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The Killing

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Quem matou Rosie Larsen?
Série policial foge de esterótipos e conquista o espectador


The Killing, nova série do canal americano AMC, relata a investigação do assassinato de uma adolescente, Rosie Larsen. Desenvolvida por Veena Sud (Cold Case), a série é um remake de um seriado dinamarquês de grande sucesso, Forbrydelsen. Ambientada em Seattle, Washington, The Killing não é um drama policial comum na atual produção televisiva americana; no lugar de apresentar um caso diferente toda semana e acompanhar seu desenvolvimento até a solução, o programa se concentra em um único caso, aparentemente banal: a morte de Rosie Larsen. A partir daí, o espectador acompanha três histórias, todas ligadas por este acontecimento: a vida dos pais da menina depois de sua morte, os bastidores da campanha de um vereador da cidade para se eleger prefeito (um dos carros de sua equipe foi jogado em um rio com Rosie no porta-malas), e o trabalho de dois detetives para desvendar o crime.
Cada episódio se passa durante um dia de investigação, e pouco a pouco somos levados a juntar as pistas, que de maneira realista e completamente verossímil, vão surgindo em cena. Em The Killing não há soluções pseudocientíficas jogadas no colo do público com diálogos supervelozes explicando a lógica de cada artifício. Os personagens parecem reais, os policiais usam a intuição, além de todo o aparato investigativo. Não se ouve diálogos apressados; cada fala surge no momento certo, o que faz de cada episódio hipnótico.
A chuva é algo constante em The Killing. Chove praticamente o tempo todo, fazendo com que a cidade de Seattle pareça ainda mais sombria e sinistra, quase o lugar perfeito para se cometer um crime - e se investigá-lo.
Mais uma vez o canal AMC entrega uma produção caprichada e quem tem todos os ingredientes para se tornar outro sucesso. Depois de Mad Men e The Walking Dead, The Killing prova que boas histórias são o ingrediente perfeito (e primordial) para se realizar séries relevantes, interessantes e o melhor de tudo: viciantes.

Em tempo: até o momento nenhum canal pago brasileiro anunciou a exibição de The Killing. Vamos aguardar novidades.

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Cinema Paradiso (da Série 1001 Filmes)

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Um filme que aquece o coração. É assim que eu descreveria Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, Itália, 1988), um dos mais belos filmes de todos os tempos. O tempo passa, inúmeras produções são lançadas todas as semanas, mas ainda uma sessão desta obra-prima de Giuseppe Tornatore é capaz de trazer lágrimas aos olhos dos mais desalmados espectadores.
O filme conta a história de Salvatore "Totó" Di Vita, um cineasta famoso em Roma que recebe a notícia da morte de um certo Alfredo. Totó então se lembra de sua infância em um vilarejo siciliano, de sua amizade com o projetista do cinema local, o Paradiso, cujo nome era Alfredo. A história acompanha vários anos da vida de Totó: a infância como um menino apaixonado pelo cinema, pela arte da projeção; a adolescência de um Totó que descobre o amor, ainda que proibido; a vida adulta, como um homem que mesmo bem-sucedido, descobre-se com saudades de um tempo mais puro.
Cinema Paradiso é uma verdadeira homenagem a uma época que não volta mais, quando o cinema era a diversão favorita dos moradores de vilarejos e cidadezinhas. O filme é uma sucessão de personagens adoráveis, que tornam a experiência de vê-lo inesquecível. O padre que assiste os filmes antes de todos e exige que Alfredo corte todas as cenas de beijo; o casal que se forma durante as sessões; o homem que só vai ao cinema para dormir; o morador da vila que ganha na loteria e compra o Paradiso. Todos figuras fantásticas, que conduzem o espectador em uma jornada de nostalgia e emoção.
Como se tudo isso não bastasse, Giuseppe Tornatore encerra seu clássico moderno com uma das cenas mais  emocionantes de toda a história (assista e diga se não é verdade), sempre ao som de uma trilha sonora mágica composta pelo mestre Ennio Morricone - o tema de amor entre Totó e Elena está entre os mais belos de todos os tempos (ouça o tema AQUI).
Por tudo isso, Cinema Paradiso merece ser visto e revisto, e é digno de todos os prêmios que recebeu pelo mundo, sendo premiado também com o Oscar de Filme Estrangeiro. Nada mais justo.

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Game of Thrones Ep. 02 - The King's Road

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Bran encontra-se em coma, surpreendendo os Lannisters, que o queriam morto. Enquanto isso, Daenaerys Targaryen quer aprender como agradar seu esposo. Em Winterfell, os lobos gigantes adotados pelas crianças Stark, mostram toda sua lealdade para com seus mestres e isso poderá custar um alto preço. Snow chega à Muralha com seu tio, para se juntar à Patrulha da Noite.
Episódio muito bom, com um final que deixa mais uma vez um gancho interessante para o próximo. Pena que ainda vai levar uma semana até assisti-lo. Série excelente, vale a pena conferir.

Clique AQUI para download do torrent e da legenda do 2º episódio.

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Game of Thrones

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Série épica da HBO é herdeira digna de O Senhor dos Anéis

A série mais aguardada deste primeiro semestre de 2011, Game of Thrones estreou no último domingo nos EUA sendo aclamada pela imprensa em sua maioria. Uma superprodução até para um canal que preza a qualidade como a HBO, a série que adapta os livros de George R. R. Martin promete preencher o espaço deixado vazio no coração dos fãs de fantasia quando os créditos finais de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei subiram em salas de cinema no mundo todo. Com o primeiro episódio já exibido, posso dizer que a promessa está sendo cumprida.
Com um prólogo assustador, o primeiro episódio, "Winter is coming" (O inverno está chegando), introduz o mundo de Westeros, terra fantástica dividida em sete reinos, cuja capital é Porto do Rei. Somos apresentados ao reino de Winterfell, dominado pelo clã dos Stark. Seu chefe, Eddard Stark (Sean Bean, mostrando que tem vocação para épicos - lembram de A Sociedade do Anel?), é um líder amado pelo povo e admirado por sua família. Ele recebe a visita do rei dos sete reinos, que lhe convida para ser a Mão do Rei, uma espécie de protetor do rei e de sua família, o que é uma grande honra.
Este é apenas o começo da série, que narrará a disputa pela posse do Trono de Ferro. Há grande espaço para traições, incesto, selvagens misteriosos e todo um mundo novo de fantasia para explorar. Mas não espere seres fantásticos, ou dragões (ao menos não por enquanto); Game of Thrones é calcada em bastante realismo, o que aproxima a série muito mais de programas como The Tudors e Os Pilares da Terra do que da obra máxima de Tolkien.
Apesar de todo o hype, Game of Thrones estreou com uma audiência baixa para o que o canal esperava. Mesmo assim, a HBO já assegurou a produção de uma segunda temporada, que adaptará o segundo livro de George R. R. Martin.
Mas o prognóstico para o andamento do programa é o melhor possível, já que logo na estreia o espectador pode constatar a qualidade de cenários, efeitos especiais, e principalmente das atuações, que estão à altura do que se espera de uma produção assim.
Game of Thrones estreia na HBO brasileira em 8 de maio, às 21:00.

