase um fetiche nunca satisfeito. Todos os sons ambiente, incluindo a trilha sonora, vêm das janelas e da rua observadas por L.B. Jeffries.
Sendo um verdadeiro clássico, Janela Indiscreta permanece imortal e amado por muitas pessoas, tendo recebido homenagens periodicamente no cinema. Em 1998, o ator Christopher Reeve, o Superman clássico, preso a uma cadeira de rodas com tetraplegia, refilmou o clássico, embora sem o charme do original. Em 2007 foi a vez de J.B. Caruso fazer sua homenagem, com Paranoia, suspense com Shia LaBeouf e David Morse, que bebe da fonte hitchcockiana descaradamente para realizar um filme bem bacana, com um resultado final muito satisfatório.
Mas no fim das contas, não há nada como assistir o Janela Indiscreta original, com todo o talento de James Stewart, a beleza elegante de Grace Kelly, e a genialidade de Hitchcock.

Em tempo: Hitchcock não perde a oportunidade de aparecer em cena em quase todos os seus filmes; neste, ele aparece brevemente no apartamento do pianista, ouvindo a melodia e quase encarando o público. Sensacional.

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Enterrado Vivo

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Estreia de Rodrigo Cortés como diretor é um estudo sobre o desespero
Se os cartazes que divulgaram Enterrado Vivo (Buried, EUA/Espanha, 2010) já chamavam a atenção para um filme que poderia ser um dos melhores do ano, a experiência de assistir a obra pronta não frustra expectativas. Apesar de se passar inteiramente com seu protagonista dentro de um caixão velho, em nenhum momento Enterrado Vivo cansa o espectador. Trata-se de um thriller competente e original, repleto de suspense e com a capacidade de manter vivo o interesse do público a cada frame.
Ryan Reynolds (que em breve será enfim um astro com Lanterna Verde) é Paul Conroy, um civil que dirige caminhões no Iraque, que acorda de um desmaio e está com as mãos amarradas dentro de um caixão, sem lembrar como foi parar ali. Ele apenas se recorda que o comboio onde estava foi atacado por insurgentes locais, e que alguns de seus colegas foram mortos. Logo ele descobre que tem um celular junto de si, quando recebe a ligação de seu sequestrador, exigindo cinco milhões de dólares até as 21:00, ou Paul será abandonado à própria sorte. A seguir acompanhamos o desespero de Paul à medida em que seu tempo, seu oxigênio e a bateria do celular chegam ao fim.
O espanhol Rodrigo Cortés, em sua estreia no cinema, utiliza de várias câmeras e uma edição perspicaz para não permitir que o tédio tome conta de seu filme. Foram usadas seis caixas para captar todas as cenas, e a trilha sonora permite que o drama e o desespero de Paul sejam intensificados. Mas tudo isso seria em vão se a atuação de Ryan Reynolds não fosse simplesmente sensacional. A sensação de pavor em seus olhos é notável e envolve o público como poucos filmes de suspense.
Sem fazer uso de artifícios-clichê comuns em Hollywood, Cortés conseguiu realizar um filme perturbador, que toca em assuntos delicados, como a utlização de civis em missões de reconstrução no Iraque. E o subir dos créditos não deixa ninguém aliviado. Pode acreditar: Enterrado Vivo é o filme mais interessante e incômodo de 2010. E o mais claustrofóbico da década.

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Animações que você vai gostar de ver

