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O Lobisomem

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Lawrence Talbot é um ator que regressa à aldeia onde cresceu para investigar a horrível morte de seu irmão, Ben, a pedido da noiva dele. Mas Blackmoor, a aldeia, e principalmente a propriedade de seu pai são lugares que não trazem boas lembranças a ele. Foi lá que Lawrence viu sua mãe suicidar-se, e lá também que ele cresceu à sombra de seu sinistro e distante pai. À medida que ele começa a investigar o crime, vai descobrindo que o lugar guarda segredos assustadores e monstruosos. Lawrence é mordido por uma criatura misteriosa, e é só uma questão de tempo até que ele finalmente se torne um lobisomem! 
O diretor de O Lobisomem (EUA, 2010), Joe Johnston, refilma o filme clássico de 1941 com maestria, criando uma atmosfera de horror que dignifica a obra original sem afastar o fã contemporâneo do bom cinema. Benicio Del Toro no papel principal e os coadjuvantes Anthony Hopkins (como o pai de Lawrence) e Emily Blunt (como a noiva do irmão de Lawrence) estão magistrais em seus papeis.
O Lobisomem é um filme de horror que já nasce clássico. Joe Johnston decidiu não modernizar a história, trazendo a trama para os tempos modernos. O filme se passa em plena Inglaterra vitoriana do século XIX, o que deixa a ambientação ainda mais tenebrosa. Mesmo em cenas durante o dia é possível perceber a tensão no ar. E a transformação de Lawrence Talbot é espetacular, usando elementos de computação gráfica com maquiagem, de modo a criar um lobisomem inteiramente crível. As cenas de ação são particularmente interessantes, podendo destacar o ataque de Lawrence a algumas dezenas de cientistas incrédulos em plena Londres.
Depois de assistir a O Lobisomem, é possível acreditar que Joe Johnston fará um excelente trabalho à frente de Capitão América: O Primeiro Vingador, adaptação dos quadrinhos Marvel que estreará em 2011. Será uma longa espera.

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Oldboy (da série: 1001 Filmes)

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O cinema coreano do século XXI tem se mostrado forte e competitivo, trazendo filmes capazes de cativar até o mais desconfiado dos espectadores. Bons exemplos deste novo cinema surgem a cada ano, mas foi Oldboy (Coréia do Sul, 2003), do diretor Chan-wook Park, que serviu como estopim desta onda oriental que tem invadido as salas de exibição do ocidente.
Invasão merecida, diga-se por passagem. A obra de Park é contundente, mordaz e violentamente sedutora, para dizer o mínimo. Um filme que merece ser visto três, quatro vezes, até que se extraia tudo o que ele tem a dizer. Conta a história de Dae-Su, um homem que é sequestrado e aprisionado por 15 anos em um quarto sem janelas, sem saber quem o sequestrou e muito menos a razão de tal ato. Depois deste longo período, ele é simplesmente libertado e tem 5 dias para buscar as respostas para seus questionamentos e, é claro, realizar sua vingança. Mas Oldboy vai além da velha história de vingança, personificada por Charles Bronson em sua série Desejo de Matar. A trama esconde muitos segredos e surpresas, que são revelados nos inúmeros flashbacks que permeiam todo o filme. Misturando incesto, (muita) violência gráfica, imagens marcantes e atuações às vezes exageradas (típicas do cinema deste país), Oldboy não economiza em questionamentos a respeito do verdadeiro valor da vingança. Afinal, vale mesmo a pena buscá-la? E depois de obtê-la, o que acontece?
São perguntas assim que vão surgindo durante o filme; algumas serão respondidas, mas a maioria delas fica para a conclusão do próprio espectador que, atônito, só irá tentar respondê-las depois que se recuperar. É assim mesmo; Oldboy não é moleza. Mas é sensacional.

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Glee

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Criada por Ryan Murphy, Glee é uma série jovem diferente de qualquer outro programa do gênero. Tem personalidade, humor, ironia e emoção transbordando a cada minuto. Em inglês, "glee" é alegria, mas também é um tipo de atividade extracurricular das high-schools americanas, equivalente aos corais juvenis brasileiros. Diferente da série de filmes xaropes High School Musical, na escola de Glee os alunos mais populares passam longe dos palcos escolares, preferindo o time de futebol e a equipe de líderes de torcida, atividades que trazem muito mais notoriedade. Para o coral sobram os alunos excluídos, que são normalmente os pobres, feiosos, nerds, gays e qualquer outro que não se encaixe nos padrões preconceituosos da juventude americana média. Todos os personagens clichê dos filmes sobre jovens estão aqui: a bonitona líder de torcida maquiavélica, o quarterback ultrapopular e gostosão, a garota afro-descendente bem gente boa e o professor gentil e preocupado com os alunos. Mas em Glee o que faz a diferença são as situações divertidas, os conflitos gerados entre os antagonistas (a treinadora das líderes de torcida e vilã Sue Sylvester e o professor mocinho do coral Will Schuester) e especialmente os diálogos inteligentes e perspicazes.
Além disso, Glee também tem números musicais sensacionais, o que atrai novos fãs para a série a cada dia. E os produtores já perceberam que têm uma mina de ouro nas mãos. Cada CD com canções apresentadas no programa é um sucesso em vendas e downloads pagos, ultrapassando até álbuns badalados, como o disco de outro fenômeno teen, Crepúsculo.
Assistir Glee é diversão pura. Para viciar, basta um episódio.