Quer assistir também? Então faça o DOWNLOAD aqui do 1º episódio e das legendas.

Procure novos episódios toda semana aqui, no LENDO, VENDO, ESCREVENDO.

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Ótimos Filmes Fora de Hollywood

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Indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Incêndios e Em Um Mundo Melhor (este sendo o vencedor na categoria) são obras cinematográficas de altíssima qualidade, e com grande relevância na abordagem de temas dos tempos modernos. Vamos a eles:
Incêndios (Canadá, 2010) - O filme de Dennis Villeneuve conta a história de dois irmãos gêmeos canadenses, filhos de uma libanesa que ao morrer deixa um testamento que lhes confere uma missão: encontrar o pai que eles consideravam como morto, e seu irmão, este um completo desconhecido, cuja existência torna-se uma surpresa para eles. A partir da busca primeiro da irmã, Jeanne, e depois do relutante irmão Simon, o filme nos leva até o Líbano, onde muitos segredos serão revelados sobre o passado de sua família. Segredos que levam Incêndios a um dos finais mais surpreendentes e estarrecedores desde que Bruce Willis descobriu estar morto em O Sexto Sentido. Com uma narrativa contada em retalhos, o espectador é convidado a montar o quebra-cabeça do roteiro, que vai e vem no tempo sem comprometer a compreensão da trama e ao mesmo tempo sem subestimar a inteligência da audiência - com letreiros indicando local e data da cena, por exemplo. O trio de protagonistas está primoroso, com destaque para Lubna Azabal, no papel da mãe, Nawal Marwan; a atriz mostra-se brilhante como a mulher vítima de seu destino, que se mostra determinada a lutar pelo que é justo. Incêndios não levou o prêmio da Academia, mas mostrou-se um fortíssimo concorrente. Mas isso não diminui a importância do filme, que expõe temas relevantes para os tempos atuais: os costumes religiosos fundamentalistas, a violência sofrida pelas mulheres nos países muçulmanos e a luta pela liberdade em países assolados por governos autoritários.

Em Um Mundo Melhor (Dinamarca, 2010) - Dirigido por Susane Bier, o vencedor do Oscar deste ano na categoria Melhor Filme Estrangeiro é impactante e hipnótico. Começa mostrando o trabalho de um dos protagonistas, Anton, médico em algum país africano, atendendo pacientes em condições precárias, e tomando conhecimento de um chefe do crime que apavora mulheres grávidas da região e as abre para saber o sexo dos bebês. Ao deixar a clínica improvisada, Anton sempre tem seu caminhão acompanhado de várias crianças, sorrindo e gritando. O olhar do médico para essas crianças e a câmera de Susane Bier dá alguma esperança de que um mundo melhor é possível.
Corta para a Dinamarca, país de Anton, onde encontramos seu filho, Elias, que sofre de bullying na escola, sendo humilhado e apelidado. Sua vida começa a mudar quando ele conhece Christian, novato no colégio, que se tornará seu amigo. Mas esta será uma amizade que pode se tornar perigosa.
As vidas das famílias de Christian e Elias se cruzarão, e o fim desta história pode não ser tão esperançoso quanto sugere o título - inclusive o original, cuja tradução seria "Paraíso".
Um drama poderoso, Em Um Mundo Melhor mostra a estagnação com que algumas pessoas enfrentam seus problemas, e como outras pessoas mostram que violência só gera violência. Vale muito a pena assistir.


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Clube dos Cinco (da série 1001 Filmes)

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Não houve diretor que melhor compreendesse a alma jovem do que John Hughes. Ele foi o diretor de verdadeiros "clássicos" da Sessão da Tarde, como A Garota de Rosa Shocking, Gatinhas e Gatões, Esqueceram de Mim e este Clube dos Cinco, o filme de toda uma geração.
A história se passa inteiramente em um único sábado, em uma high-school americana, para onde vão cinco adolescentes passar o dia em "detenção", uma espécie de castigo para alunos que aprontaram além da conta durante a semana. Cada um deles representa um estereótipo dos adolescentes retratados no cinema (e talvez mais reais do que imaginamos): Andrew (Emilio Estevez) é o atleta, Claire (Molly Ringwald) é a menina popular, rica, bonita e virgem, Brian (Anthony Michael Hall) é o nerd, estudioso e sempre tirando as melhores notas, Allison (Ally Sheedy) é a garota esquisita, considerada uma "freak", para citar uma gíria americana, e  Bender (Judd Nelson) é o garoto rebelde, problemático, eternamente culpado por tudo de ruim que acontece na escola.
Durante todo o sábado eles terão que conviver uns com os outros, e descobrem muito mais do que estampam seus rótulos pré-estabelecidos. Na verdade, não passam de adolescentes como todos os outros, com problemas de aceitação, sofrendo pressão dos pais para obterem boas notas, serem atletas vencedores, ou simplesmente superarem o péssimo ambiente familiar que lhes é oferecido.
Clube dos Cinco (The Breakfast Club, EUA, 1985) marcou uma multidão de jovens que até hoje idolatram o filme como uma espécie de manifesto contra a falta de compreensão dos adultos, mas também estabeleceu padrões para futuros filmes que abordassem o tema da transição para a vida adulta. A genialidade de John Hughes está presente nos diálogos sensacionais e cheios de reflexão, mas também pode-se ver na maneira como ele conduz a história, que apesar de estar limitada a um único cenário, não perde em agilidade e interesse do público.
Trata-se de um filme inesquecível. Se serve como um exemplo disso, lembro-me de tê-lo visto em algum momento no começo dos anos 1990, no Corujão da Globo e nunca mais depois disso, até hoje, quando o filme foi exibido no canal pago Telecine Cult. As cenas do grupo de adolescentes problemáticos correndo pelos corredores da escola, os diálogos marcantes entre os cinco durante uma espécie de "jogo da verdade", tudo isso me marcou como adolescente na época e ainda marca.

Depois do sucesso
O elenco de Clube dos Cinco, pelo menos em sua maior parte, não foi muito visto no cinema depois da década de 1980. Dos cinco, apenas Anthony Michael Hall pôde ser visto em algumas séries de destaque, como em The Dead Zone (conhecida no Brasil como O Vidente). John Hughes dirigiu apenas oito longas, mas ele seguiu escrevendo roteiros para comédias como a série Esqueceram de Mim, Beethoven, Dennis - O Pimentinha e 101 Dálmatas.
Hughes faleceu em 2009, sem nunca receber um Oscar. Sua obra foi homenageada em 2010, na cerimônia de entrega do Oscar daquele ano. Mas prêmios à parte, Hughes permanece vivo, como o cineasta que mais entendia a mente e a alma dos jovens, sejam aqueles dos anos 1980, ou de qualquer outra década.

