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Filipe Malafaia Cerqueira
09 agosto 2009
Há lugares dos Estados Unidos que nunca conhecerei. Estou certo que mesmo se um dia visitar este país tão filmado e propagado através de Hollywood, ainda assim nunca visitarei certos locais. E um desses locais é quase um dos personagens principais de Rio Congelado, um drama independente que se passa na reserva dos índios Mohawk, entre o estado americano de Nova York e o estado canadense de Quebec. Ray Eddy (Melissa Leo, indicada ao Oscar 2009) é uma heroína fora dos padrões do que se espera de uma protagonista. É pobre, trabalha em uma loja que não lhe dá oportunidade de crescer, e para piorar é casada com um viciado em apostas que fugiu de casa uma semana antes do natal e levou todo o dinheiro que ela havia juntado para comprar a tão sonhada casa pré-fabricada e poder dar uma vida mais digna aos dois filhos. Dentro da reserva Mohawk, Lila Littlewolf (a excelente Misty Upham) é uma jovem mãe que teve seu único filho tomado de si pela ex-sogra, e agora vive em um trabalho medíocre, lutando para conseguir seu menino de volta. Quando surge a oportunidade, ela também transporta clandestinamente imigrantes para dentro dos EUA através da imensa reserva indígena, uma área não vigiada e cortada por um rio que no invervo fica inteiramente congelado, possibilitando travessias perigosas e criminosas como estas. O modo como essas duas mulheres se encontram e desenvolvem uma discreta relação de cumplicidade é o mote central deste filme que é uma verdadeira pérola para quem está em busca de emoções genuínas e paisagens diferenciadas, longe dos grandes centros urbanos. Um retrato de um mundo desconhecido como este merece ser visto e visitado, ainda que apenas através da câmera da diretora Courtney Hunt, em sua estreia no cinema. Uma estreia bastante promissora, devo dizer.
Quando eu gosto de um filme, isso é mais do que um simples "gostar". É uma espécie de cumplicidade que se adquire com o filme. Fico querendo que todos assistam, que mais pessoas passem pela mesma experiência e quem sabe se apegue a ele como aconteceu comigo. No caso de O Guia do Mochileiro das Galáxias, o que houve foi imediata empatia com uma obra tão estranha e diferente quanto divertida. Trata-se de uma adaptação da obra de Douglas Adams, que a princípio era um programa da rádio BBC de Londres e depois veio a tornar-se uma bem sucedida série de livros, traduzida para inúmeras línguas e que arrebatou o coração de milhares de fãs em todo o mundo. Quando eu li o livro, por várias vezes me peguei rindo sozinho em lugares públicos, influenciado pelo texto irônico e ágil usado por Adams para contar a história de um inglês comum chamado Arthur Dent, às voltas com a iminente demolição de sua casa. É que um desvio será construído e passa justamente pela sua humilde residência. Mas essa será a menor de suas preocupações, já que o próprio planeta Terra está para ser demolido por uma raça de burocratas alieníginas chamados de Vogons. Tudo para construir um desvio intergaláctico. Graças à amizade que fez com um alienígina chamado Ford, Arthur consegue escapar e passa a ser o último homem vivo do universo. A partir daí, ele viverá uma sucessão de aventuras (e desventuras) no imenso espaço, sendo conduzido por um livro chamado de Guia do Mochileiro das Galáxias. Cheio de situações absurdas e com um roteiro rápido e esperto, O Guia se mostra uma comédia acima do padrão médio dos outros exemplares feitos nos EUA e alcança o status de cult, que mistura ficção científica, filosofia, religião, política e toalhas (sim, toalhas) em único e excelente filme. Apesar de tudo isso, eu não recomendaria a obra para qualquer pessoa. Isso porque não é um filme de fácil compreensão para quem está acostumado com a profusão de paródias e comédias românticas descartáveis cuspidas nos cinemas todos os anos. Se sua comédia favorita é Todo Mundo em Pânico ou As Branquelas, passe longe deste filme. Você não vai gostar. Acredite em mim.