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Como alguns que me conhecem devem saber, eu amo animações. As boas, é claro. Diferente do que alguns podem pensar, nem todas me agradam. Lembram de Dogão? Pois é. Mas os filmes animados lançados este ano, em sua maioria, me agradaram bastante. Aqui estão dois deles que ainda não havia comentado:
Meu Malvado Favorito - primeiro filme do novo estúdio Illumination Entertainment, este é um clássico exemplo de escolhas acertadas que resultaram em uma animação acima da média e incrivelmente divertida. A história de Gru, o antigo "maior vilão do mundo", é muito legal. Diferente da série Shrek, na qual ninguém se importa mesmo com o protagonista, em Meu Malvado Favorito Gru é um cara malvado até na hora de comprar um café; se a fila está muito grande, ele simplesmente saca uma arma congelante e coloca todo mundo à sua frente abaixo de zero, só para furar fila! Seu veículo, enorme, destrói ruas, casas, árvores e tudo o mais o que vier pela frente, sem o menor pudor. E ele já roubou o painel eletrônico de Wall Street! Tudo com a ajuda de seus Minies, bichinhos amarelinhos responsáveis por algumas das melhroes piadas do filme. Mas seus dias como maior vilão da terra estão chegando ao fim, pois um novo ser maligno surge: o Vetor, um vilão mais jovem que rouba as pirâmides do Egito. Para superar seu mais novo desafeto, Gru decide roubar a lua (!), mas para isso precisa da arma encolhedora que Vetor criou. É quando entram em cena três lindas órfãs vendedoras dos doces que Vetor tanto gosta. Gru as adota, elas são uma gracinha, ele descobre como é bom ser pai e o resto todo mundo já sabe.
Sem querer se levar tão a sério, o filme conquista crianças e adultos extamente por ser muito divertido e inventivo; ainda assim, o roteiro ainda entrega um aspecto psicológico, quando descobrimos o que levou Gru a ser tão malvado. E ainda tem emoção de sobra  no final. Se você assistir na versão legendada, confira o trabalho excelente de Steve Carell fazendo a voz de Gru. No mais, compre a pipoca e aproveite!
A Lenda dos Guardiões - dirigido por Zack Snyder em parceria com o estúdio Animal Logic (que fez Happy Feet), A Lenda dos Guardiões tem nas imagens seu grande trunfo. Cada frame deste filme é simplesmente lindo. A animação beira a perfeição, mostrando o cuidado que o estúdio teve na renderização das penas das corujas ao voar. Muito legal mesmo. As batalhas aéreas entre corujas também merecem destaque. São empolgantes e não confundem o espectador, sendo possível distinguir os personagens em plena luta, mesmo sendo todos corujas.
Esse também é um diferencial do filme, afinal, quem já assistiu um filme estrelado por corujas? A Lenda dos Guardiões conta a história de Soren, uma jovem coruja-macho que sonha com as histórias contadas por seu pai sobre os lendários Guardiões de Ga'Hoole, que combateram uma espécie de corujas conquistadoras e crueis, para libertarem seu povo. Seu irmão, Kuddle, não acredita nessa história, até que no dia em que estão aprendendo a voar, os dois são sequestrados pelos Puros, a tal raça malvada que planeja dominar o mundo. Nesse ponto o roteiro começa a ficar um tanto confuso, ao não explicar bem o que são as tais partículas mágicas que os Puros desejam usar para derrotar os Guardiões de Ga'Hoole. Talvez com pressa de mostrar a ação das batalhas aéreas, Snyder não desenvolve a contento a transformação de Kuddle, com tudo acontecendo em cerca de um dia: traições, aprendizado de vôo, fuga e resgate. Mas na verdade tudo isso perde um tanto seu valor quando se admira o maravilhoso trabalho que o estúdio teve em desenvolver todo esse mundo dominado por corujas. É tudo uma festa aos olhos, desde a árvore que serve de ninho para Soren e sua família, passando pelo sinistro covil dos Puros até a árvore de Ga'Hoole, onde vivem os Guardiões. No quesito belas imagens, A Lenda dos Guardiões é sem dúvida o melhor filme do ano.

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Deixe Ela Entrar

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Conto vampiresco made in Suécia é tudo o que Crepúsculo gostaria de ser
Histórias de vampiro não são novidade em lugar nenhum do mundo, especialmente quando se trata de cinema. Mas Deixe Ela Entrar (Låt den Rätte Komma In, Suécia , 2007) trata o tema com o rigor necessário, sem ceder a roteiros formulaicos feitos sob medida para a aceitação de Hollywood, e ainda assim conseguiu arrebatar mais de 60 prêmios em festivais em todo o mundo e ainda chamou a atenção da capital do cinema a ponto de um remake americano já ter sido produzido (e ter sido elogiado da mesma maneira).
Oskar é um menino solitário, que sofre bullying de alguns meninos da escola. Obcecado por crimes, ele coleciona notícias policiais dos jornais. Ele não tem amigos, até o dia que uma nova vizinha lhe chama atenção: ela anda pelo pátio do prédio à noite, em pleno inverno sueco, sem agasalho; tem um cheiro estranho; e fechou as janelas do seu apartamento com papelão. Oskar ainda não sabe, mas a tal menina é uma vampira e tem doze anos eternamente. O sentimento que surge entre os dois irá se transformar em amor, e o preço por tal amor será cobrado com sangue.
Mas não estamos falando de uma vampira má, que tem prazer em matar pessoas. Eli é a clássica heroína que mata porque precisa, porque não tem escolha.
O diretor Tomas Alfredson mostra outra subtrama no roteiro, que mostra uma vítima de Eli que sobrevive e começa a se tornar vampira igualmente. Esta história à parte serve para que o público saiba quão difícil é a vida quando se começa a sentir sede e fome de sangue. Trata-se de um didatismo, mas que não prejudica em nada a história principal. História que não tem pressa em se desenvolver. Há momentos de suspense, como os bons filmes de terror, mas também há momentos de ternura, como aqueles vividos por Oskar e Eli em sua descoberta do amor.
Deixe Ela Entrar é filmaço, desses para assistir duas ou três vezes, até que se absorva todos os caminhos e detalhes contidos. Uma pequena obra-prima, que merece ser descoberta.