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Séries que valem o post

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Tenho assistido algumas séries ultimamente, séries que valem o comentário. Lá vão elas:
Nurse Jackie - Esta série dramática com temática hospitalar mostra o cotidiano profissional e pessoal de Jackie, enfermeira-chefe de um hospital capaz de realizar plantões sem perder a competência, mas precisa do uso de tranquilizantes para se manter ativa. A atriz Edie Falco (de Os Sopranos), no papel principal, está luminosa, e entrega momentos realmente marcantes a cada episódio. A série enfoca a câmera especialmente nos enfermeiros, mostrando seus medos, defeitos e virtudes. A maioria dos episódios mostram sempre a família de Jackie no início e no fim, como uma espécie de mensagem que diz que a vida profissional é apenas parte de nosso dia a dia, e nem sempre é a melhor parte. Para quem tem TV paga, a série é exibida no canal Studio Universal, com exclusividade na América Latina. Para quem não tem, está aí uma excelente opção para download.
True Blood - Com todo o hype em cima desta série da HBO, não tinha como não assistir ao menos dois episódios da segunda temporada (reprisando durante esta semana) para ver se eu daria uma chance à terceira temporada, que estreia no próximo dia 27. O veredito final é que a série é uma boa história de terror e drama, que segue as desventuras da garçonete que lê mentes Sookie Stackhouse (Anna Paquin, vencedora do Oscar aos 11 anos por O Piano, e também a Vampira de X-Men) no submundo dos vampiros, que andam à solta por aí depois que japoneses inventaram o sangue artificial, engarrafado e vendido como Tru Blood. Ela se apaixona por Bill, um vampiro gente boa, que só bebe Tru Blood. Muitos personagens vão surgindo e se mostrando relevantes e interessantes à trama. Esta é uma história de vampiros que não estraga toda aquela mitologia estabelecida há muitos anos: os vampiros dormem em caixões, não saem à noite, e alguns são muito, muito maus. Qualquer comparação com a baboseira teen Crepúsculo não fará o menor sentido. Opinião final: assistirei à terceira temporada, com toda a certeza.
Dark Blue - Esta é uma série sem nenhum hype, e quase ninguém fala dela, mas trata-se de uma ótima história policial cheia de reviravoltas e personagens interessantes. Produzida pelo magnata de Hollywood Jerry Bruckheimer (que já produziu as séries Desaparecidos e CSI), a trama traz Dylan McDermott como Carter, o chefe de uma unidade secreta da polícia que trabalha disfarçada para prender os maiores criminosos. O que a série põe em xeque é a mesma questão já abordada no magnífico filme Donnie Brasco, com Johnny Depp e Al Pacino: até que ponto é possível fingir ser um criminoso sem efetivamente tornar-se um? O elenco todo está excelente, e o primeiro episódio deixa um "gosto de quero mais". A série é exibida no canal Space.
Todas estas séries imperdíveis estão disponíveis para download.
Sugestão de blog: Séries-BR

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Toy Story 3

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Eu já disse e repito: a Pixar não sabe fazer filme ruim. Não dá. Simplesmente todo filme produzido pelo estúdio torna-se um clássico instantâneo, desses que passam a fazer parte do imaginário do espectador. Com Toy Story 3 (EUA, 2010), último capítulo da trilogia dos brinquedos, a Pixar alcança um patamar tecnológico e de roteiro inédito para a animação (não que isso seja alguma novidade). É impressionante a gigantesca variedade de cenários e texturas diferentes explorados durante as duas horas de filme! Embora esse avanço tecnológico não seja exclusividade da Pixar, a diferença deste estúdio para os outros que também produzem animações modernas e que fazem sucesso, é que a Pixar não copia nada. Nenhum filme é derivado de quaisquer outras fontes, como livros, gibis e muito menos refilmagens. Cada história é original e única, e cada personagem é importante e relevante na história.
Por falar em história, vamos a ela: Andy, o menino dono de Woody, Buzz e cia., já não é mais um menino. Ele já está com 17 anos e a caminho da faculdade. Os brinquedos estão guardados em um baú há anos, e já não são mais utilizados. Esquecida por seu dono, a turma de Woody é levada para uma creche, e lá terão que enfrentar crianças bem pequenas que só sabem destruir os brinquedos. Como desgraça pouca é bobagem, a trama ainda traz um urso de pelúcia rosa com cheirinho de morango que é um verdadeiro terror, uma espécie de ditador que comanda todos os outros brinquedos da creche. Em uma história mais sombria do que os outros dois filmes, Toy Story 3 reserva muitas surpresas para os brinquedos, com cenas de ação de primeira e momentos de muita emoção, que podem vir a provocar até mesmo lágrimas nos espectadores mais sensíveis (será que eu seria um deles?).
Vale a pena também destacar o curta-metragem que serve como aperitivo para o filme, Dia e Noite, uma pequena pérola da narrativa, criada por um estúdio que não cansa de se reinventar e tocar os corações das plateias em todo o mundo.