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Filipe Malafaia Cerqueira
03 agosto 2009
Já compus algumas canções. Algumas delas eu gosto bastante, outras nem lembro mais. Compartilho isso porque não tenho escrito muitas canções ultimamente; na verdade, não tenho escrito nenhuma. E isso me deixa um tanto frustrado, já que sei que possuo algo dentro de mim querendo ser expresso, coisas que tenho aprendido e quero dividir com outros, lições que têm me marcado profundamente e me transformado, e que sinto a necessidade de passar adiante. Se farei isso por meio de músicas, não sei. Mas definitivamente, essa é a melhor maneira. A maioria dos versículos bíblicos que hoje sei de cor, aprendi com canções. Lembro-me de textos inteiros, graças a melodias de adoração. E muita coisa eu também coloquei em canções. Mas agora mesmo tenho em mim um anseio de fazer algo. Mas estou em uma etapa da minha vida que se assemelha àqueles filmes de ficção científica, onde alguém é congelado para anos depois ser despertado para iniciar uma nova vida. Esse estágio de congelamento é chamado de estase. Vejo-me em um momento assim. Sou um compositor em estase, como se minha criatividade estivesse aguardando o momento certo de criar algo, de musicalizar o que sinto, o que tenho vivido, o que quero viver. Coisas me vêm à mente... palavras, sensações, perfumes, tons. Sei que cedo ou tarde a canção virá. Enquanto não vem, deixo uma das minhas canções favoritas:
Só o amor ficará Já passei da morte, alcancei a vida Porque aprendi o que é o amor Se a gente ama, fica fácil ser feliz Conhecer a Deus é viver o amor
O homem fere, trai e ainda ri Mas o amor transforma e restaura
Ainda que eu falasse dos homens a linguagem Se eu entendesse o bate papo dos anjos Se eu profetizasse Se os dons se manifestassem Não passariam de leves folhas de outono Mas se a Cristo eu me entregar O amor se manifestará Que passe a fé e a esperança No final só o amor ficará No final só o amor ficará
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Filipe Malafaia Cerqueira
01 agosto 2009
Em determinado momento do filme O Fazendeiro e Deus (Faith Like Potatoes),o protagonista Angus Buchan diz: "Eu não temo tanto a violência de poucos como temo o silêncio de muitos." Esta é uma das muitas frases lindas a respeito de coragem, determinação e principalmente fé que permeiam este pequeno mas poderoso filme sul-africano de 2006 que conta a história de Angus e sua família, ele herdeiro de uma fazenda na Zâmbia, mas que se muda para a África do Sul fugindo de conflitos entre fazendeiros e nativos negros. E é no belo país da África do Sul que Angus tem um encontro tremendo com Deus, que o faz repensar todo o seu caráter e transformar toda a sua vida. Milagres começam a acontecer em sua fazenda e ele resolve contar as bênçãos a todas as pessoas, tornando-se um pregador da Palavra que já percorreu todo o continente africano e outras partes do mundo. Com uma fé simples mas eficiente, exatamente como deve ser a fé, Angus mostra como alguém pode fazer a diferença simplesmente crendo em Deus e entregando seu destino a ele. Permeado por tragédias e alegrias, fracassos e sucessos, Angus Buchan e sua família nos ensinam que o segredo de uma vida feliz é a total - e por vezes louca - confiança em Deus.
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Filipe Malafaia Cerqueira
28 julho 2009
Estou ouvindo o novo álbum do Lucas Souza, Cidade do Amor. Totalmente masterizado e mixado no famoso estúdio londrino Abbey Road, onde os Beatles gravaram vários discos, este disco não apenas surpreende quem está acostumado com a música cristã brasileira cheia de mesmices, repetições e clichês, como faz com que a surpresa seja algo de extremo frescor e originalidade. Tocando um britpop de primeira, o cantor e compositor (em parceria com seu irmão Lúcio) faz um rock de adoração diferente de qualquer coisa que já tenha sido feita no Brasil. Nem bandas de vanguarda como Aeroilis e DiscoPraise fizeram nada parecido com este álbum. E isso é bom, já que o legal das diferenças é que a gente não precisa ficar ouvindo sempre as mesmas letras ou os mesmos estilos.
Com canções como Eu só penso em você e Quebra e refaz, Lucas consegue levar o ouvinte a uma adoração genuína sem se apegar a artifícios emocionais, nem rimas fáceis. E com muita poesia e beleza. É maravilhoso ouvir algo assim no cenário musical cristão brasileiro. Que venham mais bandas com propostas variadas, para que nossos tão castigados ouvidos crentes possam crer que há salvação para a música cristã tupiniquim.
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Filipe Malafaia Cerqueira
01 julho 2009
Em um post antigo eu falei sobre o filme Muito Além de Rangún, sobre a situação calamitosa da Birmânia, atual Mianmar. O filme mostrava uma turista americana que se sensibiliza com o drama passado por aquele povo ao ter sua líder do coração, Aung San Suu Kyi, presa sem nenhum motivo razoável, o que levou o país a viver sob um regime autoritário por 20 anos, governado por uma junta militar que impõe seu sistema à base de decretos e repressão à liberdade democrática. Como resultado de sua luta, Aung San Suu Kyi foi premiada com o Nobel da paz em 1991.
Notícias recentes informam que, prestes a ser liberta de seu cárcere, Suu Kyi poderá ser presa novamente, acusada de "hospedar um estrangeiro em sua casa", onde se encontra presa. Tal atitude constitui-se em crime naquele país. Se for considerada culpada, a líder da oposição Mianmarense poderá ser condenada a mais cinco anos de prisão, o que a impedirá de concorrer nas eleições previstas para 2010. Isso acontece a 12 dias do fim do cumprimento de sua pena, o que mostra um endurecimento da Junta Militar governante em relação a prisioneiros políticos, dentre eles estando Suu Kyi. O blog Mundorama tem um artigo completo a este respeito.
Para tentar contornar a situação, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse ontem que transmitiria ao governo do país a preocupação internacional sobre a situação da líder opositora. Segundo a agência de notícias EFE, Ki-moon fez as declarações em sua chegada ao Japão, onde permanecerá até a próxima quinta-feira, antes de voar para Yangun para tratar com as autoridade do país sobre a prisão de Aung.
Fica a minha preocupação com esta situação, já que quanto pior for o endurecimento do governo militar naquele país, pior fica a situação para a Igreja ali localizada, há muito tempo perseguida e impedida de exercer sua fé.
Esta pausa nas resenhas cinematográficas deste blog se dá devido a um sentimento de amor que adquiri depois de assistir ao filme citado acima e já mencionado aqui. Minhas orações se encontram neste momento a este país. Ore você também sobre isso.