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Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1

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Sétimo filme baseado na série literária lida por milhões de leitores em todo o mundo, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 (EUA, 2010) é o começo do ápice de uma história construída ao longo dos seis filmes anteriores, com o trio de protagonistas entrando na vida adulta e colocando em prática tudo o que aprenderam em seis anos estudando em Hogwarts. Se o sexto filme (Harry Potter e o Enigma do Príncipe) deixou a ação de lado para focar nos relacionamentos e confusões amorosas vividas pelos jovens protagonistas, nesta produção ação e aventura se misturam a cenas de suspense que não são recomendadas para crianças menores.
Em As Relíquias da Morte - dirigido mais uma vez por David Yates - Harry, Hemione e Ron passam a viver escondendo-se dos espiões de Voldemort, que assumiu o controle do Ministério da Magia e declarou-os fora-da-lei. Desta vez não há aulas em Hogwarts, nem alívios cômicos em excesso. O tom sombrio permeia as mais de duas horas de projeção. Os três amigos têm conhecimento da existência das Horcruxes, sete objetos mágicos que contêm a alma de Voldemort, cuja destruição significará a destruição do próprio Mestre das Trevas. Assim, eles saem em busca das Horcruxes, tendo em seu encalço capangas da família Malfoy e os temidos comensais da morte. Mas os heróis descobrirão a existência de três objetos ainda mais poderosos e perigosos, as relíquias da morte, cujo possuidor terá poder sobre a própria morte.
Apesar de ter muita ação do começo ao fim (combates aéreos, lutas com serpentes, e a briga do clímax), o filme ainda usa cenas que mostram o crescimento de Harry, Hermione e Ron, e a consolidação de sua amizade. David Yates mais uma vez prova seu talento em dirigir atores e extrair atuações excelentes de seu elenco. Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint mostram o quanto evoluíram como atores, entregando performances coerentes e sem exageros.
No fim das contas, o saldo é extremamente positivo. Dividir o último livro da série de J. K. Rowling em dois filmes pode ter sido uma tentativa do estúdio de capitalizar ainda mais em cima desta, que é a série mais lucrativa da Warner Bros.; fora essa jogada capitalista, tal ideia provou-se ideal para encerrar em mais detalhes uma história que tem cativado multidões de crianças, jovens e adultos desde 2001. E que venha a parte 2!

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As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada

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Como apaixonado pela obra de C. S. Lewis, tenho que dizer que amo os filmes da série As Crônicas de Nárnia, especialmente o primeiro, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (2005). Amo tanto que cheguei a escrever um ensaio onde falo da simbologia cristã contida no filme.
Bilheteria
Mas em Hollywood não importa o quanto o público ame uma série literária que virou franquia cinematográfica, se a bilheteria não render o esperado. E foi exatamente isso o que aconteceu com As Crônicas de Nárnia. Depois que o primeiro filme foi um sucesso arrebatador, arrecadando mais de 600 milhões de dólares mundialmente, era natural que um segundo filme viesse logo. Ele veio. Mas infelizmente Príncipe Caspian (2008) não se igualou em vendas de ingressos ao seu antecessor (fazendo "apenas" cerca de 400 milhões em todo o mundo, vejam só), e a Disney logo anunciou que não faria um terceiro filme. Mas ainda havia esperança, e a Fox Film decidiu arriscar e anunciou a produção de A Viagem do Peregrino da Alvorada, adaptação do terceiro livro (de sete) da série escrito por Lewis. Dezembro de 2010, e o filme é lançado. Tendo custado 150 milhões de dólares, Peregrino empacou nos 100 milhões de bilheteria americana e, mesmo ainda em cartaz nos EUA, as negociações para um quarto filme estão em andamento, com o estúdio tendo muita cautela.
Falando do Filme
Comentários econômicos à parte, é preciso elogiar o diretor Michael Apted e os roteiristas Christopher Markus, Stephen McFeely e Michael Petroni, por não cederem a saídas fáceis comuns em quase todo filme de fantasia épica, como a inclusão de cenas de batalha campal (como aconteceu em Príncipe Caspian). Ao invés disso, Peregrino é um típico filme de aventura marítima, quase mimetizando a Odisseia de Homero, com os heróis Lúcia (Georgie Henley), Edmundo (Skandar Keynes) e Caspian (Ben Barnes) singrando os mares de Nárnia em busca dos sete lordes de Telmar, que misteriosamente desapareceram sem dar explicações. Os irmãos Pevensie, juntamente com seu primo irritante Eustáquio (Will Poulter, de O Filho de Rambow, em atuação excelente) deparam-se com criaturas mágicas, ilhas misteriosas, sereias transparentes, dragões e anões de um pé só, até alcançarem os confins do mundo de Nárnia.
Utilizando de efeitos especiais muito bonitos e uma fotografia deslumbrante, Peregrino retoma o sentimento de novidade do primeiro filme, com os Pevensie descobrindo lugares inteiramente novos e vivendo experiências que servirão para seu amadurecimento, enquanto Caspian descobrirá que sua posição como rei traz muito mais responsabilidades do que pensava.
Há momentos sublimes, como o diálogo final entre Aslam e Lúcia, no qual ele revela quem realmente é em nosso mundo. As cenas de ação também são empolgantes e prendem a atenção do público, especialmente a luta do clímax, contra uma serpente marítima diferente de qualquer criatura mítica mostrada no cinema.
Mas o que mais chama a atenção em Peregrino é a jornada de transição da infância para a vida adulta, experimentada pelos irmãos Pevensie e por Eustáquio. Ao mostrar as dúvidas existentes nos corações dos protagonistas e como eles as superam, os roteiristas criaram uma história que se conecta com seu público-alvo, habitantes desta terra mágica (e traiçoeira) chamada Vida.

[atualizando] Acabo de ler que Peregrino rendeu 400 milhões mundialmente, o que fez com que a produtora Walden Media, responsável pelos filmes, anunciasse a produção do quarto filme, O Sobrinho do Mago, que na verdade é o sexto livro da série, mas funciona como uma prequel, contando a história da criação de Nárnia e mostrando como surgiu o guarda-roupa do primeiro filme. O Sobrinho do Mago é o segundo livro mais vendido da série, o que justifica a produção deste filme no lugar de A Cadeira de Prata, que segue a cronologia normal dos livros. [atualizado às 21:53 de 29 de março de 2011]

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Invictus

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É oficial: Clint Eastwood é o maior cineasta americano vivo. Ele consegue passar da barreira dos 80 anos ainda lançando um filme por ano e mantendo a qualidade altíssima de cada produção. Até os filmes medianos do diretor são superiores a 90% das bobagens jogadas a cada ano nos cinemas mundiais. 
Em Invictus (EUA, 2009), a lenda do cinema conta a história de outra lenda viva: Nelson Mandela. Mas não se trata de uma biografia do líder ativista pelos direitos civis mais fascinante da história. Invictus limita-se a um momento sublime da África do Sul, quando Mandela é solto da prisão depois de 27 anos e elege-se presidente do país pela maioria negra, encerrando séculos de opressão por um regime racista e desigual. Ao se deparar com os desafios da presidência, além de encontrar uma nação desunida e à beira de uma possível guerra civil, Mandela apela para algo que é comum a todos os sul-africanos: seu amor pelo esporte.
Para unir o país separado por anos de Apartheid, ele alista a seleção nacional de rugby na quase impossível missão de vencer a Copa do Mundo de Rugby, que aconteceria na própria África do Sul, em 1995.
Com um ritmo ágil e diálogos marcantes, Invictus conquista pelo tema, mas também por outras qualidades notáveis. O elenco está excelente, liderado por Morgan Freeman como Mandela e Matt Damon como François Pienaar, capitão da seleção de rugby. Pienaar tem a função de conduzir seu time não somente à vitória, mas a ser exemplo de reconciliação e perdão, objetivo primordial de Mandela em seu primeiro mandato.
Aliás, a mensagem de perdão não é algo que se escuta muito no cinema moderno, tão recheado de vinganças e revanches; talvez a fala mais tocante seja a dita por François Pienaar: "Não entendo como alguém que passou 30 anos em um cubículo saia de lá disposto a perdoar todos aqueles que fizeram isso com ele."
É justamente disso que trata Invictus - a história de um homem que sabia perdoar, e ensinou o mesmo a todos os que o conheceram.

