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No Limite da Mentira

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As feridas abertas do Israel pós-Segunda Guerra já foram tema de bons filmes, como Munique, de Steven Spielberg, e Exodus, estrelado por Paul Newman em 1960. Em No Limite da Mentira (The Debt, EUA, 2010), o diretor John Madden (Shakespeare Apaixonado) mais uma vez toca na ferida israelense causada pelo regime nazista: o filme fala da caçada a um criminoso nazista, conhecido como o cirurgião de Birkenau. Para caçá-lo e levá-lo à justiça, três jovens agentes do Mossad - o serviço secreto israelense - são enviados a Berlim Oriental na década de 1960. Suas ações naquela época se tornarão uma cicatriz que os acompanhará por toda a vida.
No papel dos agentes ainda jovens, o elenco traz bons atores: Marton Csokas (que atuou em O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei), Sam Worthington (Avatar) e a estrela em ascensão Jessica Chastain (Histórias Cruzadas e A Árvore da Vida). Os três vivem um tenso triângulo amoroso, que pode comprometer toda a missão e estabelecer mágoas jamais superadas.
O filme tem ainda um segundo núcleo temporal, que mostra os agentes em 1997, lidando com as consequências de sua escolha quando jovens. Helen Mirren (A Rainha), Tom Wilkinson (Entre Quatro Paredes) como o Marton Csokas maduro e Ciarán Hinds (O Espião que Sabia Demais) no papel de Sam Worthington mais velho. O elenco é um dos pontos fortes do filme; todos os atores entregam desempenhos marcantes, com destaque para Jessica Chastain. A atriz demonstra uma desenvoltura impressionante, no papel de uma agente em sua primeira missão de campo, entregue à sua tarefa de levar um criminoso de guerra que claramente a apavora.
No Limite da Mentira traz ainda uma discussão sobre até que ponto verdades guardadas a sete chaves por anos devem ser trazidas à tona, e quais consequências tal atitude pode trazer. Um filme que merece ser descoberto.

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Contágio

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Thriller realista mostra que uma epidemia global não é invenção de Hollywood

Atenção: este filme pode causar reações imprevisíveis, como o repentino medo de tocar as pessoas e a imediata perda de vontade de comer carne de porco. Isso porque Contágio (Contagion, EUA, 2011), novo filme de Steven Soderbergh (Erin Brockovich, 11 Homens e um Segredo) é um verdadeiro alerta sobre hábitos que todos nós temos, os quais na maioria das vezes não notamos, que podem gerar consequências indizíveis e terríveis. É claro que Contágio é uma produção de Hollywood, feita por um grande estúdio, planejada para fazer dinheiro, gerar lucro. Mas ainda assim, o thriller não se entrega a clichês do gênero apocalipse, segundo os quais geralmente tem-se um herói - que quase sempre é um sujeito comum - que será o salvador da humanidade, sobrevivendo e encontrando ele/ela mesmo(a) a solução para o problema.
Não aqui. Em Contágio não há um protagonista, ou protagonistas, que tomam a frente da situação e resolvem tudo. O filme mostra as várias pessoas envolvidas na identificação da doença que causa uma epidemia de proporções cataclísmicas e na procura pela cura dessa doença, que é transmitida pelo toque. Com a ajuda de um elenco estelar - ajuda muito um diretor ter muitos amigos astros e estrelas do cinema - vários aspectos da luta contra essa epidemia são mostrados: a paciente zero (Gwyneth Paltrow) e seu marido, que inexplicavelmente é imune (Matt Damon); os cientistas em busca da identificação do vírus e da vacina (Laurence Fishburne, Kate Winslet e Jennifer Ehle); a especialista da OMS - Organização Mundial da Saúde (Marion Cotillard); o militar que quer evitar o pânico nas ruas (Brian Cranston); e o blogueiro investigativo que busca descobrir a verdade sobre o vírus enquanto o governo e as indústrias farmacêuticas tentam ocultá-la (Jude Law).
A maioria dos personagens não interage entre si, mas suas histórias são contadas com muita competência pelo roteiro, que embora não encontre tempo para desenvolver o caráter e a personalidade de cada personagem (até porque não é isso o que está no foco), faz de cada cena um momento tenso, onde nunca sabemos quem irá ficar doente e quem sairá ileso do terror do vírus.
Um ótimo trabalho de Soderbergh, que já soube lidar muito bem com paranoias sociais em Traffic e demonstra com bastante realismo como a humanidade - e seus governantes - lidaria com uma doença terrível e fatal.

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Arquivo X: Eu Quero Acreditar