O jornal USA Today divulgou hoje as primeiras imagens do novo filme de Tim Burton, nada menos que a adaptação da obra de Lewis Caroll, que ficou mundialmente conhecida graças à adaptação animada que Walt Disney realizou em 1951. Novamente é a própria Disney que está bancando a produção. As imagens são de um deslumbre único, mas que mostram bem de quem é a direção da obra. Toda a beleza onírica e envolvente característica dos filmes de Tim Burton é potencializada aqui. Ainda é cedo para fazer previsões, mas acredito que este será uma fantasia de primeira.
Aproveitando, o jornal também divulgou a sinopse: Alice (Mia Wasikowska), ao 17 anos, vai a uma festa vitoriana e descobre que está prestes a ser pedida em casamento perante centenas de socialites. Ela então foge, seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou há dez anos mas não se lembrava.
Alice no País das Maravilhas é, ao lado de Frankenweenie, um dos dois projetos do diretor com o Walt Disney Studios que serão exibidos em 3D. Mia Wasikowska, Johnny Depp, Alan Rickman, Matt Lucas, Michael Sheen, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Christopher Lee e Eleanor Tomlinson formam o elenco. O filme estréia em 5 de março de 2010.
O cinema feito no Brasil nos últimos 10 anos tem retratado com bastante frequência a realidade das favelas urbanas. Desde que Fernando Meirelles colocou esses aglomerados de casas humildes e barracos no mapa cinematográfico mundial com Cidade de Deus todo cineasta quer ter sua fatia de "contribuição" na divulgação de uma comunidade muito diferente do que se vê no asfalto, com leis e até um sistema financeiro e moral próprios. De Cacá Diegues (Orfeu e O Maior Amor do Mundo) a Bruno Barreto (no criticado Última Parada: 174), filmar no morro virou moda. Mas não dá para dizer que isso é algo negativo, uma vez que a favela faz parte da vida de todo mundo que mora em uma grande cidade, direta ou indiretamente. Isso ficou bem claro no fenômeno pop Tropa de Elite, que mostra jovens de classe média usuários das drogas que são vendidas pelos traficantes, que consequentemente abastecem seu arsenal com o dinheiro das vendas. Não tem como escapar dessa realidade. Mas mesmo com tal proximidade tão clara ainda permanece um distanciamento latente entre os moradores do asfalto e as comunidades do morro (note que quem mora no asfalto é "morador", mas quem vive na favela é "comunidade"). Este afastamento é o que move a história de Era Uma Vez..., novo filme de Breno Silveira (Dois Filhos de Francisco). Dé (Thiago Martins) é um jovem morador do Morro do Cantagalo que trabalha em um quiosque na praia de Ipanema. Em frente ao quiosque vive Nina (a estreante Vitória Frate), uma menina órfã de mãe que está precisando de uma razão para viver. Há tempo que Dé observa Nina quando ela aparece na janela de seu imenso apartamento. Numa dessas situações tramadas pelo destino, os dois acabam se conhecendo e se apaixonando. Mas o filme, assim como a vida, não traz soluções fáceis nem finais felizes. Afinal, o que se tem nesta trama é uma espécie de Romeu e Julieta no Rio de Janeiro, uma cidade que se encontra partida, dividida, rachada. À medida que os minutos passam o espectador vai percebendo que não terá seu final hollywoodiano, cheio de saídas e salvações de última hora. E a obra de Breno Silveira vai se mostrando consistente, verossímil, uma história de amor tocante e trágica, mas acima de tudo, uma mensagem da necessidade urgente do nascimento de uma sociedade mais justa, tolerante e que ofereça oportunidades a todos, sejam do morro ou do asfalto.
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Filipe Malafaia Cerqueira
11 junho 2009
Clint Eastwood já escreveu seu o nome na história do cinema como ator em filmes como Dirty Harry na Lista Negra e As Pontes de Madison. Como diretor, entretanto, ele se destacou ainda mais, ao realizar alguns dos filmes americanos mais importantes das últimas duas décadas. São dele, por exemplo, o já mencionado As Pontes de Madison, o clássico do western Os Imperdoáveis, o drama de boxe e eutanásia Menina de Ouro e os recentes libelos contra a guerra A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima. São muitos filmes marcantes e de temáticas variadas. Este A Troca, estrelado por uma Angelina Jolie em sintonia com sua personagem, não poderia deixar de ser igualmente emocionante. Ao contar a história de uma mãe solteira (Christine Collins) que em plena década de 20 tem seu único filho misteriosamente desaparecido e empreende uma busca incansável para revê-lo, Eastwood insere definitivamente seu nome no panteão dos maiores cineastas da história. O drama, que vai muito além do caso de desaparecimento ao revelar a corrupção do departamento de polícia de Los Angeles, tem momentos inesquecíveis, como o devastador momento em que é revelado tudo o que poderia ter acontecido com o filho de Christine Collins. Com um clima de filme noir "ensolarado" (podendo ser comparado ao clássico Los Angeles - Cidade Proibida), o diretor arrebata a audiência de tal maneira que nem percebemos que ao final da projeção mais de duas horas se passaram. Filmaço que merecia muito mais do que aplausos. Merecia Oscar.