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A Onda

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Sempre que se estuda fatos históricos que moldaram a humanidade, algumas questões são levantadas. Talvez a indagação mais intrigante seja: "Como as pessoas foram deixar o Nazismo acontecer?" Para responder a esta pergunta, um professor do Ensino Médio em uma escola pública alemã realiza um arriscado experimento pedagógico com sua turma do curso sobre Autocracia. Rainer Wanger, o professor, transforma sua turma em um microcosmo onde estabelecerá uma mini ditadura autocrática, onde ele se declara líder e impõe a disciplina através de palavras de ordem, gestos (como o "Heil, Hitler"), uniformes e um símbolo (como a suástica do Terceiro Reich). Chamando-se de "A Onda", a turma começa a levar para fora das aulas seus questionamentos sobre o mundo e sua revolta contra outros que não aderem ao grupo. Todo este fanatismo quase religioso fatalmente sairá do controle e Rainer terá que reverter o quadro, dando um fim à "Onda"; mas pode ser tarde demais para encerrar o experimento.
Baseado em um acontecimento verídico ocorrido na década de 1960 nos EUA, A Onda (Die Welle, Alemanha, 2008) é um retrato intrigante e engenhoso de uma sociedade que permite e até provoca o surgimento de movimentos extremistas ao redor do mundo. O filme mostra como a busca por ideologias, a procura por propósitos para a existência  humana pode chegar a limites estarrecedores. Realizado com maestria pelo diretor Dennis Gansel, A Onda é um grande filme. Moderno, relevante e assustadoramente real.

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Ele não está tão a fim de você

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Dia dos Namorados, sábado à noite, nada como um bom filme romântico para servir de inspiração. O filme em questão é Ele Não Está Tão a Fim de Você (He's Just Not That Into You, EUA, 2009), uma espécie de filme-coral, que é o tipo de filme recheado de astros, cujos personagens de uma maneira ou de outra interagem em algum momento do filme. Os astros em questão: Ginnifer Goodwyn (OK, esta não tão conhecida assim), Scarlett Johansson, Jennifer Connoly, Jennifer Aniston, Drew Barrymore, Justin Long, Bradley Cooper e Ben Affleck. A primeira atriz mencionada, embora não seja a mais famosa de todas, é quem puxa toda a trama. Ela faz o papel de Gigi, uma eterna romântica, que espera conhecer o amor de sua vida a qualquer momento. O problema é que ela acha que qualquer cara pode ser o amor de sua vida. Mas o que ela não percebe é que às vezes Ele Não Está Tão a Fim de Você!
Com algumas sacadas divertidas e personagens em tramas interessantes, o filme engrena muito graças a seus astros, transbordando carisma e apelo junto ao público. Este fator, no entanto, se por um lado é vantajoso, por outro lado torna-se prejudicial porque ninguém na plateia acredita que suas histórias podem ser verdadeiras, afinal na tela estão astros conhecidíssimos, que têm vidas pessoais um tanto atribuladas e muitas vezes nada românticas. Mas a melhor história é justamente de Gigi, ainda bem, já que Giniffer Goodwyn não é conhecida e pode se passar tranquilamente pela garota iludida e ingênua, que ainda acredita no amor.
No fim, temos a impressão de que foram duas horas agradáveis e divertidas, que ficam ainda melhores se forem passadas junto à pessoa que amamos. 
De vez em quando um filme simplesmente feito para entreter é a resposta para uma noite de sábado, 12 de junho, Dia dos Namorados.

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O Estranho Mundo de Jack

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Quando se ouve o nome Tim Burton, o que vem à mente são os personagens estranhos mas fascinantes, os cenários mais fantásticos e o apuro visual marcante que caracterizam seus filmes, desde Edward Mãos de Tesoura ao mais recente Alice no País das Maravilhas. Mas em 1993, Burton ainda não era o cineasta famoso, celebridade do mundo do cinema, figura fácil nas conversas nerds por toda parte.
Foi em 1993 que Tim Burton criou e produziu O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas), uma sensacional animação feita em stop-motion, dirigida por um mestre do gênero, Henry Selick (de Coraline). Um verdadeiro clássico dos filmes de natal, O Estranho Mundo de Jack é uma obra cheia de imaginação, com canções climáticas, que traduzem inteiramente o espírito do filme.
Conta a história de Jack, o rei da cidade de Halloween, que todos os anos organiza a festa do terror. Mas Jack está entediado com a mesma rotina ano após ano e sente que falta algo em sua vida. É quando, andando para longe das fronteiras de Halloween, que ele encontra uma floresta com árvores que são portais para os mais diversos mundos: lá estão a árvore da Páscoa, do dia de Ação de Graças, e é claro, do Natal. Ao entrar na árvore do Natal, ele se depara com um mundo inteiramente novo, onde as pessoas são sorridentes e tudo é colorido. Jack fica fascinado, e decide tomar o lugar de Papai Noel, o que fatalmente causará uma tremenda confusão.
Cada frame de O Estranho Mundo de Jack é um espetáculo, ainda mais se considerarmos a tremenda dificuldade que está envolvida em fazer um filme inteiro em stop-motion, onde cada segundo em cena deve ser fotografado separadamente.
Anos depois Tim Burton assumiria ele mesmo a direção de A Noiva Cadáver, outra animação de alta qualidade, comprovando que seu gênio criativo não perdeu a calibragem, pelo contrário, continua se renovando e mostrando ao público novos mundos que só poderiam vir de sua mente.