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Dez anos depois da primeira aparição dos agentes Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) no cinema, o criador da série clássica Arquivo X, Chris Carter, escreveu e dirigiu este segundo filme, para, segundo ele, mostrar os protagonistas sob um novo ângulo. A tarefa foi cumprida. Em Eu Quero Acreditar, passaram-se seis anos desde que Mulder e Scully deixaram o FBI e os arquivos X foram encerrados. De uma forma muito engenhosa, o diretor Chris Carter mostra a situação em que cada um dos agentes se encontra, reservando aos fãs da série uma pequena grande surpresa (não vou contar aqui, nada de spoilers neste blog!).
Se o primeiro filme, de 1998, serviu como elo para a mitologia da série, envolvendo a gigantesca conspiração governamental para ocultar a presença de alienígenas na terra, nesta segunda produção o diretor entregou um típico episódio de "monstro da semana", com um caso sem conexões com a trama principal da série. Nada mais justificável, já que a série não está mais no ar. E agindo assim, é perfeitamente possível acompanhar e entender a trama sem nunca ter assistido um único episódio da série televisiva - em relação a isso, o único porém é que, para compreender as motivações dos protagonistas, faz-se necessário conhecê-los previamente.
A história envolve o desaparecimento de uma agente do FBI, um ex-padre com dons psíquicos e a volta da dupla de agentes para colaborar com as investigações. Todo o clima original da série está lá: a fotografia sombria, as estradas cortando florestas, os locais inóspitos onde vivem os criminosos e os crimes sinistros. Mas ainda falta a este segundo filme um antagonista identificável, ou com o mínimo de carisma - para se ter uma ideia, o grande chefão da quadrilha de criminosos só é mostrado no final, mesmo assim através da foto de um jornal!
Ainda assim, como um episódio de 1h40min, Arquivo X: Eu Quero Acreditar cumpre sua tarefa, a de entregar uma história competente com atores que nasceram para aqueles personagens e arrebanhar novos fãs para a tão cultuada de ficção científica e mistério que conquistou o mundo e estabeleceu padrões imitados por inúmeros outros programas que vieram posteriormente.

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O Caçador de Trolls

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Falso documentário norueguês é pérola a ser descoberta

Depois que A Bruxa de Blair tornou-se fenômeno mundial como um misto de falso documentário com terror sobrenatural, outros exemplares viraram coisa comum no cinema. J. J. Abrams produziu Cloverfield - Monstro, que consegue ser infinitamente melhor do que Blair, da Espanha veio Rec, que de tão bem sucedido se transformou em uma franquia lucrativa, e o assustador Atividade Paranormal também se consolidou como uma série muitíssimo lucrativa para a Paramount. Agora é a vez dos noruegueses terem seu mockumentary (como é chamado esse gênero em inglês). E O Caçador de Trolls acerta ao utilizar uma lenda nórdica para criar uma atmosfera gélida que tira o fôlego do espectador. Dirigido por André Øvredal, o filme mostra três estudantes universitários produzindo um documentário sobre uma caçada a ursos na Noruega que se deparam com uma figura misteriosa, um enigmático caçador chamado Hans (Otto Jespersen), que logo se revela um caçador de trolls.
Para quem não está por dentro da mitologia nórdica, trolls são aqueles monstros gigantes que vivem nas cavernas encravadas nas montanhas e nas florestas daquela congelante região da Europa. Essas criaturas saem à noite para caçar, e comem literalmente de tudo, desde pedras até, é claro, pessoas. Para que isso aconteça, basta que alguém desavisado esteja na frente deles. Quando os estudantes se juntam à caçada de Hans, o espectador vai descobrindo detalhes sobre os gigantes. E tudo fica ainda mais interessante.
O Caçador de Trolls não é um filme de terror. A produção mais se aproxima do gênero aventura, à moda de Jurassic Park - com direito a referência à famosa cena da perseguição do tiranossauro rex ao carro, onde o monstro é mostrado através do retrovisor. Como ponto fraco do filme está o desenvolvimento dos personagens. Não se sabe muito a respeito deles, apesar do fato de que isso não importa muito quando entram em cena os incrivelmente bem feitos trolls dos mais variados tipos. Há quatro cenas que valem todo o filme, nas quais os monstros exibem toda a sua força. E sua estupidez. É que trolls são bichos burros, que só pensam com o estômago e tal característica dá um bem vindo tom de humor ao filme.
Em meio a tantas produções americanas desinteressantes e idiotas, ver um filme comercial norueguês muito divertido e com efeitos especiais de primeira é algo no mínimo, curioso. E no caso de O Caçador de Trolls, a experiência vai além da curiosidade. É cinema de verdade.

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A Conversação (da série 1001 Filmes)

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Um dos filmes menos conhecidos de Francis Ford Coppola, A Conversação (1974) é considerado pelo próprio diretor seu melhor filme. Os temas abordados pela obra, a solidão na sociedade urbana, a falta de privacidade e a competição, permanecem atuais e relevantes. Na trama, Harry Caul (Gene Hackman) é um especialista em vigilância, que trabalha gravando e filmando pessoas desconhecidas, seja através de grampos telefônicos, seja em operações complexas de vigilância, que envolvem várias pessoas perseguindo e apontando microfones para os alvos a ser vigiados. O protagonista tem pouco contato com seus clientes, e cada nova vigilância não passa de mais um trabalho, realizado friamente mediante um bom pagamento. Harry não sabe com que propósito seus clientes desejam que outras pessoas sejam vigiadas e tenham suas conversas gravadas, mas seu trabalho é esse e ele é o melhor no que faz. Mesmo assim, durante o filme descobrimos que Harry se considera responsável pela morte de três pessoas cujas vidas foram investigadas por ele.
Solitário e desconfiado de quem quer que seja, Harry não demonstra qualquer jeito para o trato social, passando suas noites em seu apartamento, tocando seu saxofone. As cenas de Harry Caul tocando jazz acompanhado de seus discos com uma plateia imaginária, estão entre as mais melancólicas filmadas na década de 1970.
Ainda durante os créditos iniciais acompanhamos a investigação conduzida por Caul que será o centro de toda a trama de A Conversação. O protagonista acredita que o casal que está vigiando encontra-se ameaçado de morte, o que faz com que ele hesite em entregar o resultado final de suas gravações para seu misterioso cliente (uma participação especial de Robert Duvall) e o assistente deste (um jovem Harrison Ford, atuando de maneira sinistra). No decorrer do filme o espectador segue o dilema de Harry e sua crescente desconfiança de tudo e todos à sua volta; ele teme estar sendo seguido e vigiado pelo seu próprio cliente, em uma tentativa de garantir que ele entregue as gravações obtidas do casal.
Tudo em A Conversação contribui para o clima de paranoia vivido pelo protagonista, desde a fotografia granulada e obscurecida até a trilha sonora jazzística. O roteiro não oferece saídas fáceis e o clímax do filme é de uma intensidade das mais sutis: calma, mas repleta muito mais de perguntas do que de respostas. É Coppola (e Hollywood) em seu auge criativo.