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Filipe Malafaia Cerqueira
31 maio 2009
Quando um filme futurista feito em animação sobre um robô solitário em um planeta Terra abandonado sem quase nenhuma fala com exceção dos ruídos robóticos traz lágrimas aos olhos do espectador, é bom prestar atenção a ele. Wall-E(EUA, 2008), o novo filme da extraordinária Pixar Animation Studios, é assim. Uma pequena obra-prima feita por um estúdio que simplesmente não consegue fazer filme ruim. Wall-E é uma unidade robótica dentre milhares iguais a ele que foi deixada na Terra para limpá-la de todo o lixo acumulado por milhares de anos enquanto os seres humanos descansam em naves gigantescas até que a limpeza esteja concluída. Acontece que o que deveria durar cinco anos, acaba durando 700 anos! Gerações e gerações de pessoas já vieram e se foram, e a limpeza ainda não acabou. De todos os robôs-faxineiros, apenas nosso herói restou. E se tornou um robozinho fascinado pela raça humana, pelos musicais e pelos objetos que nós deixamos aqui. A rotina de Wall-E é recolher o lixo, compactá-lo e empilhá-lo em pilhas gigantescas. O dia a dia dele vai correndo normalmente, até que uma nave chega à Terra e deixa uma robozinha chamada EVA, cuja diretriz é um mistério para o espectador (não se preocupe, não vou estragar o mistério aqui). Wall-E se apaixona imediatamente por EVA, e começamos a testemunhar uma das maiores histórias de amor do cinema em todos os tempos. É sério! Cheio de aventura, humor e homenagens aos velhos filmes mudos dos primórdios do cinema, este é um filme para ver, rever e nunca se cansar de se emocionar. Trata-se do melhor filme da Pixar desde Procurando Nemo, e sem dúvida um dos melhores filmes de 2008. Imperdível!
Quando C.S. Lewis, renomado escritor irlandês cristão, decidiu escrever uma história de fantasia, encontrou uma forte reação contrária da parte de um de seus melhores amigos: ninguém menos que o autor da trilogia O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien. O fato é que Lewis queria ensinar os fundamentos bíblicos elementares a sua sobrinha, Lucy. Mas ele também queria registrar sua contribuição para um dos gêneros literários mais presentes na literatura britânica: o conto de fadas. Mas no fim, acabou fazendo muito mais do que queria. Ao conceber O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e todo o mundo mágico de Nárnia, Lewis acabou estabelecendo padrões para essa literatura que têm sido seguidos por todos os escritores que vieram depois dele.
O livro, lançado em 1950, fez tanto sucesso que Lewis decidiu contar todas as histórias que imaginava envolvendo Nárnia e seu leão-Deus, Aslam. Depois de sete livros, idas e vindas no reino mágico, na Calormânia, no Bosque Entre Mundos e em tantos outros lugares, estavam concluídas As Crônicas de Nárnia. O fascínio que tais obras exercem até hoje em crianças de todas as idades, dos 8 aos 80 anos, é crescente e tomou um fôlego ainda maior quando a Walden Media e a Disney lançaram a adaptação cinematográfica de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Os fãs e admiradores de C.S. Lewis puderam finalmente ver realizado o sonho de visualizar em outra dimensão além da imaginação todo o universo que embalou seus sonhos durante anos.
O filme conseguiu captar a essência do que de fato trata o livro. Afinal, As Crônicas de Nárnia não são meras aventuras juvenis, nem simples contos de fadas tradicionais. São na verdade histórias que ensinam de modo claro todo o processo pelo qual Jesus passou para a redenção da humanidade. A obra traz várias figuras facilmente identificáveis que se relacionam com a morte, ressurreição e ascensão de Cristo.
E não só isso, mas a história também remete à vida do próprio seguidor de Cristo, o distanciamento ocasional seguido da aproximação repentina, a busca por uma comunhão maior com Deus, a necessidade que o cristão sente da presença do Senhor e muitas outras coisas.
Tais figuras se fazem presente nas sete crônicas e cada livro completa o outro, formando todos eles um verdadeiro panorama do plano de Deus para o homem. É nessa estratégia didática que reside a genialidade de C.S. Lewis; ele conseguiu fazer da literatura fantástica algo muito mais interessante e educativo do que qualquer aula de escola dominical, sem se afastar dos princípios básicos do cristianismo.
Logo na abertura de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, encontramos os quatro irmãos Pevensie, centrais da trama: Susana, Pedro, Edmundo e Lúcia. Em pleno auge da 2ª Guerra Mundial, os protagonistas vivenciam os bombardeios nazistas em Londres, e desde cedo já experimentam os horrores da guerra. Para fugirem de um destino trágico, eles são enviados por sua mãe ao interior, como parte de uma estratégia do governo britânico para salvar da morte o maior número de crianças. Ao chegar no casarão que os abriga, são recebidos pela governanta do lugar; o dono da casa, um misterioso professor Digory Kirke, quase não é visto. Mal sabem as crianças que ele guarda um segredo maravilhoso sobre sua infância.