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1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer

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Ontem recebi pelo correio um presente e tanto: o livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer, organizado por Steven Jay Schneider, publicado no Brasil pela Editora Sextante. Trata-se de uma obra de referência sensacional sobre os filmes que todos têm que assistir para entender de cinema. É claro que, já que estamos falando de uma lista, alguns filmes que podem estar entre os meus 1001 não estarão relacionados aqui. Mas 1001 é um livro muitíssimo interessante, uma espécie de guia que todo cinéfilo deve ter na estante, para consultar sempre que desejar ver um filme de qualidade e que acrescente algo à sua percepção da sétima arte. A obra traz filmes de 30 países diferentes, organizados em ordem cronológica. Como foi publicado em 2008, carece de alguma atualização que poderiam incluir filmes mais recentes (o último filme da lista é Desejo e Reparação, de Joe Wright, do ano de 2007). Apesar disso, este é um livro e tanto. E o melhor é que eu não paguei nenhum centavo por ele.
Explicando: este não foi um presente qualquer. Eu participei de uma promoção no site da revista Você S/A na qual deveria responder a uma pergunta sobre cinema relacionada a um artigo publicado no site. As oito melhores perguntas receberiam o livro, a edição especial de Bravo! com os 100 filmes essenciais da história, e dois DVDs que não poderíamos escolher. Infelizmente para mim, dois filmes que eu nunca compraria: Imagine Só!, com Eddie Murphy e Acerto de Contas, com Cuba Gooding, Jr e Harvey Keitel (filme do qual nunca ouvira falar).
Mas o prêmio mesmo foi o livro, desejo de consumo desde o seu lançamento, que certamente será uma ferramenta e tanto de conhecimento em minhas noites de insônia.
Aproveito para registrar meu agradecimento à minha esposa querida, Aline, por ter me indicado a promoção. Sem ela, jamais teria conhecimento do site, e consequentemente, nunca teria ganho um prêmio tão legal!

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A Última Sessão de Cinema

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Frequentemente listado entre os melhores filmes da história, A Última Sessão de Cinema (EUA, 1971), do diretor Peter Bogdanovich, é de uma época em que as produções cinematográficas tinham muito mais a cara de seus diretores. Claro que havia as fórmulas elaboradas pelos estúdios para que um filme alcançasse o sucesso. Mas a década de 1970 mostrou aos executivos engravatados enfurnados em seus escritórios que algumas fórmulas que funcionavam até uma década atrás precisavam ser revistas.
Filmes como este se tornaram comuns nesta década: narrativas entrecortadas, finais emblemáticos e quase nunca "felizes" e liberdade de atuação foram algumas das características de muitos filmes produzidos nesta época que se tornaram clássicos. Obras-primas como O Poderoso Chefão, Taxi Driver e O Franco Atirador são fruto da liberdade que os estúdios passaram a dar aos cineastas, gente que de fato entende de cinema como arte, não apenas como um produto.
A Última Sessão de Cinema é um primor de cinema, realizado com paixão e marcado por uma entrega total nas atuações. Cybill Shepherd (foto) em seu primeiro papel, Jeff Bridges ainda jovem e já mostrando a que veio, e a performance marcante de Timothy Bottoms fecha o trio de protagonistas, jovens que vivem em uma cidadezinha no Texas nos anos 1950. Como se estivessem em um caixão, eles passam os dias presos nos limites da cidade, destinados a terem as mesmas vidas medíocres de seus pais. A descoberta do sexo, da tragédia e da desilusão amorosa permeiam todo o filme, que não tem uma trama propriamente dita, mas que reflete toda a angústia de uma juventude que conhece o mundo apenas pelo que vê na tela do único cinema da cidade, e está consciente de sua insignificância diante da sociedade.
Um filme magistral, narrado muito mais pelo silêncio do que por falas, mas que também possui diálogos marcantes sobre amores perdidos e chances desperdiçadas. Soberbo.

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Distrito 9

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Uma ficção científica, dirigida por um sul-africano, inteiramente filmada em Johannesburgo, na África do Sul, e produzida por Peter "O Senhor dos Anéis" Jackson. Com exceção da última característica, nenhum outro detalhe sobre Distrito 9 poderia fazer alguém imaginar que este filme faria uma carreira tão bem sucedida nos cinemas mundiais.
Mas tudo o que já foi dito de positivo sobre Distrito 9 mostra-se verdadeiro quando os créditos finais sobem. O filme de estreia do diretor Neill Blomkamp é sensacional! Mistura de crítica social com sci-fi de primeira, Distrito 9 é uma ideia totalmente original e genial, que empolga da primeira à última cena. Para contar sem estragar nenhuma surpresa, basta dizer que a trama já começa com uma gigantesca nave alienígina pairando sobre o céu de Johannesburgo, e logo sabemos que ela está lá há duas décadas, e que os passageiros e tripulantes da nave foram recolhidos pelo governo sul-africano e colocados, ou melhor, jogados em um terreno chamado de Distrito 9. Não demorou muito e o local se transformou em uma favela, onde os ETs convivem com imigrantes ilegais humanos, aumentando a criminalidade. A situação se tornou insustentável, e o governo decide remover os moradores do distrito para um outro local a 200 km de distância da cidade, longe dos olhos do homem.
A mensagem social não passa despercebida a olhos atentos. Não apenas pela história se passar na África do Sul, palco do famigerado Apartheid que durou anos. Mas por falar claramente da maneira como governos do mundo inteiro tratam imigrantes, seres estranhos a uma determinada sociedade.
Mas Distrito 9 não é apenas crítica social. O filme está recheado de ação, com cenas empolgantes e efeitos especiais de primeira, apesar do baixo orçamento para os padrões de Hollywood - o filme custou apenas 30 milhões de dólares. Não se entusiasmar com Distrito 9 é tarefa difícil, tamanho o cuidado que Neill Blomkamp teve com sua obra, ao jogar elementos de uma mitologia que pode muito bem se transformar em uma nova franquia. Há elementos deixados soltos no filme que podem gerar pelo menos uma sequência. E se há algo que Hollywood adora, são ideias frescas tornando-se em produtos rentáveis. Do lado do público, torço para que novas ideias apareçam, que nos façam sair um pouco do ciclo refilmagens - adaptações de gibis/romances de sucesso.