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Hanna - "Conto de fadas" de ação e espionagem

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Seguindo a onda de meninas fatais, treinadas para serem assassinas impiedosas (lembra da Hit-Girl, melhor personagem de Kick-Ass - Quebrando Tudo?), ou com muito sangue frio mas alguma emoção (que tal a Eli de Deixa Ela Entrar?), Hanna, do diretor inglês Joe Wright (Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação) é uma das melhores surpresas do ano. O cineasta conseguiu reunir um elenco excelente - Eric Bana, Cate Blanchett, Olivia Williams e Saoirse Ronan no papel-título - em uma história original sobre uma adolescente que foi treinada pelo pai desde a infância para se tornar uma assassina mortal, que agora tem que encarar a própria CIA, personificada por uma agente que é a única pessoa que sabe quem (ou o que) ela é.
Saoirse Ronan vem se destacando desde que encarou um papel dificílimo em Desejo e Reparação, do mesmo Joe Wright. Logo depois, veio Um Olhar do Paraíso, de Peter Jackson, onde vive uma menina amada pela família que é assassinada por um vizinho e agora está presa entre a vida e a morte, numa espécie de limbo espiritual. Com um currículo desses, há que se prestar atenção quando ela é escalada para um papel inusitado e interessante como é este em Hanna. E a menina não decepciona. Sua atuação dedicada e intensa é mostrada sem hesitação, tanto em cenas de ação como em momentos mais intimistas e cheios de questionamentos.
Por falar em cenas de ação, em Hanna elas mostram que nem só de filmes épicos românticos vive Joe Wright. O cara sabe dosar com maestria as lutas espetaculares da menina com cenas onde ela quer apenas ser uma garota normal.
É claro que esse triunfo cinematográfico não seria possível não fosse o elenco espetacular que o filme traz. Eric Bana e Cate Blanchett mostram porque suas carreiras são tão bem sucedidas, a de Cate ainda mais.
Não podemos escrever sobre Hanna sem falar da trilha sonora hipnotizante criada pelo grupo de música eletrônica The Chemical Brothers. Quando as cenas de ação acontecem, a música deixa toda a situação ainda mais tensa e empolgante.
Infelizmente para os frequentadores dos cinemas, o filme será lançado diretamente em dvd no Brasil, refletindo a recepção fria que Hanna teve nas bilheterias americanas, apesar das ótimas críticas. Ainda assim, vale a pena a sessão deste inusitado conto de fadas. Não ouse perder.

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Um Corpo que Cai (da série 1001 Filmes)

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Alfred Hitchcock é notoriamente conhecido como o "Mestre do Suspense", reputação conquistada devido a tantos filmes misteriosos, normalmente colocando seus protagonistas em situações de impotência diante das circunstâncias muitas vezes macabras.
Em Um Corpo que Cai (Vertigo, EUA, 1958), não é diferente. Na verdade, talvez seja ainda pior, ou seja, com mais mistério, reviravoltas e um final impressionante. Logo nos créditos iniciais somos hipnotizados, graças ao designer de cenas de abertura Saul Bass (que também fez magnífico trabalho em Anatomia de um Crime e Intriga Internacional - veja um vídeo com aberturas famosas do cinema aqui), que criou espirais que se confundem com os olhos enigmáticos de Kim Novak; junte a isso a marcante trilha sonora de Bernard Hermann, assíduo colaborador do diretor, e o espectador já sabe que se trata de um filme de Hitchcock. Logo depois, somos lançados a uma perseguição nos telhados de San Francisco, onde um marginal tenta escapar de dois policiais. O marginal escapa depois que um dos policiais, o detetive John "Scottie" Ferguson (James Stewart), salta de um prédio para outro mas não alcança o outro lado e fica pendurado entre a vida e a morte. O policial que o acompanha na caçada tenta salvá-lo, mas acaba caindo para a morte. A partir daí, sabemos que Scottie sofre de acrofobia, que é medo extremo de altura.
Kim Novak recebe orientações de Alfred Hitchcock
Algum tempo depois, Scottie - uma figura comum, exatamente como Hitchcock gostava - que está aposentado, é contratado por um velho amigo de faculdade para seguir sua esposa, que anda tendo um comportamento estranho, talvez motivado por um passado obscuro. A esposa, Madeleine (Kim Novak), é lindíssima, e logo Scottie fica obcecado por ela, algo que o levará a uma espiral (como a dos créditos iniciais)  sinistra com um clímax surpreendente.
Falar além disso estraga as várias surpresas que o roteiro reserva ao espectador. Porém, muito mais do que a trama em si, a força de Um Corpo que Cai está no desenvolvimento dos personagens, algo que Hitchcock fazia muito bem. Um clima de loucura parece tomar conta de cada frame do filme, clima este intensificado pela fotografia tão colorida que se assemelha a um pesadelo, e pelos temas que Bernard Hermann criou. Kim Novak está perfeita e linda, e James Stewart entrega mais uma vez uma performance inesquecível.
Talvez o melhor filme de Hitchcock, Um Corpo que Cai tem mais nuances até mesmo que Psicose, sendo ainda mais sombrio e assustador em sua essência. Uma obra-prima.