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Senna

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O ano de 1994 foi um dos mais marcantes da minha geração. Algumas coisas esta geração nunca esquecerá. O dia em que o Real foi lançado. Usar moedas de centavos pela primeira vez. O tetracampeonato da Seleção Brasileira. Mas o evento mais marcante de um ano marcante não passa pela economia nem pelas quatro linhas de um campo de futebol. Sem dúvida nenhuma, todos de minha geração lembram-se de onde estavam quando souberam da morte de Ayrton Senna, o maior ídolo do esporte que o Brasil já teve.
Fazer um filme sobre a carreira de um ídolo esportivo a nível mundial pode parecer tarefa fácil - basta jogar imagens de arquivo com o ídolo em questão sorrindo, fazendo o que fazia melhor, jogar depoimentos de parentes e amigos e encerrar com a morte do ídolo. Mas o diretor Asif Kapadia preferiu fazer de Senna um filme menos clichê sem deixar de ser emocional.
As imagens de arquivo estão lá, mas não são intercaladas com depoimentos filmados, como seria esperado. Todos os depoimentos (os pais de Senna, Reginaldo Leme, Viviane Senna, Alain Prost, Frank Williams, etc.) são apenas ouvidos enquanto vemos cenas de corridas ou da vida privada de Ayrton. Mas o que diferencia Senna de todos os outros documentários e reportagens televisivas sobre o piloto tricampeão mundial de Fórmula 1 é o acesso a imagens nunca antes exibidas dos bastidores das corridas, as reuniões pré-corridas com todos os pilotos, que mostram as posições de Ayrton contra a politicagem presente na FIA, a organização que realiza o campeonato mundial.
Há momentos de arrepiar, como o dia em que Ayrton abandonou uma das reuniões como forma de protesto contra decisões dos comissários que eram injustas não somente para ele, mas também para os outros pilotos.
E mesmo se tratando de um documentário, Senna é editado de modo a parecer um filme de ficção, com um mocinho de um lado e alguns vilões do outro. Neste caso, os vilões são Alain Prost e Jean-Marie Balestre (presidente da FIA na época), que proporcionam duelos tensos e interessantíssimos com o protagonista do embate.
Outro ponto positivo de Senna é a decisão de mostrar algumas corridas como se elas estivessem acontecendo ao vivo, na tela. Não há como conter a emoção de ver Ayrton vencendo novamente, incendiando a torcida no Brasil, sendo alavancado ao Olimpo dos pilotos de corrida.
O filme foca pouco na vida pessoal de Ayrton, e é muito econômico ao falar das aventuras amorosas do piloto, o que é excelente, porque deixa mais tempo para o que realmente importa: mostrar a genialidade que Ayrton tinha quando estava no volante de uma Lotus, ou uma McClaren, ou uma Williams.
E como todos da minha geração se lembram de onde estavam naquele fatídico 1º de maio de 1994, o momento mais emocionante do filme é quando presenciamos mais uma vez a cena que gostaríamos de cortar de nossas memórias. A curva Tamborello, no circuito de Ímola, Itália. Mas não estamos falando de uma ficção. Na vida real, os ídolos morrem jovens. E as manhãs de domingo nunca mais foram as mesmas.

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The Good Wife

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Apesar de assistir algumas séries, não costumo escrever muito a respeito. Mas The Good Wife é uma das séries mais empolgantes que há na safra mais recente da tevê americana, e isso merece uma postagem. Estrelada por Juliana Margulies (de E.R. - Plantão Médico), Chris Noth (de Sex and the City) e Josh Charles (do elenco jovem de Sociedade dos Poetas Mortos), a série criada por Robert e Michelle King é um drama jurídico que não deixa de lado a vida pessoal de seus protagonistas. Neste caso, a vida de Alicia Florick, advogada que deixou a carreira para se dedicar à família. Entretanto, depois de um escândalo sexual envolvendo seu marido, Peter (Chris Noth), que é o promotor de justiça da cidade, ela vê a necessidade de recomeçar a carreira. Para isso, aceita um emprego em um grande escritório de advocacia, onde atuará em difíceis casos criminais enquanto tentará equilibrar tudo isso com o contínuo cuidado com seus filhos.
Apesar de ser possível assistir cada episódio isoladamente - há um novo caso toda semana - a vida familiar de Alicia conecta todos os capítulos, de modo a prender a atenção do público, que fez de The Good Wife um drama premiado e com grande audiência na TV aberta americana. A atuação precisa de Juliana Margulies já lhe rendeu o Emmy e outras premiações importantes. O elenco todo está bastante sóbrio e entrega performances excelentes, como é o caso de Archie Panjabi no papel de uma assistente de Alicia - prova disso é o Emmy com que foi premiada por sua atuação.
Os episódios têm seus roteiros muito bem construídos, e a resolução dos casos vai sendo montada como um quebra-cabeças, como já é de praxe em seriados do gênero. Quando a gente pensa que não há mais saída para a vitória de Alicia, sempre surge uma nova peça - totalmente plausível, diga-se de passagem - que traz a solução.
The Good Wife é um drama de qualidade, que honra a tradição americana de produzir bons programas envolvendo advogados. A Globo devia aprender com os gringos, já que a única tentativa de produzir algo semelhante resultou no pífio Na Forma da Lei, com roteiro apressado e atuações forçadas. Afinal, acreditar que Luana Piovani possa se tornar uma promotora de justiça é mais difícil que engolir alguns BBB's sendo chamados de heróis por Pedro Bial. Me poupe.

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Dois thrillers que você não pode perder (e um para esquecer)

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De todos os gêneros do cinema, o thriller é sem dúvida aquele que mais me prende atenção. Quase todos os filmes do gênero têm tramas interessantes e intrigantes. Eu disse quase todos. Nos últimos tempos pelo menos um thriller lançado com grande expectativa decepcionou grande parte do público, este que vos escreve inclusive. Em compensação, outros dois, sem tanto hype nem algum grande estúdio por trás, mostraram que bons filmes podem ser feitos sem orçamentos milionários. Vamos a eles - para depois falar da grande decepção de 2010.