Em um dia chuvoso, os irmãos decidem brincar de esconde-esconde dentro do casarão. Lúcia, a mais nova, se esconde em um estranho guarda-roupa, cheio de casacos. Ao adentrar mais e mais para melhor se esconder, ela descobre que o móvel é na verdade o portal para um mundo mágico e fascinante. Nárnia é descoberta! A sensação de deslumbramento toma qualquer pessoa que assiste ao filme pela primeira vez. É perfeita a caracterização da floresta narniana tomada pela neve, e qualquer um que já tenha lido o livro original fica emocionado ao se deparar com o solitário poste de luz que serve como uma espécie de demarcação para os limites de Nárnia.
Para resumir tudo, depois de voltar à mansão, Lúcia conta tudo o que viu e a amizade que fez com um fauno chamado Sr. Tumnus (vivido pelo hoje astro James McAvoy, de O Procurado e Desejo e Reparação) a seus irmãos, que não acreditam nela. Ela conta que Nárnia vive um inverno que já dura 100 anos, graças ao domínio de Jadis, a Feiticeira Branca. Percebe-se nitidamente que esta personagem é a figura de Satanás, cujo domínio na humanidade a mantém em um estado de frieza espiritual, distante do calor que a proximidade com Cristo proporciona. Como é de se esperar, ninguém acredita na palavra da pequena. Lógico que todos acabarão descobrindo o reino mágico também, e terão que reconhecer que Lúcia estava certa. O primeiro a fazer a constatação é Edmundo, que a segue até lá, mas ao invés de conhecer Tumnus encontra a própria Jadis.
Os quatro irmãos descobrem que são os personagens centrais de uma profecia que fala sobre a libertação de Nárnia do regime da feiticeira pelas mãos de dois filhos de Adão e duas filhas de Eva (mais uma referência bíblica), com a ajuda do leão-deus Aslam – figura aqui do próprio Cristo, chamado nas Escrituras de Leão da Tribo de Judá (Apocalipse 5.5).
Acontece que mesmo relutantes, os Pevensie serão forçados a entrarem na guerra. Tudo porque Edmundo traiu os outros ao fugir e ir até o castelo de Jadis, que havia lhe prometido dar-lhe uma enorme quantidade de docinhos se ele levasse todos seus irmãos consigo. Ao chegar no castelo, a feiticeira o aprisiona e os irmãos terão que procurar Aslam e tentar resgatar Edmundo.
Mesmo nesse trecho do filme temos uma figura bíblica: o traidor, ou mesmo o cristão que, tentado, se entrega ao mal por causa de “docinhos”, pequenos prazeres denominados “pecados”.
A jornada dos Pevensie até o lugar onde Aslam reúne seus exércitos é incrementada com uma perseguição empreendida pelos lobos a serviço de Jadis e um encontro com Papai Noel – único momento dúbio da trama, mas aceitável por sabermos que se trata de um lugar mágico, povoado por faunos, duendes, animais falantes, feiticeiras e por que não o “Bom Velhinho”? É quando os irmãos recebem presentes que serão utilizados no momento da batalha final contra a feiticeira: Pedro recebe uma espada digna de um rei; Susana, um arco digno de uma guerreira; Lúcia, um punhal para defesa e um ungüento com poder de cura. Os presentes recebidos por eles podem ser um símbolo do ministério que cada crente tem na obra de Deus; enquanto uns são designados para serem líderes, outros são comissionados para estarem à frente da batalha, recebendo os primeiros golpes, e outros são os que consolam, restauram e auxiliam os feridos. No exército de Deus, ninguém é deixado para trás.
Por enquanto é só. Continuamos destrinchando os detalhes e figuras bíblicas encontradas em Nárnia no próximo artigo. Até lá.
"Alguém já advertiu que não devemos estar tão envolvidos com o céu a ponto de sermos totalmente inúteis na terra. Se há um problema que esta geração não enfrenta é esse. A verdade nua e crua é que estamos tão envolvidos com a terra que não temos nenhuma utilidade para o reino dos céus.
Irmãos, se fôssemos tão eficientes na tarefa de enriquecer nossa alma quanto o somos na de cuidar de nossos interesses pessoais, constituiríamos uma ameaça para o diabo. Mas se fôssemos ineficientes no cuidado de nossos interesses como o somos nas questões espirituais, estaríamos mendigando."
Leonard Ravenhill, no livro Por que tarda o pleno avivamento?, Editora Betânia
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Filipe Malafaia Cerqueira
23 abril 2009
Tenho acompanhado com grande interese a Cinemateca Veja, que tem sido lançada semanalmente. Embora não tenha adquirido todos os filmes até agora (haja dinheiro!), já comprei alguns títulos, os que achei mais interessantes e merecedores do meu suado dinheirinho: Amadeus, Titanic, Los Angeles - Cidade Proibida, O Sexto Sentido, Intriga Internacional, A Malvada, A Morte Pede Carona, O Iluminado, O Silêncio dos Inocentes, Golpe de Mestre, 2001 - Uma Odisséia no Espaço e Apocalypse Now. Dentre os filmes que comprei, vários eu ainda não havia assistido, o que tornou a compra muito mais prazerosa. Cada título inclui um livro muito bem cuidado com a história do filme mais informações sobre os bastidores da produção, biografia dos atores e diretor, e um guia para assistir o filme. Isso tudo além do disco com o filme, é claro.