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Dois thrillers que você não pode perder (e um para esquecer)

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De todos os gêneros do cinema, o thriller é sem dúvida aquele que mais me prende atenção. Quase todos os filmes do gênero têm tramas interessantes e intrigantes. Eu disse quase todos. Nos últimos tempos pelo menos um thriller lançado com grande expectativa decepcionou grande parte do público, este que vos escreve inclusive. Em compensação, outros dois, sem tanto hype nem algum grande estúdio por trás, mostraram que bons filmes podem ser feitos sem orçamentos milionários. Vamos a eles - para depois falar da grande decepção de 2010.

Jogo de Poder - muitos filmes têm sido lançados nos últimos anos escancarando a mentira que foi a chamada "Guerra ao Terror" de George W. Bush (inclusive a própria biografia do presidente, dirigida por Oliver Stone, W.), mostrando que as tais armas de destruição em massa tidas como existentes pelo presidente não existiam no Iraque. Jogo de Poder conta a história verídica de Valerie Plame  (Namoi Watts) e seu esposo, Joe Wilson (Sean Penn), ela agente da CIA que teve sua identidade vazada  para a imprensa pelos altos escalões do governo americano como forma de retaliação pela publicação de um artigo de seu esposo, diplomata aposentado, afirmando não existir nenhuma suposta encomenda de urânio ao país africano Níger feita por Saddam Hussein. O filme mostra a investigação conduzida pela CIA para encontrar evidências de armas de destruição em massa no Iraque, e assim dar argumentos ao governo para a invasão ao país árabe. Muito bem dirigido por Doug Liman (A Identidade Bourne, Jumper), o thriller defende que a maioria dos agentes da inteligência americana não concordavam que havia tais evidências, o que significa que Bush estava ciente da não-existência dessas armas mas mesmo assim seguiu com a guerra. Todos sabemos hoje que tais armas jamais foram encontradas, e ver que vários níveis do governo agiram à revelia de tantas evidências claras contrárias a tal argumento é revoltante. Mas se tratando de cinema, Jogo de Poder é um exemplo de como se faz um thriller empolgante e releto de tensão.

72 Horas - O filme de Paul Haggis (Crash - No Limite) faz a pergunta: "Até onde alguém é capaz de ir para libertar quem se ama?" Russell Crowe estrela como John Brennan, marido apaixonado e devotado à sua família que vê sua vida virar de cabeça para baixo com a prisão de sua esposa, Lara (vivida por Elizabeth Banks), acusada de assassinar a própria chefe. Crente na inocência da esposa, John empreende todos os meios legais para ver sua esposa livre da cadeia, mas todas as evidências apontam para sua culpa. Esgotadas todas as opções jurídicas, ele toma medidas desesperadas e resolve agir para tirá-la da prisão. E está disposto a tudo para tornar isso realidade. Com muito suspense e saídas geniais, sem nunca agredir os neurônios do espectador, Paul Haggis exibe grande habilidade como um dos cineastas mais interessantes do cinema atual, realizando um filme empolgante e misterioso até o fim, quando finalmente sabemos se Lara é culpada ou inocente. Duas horas bem gastas. E um dos mais belos pôsteres do ano.

Agora vamos ver um thriller para esquecer:

O Turista - Johnny Depp e Angelina Jolie juntos em um filme de suspense e ação, dirigido pelo mesmo cineasta que realizou o magnífico A Vida dos Outros? Sucesso na certa, diziam todos ao saber da produção de O Turista. Filme lançado, e a decepção não poderia ser maior, tanto nas bilheterias como com os críticos. Se pelo menos fosse possível acreditar na química entre Depp e Jolie, o filme seria ainda palatável. O diretor Florian Henckel von Donnersmarck mostra-se deslumbrado demais com seu casal de protagonistas e acaba se esquecendo de contar uma história com um mínimo de razoabilidade. Depp é Frank Tupelo, um professor de matemática americano em viagem pela Europa que é abordado pela misteriosa Elise (Angelina Jolie, sempre linda) e envolvido em uma trama que envolve a interpol e a máfia italiana. Seria interessante, se não fosse trágico. Como se não bastasse a auseência de química entre os protagonistas e as fraquíssimas cenas de ação, é simplesmente impossível engolir a reviravolta do final, completamente absurda e ilógica. Um thriller sem sal, que desperdiça milhões de dólares e preciosos 90 minutos do tempo do espectador.