Jogo de Poder - muitos filmes têm sido lançados nos últimos anos escancarando a mentira que foi a chamada "Guerra ao Terror" de George W. Bush (inclusive a própria biografia do presidente, dirigida por Oliver Stone, W.), mostrando que as tais armas de destruição em massa tidas como existentes pelo presidente não existiam no Iraque. Jogo de Poder conta a história verídica de Valerie Plame  (Namoi Watts) e seu esposo, Joe Wilson (Sean Penn), ela agente da CIA que teve sua identidade vazada  para a imprensa pelos altos escalões do governo americano como forma de retaliação pela publicação de um artigo de seu esposo, diplomata aposentado, afirmando não existir nenhuma suposta encomenda de urânio ao país africano Níger feita por Saddam Hussein. O filme mostra a investigação conduzida pela CIA para encontrar evidências de armas de destruição em massa no Iraque, e assim dar argumentos ao governo para a invasão ao país árabe. Muito bem dirigido por Doug Liman (A Identidade Bourne, Jumper), o thriller defende que a maioria dos agentes da inteligência americana não concordavam que havia tais evidências, o que significa que Bush estava ciente da não-existência dessas armas mas mesmo assim seguiu com a guerra. Todos sabemos hoje que tais armas jamais foram encontradas, e ver que vários níveis do governo agiram à revelia de tantas evidências claras contrárias a tal argumento é revoltante. Mas se tratando de cinema, Jogo de Poder é um exemplo de como se faz um thriller empolgante e releto de tensão.

72 Horas - O filme de Paul Haggis (Crash - No Limite) faz a pergunta: "Até onde alguém é capaz de ir para libertar quem se ama?" Russell Crowe estrela como John Brennan, marido apaixonado e devotado à sua família que vê sua vida virar de cabeça para baixo com a prisão de sua esposa, Lara (vivida por Elizabeth Banks), acusada de assassinar a própria chefe. Crente na inocência da esposa, John empreende todos os meios legais para ver sua esposa livre da cadeia, mas todas as evidências apontam para sua culpa. Esgotadas todas as opções jurídicas, ele toma medidas desesperadas e resolve agir para tirá-la da prisão. E está disposto a tudo para tornar isso realidade. Com muito suspense e saídas geniais, sem nunca agredir os neurônios do espectador, Paul Haggis exibe grande habilidade como um dos cineastas mais interessantes do cinema atual, realizando um filme empolgante e misterioso até o fim, quando finalmente sabemos se Lara é culpada ou inocente. Duas horas bem gastas. E um dos mais belos pôsteres do ano.

Agora vamos ver um thriller para esquecer:

O Turista - Johnny Depp e Angelina Jolie juntos em um filme de suspense e ação, dirigido pelo mesmo cineasta que realizou o magnífico A Vida dos Outros? Sucesso na certa, diziam todos ao saber da produção de O Turista. Filme lançado, e a decepção não poderia ser maior, tanto nas bilheterias como com os críticos. Se pelo menos fosse possível acreditar na química entre Depp e Jolie, o filme seria ainda palatável. O diretor Florian Henckel von Donnersmarck mostra-se deslumbrado demais com seu casal de protagonistas e acaba se esquecendo de contar uma história com um mínimo de razoabilidade. Depp é Frank Tupelo, um professor de matemática americano em viagem pela Europa que é abordado pela misteriosa Elise (Angelina Jolie, sempre linda) e envolvido em uma trama que envolve a interpol e a máfia italiana. Seria interessante, se não fosse trágico. Como se não bastasse a auseência de química entre os protagonistas e as fraquíssimas cenas de ação, é simplesmente impossível engolir a reviravolta do final, completamente absurda e ilógica. Um thriller sem sal, que desperdiça milhões de dólares e preciosos 90 minutos do tempo do espectador.

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Megamente

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O mais recente filme da Dreamworks Animation mostra que, diferente da Pixar, o estúdio fundado por Steven Spielberg segue um caminho mais focado em comédias que satirizam gêneros do cinema, na maioria das vezes sendo bem sucedido. Como exceção a essa tendência cômica, posso citar Como Treinar o Seu Dragão, um dos melhores filmes de 2010.
Mas vamos falar de Megamente. Trata-se de um filme sobre um vilão (como em Meu Malvado Favorito) que homenageia com muito bom gosto o conto de origem do super-herói mais famoso: Superman. Depois de anos tentando, Megamente (voz de Will Ferrel) finalmente consegue derrotar o herói da cidade, Metro Man (dublado por Brad Pitt). Sem ninguém para enfrentá-lo, o vilão torna-se o dono da cidade, rouba cada banco inúmeras vezes e acaba ficando entediado, sem ter com quem lutar.
Para solucionar o problema, Megamente decide criar um novo herói, que acidentalmente acaba sendo um cara sem nenhuma noção de heroísmo, virando um vilão ainda pior que Megamente, e com super poderes.
O protagonista acaba vivendo o esperado dilema sobre heroísmo, o valor falso de ser vilão e reflexões sobre o sentido da vida. É claro que toda essa trama é permeada por muitas boas piadas e gags que têm tudo para agradar os fãs de HQs, mas também não decepcionam os espectadores que nunca leram um gibi.
Megamente fecha com chave de ouro um ano bastante positivo para as animações. Vale a pena investir uma hora e meia nesta ótima aventura.

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Filmes sobre questões religiosas

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Por acaso (ou não, se considerarmos algo espiritualmente determinado), assisti nos últimos dias dois filmes recentes que tratam de questões religiosas, cada um com sua abordagem distinta. Aqui está minha opinião sobre eles.
Além da Vida - Sempre que Clint Eastwood lança um novo filme, cinéfilos do mundo inteiro prestam atenção. Afinal, o estilo elegante e sereno do diretor octagenário é capaz de trafegar pelos mais diversos gêneros sem se prender a velhas fórmulas comerciais. Em Além da Vida, o cineasta se arrisca em um drama espiritualista lento porém belo. Matt Damon é um médium que considera seu dom uma maldição, e não tem intenção de lucrar com sua mediunidade. Sua história, porém, é apenas uma das três tramas que se desenrolam no filme, para no final se entrelaçarem. Há a história de uma famosa âncora de telejornal francês que passa por uma experiência de quase-morte - numa das cenas de desastre natural mais realistas do cinema - e resolve escrever a respeito; paralelamente conhecemos o menino que está lidando com dificuldade com a morte do irmão gêmeo. As três histórias têm um tema em comum: a morte. Não é difícil perceber que Clint Eastwood trata em Além da Vida de uma questão normalmente ignorada pela maioria das pessoas, a morte iminente que aguarda a todos, e discute tal tema com a propriedade de quem passou dos 80 anos ainda trabalhando, mas já percebe que está mais perto de encontrar seu destino do que quando era um jovem astro dos westerns. Ponto para ele, que realizou um belo filme. Lento, mas ainda belo.