Sobre o conteúdo deste livro, tenho algumas ressalvas com o texto introdutório, sobre a trama de cada filme. O problema é que na maioria destes textos, toda a história do filme é entregue, até mesmo seus finais, o que estraga o prazer de assistir pela primeira vez cada filme, se o comprador quiser ler o livro antes de ver a obra. Outro detalhe interessante que a editora Abril omitiu em sua divulgação da coleção é o fato de que vários dos DVDs contém todos os extras da edição original de suas distribuidoras, mudando apenas o rótulo dos discos. Por exemplo, o disco de O Silêncio dos Inocentes é exatamente o mesmo da "Edição Especial" que a Fox lançou alguns anos atrás. Isso é ótimo, e fica o aviso para quem queria comprar mas não se sentia atraído por achar que cada DVD vem com apenas o filme e nada mais. No mais, considero a iniciativa da Cinemateca Veja algo muito legal e pioneiro, que pode aproximar o público dos grandes clássicos por um preço bem em conta - cada exemplar custa R$13,90. Quanto à lista dos filmes tidos por Veja como os "50 filmes essenciais do cinema", tenho minhas objeções, mas nada que tire o prazer de sentar no sofá com pipoca na mão e se deliciar com algumas das obras cinematográficas mais interessantes e marcantes da história da sétima arte.
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Filipe Malafaia Cerqueira
21 abril 2009
Quando um cartaz de filme estampa os nomes de Wagner Moura e Guel Arraes no Brasil atual todo mundo presta atenção. O primeiro pelo seu papel-marco do Capitão Nascimento, que mais do que um personagem acabou virando um fenômeno pop. O segundo pelo histórico de filmes-pipoca com alma que já realizou - é só lembrar de O Auto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro e, vá lá, Caramuru: A Invenção do Brasil. A mudança de colaborador habitual (todos os filmes citados têm como protagonista Selton Mello) trouxe também uma virada radical no que diz respeito à temática. Se nos filmes anteriores Arraes tinha uma visão mais voltada para um lado kitsch e até ridículo do Brasil, neste Romance ele retrata seu próprio universo: o teatro e a televisão. E o faz com muita propriedade, já que envolve o espectador em uma espécie de remake teatral da clássica tragédia de Tristão e Isolda, sem jamais sequer parecer trágico. A escolha de Letícia Sabatella como parceira de cena de Wagner Moura mostra-se acertada. É fácil acreditar no amor dos dois, o que torna a experiência de assistir o filme gratificante. O elenco de coadjuvantes também cumpre bem o seu papel, com destaque para a ótima participação de Marco Nanini como um astro da tevê, cheio de chiliques e exigências, algo como uma Susana Vieira de calças. Romance é um filme divertido que traz a marca Guel Arraes e Jorge Furtado (que co-assina o roteiro): diálogos ágeis e inteligentes, com um toque de metafísica (o olhar para seu próprio mundo), e uma crítica ao mundo descartável de finais felizes da tevê, o que não deixa de ser surpreendente, já que o filme é uma co-produção da Globo Filmes. Em um tempo de romances sem sal vindos de Hollywood, encontramos no Brasil um bom exemplo de como fazer um filme romântico e inteligente ao mesmo tempo. Ponto para Guel Arraes e seus fiéis colaboradores.
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Filipe Malafaia Cerqueira
29 março 2009
Quando acaba a sessão de Última Parada 174, fica uma sensação de apatia. Apatia diante de uma situação não apenas vivida pelo protagonista da história, Sandro do Nascimento, mas por todos os que diariamente se veem sem um porto seguro, sem rumo, à deriva em um oceano de descaso e inoperância. A história real, do rapaz que em junho de 2000 sequestrou um ônibus da linha 174 e desencadeou uma das mais longas e tensas situalções com reféns da história do Brasil, é um conto de desespero e abandono, desses que não acha saída, desses que estão repletos de trevas urbanas. Ao decidir contar a história sob o ponto de vista do bandido, mostrando todas as escolhas (ou falta delas) que o levaram àquela fatídica noite de outono, o roteirista Bráulio Mantovani (de Cidade de Deus) não absolve Sandro de suas ações, mas expõe uma ferida aberta na sociedade brasileira, sem entretanto mostrar uma solução.
E a solução não é mostrada porque não cabe à obra cinematográfica fazê-la. Cabe à sociedade e aos governantes trazer à tona algo que traga esperança a pessoas que não a têm.
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Filipe Malafaia Cerqueira
17 março 2009
História de humor, aventura e, em alguns momentos, pitadas de romance, mostra a epopéia de Fone Bone na tentativa de encontrar seus primos e, quem sabe, achar a saída de um misterioso vale. Bone já faturou prêmios como o Eisner (Melhor Publicação de Humor e Melhor Roteirista/Desenhista), o Harvey (Melhor Quadrinhista, por dois anos consecutivos) e o National Cartoonist Society's Award.
Trata-se de uma história deliciosa, com um estilo único, aparentemente infantil, mas com um apelo que alcança a todas as idades. Vale a pena experimentar! Clique nos títulos para baixar.