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Cisne Negro

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Hipnotizante. Foi a primeira palavra que veio à minha mente ao tentar descrever a experiência de assistir a Cisne Negro (Black Swan, EUA, 2010), obra-prima do diretor Darren Aronofsky, estrelado pela magnífica Natalie Portman.
O roteiro de John McLaughlin é ambientado no mundo do balé de Nova York, e mostra a estranha relação de Nina (Natalie Portman) e Lilly (Mila Kunis). Nina é uma bailarina veterana que acaba de ganhar seu primeiro papel principal, na montagem do Lago dos Cisnes; seu personagem é um cisne, que ora é branco e puro, ora é negro e perverso. O problema é que Nina ainda vive em um mundo de fantasia e pureza, tendo sido reprimida pela mãe toda sua vida. Ela tem 28 anos e ainda mora com a mãe e tem seu quarto todo rosa e cheio de ursos de pelúcia! O papel de um cisne negro, perverso e sedutor revela-se um tremendo desafio para ela, e à medida que Nina vai entrando mais no papel, ela começa a perceber que está perdendo sua sanidade.
Com um ar sinistro e tenso, Cisne Negro não é um filme-família, nem uma história de balé que fará as jovens meninas suspirarem e desejarem ser bailarinas. Há uma cena forte, embora não seja gratuita. Trata-se de uma história em que o maior conflito ocorre na mente de Nina, cuja sensação de segurança proporcionada pela mãe (vivida magistralmente por Barbara Hershey) começa a se esvair no momento em que ela se descobre despreparada para o papel mais importante de sua vida.
O longo clímax de Cisne Negro tem algo de épico, repleto de suspense e com reviravoltas que impedem o público de respirar com tranquilidade durante seus longos minutos de duração. Darren Aronofsky segue Natalie Portman com sua câmera por onde quer que ela vá, fazendo do espectador uma espécie de voyeur, uma testemunha ocular de todas as transformações experimentadas pela personagem.
Tudo isso combinado faz com que Cisne Negro seja um dos fortes candidatos a várias indicações ao Oscar deste ano, com pelo menos uma vitória quase certa: a de Natalie Portman. A não ser que os membros da Academia percam totalmene o juízo, ninguém tira esse prêmio dela.

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Janela Indiscreta (da Série 1001 Filmes)

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Um dos maiores sucessos do cineasta Alfred Hitchcock, Janela Indiscreta (Rear Window, EUA, 1954) ainda não perdeu seu charme e mantém uma legião de fãs em todo o mundo. L.B. Jeffries é um repórter fotográfico que está preso em uma cadeira de rodas há semanas por ter quebrado uma perna. Sem ter muito o que fazer e tendo como companhia somente Stella, sua enfermeira, e Lisa, sua noiva relutante, Jeffries passa os dias observando os vizinhos que moram no prédio em frente ao seu, até o momento em que começa a desconfiar que um dos vizinhos espionados assassinou sua esposa e se desfez do cadáver. É claro que as coisas podem não acabar tão bem.
James Stewart é o protagonista, em mais uma bem sucedida colaboração com Hitchcock. No papel de Stella, a atriz Thelma Ritter, entrega uma enfermeira com um maravilhoso senso de humor negro. Coube a Grace Kelly, em um de seus últimos papéis em Hollywood antes de se tornar a princesa de Mônaco, a personagem de Lisa, uma moça rica que é completamente apaixonada por L.B., mas ainda não ouviu do namorado nenhuma proposta de casamento.
James Stewart e Grace Kelly - lendas do cinema
Alfred Hitchcock recriou todo o ambiente dos prédios em estúdio, o que possibilitou maior liberdade para que o mestre do suspense pudesse estabelecer todo um ecossistema para manuseá-lo à vontade. Enquanto Jeffries bisbilhota os vizinhos, o cineasta faz do público cúmplice na espionagem, tornando todos nós verdadeiros voyeurs. Interessante como cada vizinho tem características psicológicas desenvolvidas; embora se saiba pouco a respeito deles, o que é revelado sobre cada um mostra detalhes que transformam o voyeurismo em algo palatável, quase um fetiche nunca satisfeito. Todos os sons ambiente, incluindo a trilha sonora, vêm das janelas e da rua observadas por L.B. Jeffries.
Sendo um verdadeiro clássico, Janela Indiscreta permanece imortal e amado por muitas pessoas, tendo recebido homenagens periodicamente no cinema. Em 1998, o ator Christopher Reeve, o Superman clássico, preso a uma cadeira de rodas com tetraplegia, refilmou o clássico, embora sem o charme do original. Em 2007 foi a vez de J.B. Caruso fazer sua homenagem, com Paranoia, suspense com Shia LaBeouf e David Morse, que bebe da fonte hitchcockiana descaradamente para realizar um filme bem bacana, com um resultado final muito satisfatório.
Mas no fim das contas, não há nada como assistir o Janela Indiscreta original, com todo o talento de James Stewart, a beleza elegante de Grace Kelly, e a genialidade de Hitchcock.

Em tempo: Hitchcock não perde a oportunidade de aparecer em cena em quase todos os seus filmes; neste, ele aparece brevemente no apartamento do pianista, ouvindo a melodia e quase encarando o público. Sensacional.