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Irmãos Coen: ame ou odeie

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Vencedores do Oscar de Melhor Filme e Direção em 2007 com Onde os Fracos Não Têm Vez, Joel e Ethan Coen são aqueles cineastas que ou se ama ou se odeia. Alguns de seus filmes são considerados chatos por boa parte do público, por não serem filmes fáceis de serem digeridos ou por não terem o hábito de dar soluções fáceis para o espectador.
O fato é que os irmãos têm produzido alguns clássicos modernos, mas também têm contado alguns deslizes. Entre os clássicos estão Fargo, Barton Fink - Delírios de Hollywood e O Grande Lebowski. Este último, de 1998, eu tive o prazer de assistir semana passada, e pude conferir uma das melhores comédias de todos os tempos, protagonizada por um personagem inesquecível: o Dude (ou Cara, em português), um adorável vagabundo vivido magistralmente por Jeff Bridges, que se envolve em uma sucessão de erros e desencontros ao ter sua casa invadida por alguns bandidos que achavam que ele era um outro Lebowski, algum ricaço. Ao saber que tem um xará rico, o Dude resolve acertar contas com ele, já que os invasores estragaram o único tapete de sua casa, urinando nele. É hilária a explicação de porque ele quer o tapete de volta, afinal era isso o que "completava a sala".
O Dude tem alguns amigos que talvez sejam os melhores coadjuvantes que um protagonista já teve. Vividos por John Goodman e Steve Buscemi, eles são realmente engraçados. Os diálogos são de rolar de rir, e as situações em que o Dude irá se meter são as mais absurdas possíveis, o que torna tudo ainda mais engraçado.
Depois de assistir a O Grande Lebowski, a expectativa era grande para a nova comédia dos irmãos Coen, Um Homem Sério. Mais uma vez temos um personagem que passará por poucas e boas, situações péssimas que surgirão em turbilhão repentino. Mas desta vez os irmãos Coen pesam a mão. Ao invés de ser uma comédia, o que se tem é muito mais um drama sério e com um final difícil de entender. Larry Gopnik é judeu, professor universitário, que descobre que a mulher planeja deixá-lo, e vai percebendo que seus filhos não dão a mínima para ele, e está sendo chantageado por um aluno bolsista, para que o aprove a qualquer custo. Sem dinheiro e com tudo o mais contra ele, Larry não terá outra saída a não ser se desesperar. Não dá pra rir de uma situação dessas, embora como drama o filme funcione até bem.
O veredito final? Se você tiver que escolher entre O Grande Lebowski e Um Homem Sério para passar uma tarde de domingo, escolha o primeiro com os olhos fechados.

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Os Bons Companheiros

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Poucos filmes de mafiosos são como esta obra-prima de 1990, Os Bons Companheiros, do diretor Martin Scorsese. É uma história real sobre a ascensão e queda de três mafiosos vividos magistralmente por Ray Liotta (o narrador da trama, Henry Hill), Robert De Niro (o enigmático Jimmy Conway) e Joe Pesci (como o violento e explosivo Tommy DeVito), este último no papel que lhe deu o Oscar de Ator Coadjuvante. Toda a construção do filme é perfeita, o que inclui um elenco de apoio igualmente afiado, uma edição ágil e uma trilha sonora antenada com as três décadas pelas quais passeia a história.
Martin Scorsese nunca mais foi o mesmo cineasta depois deste filme, embora tenha recebido o Oscar de Melhor Direção apenas na entrega de 2007, por Os Infiltrados. Criador de vários clássicos do cinema, desde Taxi Driver, passando por Touro Indomável, Scorsese mostra-se em grande forma em Os Bons Companheiros, provando que é o grande especialista em filmes sobre personagens obscuros e cheios de pecados nas costas.
O interessante aqui é que este não é um conto moral. Todas as atitudes dos protagonistas são aceitas claramente pelo narrador, que desde o começo deixa bem claro que sempre quis ser um gângster. O fato de Henry Hill tomar a decisão que encerra o filme mostra apenas que para ele, no final das contas, o que importa é continuar vivo, não importando o quão infeliz você está.
É um filme obrigatório para quem gosta de bom cinema e principalmente do gênero "filme de máfia". Neste gênero, Os Bons Companheiros está entre os cinco melhores de todos os tempos. Sem dúvida nenhuma.