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Filipe Malafaia Cerqueira
16 março 2009
Um adolescente comum descobre ter alguma ligação com o Divino, quando sofre um acidente com um caminhão e sai ileso. Conforme vai descobrindo seus "poderes", ele realiza milagres e recupera a fé de um padre descrente. Não demora muito para Jodie passar a acreditar que é a reencarnação do próprio Cristo! Este é apenas o começo de uma história que vai te surpreender, e no fim servirá como um alerta de que este mundo, de fato, jaz no maligno. Clique nos títulos abaixo para fazer o download:
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Filipe Malafaia Cerqueira
02 fevereiro 2009
Assistindo a este filme de 1995, dirigido por John Boorman e estrelado por Patricia Arquette e Frances McDormand, fiquei muito curioso a respeito de um dos países mais obscuros para os ocidentais, Mianmar (ex-Birmânia) e fiz uma pesquisa sobre o assunto. Descobri que a igreja cristã em Mianmar sofre perseguição por motivos políticos, num país governado por uma ditadura militar desde 1963. Abaixo segue texto retirado do site da Missão Portas Abertas sobre a situação do país. Por favor, leia. É vital conhecermos mais sobre a situação da Igreja de CRISTO no mundo.
O Mianmar, antiga Birmânia, é conhecido como a "terra dos templos" e está localizado às margens do Golfo de Bengala e do Mar de Andaman, entre Bangladesh e a Tailândia. Seu território apresenta densas florestas e é caracterizado por uma região central de terras baixas, cercadas por um anel de montanhas íngremes e elevadas.
Há uma alta taxa de mortalidade devido à AIDS. A doença diminuiu a expectativa de vida para 62 anos, e elevou a taxa de mortalidade infantil. A taxa de crescimento demográfico também é afetada pelo vírus, sendo a segunda mais baixa da região.
Os birmaneses descendem de tribos mongóis que chegaram à região no século VII. O Estado foi unificado em 1054, com a fundação da dinastia Pagan pelo rei Anawrahta. Durante essa dinastia, inúmeros templos budistas foram construídos no país.
Mais tarde, com a invasão de Gengis Khan em 1287, muitos desses templos foram destruídos. Entre 1287 e 1824, o país foi governado por seis dinastias distintas.
As primeiras guerras anglo-birmanesas ocorreram em 1824 e 1853. Foi também em 1853 que, sob o governo do rei Mindon, iniciou-se uma intensa revolução industrial em paralelo à descoberta de petróleo. Em 1885, a Grã-Bretanha venceu a terceira guerra anglo-birmanesa e assumiu totalmente o controle do país.
Já no século XX, com o início da II Guerra Mundial, os birmaneses chegaram a auxiliar o Japão em uma tentativa de expulsar os colonizadores ingleses. Finalmente, em 1947, o país obtém sua independência e torna-se uma união federativa de sete distritos e sete Estados minoritários.
Em 1962, o Partido do Programa Socialista da Birmânia (PPSB) assumiu o poder e instaurou o socialismo. Decisões do governo deterioraram a situação econômica, e as mudanças de chefe de Estado, nomeadas pelo PPSB deixaram a população extremamente insatisfeita.
Foram marcadas eleições para 1990, e o PPSB foi derrotado por 80%. O governo, entretanto, ignorou o resultado, proibiu as atividades da oposição, prendeu e exilou os oponentes e reprimiu as manifestações do povo.
Ainda hoje há oponentes presos. A mais famosa é Aung San Suu Kyi, líder da oposição Liga Nacional Pró-Democracia. Ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991. Sua popularidade impede o governo de executá-la, mas ele a mantém incomunicável em sua prisão domiciliar.
Depois que a junta militar aumentou o preço dos combustíveis em agosto de 2007, milhares de birmaneses marcharam em protesto, liderados por pró-democratas e monges budistas.
No final de setembro de 2007, o governo massacrou os manifestantes, assassinando 13 pessoas e detendo milhares por participar dos protestos. Desde então, o regime vem invadindo casas e mosteiros, e detendo suspeitos de atividades pró-democráticas.
Pouco menos de 90% da população é alfabetizada. Embora seja rico em recursos naturais, o país sofre com a má administração do governo, com políticas econômicas ineficientes, e com a pobreza rural. A taxa de desemprego é muito baixa (5%), entretanto, mais de 30% da população esta abaixo da linha de pobreza.
Grande parte da população está envolvida em atividades ilícitas. Mianmar é o segundo maior produtor de ópio, droga utilizada na fabricação de heroína, e há sérios problemas no país relacionados ao uso de drogas e à prostituição. O país também trafica homens, mulheres, e crianças para exploração sexual, serviço doméstico ou trabalhos forçados no Leste e no Sudeste asiático.
A maioria dos birmaneses é adepta do budismo, que entrou no país durante os primeiros séculos da era cristã e tem sido a religião dominante desde o século IX, exercendo enorme influência sobre a nação. Os muçulmanos se encontram na região do Arakan, próxima à fronteira com Bangladesh no extremo sudoeste do país. Crenças tradicionais são praticadas por minorias étnicas e influenciam a prática do budismo.
O cristianismo chegou ao território birmanês no século X, levado por discípulos de Nestório. Mais tarde, chegaram o catolicismo romano no século XVI e o protestantismo em 1813. As reações ao cristianismo têm variado grandemente, mas o país continua sendo uma importante base para o ministério cristão na Ásia.
A Igreja se divide em três grandes grupos: batistas, católicos romanos, anglicanos. Além desses, há outras pequenas denominações protestantes.
O governo ainda interfere nas reuniões e atividades de praticamente todas as organizações, inclusive organizações religiosas. Ele faz isso de maneira explícita e implícita.