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Enterrado Vivo

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Estreia de Rodrigo Cortés como diretor é um estudo sobre o desespero
Se os cartazes que divulgaram Enterrado Vivo (Buried, EUA/Espanha, 2010) já chamavam a atenção para um filme que poderia ser um dos melhores do ano, a experiência de assistir a obra pronta não frustra expectativas. Apesar de se passar inteiramente com seu protagonista dentro de um caixão velho, em nenhum momento Enterrado Vivo cansa o espectador. Trata-se de um thriller competente e original, repleto de suspense e com a capacidade de manter vivo o interesse do público a cada frame.
Ryan Reynolds (que em breve será enfim um astro com Lanterna Verde) é Paul Conroy, um civil que dirige caminhões no Iraque, que acorda de um desmaio e está com as mãos amarradas dentro de um caixão, sem lembrar como foi parar ali. Ele apenas se recorda que o comboio onde estava foi atacado por insurgentes locais, e que alguns de seus colegas foram mortos. Logo ele descobre que tem um celular junto de si, quando recebe a ligação de seu sequestrador, exigindo cinco milhões de dólares até as 21:00, ou Paul será abandonado à própria sorte. A seguir acompanhamos o desespero de Paul à medida em que seu tempo, seu oxigênio e a bateria do celular chegam ao fim.
O espanhol Rodrigo Cortés, em sua estreia no cinema, utiliza de várias câmeras e uma edição perspicaz para não permitir que o tédio tome conta de seu filme. Foram usadas seis caixas para captar todas as cenas, e a trilha sonora permite que o drama e o desespero de Paul sejam intensificados. Mas tudo isso seria em vão se a atuação de Ryan Reynolds não fosse simplesmente sensacional. A sensação de pavor em seus olhos é notável e envolve o público como poucos filmes de suspense.
Sem fazer uso de artifícios-clichê comuns em Hollywood, Cortés conseguiu realizar um filme perturbador, que toca em assuntos delicados, como a utlização de civis em missões de reconstrução no Iraque. E o subir dos créditos não deixa ninguém aliviado. Pode acreditar: Enterrado Vivo é o filme mais interessante e incômodo de 2010. E o mais claustrofóbico da década.

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The Walking Dead - Uma série muito viva

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Poucas séries geram tanto barulho antes da estreia quanto The Walking Dead, produção do canal pago americano AMC, fez. Toda a expectativa estava restrita ao círculo nerd dos leitores de quadrinhos. Isso porque a série é uma adaptação de Os Mortos Vivos, HQ escrita por Robert Kirkman e desenhada por Charlie Adlard. O gibi é um sucesso de vendas (e crítica) nos EUA, especialmente os encadernados, e já passa do número 78. Kirkman conseguiu fazer com sua HQ o melhor retrato pop de zumbis desde que George A. Romero lançou seu A Noite dos Mortos-Vivos em 1968; a história é muito mais focada nos sobreviventes à terrível epidemia que tomou conta do mundo do que nos zumbis em si. Mas isso não significa que não haja uma boa dose de suspense, terror, vísceras à mostra e muito, muito sangue. Com Os Mortos Vivos, Robert Kirkman alcançou status de cult.
O anúncio da produção de um seriado baseado nos quadrinhos gerou um alvoroço imenso no meio dos fanáticos, mas o hype se estendeu para além do mundinho nerd, especialmente quando se soube que o produtor e diretor do piloto da série seria ninguém menos que Frank Darabont, diretor de Um Sonho de Liberdade, À Espera de um Milagre e mais recentemente, uma obra-prima do cinema de horror: O Nevoeiro, mostrando capacidade de criar climas de tensão e paranoia como poucos cineastas da atualidade. Com Darabont à frente do programa e uma exposição muito disputada do seriado na San Diego Comicon, The Walking Dead foi ganhando o rótulo de cult muito tempo antes da estreia.
"Opa, aqui não é um bom lugar para ficar, não!"
Meses de espera (da minha parte, a expectativa era altíssima) depois, eis que a série é tudo o que se esperava e mais um pouco. O clima sombrio - ainda que muitas cenas sejam à luz do dia -, as entranhas , mandíbulas e pele pútrida dos zumbis à mostra, e o policial Rick Grimes (Andrew Lincoln) à procura de sua esposa e filho em meio ao caos instalado nos EUA. Tudo é perfeito no primeiro episódio: fotografia ímpar, atuações ótimas, roteiro que se encaixa muito bem à televisão (você quer ver o próximo episódio logo), e uma maquiagem sensacional, feita como se fosse uma produção cinematográfica.
Nada mal para o começo. E que terça-feira chegue logo!

No Brasil, The Walking Dead é exibido toda terça-feira, às 22:00 (horário de Brasília), na Fox.

BAIXE AQUI O TORRENT E A LEGENDA

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A Epidemia

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Refilmagem de O Exército do Extermínio, filme que George A. Romero dirigiu em 1973, A Epidemia (The Crazies, EUA, 2010), do diretor Breck Eisner, é uma das poucas refilmagens à altura do original. Trata-se de um filme de terror intrigante e ágil, mas que nunca se rende à edição acelerada e nauseante que acomete nove entre produções do gênero.
A Epidemia conta a história de uma cidade onde seus cidadãos são tomados por uma onda de fúria violenta, fazendo deles uma espécie de zumbis, mas um pouco diferentes, já que os infectados neste filme conseguem raciocinar, ao menos o fazem para alcançarem seu objetivo de matar a qualquer um pela frente.
O xerife da cidade, David (o ótimo Timothy Olyphant, de A Trilha) e sua esposa Judy(vivida por Radha Mitchel, de Terror em Silent Hill), acompanhados do assistente Russel (Joe Anderson), se vêem na terrível situação e precisam sobreviver, já que seus inimigos não são apenas os infectados, mas o exército, que inicia um procedimento de contenção na cidade, com o intuito de exterminar todos os habitantes.
As cenas de caminhada pelos vastos campos das fazendas locais rendem momentos de tensão. O diretor faz com que o espectador sinta uma espécie de claustrofobia ao contrário, fazendo das cenas ao ar livre um tipo de prévia do horror que os personagens enfrentarão na cena seguinte. Alguns momentos são especialmente assustadores, como a cena no lava-rápido e a angustiante cena em que Judy se esconde de um dos infectados, sedento de sangue.
Sem dar soluções fáceis, Breck Eisner (que dirigiu a bomba Sahara, quem diria) mostra-se muito à vontade com a trama, entregando um final que é na verdade o começo de uma nova história. Se veremos uma continuação ninguém sabe. O filme de baixo orçamento rendeu o bastante para esperarmos uma, mas não há nada confirmado. E quer saber de uma coisa? É melhor assim.