Alexandria - Pouco se fala sobre Hipátia, filósofa e matemática egípcia na aurora do cristianismo, que viveu em um Egito dominado pelos romanos e desenvolveu teorias matemáticas fundamentais para a ciência moderna. Mas sua história é de fato fascinante. O cineasta espanhol Alejandro Amenábar (Os Outros) viu na vida de Hipátia uma oportunidade de visitar o surgimento do cristianismo em sua forma mais conhecida ao longo de mais de 1500 anos: uma igreja que deturpou os ensinamentos de Jesus e ignorou coisas básicas e fundamentais para a doutrina cristã genuína, como o amor e a compreensão. Amenábar não poupa o espectador ao relatar o ataque dos cristãos à milenar Biblioteca de Alexandria, atacando as obras antigas, rasgando pergaminhos que nunca mais serão encontrados e transformando o prédio em um templo. É duro de se ver, e mesmo que nem todos os fatos mostrados em Alexandria sejam verdadeiros, o filme serve como ponto inicial para que nós, cristãos modernos, possamos refletir sobre os rumos que o cristianismo tomou, transformando-se no catolicismo, e gerando aberrações doutrinárias na forma de instituições sanguinárias como a Inquisição. A propósito, Rachel Weisz no papel de Hipátia está luminosa, em um filme que merecia um destino melhor nas bilheterias. Alexandria merece ser descoberto em DVD.

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Palpites para o Oscar 2011 - Parte 2

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Continuando minha análise (e meus palpites) dos indicados em todas as categorias do Oscar 2011, veremos os selecionados que concorrem ao prêmio por Roteiro Adaptado, Roteiro Original, Direção e Filme de Animação.

Melhor Roteiro Adaptado
A Rede Social
127 Horas
Bravura Indômita
Toy Story 3
Inverno da Alma

Mais uma categoria bastante concorrida, o prêmio de melhor Roteiro Adaptado tem potencial de se tornar o prêmio de consolação para A Rede Social, já que nesta categoria o filme de David Fincher não encontra a concorrência de O Discurso do Rei. Em compensação, há a forte presença de Bravura Indômita, inclusive pelo fato de os Irmãos Coen terem aproveitado o livro original de Charles Portis mais completamente que o filme clássico de 1969, com John Wayne. Opinião do blogueiro: acho que a estatueta já está nas mãos de Aron Sorkin, roteirista de A Rede Social. Oscar do blogueiro: se dependesse de mim, seria uma noite histórica para as animações, já que o prêmio iria para o magnífico Toy Story 3.

Melhor Roteiro Original
Another Year
O Vencedor
A Origem
Minhas Mães e Meu Pai
O Discurso do Rei

É quase certo que o vencedor de Roteiro Original seja um filme interessante de se assistir. Este ano, entre os indicados apenas uma surpresa: Another Year, escrito por Mike Leigh. Mas este ocupa apenas a posição de azarão entre os grandes favoritos, O Discurso do Rei, A Origem e O Vencedor. Opinião do blogueiro: com o filme de Tom Hooper no páreo, dificilmente o Oscar não vai para David Seidler, roteirista de O Discurso do Rei. Oscar do blogueiro: a trama intrigante e original de Christopher Nolan para A Origem merece ao menos um prêmio dentre as categorias chamadas 'artísticas', já que os prêmios técnicos devem ser abocanhados pela ficção científica.

David Fincher, de 'A Rede Social'
Melhor Direção
Cisne Negro - Darren Aronofsky
O Vencedor - David O. Russel
O Discurso do Rei - Tom Hooper
A Rede Social - David Fincher
Bravura Indômita - Ethan e Joel Coen

Poucas vezes o vencedor de Melhor Filme não leva o prêmio de Direção. Lembro-me de 2006, quando Ang Lee foi premiado por O Segredo de Brokeback Mountain, mas o filme vencedor na categoria principal acabeou sendo Crash - No Limite. Apesar de algumas exceções, não creio que este ano teremos surpresas desta natureza. Opinião do blogueiro: com a provável vitória esmagadora de O Discurdo do Rei, Tom Hooper deve ser o vencedor da categoria. Oscar do blogueiro: um diretor que transforma uma história aparentemente sem graça (a história da criação do Facebook) em um filme interessante e atraente ao grande público merece o prêmio, sem dúvida alguma. Meu Oscar vai para David Fincher, por A Rede Social.

Melhor Filme de Animação
Como Treinar Seu Dragão
O Mágico
Toy Story 3

Com apenas três indicados, a Academia afunila muito uma categoria que poderia render uma disputa interessante, já que 2010 foi um ano pródigo em produções do gênero. Mas mesmo com fortes concorrentes, a estatueta já tem dono. Opinião do blogueiro: alguma dúvida? Toy Story 3 será o vencedor. Oscar do blogueiro: em uma Academia perfeita, a vitória na categoria de Melhor Filme para a obra-prima da Pixar daria espaço para Como Treinar Seu Dragão sair vitorioso como Melhor Filme de Animação.

Na terceira parte deste artigo, falaremos das categorias musicais. Até lá!

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Os 5 Clichês de Cartazes de Filmes Românticos

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Os anos se passam e Hollywood continua a nos assolar com seus produtos filmados, feitos para certas parcelas do público que enchem os cinemas para ver a Meca da Sétima Arte (?) desfilar toneladas de clichês uns sobre os outros, apenas modificando os títulos e um ou outro nome do elenco. Se os filmes prontos são lugares-comuns, os cartazes que os divulgam não são exceção. O fato é que todos eles se parecem muito. A revista inglesa Empire separou alguns destes clichês mais famosos, e os reuniu para nossa diversão. Vamos a eles:
1. Costas com costas


Uma Linda Mulher inaugurou a onda dos cartazes onde os protagonistas são mostrados um de costas para o outro, sempre sorrindo e fazendo aquele olhar: "Ok, estou ganhando uma grana preta para fazer isso, acho que vale a pena." Com certeza na época que o cartaz foi criado, ninguém pensou que estaria criando um dos clichês mais utilizados pelo gênero mais repetitivo do cinema. A moda pegou.
Maratona do Amor
 






















Como Perder um Homem em 10 Dias
O Amor Custa Caro

2. Os Três Rostos
 Imagine a cena: o designer de cartazes recebe a encomenda para um filme cuja trama trata de um triângulo amoroso; é final de expediente; ele está cansado e louco para chegar em casa (ou no happy-hour). O que ele faz? "Vamos colocar os três atores principais fazendo expressões engraçadinhas, é isso aí." Acho que foi assim que surgiram os tais cartazes de três rostos. Tudo bem fazer assim em O Diário de Bridget Jones, mas repetir a "façanha criativa" na sequência, Bridget Jones: No Limite da Razão? Como diz o povo na minha cidade, "Valha-me Deus"!
Bridget Jones: No Limite da Razão

Mickey Olhos Azuis - Hugh Grant ataca novamente!
Dois é Bom, Três é Demais - nunca veja este filme. Nunca