O governo impede os clérigos budistas de promover os direitos humanos e a liberdade política. Mas, ao mesmo tempo, promove o budismo theravada sobre as outras religiões, em particular entre as minorias étnicas.
As autoridades também desestimulam, e até proíbem, a construção de templos entre as religiões menores. Em alguns casos, funcionários do governo destroem os templos construídos sem autorização. Também é necessário solicitar a permissão do governo para fazer reformar e melhorias nos templos já existentes.
Os cristãos das áreas rurais são perseguidos com freqüência pelos governantes, que se alinham com poderosos grupos budistas e tentam utilizar a religião como forma de controlar a população local.
No dia 11 de março de 1998, logo após a meia noite, Sheh Wah Paw, uma jovem de 17 anos, estava orando com sua irmã, Thweh Ghay Say Paw, de 15 anos. Nas proximidades, soldados queimavam cabanas feitas de bambu na região fronteiriça com a Tailândia. Muitos da etnia karen estavam desabrigados e Sheh Wah Paw agradecia a Deus pela cabana de bambu que as abrigava. Próxima daquela cabana rudimentar estava localizada a igreja batista que a família de Sheh freqüentava regularmente. Aquela cabana, considerada uma bênção pela família Paw, estava para ser colocada à prova naquele momento.
Kyaw Zwa, o patriarca da família, havia construído um abrigo provisório de concreto embaixo da cabana como esconderijo. Receando que sua casa pudesse ser destruída, ele refugiou-se com sua família naquele local, buscando proteção. No entanto, pouco tempo depois a cabana estava em chamas e o calor era tão intenso que o interior do abrigo parecia um verdadeiro forno. As chamas se espalharam pelo esconderijo e as roupas das pessoas que estavam ali começaram a pegar fogo. Finalmente, as garotas saíram correndo e gritando do abrigo. Infelizmente, duas semanas depois, as duas filhas de Kyaw Zwa faleceram em conseqüência das queimaduras.
Um líder da região afirmou que aquela não era uma guerra entre cristãos e budistas, mas entre os karenes e os birmaneses, e que estavam usando a religião apenas como pretexto para dividir as duas etnias. Por isso, não é de se estranhar que a igreja batista tenha sido um dos primeiros locais a ser queimado, enquanto o mosteiro budista e os lares ao seu redor permaneceram intocados.
Kyaw Zwa, entristecido pela perda de suas filhas, disse que os birmaneses odiavam os karenes, e que odiavam os karenes cristãos mais ainda. Por algum tempo ele questionou porque as orações de suas filhas aparentemente não tiveram resposta, mas depois seu coração encontrou a paz. Kyaw Zwa então afirmou o seguinte: "Eu sei que Deus me ajudou e que permitiu a morte de minhas filhas. Elas se foram, mas estão livres".
1. A Igreja tem crescido rapidamente. Ore para que esse crescimento persista e para que os líderes da Igreja birmanesa desenvolvam métodos eficientes para treinar os novos convertidos e comissioná-los como evangelistas.
2. A Igreja enfrenta ataques de budistas que procuram restringir a atividade cristã. Peça em oração que os cristãos encontrem meios eficazes de responder a esses ataques e que consigam ganhar o respeito dos líderes governamentais e servir ao país.
3. A Igreja birmanesa tem exercido um impacto considerável em todo o continente asiático. Louve a Deus pelo alcance dos ministérios dirigidos por grupos baseados em Mianmar. Ore para que esses trabalhos continuem a exercer impacto e influência em toda a região.
4. A Igreja e o país inteiro sofrem com o problema das drogas. Interceda em oração pelo fim do narcotráfico que domina grande parte da economia birmanesa. Ore também para que os cristãos encontrem métodos viáveis de oposição ao comércio de drogas e forneçam alternativas econômicas ao povo birmanês.
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Filipe Malafaia Cerqueira
26 janeiro 2009
Fazer um filme sobre o holocausto impetrado pelos nazistas depois de centenas de filmes sobre o assunto parece algo como chover no molhado. A impressão que se tem depois de assistir a A Lista de Schindler (Steven Spielberg, 1994), por exemplo, é que não há mais nada para se mostrar sobre o genocídio de 6 milhões de judeus durante a 2ª Guerra Mundial. Mas eis que alguém resolve fazer um filme sobre a amizade sincera entre um menino alemão filho do comandante de um campo de concentração e um menino judeu, prisioneiro desse campo. Tivesse um protagonista mais talentoso, estaríamos diante de uma pequena pérola do cinema.
Mas O Menino do Pijama Listrado ainda não chega a esse patamar. O filme é bom, traz uma emoção verdadeira e nos faz refletir sobre a inutilidade da guerra. Ao optar por um final incomum em filmes comerciais, o diretor Mark Herman mostra alguma coragem, o que nos deixa esperançosos quanto a futuros filmes.
Concluindo, algumas pessoas certamente vão chorar com este filme, outros vão odiar o fim, mas isso tudo é parte da magia do cinema, algo que me faz a cada dia mais fascinado e encantado com as possibilidades que esta arte traz.
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Postado por
Filipe Malafaia Cerqueira
29 dezembro 2008
Uma banda muito legal que apareceu na cena americana é o Little Joy, a reunião muito proveitosa de Rodrigo Amarante , na foto ao lado (Los Hermanos), e Fabrizio Moretti (Strokes). Quem quiser baixar, é só clicar aqui.