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[Rec] Possuídos

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Se há uma regra que o mercado do cinema segue à risca é a de que se um filme faz sucesso, a continuação é obrigatória. Não importa se a história se encerrou por ali, nem se o roteiro será feito às pressas, nem mesmo se o elenco principal não voltará para a sequência. Vale tudo para lucrar algumas doletas a mais. Essa regra não vale apenas em Hollywood. Ela existe no Brasil (Se Eu Fosse Você 2), na França (a série Táxi) e até na Espanha. Prova disso é o lançamento de [Rec] Possuídos, continuação do sucesso de 2007, novamente dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza.
Na nova produção, a história tem início no ponto exato em que o primeiro filme se encerrou. Desta vez, agentes de uma espécie de SWAT espanhola acompanhados de um oficial médico entram no prédio e se deparam com os zumbis sanguinários que já conhecemos de antes. A ação agora é captada não por uma, mas por duas câmeras, esta última pertencente a um outro grupo que entra no prédio, formado por jovens curiosos (você sabe, aqueles personagens que só estão ali para que vejamos vísceras esparramadas temperadas com sangue por toda a parte).
Os diretores e roteiristas agora tentam ampliar a mitologia da série, explicando nos mínimos detalhes tudo (ou quase tudo) o que está acontecendo no prédio.
Se o primeiro filme tinha todo aquele ar de mistério e suspense sufocante que permeia os grandes filmes de terror, [Rec] Possuídos perde bastante isso, ao abrir mão dos sustos em prol de uma história mais bem explicada.
Mas ainda assim, o filme é um bom exemplo de que Hollywood não detém há algum tempo a hegemonia comercial e criativa do ramo do cinema. Há muitos bons diretores e roteiristas espalhados pelo mundo, cheios de boas ideias, ou boas homenagens, como é o caso deste [Rec] Possuídos.

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A Origem

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Se tem um filme este ano que merece a alcunha de "candidato ao Oscar", este filme é A Origem (Inception, EUA, 2010). A obra do diretor Christopher Nolan é densa, marcante, enigmática e provocadora, como todo filme de suspense e ficção científica deveria ser. Por total mérito, o público tem dado a resposta nas bilheterias, com 270 milhões de dólares arrecadados somente nos EUA, e não estamos falando de um filme em 3D, o que encarece o preço dos ingressos e, portanto, os valores das bilheterias.
A Origem conta a história de Don Cobb (Leonardo DiCaprio), um extrator. Esta profissão consiste em jogar a mente de alguém em um sonho pré-fabricado de outra pessoa, e então extrair uma ideia desse alguém sem que ele/ela perceba. Depois de um trabalho mal sucedido, Cobb passa a ser procurado vivo ou morto pela companhia que o contratou (esse tipo de trabalho não tem nada de legal). Mas surge a oportunidade que ele procura para se livrar desta perseguição: um serviço contratado não para extrair uma ideia, mas inseri-la, o que é muito mais difícil. Ele aceita o contrato e começa a reunir sua equipe para realizar a árdua tarefa. Entra em cena um dos elencos mais bacanas já reunidos: Joseph Gordon-Levitt (de (500) Dias Com Ela), Ellen Page (Juno), Tom Hardy (que estará no novo filme da série Mad Max), Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor), Ken Watanabe (Batman Begins e O Último Samurai) e uma participação de Michael Caine (o mordomo Alfred de O Cavaleiro das Trevas).
Com efeitos especiais inventivos e sensacionais, roteiro extraordinário e complexo e uma fotografia matadora, dificilmente A Origem não aparecerá na lista dos indicados aos prêmios da Academia em 2011. Pelo menos, torço para isso, pois o meu Oscar (e os dos críticos) de filme do ano para a produção já está garantido.

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Pequeno Dicionário de "Cinemês"

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Quem lê meus textos sobre cinema mas não compartilha da minha "nerdice", provavelmente deve se perguntar sobre termos relacionados a essa arte que só quem é muito cinéfilo deve entender. Pensando nisso resolvi explicar alguns destes termos nesta nova seção do blog, Pequeno Dicionário de "Cinemês". Você pode participar, enviando dúvidas que responderei em futuras postagens. E para inaugurar...

