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Leonera

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Não é de hoje que escrevo aqui sobre o cinema argentino, sobre como este tem sido vibrante, empolgante e bem sucedido em tocar o coração de quem o descobre. Com Leonera (Argentina, 2008), de Pablo Trapero, a regra não encontra sua exceção. Ao contar o drama de uma presidiária para ficar com seu filho, Trapero demonstra mais uma vez sua paixão por seus personagens. Se em Abutres (2010) a personagem de Martina Gusmán estava presa ao seu trabalho no hospital, em Leonera sua personagem, Júlia, é prisioneira em seu sentido literal. O espectador não tem certeza se ela é culpada ou inocente, o que permite com que o roteiro se concentre estritamente em uma situação desconfortável para quem está preso: Júlia está grávida. Na Argentina as presidiárias podem ficar com seus filhos na prisão até estes completarem 4 anos. Júlia vê seu filho nascer e crescer e o tempo está se esgotando. A performance de Martina Gusmán como a apaixonada mãe Júlia é de cortar o coração, tamanha a entrega com que a atriz desempenha seu papel.
Vale também registrar a boa participação de Rodrigo Santoro no papel de Ramiro, um dos envolvidos no crime de Júlia, embora nunca fique claro como aconteceu o assassinato. Não que isso seja realmente importante, já que o foco do filme de Trapero é simplesmente contar uma história de um amor inexplicável, amadurecimento e força. E nisso ele se sai muitíssimo bem.

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Abutres

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O cinema argentino mostra a cada ano estar mais forte e competitivo no mercado internacional. Com histórias focadas no cotidiano da sociedade daquele país, nossos hermanos ganham mais admiradores a cada novo filme. O diretor Pablo Trapero (de Leonera) é um dos cineastas mais conhecidos desta safra renovada de criadores. Seu novo filme, Abutres (Argentina, 2010), com lançamento no Brasil marcado para dezembro, foi escolhido para representar seu país na corrida por uma indicação ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira. A estatueta mais cobiçada do cinema não é novidade na terra de Gardel: em 2010 o vencedor desta categoria veio de lá. O Segredo dos Seus Olhos arrebatou plateias por onde passou. Mas manter a onda vencedora não é tarefa fácil, e Trapero sabe disso.
É por isso que o diretor fez de Abutres uma pequena obra-prima. Com um ritmo incomum para filmes de temática violenta, Abutres é uma história que vale a pena ser assistida. A trama envolve Sosa (Ricardo Darín, ótimo de novo) um advogado afastado da Ordem por razões nunca explicadas que vive nos hospitais em busca de vítimas de acidentes de trânsito, na ânsia de abocanhar alguns pesos de comissão da indenização das seguradoras. Mas não somente isso: Sosa passou a também simular acidentes para provocar o recebimento destas indenizações. Em uma solução lógica do roteiro, Sosa conhece Luján (Martina Gusman, mulher do diretor) paramédica que trabalha de plantão em plantão, atendendo as vítimas dos acidentes. Ela, uma prisioneira dos plantões; ele, prisioneiro do sistema. O romance dos dois, mesmo sendo o estopim de situações difíceis, é o alívio dramático da trama, que mostra com crueldade pernas quebradas, espancamentos e todo um desprezo pela ética.
Ao não fazer concessões no que diz respeito ao final, Trapero mostra uma força narrativa muito firme, encerrando o filme com um clímax até previsível, mas que traduz tudo o que sua história quis expressar.

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O Segredo dos Seus Olhos

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Há algo de grandioso neste filme argentino de 2009, misturando vários gêneros de maneira majestosa, com fotografia e trilha sonora belíssimas, e uma trama marcante, levada com atuações no mínimo brilhantes. O Segredo de Seus Olhos, de Juan José Campanella, sem dúvida nenhuma figura em minha lista de melhores de 2009.
O filme conta a história de Benjamin Espósito, um oficial de justiça que depois de aposentado resolve escrever um romance sobre um caso de homicídio que ele mesmo investigou nos anos 1970, o estupro seguido de assassinato de uma bela jovem. À medida que vai se recordando dos fatos relacionados ao caso, vamos conhecendo fatos de sua própria vida, como a amizade com Sandoval, e sua paixão jamais declarada a Irene Hastings, promotora de justiça, e sua superiora. Com um final surpreendente digno dos grandes mestres do suspense, o filme passeia também pela comédia, pelo romance e drama. Interessante também os questionamentos do protagonista, ao repensar seu passado para construir seu futuro.
Sucesso no Festival do Rio do ano passado, O Segredo dos Seus Olhos é uma obra-prima, que merece ser vista e revista.

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