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Coração Louco

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Jeff Bridges é um destes atores que sempre fazem valer a pena o ingresso do filme. Versátil e carismático, seus filmes rapidamente se tornam cult. Indicado cinco vezes ao Oscar, fez valer seu favoritismo absoluto em Coração Louco, no qual interpreta Bad Blake, um cantor country que já fez muito sucesso, mas que agora amarga uma espécie de limbo artístico. Seus últimos shows foram em um boliche e em um inferninho, e a última mulher que apareceu em sua vida foi uma fã de meia-idade com quem passou apenas uma noite. Blake não consegue passar muito tempo sem tomar seu whisky, e isso tem feito com que ele passe por maus bocados.
As coisas começam a mudar para ele quando ele se apaixona por uma repórter, mãe solteira, que provoca nele uma reflexão séria sobre sua vida. A partir deste momento, tudo será diferente. Ou não.
Coração Louco é filme de atores. Tanto Jeff Bridges como Maggie Gyllenhaal (a mãe solteira) e até Colin Farrel (como um astro da música country que é discípulo de Blake) estão perfeitos em seus papeis, e até Robert Duvall (O Apóstolo) aparece bem como o amigo que não abandonará Blake. Bridges faz por merecer cada centímetro de seu Oscar. Afinal, depois de sequer ser indicado por O Grande Lebowski, o coração louco do ator não via a hora de receber seu prêmio.
Não dá para falar também das canções da trilha sonora, escritas por T. Bone Burnett, tendo A Weary Kind sido premiada com o Oscar de Canção Original.

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Comédias que fazem pensar

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Quem me conhece sabe: eu odeio As Branquelas, O Pequenino ou qualquer outra comédia apelativa e sem graça que Hollywood (ou os irmãos Wayans) tenha lançado desde sempre. Aliás, nos últimos tempos tenho me afastado de quase todas as comédias americanas com que me deparo. É que tenho dificuldade em achar graça de situações inverossímeis e de constrangimento geral. As exceções são os filmes que fazem rir sem perder o bom senso, que contam histórias que sejam divertidas e sensíveis ao mesmo tempo. Incluo como exemplo os filmes produzidos e (ou) dirigidos por Judd Apatow, como Ligeiramente Grávidos, Ressaca de Amor, Tá Rindo do Quê? e outros.
Mas ontem estava com sorte. Assisti a duas das melhores comédias românticas do ano passado: (500) Dias Com Ela e Adventureland (que eu me recuso a chamar pelo título dado no Brasil, Férias Frustradas de Verão).
(500) Dias Com Ela não apenas é sensível, como não se considera uma história de amor. Isso porque trata do tema "garoto-conhece-garota" sob outro ponto de vista. A verdade é que às vezes o relacionamento não dá certo simplesmente porque não é para ser. Tom (Joseph Gordon-Levitt) é formado em arquitetura mas ganha a vida escrevendo cartões. Ele passa o dia com os fones de ouvido tocando rock. Quando conhece Summer (a linda Zooey Deschanel, de Sim, Senhor), a empatia vai aos poucos se tornando em uma paixão daquelas que nos fazem acreditar que vai durar para sempre. A narrativa não-linear já mostra desde o começo como tudo vai acabar, e o interessante é que pela primeira vez, o protagonista não tem ideia do porquê do fim de tudo. Com falas beirando a genialidade e toques de surrealismo (como a cena que evoca os musicais da Broadway), o diretor Marc Webb fez de (500) Dias Com Ela a comédia romântica ideal para tentar entender as razões do amor e os motivos que fazem com que se acabe.
Adventureland (procure na locadora como Férias Frustradas de Verão, pois é) trata do sentimento de inadequação que todo mundo tem quando passa da adolescência à idade adulta. O protagonista sai do colégio pronto para ganhar o mundo, ir à Europa e depois à universidade, mas se depara com a dura realidade da vida como ela é. Sem o dinheiro do pai, que ganha pouco, ele se vê forçado a trabalhar e aceita um emprego em um parque de diversões na temporada do verão. O parque, Adventureland, não traz tantas emoções para James (Jesse Eisenberg, de Zumbilândia) como a vida real, que inclui uma garota problemática mas muito sensível (Kristen Stewart, de Crepúsculo, mostrando que sabe atuar), um amigo desiludido com a vida e uma outra garota mostrando que beleza não é sinônimo de caráter. O filme do mesmo diretor de Superbad - É Hoje, Greg Motolla, é uma comédia com significado, cheia de nostalgia (a história se passa em 1987), que mostra com propriedade a dureza que é a entrada neste mundo dos adultos. Vale a pena, só não diga para os amigos que assistiu a Férias Frustradas de Verão, ou vai parecer mais uma comédia descerebrada dos irmãos Wayans.