3. No Banco do Parque
 Alguns cartazes trazem mais de um clichê. Tomemos como exemplo Procura-se um Amor Que Goste de Cachorros, de 2005. Além de ser um clássico cartaz do casal sentado num banco de praça, ainda tem os três rostos! Certo que um deles é o de um cachorro, mas se você já viu o filme, deve saber que o amor de Diane Lane pelos cachorros faz com que qualquer romance com ela se torne um triângulo amoroso. Que coisa! Vejamos outros bancos de parque...
Ghost Town  - Tem um Espírito Atrás de Mim
Leis da Atração
4. As Cabeças Gigantes
Estrelando os cabeções de Meg Ryan e Hugh Jackman
 Se você acha que tem um cabeção, é porque nunca viu estes cartazes com cabeças enormes, gigantescas, imensas!
O Que as Mulheres Querem - com os cabeções de Mel Gibson e Helen Hunt!
O Poder do Amor - O poder das cabeças gigantes
Apenas Amigos - misericórdia, que cabeça é essa, meu filho

5. Colagem
 Não há maneira mais fácil de se criar um cartaz de um filme com elenco estrelado do que reunindo imagens do elenco numa colagem que poderia ter sido feita no Picasa. E para ficar ainda mais "romântico", nada como emoldurar tudo em um coração. Idas e Vindas do Amor é clichê puro.
Ele Não Está Tão a Fim de Você
Simplesmente Amor
Albergue Espanhol


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O Discurso do Rei

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Ontem à noite aconteceu a entrega do SAG Awards, o prêmio anual promovido pelo Sindicato dos Atores. Este prêmio tem ganhado importância e relevância a cada ano, e serve como um termômetro claro para o Oscar. Acontece que este ano o filme premiado por seu elenco no SAG não foi A Rede Social, e sim O Discurso do Rei, uma pequena pérola que vem ganhando força nas bolsas de aposta para a grande festa do cinema mundial.
Com doze indicações, o filme de Tom Hooper relata a ascensão de George VI ao trono britânico e o surgimento da amizade deste com seu terapeuta vocal, que o ajudou a superar a gagueira para que seus discursos estivessem à altura da posição de um rei.
Estrelado por Colin Firth (George VI) e Geoffrey Rush (o terapeuta vocal Lionel Logue), O Discurso do Rei é uma obra tocante, que dosa equilibradamente o mais fino humor inglês e o drama político, tornando o ato de assisti-lo um verdadeiro deleite.
Firth está excelente no papel do rei inseguro devido à sua gagueira. Sua atuação, entretanto, é muito segura, e ele deve ser o vencedor do Oscar em sua categoria. Já Geoffrey Rush é tão bom que por vezes rouba a cena de seu colega, enchendo a tela de vigor e paixão pela maravilhosa história que está contando.
Tendo vencido o prêmio dos sindicatos dos atores e dos diretores, principais votantes no prêmio da Academia, O Discurso do Rei surge como um possível estraga-prazeres para a festa antecipada de A Rede Social. Essa briga vai ser boa de ver.

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Palpites para o Oscar 2011 - Parte 1

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Todo ano é a mesma coisa. Assim que saem as indicações para o maior prêmio do cinema mundial, cinéfilos de todo o planeta começam a fazer suas previsões sobre quem serão os grandes vencedores. Comigo não é diferente. Apesar de sempre ter feito essas 'previsões' em particular, eu nunca havia escrito um texto a respeito. Mas este ano não resisti, já que acertei todas as indicações a melhor filme; quem sabe não acerto também nos premiados de algumas categorias, isso seria legal. Aí vão as indicações e minhas análises sobre quem considero os favoritos aos prêmios:

Melhor Filme
O Vencedor
Minhas Mães e Meu Pai
Inverno da Alma
O Discurso do Rei

Uma das listas de indicados com o maior número de excelentes filmes dos últimos anos, a seleção deste ano traz ótimas opções para o público, com os mais variados gêneros. Com todo o barulho e aclamação dos críticos, A Rede Social saiu na frente, ao ganhar o prêmio dos críticos no Critics' Choice; uma semana depois foi a vez de O Discurso do Rei vencer na categoria Melhor Filme - Drama no Globo de Ouro, colocando o filme de época no páreo. A briga será entre estes dois, apesar de Cisne Negro e Bravura Indômita correrem por fora. Opinião do blogueiro: a estatueta vai para O Discurso do Rei, filme com mais 'cara de Oscar' dentre os indicados.
Oscar do blogueiro: em um mundo perfeito, Toy Story 3 seria o ganhador. Afinal, trata-se de um filme perfeito.

Melhor Ator
Javier Bardem - Biutiful
Jesse Eisenberg - A Rede Social
Jeff Bridges - Bravura Indômita
Colin Firth - O Discurso do Rei
James Franco - 127  Horas

Muitos analistas apontam o favoritismo amplo de Colin Firth, no papel do rei George VI em O Discurso do Rei. Ainda não assisti o filme, mas com tantas críticas positivas, e toda comoção com a atuação de Firth, o ator é provavelmente quem já tem o jogo ganho. Vale a pena lembrar, entretanto, que os críticos não votam no Oscar, apenas os membros da Academia, que são profissionais da produção cinematográfica, aqueles que já foram indicados ao prêmio anteriormente. Neste caso, Jeff Bridges pode sonhar com sua segunda estatueta (ano passado ele ganhou por Coração Louco), já que é um dos atores mais queridos por seus colegas de Hollywood, sem desmerecer seu trabalho fantástico em Bravura Indômita, como o xerife bêbado Rooster Cogburn, que entra em território indígena para capturar um assassino. Opinião do blogueiro: e o Oscar vai para... Colin Firth! Oscar do blogueiro: gosto do Colin Firth, sou fã do Jeff Bridges, mas basta assistir a 127 Horas que a torcida vai para James Franco!

Melhor Atriz
Annette Bening - Minhas Mães e Meu Pai
Nicole Kidman - Reencontrando a Felicidade
Jennifer Lawrence - Inverno da Alma
Natalie Portman - Cisne Negro
Michelle Williams - Namorados Para Sempre

Segundo analistas, a batalha pela estatueta se dará entre Annette Bening e Natalie Portman, com a última saindo na frente por ter vencido o prêmio dramático no Globo de Ouro; Annette também foi a vencedora na categoria Comédia/Musical na mesma premiação, mas papéis cômicos não costumam vencer. A Academia historicamente prefere atuações femininas mais dramáticas. Neste quesito, a atuação de Natalie Portman como a bailarina obcecada pela perfeição em Cisne Negro é simplesmente arrebatadora. Opinião do blogueiro (e Oscar do blogueiro): justiça deve ser feita, com o prêmio indo para Natalie Portman.

Melhor Ator Coadjuvante
Christian Bale - O Vencedor
Jeremy Renner - Atração Perigosa
John Hawkes - Inverno da Alma
Geoffrey Rush - O Discurso do Rei
Mark Ruffalo - Minhas Mães e Meu Pai

Há um tempo que Mark Ruffalo tem apresentado ótimas atuações, como em Ensaio Sobre a Cegueira, mas desta vez é provável que Geoffrey Rush, como o técnico vocal de O Discurso do Rei, conquiste o segundo Oscar da carreira (o primeiro foi por Shine - Brilhante, como Melhor Ator). O único outro indicado que aparece como possível estraga-prazeres de Rush é Christian Bale, que rouba a cena em O Vencedor, como o antigo campeão de boxe que treina seu irmão para seguir o mesmo caminho. Opinião (e Oscar) do blogueiro: não posso ser irresponsável, já que ainda não assisti a nenhum dos dois filmes, mas assim que assistir, atualizarei este post e apontarei meu favorito!