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A Rede Social

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Quando David Fincher (diretor de Seven, O Curioso Caso de Benjamin Button e Zodíaco) anunciou que seu próximo filme seria a história da criação do maior site de relacionamentos do mundo, o Facebook, eu - como a maioria das pessoas - não botei fé de que algo interessante poderia sair dessa ideia. Mas Fincher tem muito crédito com os cinéfilos, afinal o cara realizou alguns clássicos modernos, já citados anteriormente. Por isso foi-lhe dado um voto de confiança.
O resultado final, se não é totalmente satisfatório, pelo menos não mancha a brilhante carreira do cineasta. Contar a história de Mark Zuckerberg, o mais jovem bilionário da história mostrou-se até uma boa escolha; decisão que teve um bom empurrão do roteirista Aaron Sorkin. Com seu script enxuto e repleto de boas falas, Sorkin entrega um trabalho coeso e consistente.
O filme narra a história de Mark Zuckerberg (Jesse Einsenberg, de Zumbilândia) que juntamente com seu amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield, o novo Homem-Aranha dos cinemas) monta o Facebook, que inicialmente tinha o artigo "the" à frente do nome atual do site. A ideia inicial de Mark era conectar os estudantes da Universidade Harvard, mas logo o projeto cresce e alcança outras escolas pelos EUA e depois na Europa. Interessante mostrar a decadência da amizade entre Mark e Eduardo, onde o último ainda acredita que tem no outro realmente um amigo, enquanto Mark simplesmente começa a ignorar seu parceiro de criação.
O roteiro opta por contar a história a partir de uma audiência em que Eduardo e outros estudantes alegam ter direito a parte do site. Por meio de flashbacks percebemos a interferência decisiva de Sean Parker (Justin Timberlake, muito bem), criador do site de downloads de músicas Napster, na expansão acelerada do Facebook, interferência esta que foi também determinante para a dissolução da sociedade entre Mark e Eduardo.
Hoje, o Facebook tem mais de 500 milhões de usuários em 207 países, e o site vale 25 bilhões de dólares.
É um bom filme, apesar de não concordar com o burburinho pré-Oscar, que o qualifica como um dos favoritos a ganhar algumas estatuetas. Eu apostaria no prêmio de Roteiro Adaptado, e só.
Ao final, a reflexão que fica é: será que vale a pena perder os amigos em nome de tanto dinheiro? Quanto, afinal, vale a solidão?
Só por fazer com que venhamos a pensar a respeito disso, A Rede Social vale a pena ser visto.

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Leonera

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Não é de hoje que escrevo aqui sobre o cinema argentino, sobre como este tem sido vibrante, empolgante e bem sucedido em tocar o coração de quem o descobre. Com Leonera (Argentina, 2008), de Pablo Trapero, a regra não encontra sua exceção. Ao contar o drama de uma presidiária para ficar com seu filho, Trapero demonstra mais uma vez sua paixão por seus personagens. Se em Abutres (2010) a personagem de Martina Gusmán estava presa ao seu trabalho no hospital, em Leonera sua personagem, Júlia, é prisioneira em seu sentido literal. O espectador não tem certeza se ela é culpada ou inocente, o que permite com que o roteiro se concentre estritamente em uma situação desconfortável para quem está preso: Júlia está grávida. Na Argentina as presidiárias podem ficar com seus filhos na prisão até estes completarem 4 anos. Júlia vê seu filho nascer e crescer e o tempo está se esgotando. A performance de Martina Gusmán como a apaixonada mãe Júlia é de cortar o coração, tamanha a entrega com que a atriz desempenha seu papel.
Vale também registrar a boa participação de Rodrigo Santoro no papel de Ramiro, um dos envolvidos no crime de Júlia, embora nunca fique claro como aconteceu o assassinato. Não que isso seja realmente importante, já que o foco do filme de Trapero é simplesmente contar uma história de um amor inexplicável, amadurecimento e força. E nisso ele se sai muitíssimo bem.

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