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Preciosa - Uma História de Esperança

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Não é coisa fácil assistir Preciosa - Uma História de Esperança. O filme trata de um assunto doloroso, uma chaga em nossa sociedade, porém mais difícil ainda na sociedade americana, onde boa parte da população sofre de obesidade. Claireece Precious Jones é uma adolescente de 16 anos, obesa, rejeitada e mal tratada pela mãe, e está grávida pela segunda vez do próprio pai. Quando ela é aceita em uma escola especial, começa a ter alguma esperança de que sua vida melhore. Mas até que a melhora de fato comece, a menina passará por sofrimentos que tornam o espectador solidário com sua situação. Como já li em uma outra resenha, o filme é "uma tijolada na cabeça", uma narrativa triste, triste. Triste, mas conduzida com maestria pelo diretor estreante Lee Daniels, que extrai atuações majestosas de seu elenco, destacando-se Mo'nique, fazendo a cruel mãe de Precious, em uma performance histórica, entregando uma personagem inesquecível. O Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante está em boas mãos. Digna de nota é também a atuação de Gabourey Sidibe, estreando no cinema mostrando uma segurança que poucas veteranas possuem.
Preciosa é como poucos filmes de 2009, expressando uma sinceridade e uma autenticidade poucas vezes vistas no cinema ou em qualquer outra forma de arte.

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The Cove - OSCAR 2010 de Melhor Documentário

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Assistir a The Cove (cujo título em português deve ser mesmo A Cova) é uma experiência de dois pólos: pode-se ficar indignado e maravilhado ao mesmo tempo. Maravilhado pela maravilhosa descrição de como vivem e se relacionam os golfinhos, estes animais tão fascinantes e que ainda guardam alguns mistérios para os cientistas; indignado pela denúncia de que todos os anos 23.000 golfinhos são mortos com requintes de crueldade na cidade japonesa de Taiji, com o objetivo de vender a carne dos animais.
Não dá para ficar indiferente às cenas lamentáveis que compõem o clímax deste documentário vencedor de inúmeros prêmios em todo o planeta. São cenas inéditas para o mundo, é bom frisar, já que os golfinhos são mortos em uma enseada proibida para qualquer um que queira filmá-la. Mas Ric O'Barry, o homem que ficou famoso ao treinar Flipper, conseguiu. Em uma das cenas chocantes, vemos uma câmera subaquática registrando a repentina mudança da coloração da água, que se torna vermelha de sangue em questão de segundos. É revoltante saber que coisas assim ainda acontecem em um mundo que cada vez mais tende a proteger sua vida animal. Curioso também é saber que a maior parte da população das grandes cidades japonesas desconhece esta prática cruel e nem mesmo sabe que a carne de golfinhos é vendida no país oculta sob outros rótulos.
O vencedor do Oscar 2010 de Melhor Documentário não poderia ser mais relevante e importante. Além de nos fazer refletir e querer tomar parte na luta pelo fim da matança de golfinhos, a obra produzida pela Sociedade de Preservação dos Oceanos (OPS, em inglês), faz com que admiremos ainda mais estes mamíferos tão inteligentes e maravilhosos.
Este é um filme que TODOS TÊM QUE VER. Antes que seja tarde demais.

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Qualidade: DVDRip
Tamanho: 700 mb
Duração: 1h30m aprox.
Nota: 10,0

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Sobre o Oscar 2010

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Passada a festa do Oscar 2010, resolvi escrever sobre este que é o prêmio máximo do cinema, que já está em sua 82ª edição. Tamanha longevidade se explica por momentos antológicos durante todos estes anos, como o prêmio dado pelo conjunto da obra ao mestre Charlie Chaplin, quando foi aplaudido de pé por mais de cinco minutos (recorde que dura até hoje), e o emocionante discurso de Halle Berry ao receber o primeiro Oscar dado a uma mulher negra.
Se 2009 foi a consagração do cinema independente e de baixo orçamento mas com muita alma e originalidade, 2010 confirmou que grandes filmes não precisam ter orçamentos gigantescos para contar boas histórias e cativar audiências. Os seis prêmios dados a Guerra ao Terror, incluindo melhor filme e melhor direção, corroboraram tal argumento. Claro que foi uma vitória anunciada, pelo menos para os que acompanharam nas últimas semanas as premiações pré-Oscar, como os prêmios entregues pelos sindicatos americanos de diretores, roteiristas e atores. O filme de Kathryn Bigelow (na foto) faturou todos estes prêmios, o que o qualificava como o grande favorito do ano. Avatar era o único filme, em meio aos outro nove indicados, que poderia estragar a festa de Guerra ao Terror. Afinal, não é todo ano que se tem um recordista de bilheteria concorrendo ao Oscar (números de audiência televisiva astronômicos à vista). Se a ficção científica ecológica de James Cameron recebesse o prêmio de melhor filme, não seria injusto; Avatar é sincero, conta uma boa história (a partir de um roteiro original) e tem efeitos revolucionários. Mas não dava para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ignorar o filme de guerra mais importante e relevante da década, isso se a instituição octagenária quisesse continuar sendo igualmente relevante.
Quanto aos outros prêmios entregues, não pude avaliar os ganhadores como melhores ator e atriz, nem atriz coadjuvante, mas como disse a revista SET na edição de fevereiro, não havia como Christoph Waltz perder o prêmio de ator coadjuvante. Seu personagem em Bastardos Inglórios, o sanguinário Hans Landa, é o personagem mais marcante e assustador que apareceu no cinema em 2009.
Mas há dois prêmios que quero destacar (e celebrar) aqui: melhor filme estrangeiro, para O Segredo dos Seus Olhos, filme argentino de Juan José Campanella. Merecidíssimo, mesmo concordando que A Fita Branca, produção alemã de Michael Haneke também merecesse. Mas eu comemorei quando Pedro Almodóvar e Quentin Tarantino anunciaram o filme argentino como ganhador. Sou apaixonado pelo filme, e brado isso a plenos pulmões.
Outro prêmio merecidíssimo e muito comemorado por mim foi o de melhor trilha sonora original para Up - Altas Aventuras, do compositor Michael Giachinno, o mesmo cara que faz a trilha de Lost. É uma trilha sensível e climática, que permanece na mente da gente quando o filme acaba, o que faz dela um trabalho eficiente. Não lembro da última vez que assoviei uma trilha sonora por horas após o filme.