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams - O Vencedor
Melissa Leo - O Vencedor
Helena Bonham Carter - O Discurso do Rei
Hailee Steinfeld - Bravura Indômita
Jacki Weaver - Reino Animal

Talvez a categoria com maior indefinição seja esta, que conta com duas atrizes indicadas pelo mesmo filme, e uma revelação que se mostra muito talentosa: Hailee Steinfeld, a jovem de 14 anos que demonstra imenso talento como a menina que contrata Jeff Bridges para capturar o assassino de seu pai. Oscar do blogueiro: gostaria muito de ver Hailee Steinfeld subir ao palco. Dá para pensar que estou sonhando demais, mas basta lembrar da vitória de Anna Paquin, que em 1994, aos onze anos, foi a vencedora na categoria por O Piano.

Na segunda parte deste artigo, analisaremos as categorias Direção, Roteiro Adaptado e Roteiro Original. Não perca!
 

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127 Horas

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Danny Boyle, o diretor de 127 Horas, conhece o caminho das pedras até o Oscar. Foi ele o vencedor em 2009, pelo magnífico Quem quer ser um milionário?, realizado com meros 15 milhões de dólares, premiado com oito prêmios da Academia e adorado pelo público, que colocou mais de 140 milhões de dólares nas bilheterias somente nos EUA.
Com 127 Horas, produzido por apenas 18 milhões de dólares, o cineasta prova mais uma vez que é possível gastar pouco e realizar uma obra densa, interessante e marcante no coração da audiência. James Franco estrela no papel de Aron Ralston, um montanhista radical que durante uma trilha nos canyons de Utah cai em um local inóspito, com a mão direita presa a uma pedra, sem celular, e toma medidas desesperadas para sobreviver.
James Franco está estupendo como o personagem real, que no decorrer do filme se mostra arrogante e egoísta, não se importando em avisar a ninguém sobre aonde estava indo. Sem desmerecer nenhum outro membro da equipe, o filme é inteiramente de Franco, merecidamente indicado ao Oscar.
Vale destacar também, entretanto, o excelente trabalho de edição, tão ágil que não permite que os quase 90 minutos de projeção fiquem entediantes.
Não há como não mencionar que em muitos cinemas onde o filme já foi exibido (no Brasil a estreia é em 18 de fevereiro) algumas pessoas tiveram convulsões, taquicardia e até abandonaram a sala de projeção, tudo graças a uma cena específica que, de tão bem realizada, é extremamente angustiante. Quer saber que cena é essa? Faça o download ou espere o lançamento nos cinemas e descubra você mesmo.

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Cisne Negro

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Hipnotizante. Foi a primeira palavra que veio à minha mente ao tentar descrever a experiência de assistir a Cisne Negro (Black Swan, EUA, 2010), obra-prima do diretor Darren Aronofsky, estrelado pela magnífica Natalie Portman.
O roteiro de John McLaughlin é ambientado no mundo do balé de Nova York, e mostra a estranha relação de Nina (Natalie Portman) e Lilly (Mila Kunis). Nina é uma bailarina veterana que acaba de ganhar seu primeiro papel principal, na montagem do Lago dos Cisnes; seu personagem é um cisne, que ora é branco e puro, ora é negro e perverso. O problema é que Nina ainda vive em um mundo de fantasia e pureza, tendo sido reprimida pela mãe toda sua vida. Ela tem 28 anos e ainda mora com a mãe e tem seu quarto todo rosa e cheio de ursos de pelúcia! O papel de um cisne negro, perverso e sedutor revela-se um tremendo desafio para ela, e à medida que Nina vai entrando mais no papel, ela começa a perceber que está perdendo sua sanidade.
Com um ar sinistro e tenso, Cisne Negro não é um filme-família, nem uma história de balé que fará as jovens meninas suspirarem e desejarem ser bailarinas. Há uma cena forte, embora não seja gratuita. Trata-se de uma história em que o maior conflito ocorre na mente de Nina, cuja sensação de segurança proporcionada pela mãe (vivida magistralmente por Barbara Hershey) começa a se esvair no momento em que ela se descobre despreparada para o papel mais importante de sua vida.
O longo clímax de Cisne Negro tem algo de épico, repleto de suspense e com reviravoltas que impedem o público de respirar com tranquilidade durante seus longos minutos de duração. Darren Aronofsky segue Natalie Portman com sua câmera por onde quer que ela vá, fazendo do espectador uma espécie de voyeur, uma testemunha ocular de todas as transformações experimentadas pela personagem.
Tudo isso combinado faz com que Cisne Negro seja um dos fortes candidatos a várias indicações ao Oscar deste ano, com pelo menos uma vitória quase certa: a de Natalie Portman. A não ser que os membros da Academia percam totalmene o juízo, ninguém tira esse prêmio dela.

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Bravura Indômita

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Novo filme dos irmãos Coen é forte candidato ao Oscar

Muitos fãs de westerns desconhecem o fato de que um dos maiores filmes do gênero, Bravura Indômita, estrelado por John Wayne - que lhe rendeu seu único Oscar - é baseado no romance homônimo escrito por Charles Portis e publicado pela primeira vez em 1968. Falo isso porque quando os irmãos Joel e Ethan Coen anunciaram que seu novo projeto era filmar Bravura Indômita, alguns franziram a testa pensando: heresia! Refilmar um clássico intocável!
Na verdade, este Bravura Indômita não se trata de um remake, mas da adaptação do livro. E antes que alguém pergunte, sim, o filme é (muito) bom.
Nas mãos dos irmãos Coen, a obra de Chales Portis recebe uma adaptação mais do que digna. Os cineastas convocaram o eterno Lebowski, Jeff Bridges, ainda na ressaca pela vitória no Oscar do ano passado, para estrelar como Reuben "Rooster" Cogburn (papel que rendeu o prêmio da Academia a John Wayne, em 1970), um xerife bêbado, decadente e durão, que é contratado pela jovem Mattie Ross (a novata Hailee Steinfeld) para perseguir em território indígena Tom Chaney (Josh Brolin), o assassino de seu pai, que lá se refugiou, em companhia de uma temida e procurada gangue. Recebendo a companhia não solicitada do Texas Ranger LaBoeuf (Matt Damon), que também persegue Chaney, os dois vão em busca do assassino e viverão uma aventura inesquecível.
Com um tom saudosista, o filme é um western tradicional, com grandes paisagens, cowboys durões, tiroteios empolgantes e mensagem sobre crime e castigo, tão relevante hoje como era quarenta anos atrás. A trilha sonora evoca antigos hinos protestantes, que combinam perfeitamente com o clima da produção. Com um clímax repleto de suspense, Bravura Indômita é sem dúvida candidato a várias indicações ao Oscar, e não seria nada mal incluir Jeff Bridges no páreo para Melhor Ator.
Como têm mostrado nos últimos anos, os irmãos Coen são sempre fortes concorrentes ao maior prêmio do cinema. Este ano, penso eu, não será diferente.

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