O que é BLOCKBUSTER?
Essa é fácil. Chama-se de blockbuster (arrasa-quarteirão) toda superprodução, aquele filme feito para arrebentar nas bilheterias, mesmo que sua qualidade seja discutível. Muita baboseira já foi cuspida nos cinemas em nome do capital. Dá para lembrar de vários exemplos:
Transformers: A Vingança dos Derrotados - Este exemplo perfeito de blockbuster sem nenhuma alma é um verdadeiro amontoado de barulho, metal se colidindo contra metal, explosões e cenas de ação em câmera lenta. Com um fiapo de história, são duas horas de um turbilhão de imagens quase ininteligíveis.  É quase impossível compreender quem está lutando contra quem, tamanho o número de novos robôs que têm sua estreia em Hollywood. Apesar de ter sido humilhado pela crítica, o público abraçou e fez valer todo o investimento. O filme realmente arrasou quarteirões, com uma bilheteria de quase 1 bilhão de dólares em todo o mundo, abrindo espaço para um terceiro filme. Pode-se esperar tudo o que foi descrito acima, em dose tripla. Ai, ai, ai.
Claro que também há blockbusters que trazem uma boa história e arrebatam não apenas o público, mas também a crítica, tornando-se verdadeiros clássicos. ...E O Vento Levou talvez seja o exemplo máximo disto. Concebido para gerar grandes lucros, o filme passou pelas mãos de três diretores, mas foi o empenho e a obstinação de seu produtor, David O. Selznick, que fizeram com que o filme se tornasse o pai de todos os clássicos arrebatadores.
Mas o termo blockbuster foi primeiramente usado para se referir a Tubarão, de Steven Spielberg. Muitos outros vieram, e certamente podemos até pensar em uma futura lista dos melhores blockbusters da história. Vamos adiante.

O que é um MACGUFFIN?
Um MacGuffin é um objeto que não têm a menor importância para quem assiste ao filme, mas pode ser imprescindível para a personagem da trama. Por exemplo, o que há dentro da arca perseguida por Harrison Ford em Os Caçadores da Arca Perdida, ou a misteriosa maleta pretendida por meio mundo de bandidos e por Robert De Niro em Ronin, ou que tal o pé de coelho buscado por Ethan Hunt (Tom Cruise) em Missão: Impossível III. Muita gente ficou intrigado com a caixa da FedEx que Tom Hanks nunca abriu em Náufrago; isso é um MacGuffin.
O termo (e o uso para ele) foi inventado pelo mestre do suspense, Alfred Hitchcock, que o usou inúmeras vezes em seus filmes como elementos da história que trazem mais tensão e mistério ao universo de determinado personagem, como o dinheiro que é roubado pela personagem de Janet Leigh em Psicose, que não é importante para a trama, que se concentra no famoso Motel Bates, mas é fundamental para ela. Outro exemplo em um filme de Hitchcock é a maleta de Intriga Internacional (North by Northwest, EUA, 1959); ninguém saberá qual é seu conteúdo, mas todos se importam. Neste último caso, o MacGuffin é o estopim da trama.

Por hoje é só. Mais "cinemês" nos aguarda na próxima edição de... Pequeno Dicionário de "Cinemês"

Agradecimentos pelo verbete MacGuffin: André Leite, no leiteblog.

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Filmes que valem o post

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Intrigas de Estado - Thriller político de primeira, Intrigas de Estado (State of Play, EUA, 2009) tem tudo para agradar os fãs deste gênero que rendeu ao cinema alguns clássicos (Todos os Homens do Presidente, JFK - A Pergunta que Não Quer Calar, entre outros). Com um elenco repleto de ótimos atores, o filme é do tipo que não se pode piscar para não perder nenhum detalhe da trama. Russel Crowe é Cal McAffrey, repórter do jornal Washington Globe que é amigo de longa data do congressista Stephen Collins (Ben Affleck). Collins se vê envolvido em um escândalo sexual quando sua amante é encontrada morta na linha do trem. Simultaneamente a este acontecimento, um terrível assassinato duplo é cometido em algum beco de Washington. Com a ajuda de uma repórter novata (Rachel McAdams), McAffrey descobrirá que estes dois acontecimentos estão ligados, em uma trama que envolve uma conspiração além do que os olhos vêem à primeira vista.
Envolvente e cheio de suspense, Intrigas de Estado faz uso de seu elenco (que ainda inclui Helen Mirren, Robin Wright-Penn e Jeff Daniels) para entregar momentos de muita tensão e embate entre personagens. Imperdível.
Percy Jackson e o Ladrão de Raios - Divertida aventura juvenil baseada em uma série literária escrita por Rick Riordan, o filme mistura mitologia grega e histórias escolares de maneira agradável e curiosa. Dirigido por Chris Columbus (o diretor que realizou os dois primeiros filmes da série Harry Potter), conta a história de Percy, filho de Poseidon, deus dos mares, com uma mortal. Mas ele não sabe disso até a adolescência, quando será acusado de ter roubado o raio-mestre de Zeus. Para encontrar o raio, devolvê-lo a Zeus e evitar uma guerra que poderá destruir a humanidade, Percy cruza os EUA em busca de pistas que o levem ao Mundo Inferior, onde habita Hades. Como ponto negativo está o fraco desenvolvimento dos personagens, que aparecem como se fossem simplesmente jogados em cena. Comparando com outros filmes semelhantes como a própria série Harry Potter, este exemplar perde feio neste quesito. Mas com efeitos especiais de primeira e muito bom humor, Percy Jackson e o Ladrão de Raios pode ser uma boa opção para uma descompromissada tarde de domingo. Nada além disso.

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