Agora é esperar até 2011, quando veremos novos filmes, e novamente teremos ótimas surpresas. Pelo menos é o que espero.

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Terra das Sombras

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Muitas pessoas provavelmente nunca devem ter ouvido falar de C. S. Lewis, escritor inglês, pensador, debatedor e palestrante de grande sucesso em seu tempo. Mas provavelmente tiveram contato com pelo menos um dos filmes baseados em seus livros infantis de aventura e fantasia: As Crônicas de Nárnia já foram adaptadas duas vezes, com O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e dois anos depois com Príncipe Caspian. O terceiro filme, A Viagem do Peregrino da Alvorada está com lançamento marcado para dezembro deste ano.
O professor de Oxford C. S. Lewis escreveu muitos outros livros, obras de reflexão que nada têm a ver com suas crônicas infantis. Livros sobre cristianismo, sofrimento, crítica literária e até uma trilogia de ficção científica! Uma das obras mais queridas e surpreendentes de sua vasta produção literária é sem dúvida Surpreendido pela Alegria, onde discorre sobre a perda de seu grande amor, Joy Gresham (joy significa alegria em inglês).
Terra das Sombras, do diretor inglês Richard Attemborough, especialista em cinebiografias, conta a história deste amor, que começou relutante e tornou-se em uma belíssima história recheada de poesia e com muitas lições de superação e fé. Anthony Hopkins vive o escritor, e Debra Winger é Joy Gresham, uma americana judia-cristã que escreve para Lewis e logo desenvolve uma amizade curiosa, especialmente para os colegas  professores de Lewis. Ele logo se apega a Joy e seu filho Douglas, mas o amor sofre um baque quando descobre-se que Joy não viverá muito; ela tem um câncer em estado terminal, e só lhes resta viver este amor intensamente, e aprender um com o outro.
Uma linda história, com uma trilha sonora fenomenal, assim como a fotografia. Anthony Hopkins é o ator perfeito para este tipo de papel, embora tenha ficado marcado na pele de um assassino frio, o dr. Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes, papel que lhe rendeu o Oscar em 1996. Prova que é um ator versátil e marcante, nunca se deixando estereotipar-se por nenhum tipo específico. Bom para ele, melhor ainda para nós, amantes do cinema.

Tamanho: 1.05GB
Duração: 2 h aprox.
Qualidade: DVDrip
Nota: 9,0

Baixe AQUI o torrent, a legenda e a trilha sonora

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Sherlock Holmes

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Robert Downey Jr. é o cara. Depois de estrelar Homem de Ferro, adaptação das aventuras de um dos super-heróis menos conhecidos pelo público leigo, e fazer um tremendo sucesso (a sequência estreia em maio deste ano), ele volta a estourar nas bilheterias com o excelente Sherlock Holmes, uma releitura de um dos personagens da literatura mais filmados em todos os tempos.
Se tudo o que você conhece do personagem é a persona serena e com ar arrogante dos filmes antigos, onde Holmes é um tranquilo detetive genial e também onde a ação é quase zero, vai se surpreender com a nova cara do investigador. O Sherlock de Downey Jr. é irônico, genial (claro) e, bem, é Robert Downey Jr.. Você pode não saber, mas o personagem dos livros de Sir Arthur Conan Doyle tem algumas características nunca antes mostradas no cinema. Além de exímio violinista e apaixonado por cachimbos, Holmes é também pugilista de mão cheia, e está pronto para uma boa briga. Outra diferença entre o filme do diretor inglês Guy Ritchie (Snatch - Porcos e Diamantes) e as outras adaptações é que a nova produção adapta não um romance de Conan Doyle, mas a graphic novel homônima de Lionel Wigram, também produtor do novo filme.
Quando o filme começa e Holmes já está em ação, temos a visão de um ritual de magia negra conduzido por Lord Blackwood (Mark Strong), um homem muito misterioso, que tem a intenção de inspirar medo na população, tendo objetivos ainda desconhecidos por Holmes.
Segue-se a isso uma profusão de deduções brilhantes, brigas homéricas, explosões incríveis, um romance não concretizado com a ladra Irene Adler (Rachel McAdams) e um final com um belo gancho para a sequência, que começa a ser filmada no meio deste ano.
Vale destacar também a atuação de Jude Law como o inseparável parceiro de aventuras Watson, que mostra ser (ou tenta ser) a voz da consciência de Holmes. Mas não espere ouvir a famosa frase "Elementar, meu caro Watson". Invenção dos filmes, a frase nunca foi escrita por Conan Doyle. Uma pena.

Duração: Aprox. 2 horas
Tamanho do arquivo: 700 mb
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Ano: 2009
Nota: 9,0

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